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KAREN CRISTINA COSTA DA CONCEICAO
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ENTRE A FARINHA E O ALGODÃO: Trabalho, Saberes e Resistência Simbólica das
Mulheres Indígenas na Amazônia Colonial (16801757).
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Orientador : ALEXANDRE GUIDA NAVARRO
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Data : 23/12/2025
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Esta tese analisa a centralidade do trabalho das mulheres indígenas na economia colonial do Estado do Maranhão e Grão-Pará entre os séculos XVII e XVIII, a partir da leitura cruzada de fontes camarárias, correspondências oficiais, documentação do Conselho Ultramarino e relatos missionários. Ao deslocar o olhar das grandes estruturas econômicas para o cotidiano da produção, da circulação e do abastecimento, a pesquisa evidencia que gêneros como farinha de mandioca, algodão, panos, cerâmica, redes e utensílios domésticos sustentaram materialmente a vida colonial amazônica e dependeram, de forma estruturante, dos saberes femininos indígenas. A documentação revela, contudo, um paradoxo: enquanto os produtos do trabalho feminino aparecem minuciosamente registrados nos livros de receita e despesa, as mulheres quase nunca são reconhecidas como sujeitas históricas, sendo reduzidas a nomes funcionais, valores monetários ou completamente silenciadas. Essa dinâmica é interpretada à luz da história indígena, da etno-história e da teoria da colonialidade, especialmente a partir das contribuições de John Manuel Monteiro, Maria Regina Celestino de Almeida, Aníbal Quijano, Walter Mignolo e Rita Segato, permitindo compreender a escrita administrativa como um dispositivo de apagamento da agência indígena, sobretudo feminina. Ao mesmo tempo, a tese demonstra que a permanência dos modos indígenas de produzir, na agricultura da mandioca, na fabricação da farinha, na cerâmica, na tecelagem do algodão e na organização coletiva do trabalho, constituiu uma forma de resistência simbólica, expressa não pelo enfrentamento direto, mas pela continuidade dos saberes, das técnicas e das formas de vida dentro da ordem colonial. A pesquisa evidencia ainda os conflitos entre câmaras municipais, missionários e a Coroa portuguesa pelo controle da mão de obra indígena, destacando o papel do municipalismo amazônico na administração de corpos e produtos como unidades equivalentes de valor. Ao articular economia, política municipal, trabalho indígena e colonialidade, o estudo demonstra que a Amazônia colonial não pode ser compreendida a partir dos modelos clássicos da economia atlântica, mas exige o reconhecimento de suas dinâmicas próprias, profundamente marcadas pela agência, ainda que silenciada, das mulheres indígenas. Assim, esta tese contribui para o campo da história indígena, da história social do trabalho e dos estudos decoloniais ao reinscrever as mulheres indígenas como sujeitos centrais na construção material e simbólica da Amazônia colonial.
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CLAUDIMAR ALVES DURANS
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HIP-HOP E DIÁSPORA AFRICANA: história e identidades juvenis diaspóricas nas cidades de São Luís (Brasil) e Praia (Cabo-Verde)
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Orientador : ALEXANDRE GUIDA NAVARRO
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Data : 18/12/2025
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No contexto da globalização neoliberal, entre o final do século XX e o início do XXI, as
questões de raça, identidade e racismo assumiram centralidade nas disputas políticas e
culturais em diversas partes do mundo. No Brasil e em Cabo Verde, sociedades
profundamente marcadas por longos processos de escravização e colonização, tais
dinâmicas se manifestam de forma particular, pois raça e racismo estruturaram as hierarquias
sociais e econômicas, além de consolidarem uma mentalidade eurocêntrica e excludente.
Esta tese insere-se no campo dos estudos sobre história, juventude, cultura, identidade e
hip-hop, tendo como espaços de análise as cidades de São Luís do Maranhão (Brasil) e
Praia (Cabo Verde). O objetivo é compreender como o movimento hip-hop, em suas
dimensões estética, política e social, tem contribuído para a construção de identidades
negras juvenis, para a denúncia das desigualdades sociorraciais e para a formulação de
novas narrativas históricas sobre a diáspora africana no Atlântico Negro. A pesquisa aborda
o desenvolvimento histórico e cultural do hip-hop e de seus elementos constitutivos :rap,
break e grafite, analisando suas expressões e transformações nos contextos brasileiro e
cabo-verdiano. Em São Luís, o estudo abrange desde as primeiras manifestações nos anos
1980 até os rappers da nova geração, que transformam praças e periferias em espaços de
resistência e criação. A análise compara formas de organização, discursos e práticas das
diferentes gerações do hip-hop, discutindo ainda questões de gênero, pertencimento e
transformação social que permeiam o movimento. Nessa perspectiva, o hip-hop é compreendido como um movimento cultural e político que ressignifica identidades étnico- raciais e desafia narrativas eurocêntricas, configurando-se como prática contra hegemônica e instrumento de emancipação da juventude negra na diáspora.
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IRCEU MUNHOZ JUNIOR
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EDUCAR PARA A VIDA, ATRAVÉS DA VIDA: A BASE TEÓRICO-METODOLÓGICA DA PEDAGOGIA WALDORF E O ENSINO DE HISTÓRIA NO BRASIL CONTEMPORÂNEO COMO EXEMPLO DE EDUCAÇÃO EMANCIPATÓRIA.
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Data : 09/12/2025
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A presente pesquisa investigou o pensamento do filósofo austríaco Rudolf Steiner e as suas contribuições para a edificação de uma teoria do conhecimento no final do século XIX que serviria de base para algumas iniciativas práticas em distintos campos do conhecimento, entre eles, o campo da Educação. Tais bases metodológicas dessa teoria do conhecimento Steineriana seriam usadas para alicerçarem os fundamentos de uma proposta pedagógica que nasceria no pós-guerra na Alemanha, em 1919: a pedagogia Waldorf. Veremos nessa tese como as abordagens de Steiner sobre os processos de conhecimento do ser humano em relação com os fenômenos da natureza e com todo o mundo sensório se constituem como princípios para a prática da pedagogia Waldorf e, principalmente por conta disso, a torna uma proposta educacional peculiar. Poderemos constatar o quanto Steiner foi um pensador de seu tempo e espaço e como seu contexto histórico e filosófico estão representados em suas obras, destacando as influências de Goethe em sua teoria do conhecimento e posteriormente na prática pedagógica Waldorf. A pedagogia Waldorf traz em seus fundamentos intencionalidades absolutamente comprometidas com questões contemporâneas e adentra o século XX e XXI crescendo em todo mundo e contribuindo com transformações sociais nas comunidades em que está inserida através de processos educacionais que buscam promover a emancipação humana e a prática da cidadania a partir da tomada de consciência fruto de um processo metodológico-didático que visa fortalecer o ser humano integralmente. Entendemos que, por essa razão, a UNESCO declarou, em 1994, a pedagogia Waldorf como capaz de corresponder aos desafios educacionais, principalmente nas áreas de grandes divergências culturais e conflitos sociais. Ilustraremos essa proposta metodológica através de exemplos voltados ao ensino de História no Ensino Médio de tal maneira que poderemos perceber viva a teoria de conhecimento Steineriana nas bases metodológicas práticas de uma aula dessa disciplina da Educação Básica brasileira. Evidenciaremos como estas intencionalidades pedagógicas ancoradas num profundo interesse pelo ser humano, na teoria do conhecimento Steineriana, na fenomenologia e no Goetheanismo constituem uma proposta educacional comprometida com a emancipação do aluno no processo de ensino-aprendizagem para que este atue em seu contexto de vida promovendo práticas cidadãs e transformações sociais.
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LORENA MARIA DE FRANÇA FERREIRA
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Corporeidades das mulheres na Escola Normal Oficial em Teresina - Piauí (1909-1950).
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Data : 14/11/2025
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Nas primeiras décadas do século XX o Brasil passou por modificações impulsionadas pelo regime político da República, fossem essas mudanças nas estruturas das suas principais cidades, no campo educacional e nas relações sociais. Isso também aconteceu cidade de Teresina Piauí que se formava como o centro administrativo do estado, local de efervescência política e ideológica e formava-se a Escola Normal Oficial destinada a formação educacional das mulheres. A tese tem como objetivos compreender as corporeaidades das mulheres produzidas na Escola Normal Oficial em Teresina Piauí, e analisar as construções e as representações dos corpos das mulheres como normalistas e professoras. Para esse entendimento foi feito o uso de Le Breton (2007) e Courtine (2013) sobre a construção do corpo, Foucault (1979; 1997) para entendimento das relações de poder, Scott (1995) para as relações de gênero, Lefebvre (2006) e De Certeau (2003) para as análises dos espaços, Chartier (1990) para pensar nas representações femininas e Assmann (2011) para a entender as memórias. A pesquisa se delineia ao usar escalas de análise históricas (Revel, 2010), para o estudo das mulheres na educação em Teresina PI, relaciona com a história do Brasil e como mulheres que imprimiam suas experiências na educação. Para análise foram usadas fontes produzidas pelo poder público piauiense como relatórios e mensagens governamentais, decretos, obras memorialísticas, revistas e jornais que circulavam no interior e na capital piauiense.
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DRYELI DE JESUS COELHO PINHEIRO
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Grupo Mulheres da Ilha: feminismos conectados na luta pelos direitos das mulheres em São Luís-MA (1980-1988)
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Data : 24/10/2025
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presente pesquisa tem como proposta analisar o feminismo em São Luís, sob o recorte temporal de 1980 a 1988, e se constitui enquanto um estudo de caso do primeiro grupo feminista da cidade, o Mulheres da Ilha, de acordo com o que se tem registrado. O objetivo geral é de compreender os processos históricos do feminismo local, a partir do Grupo Mulheres da Ilha, de modo a conectá-lo a processos maiores, a exemplo do que acontecia no restante do Brasil, América Latina e Europa. No que compete aos objetivos específicos, se buscará trazer à tona e analisar como eram desenvolvidos os debates, a trajetória de luta do grupo pelos seus direitos e as adversidades que se constituíam em ser mulher e feminista durante o decênio de 1980, em São Luís. A História Oral será a principal metodologia empregada, e se procederá nas entrevistas das militantes que compunham o referido grupo. Assim, a principal fonte da pesquisa são as memórias das militantes, mas também se faz ainda o uso de matérias de jornais do Maranhão. A fim de analisar tais fontes, faz-se uma análise, a partir da Teoria Dialógica do Discurso de Mikhail Bakhtin. Para além disso, a pesquisa se apropria das concepções analíticas presentes no estudo de gênero, a partir das contribuições de Joan Scott e do conceito de interseccionalidade formulado por Kimberlé Crenshaw.
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RENARA CRISTINA PINHEIRO DOURADO
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POLÍTICA, RELIGIÃO E IMPRENSA: DEBATES NA IMPRENSA SOBRE O BISPADO DE D. FREI LUIZ DA CONCEIÇÃO SARAIVA DURANTE A QUESTÃO RELIGIOSA (1872-1875).
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Data : 10/10/2025
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Esta dissertação tem como foco analisar as polêmicas nos periódicos oitocentistas envolvendo o então bispo do Maranhão, Dom Frei Luiz da Conceição Saraiva, durante a Questão Religiosa. Nesse sentido, o nosso recorte abarca o ano de 1872 até 1875, período que compreende os anos de maior efervescência do conflito. O ápice da polêmica que envolve o bispo da diocese do Maranhão está relacionado a não publicação de um Breve pontifício, intitulado Quamquam Dolores, responsável por condenar a maçonaria no Brasil. O posicionamento adotado pelo bispo representou uma aparente falta de apoio às lutas de seus colegas contra a maçonaria, bem como deu margem para várias especulações dentro da imprensa periódica sobre sua posição nas contendas do conflito. A abordagem que pretendemos dialoga com a História Conectada e com a Nova História Política, visto que entendemos o processo histórico a partir de uma perspectiva integrada e percebemos o viés político imbricado nas relações de poder analisadas neste recorte. Pois, partimos do pressuposto de que as ideias não são neutras e nem desprovidas de influências, representando, por vezes, os interesses daqueles que se aproximam de determinadas visões de mundo. Por fim, com o objetivo de compreender a influência da imprensa na formação de um espaço público de debates políticos e religiosos nas províncias imperiais, traçaremos os seguintes caminhos: 1) contextualizaremos a relação entre Política, Religião e Imprensa; 2) Situaremos o bispo Saraiva nas contendas internas da Questão Religiosa; e, por fim, 3) Analisaremos os debates na imprensa envolvendo o bispado do Saraiva.
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CARLOS AUGUSTO LIMA BARROS
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O ORIENTE ASCENDE EM ROMA: uma análise das representações documentais do imperador romano Heliogábalo (218-222 d.C.).
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Data : 10/10/2025
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Heliogábalo foi um jovem imperador que governou Roma durante os anos de 218 a 222 d.C., figura que foi alvo de representações negativas por aqueles que escreveram sobre este, indo de críticas desde a forma como governava, como manifestava sua identidade cultural até a maneira como mantinha suas relações homoeróticas. A ascensão de Heliogábalo está envolvida no contexto do Império Romano do terceiro século, período de ascensão de orientais em postos políticos romanos e também de uma coalizão de poder sírio no meio imperial. Através de um golpe político orquestrado por sua avó, Júlia Mesa, junto a aliados do exercito romano e figuras orientais, Heliogábalo ascendeu ao poder e durante seu período de governou foi descrito em narrativas que buscavam destacá-lo enquanto um tirano cruel, oriental exótico e fanático, bem como um efeminado receptor em suas relações homoeróticas. Essas representações, por mais que carreguem um objetivo difamatório, revelam diferentes aspectos da sociedade imperial romana, possibilitando que através do estudo de Heliogábalo possamos compreender o próprio Império Romano. Essa pesquisa objetiva analisar as representações textuais antigas em torno do imperador Heliogábalo e assim compreender a partir da sua figura representada o contexto romano no qual estava envolvido, trabalhando com aspectos que envolvem o mos maiorum, conexão entre Roma e o Oriente, noções sobre a efeminação e homoerotismo, entre outros elementos, problematizando noções contemporâneas de um Império sem trocas culturais ou possuidor de uma virilidade extrema.
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MARIA DE FATIMA CABRAL PEREIRA
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DOM FREI JOAQUIM DE NOSSA SENHORA DE NAZARÉ: TRAJETÓRIA EM CONEXÕES ATLÂNTICAS (1820-1830).
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Data : 06/10/2025
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No século XIX, uma onda revolucionária varreu as colônias portuguesas e espanholas nas Américas, levando à independência. A instalação da Corte Portuguesa no Rio de Janeiro em 1808 mudou o cenário colonial, levando eventualmente à separação do Brasil de Portugal. Em 1820, a Revolução Liberal do Porto exigiu o retorno de D. João VI e sua Corte à Portugal, refletindo o conflito de interesses entre metrópole e colônia. A Independência do Brasil, em 1822, marcou uma ruptura nessa relação, embora algumas províncias, como o Maranhão, resistiram à adesão. O bispo Dom Frei Joaquim de Nossa de Nazaré, presidente da Junta Governativa do Maranhão, recusou-se a aderir à independência e atuou contra a adesão da província. Na década de 1830, em Portugal, à época bispo de Coimbra, esse mesmo clérigo se envolveu na disputa pelo trono português entre D. Pedro e seu irmão Miguel, aliando-se a este último e aos interesses da Igreja Católica. A trajetória política e religiosa desse bispo se evidenciou em meio às revoluções liberais e contrarrevoluções dos anos 1820-1830, revelando sua participação em ambos os lados do Atlântico. Desse modo, busca-se alinhar abordagens da micro-história com os campos teóricos da História Conectada e História Global para desvendar os contextos, atuações, posicionamentos e influências desse bispo católico. Nesse sentido, o objeto de pesquisa está guiado pela abordagem analítica da variação de escalas em Jacques Revel, a fim de compreender o contexto brasileiro, português e maranhense do século XIX. Para as fontes eclesiásticas e políticas utiliza-se a análise do discurso em Gizele Zanoto e Eni P. Orlandi, respectivamente. A análise da trajetória político-religiosa do bispo oferece uma perspectiva sobre a resistência à mudança e a defesa do status quo em um período de intensas transformações políticas e sociais.
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GABRIELL SOEIRO ARAUJO AVELAR
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Algodão no Vale do Itapecuru: Conexões entre Capitalismo e Escravidão no Maranhão Colonial (1755-1820).
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Orientador : LUIZ ALBERTO ALVES COUCEIRO
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Data : 02/10/2025
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A partir da segunda metade do século XVIII e início do XIX o Maranhão se torna um relevante porto de desembarque de escravizados nas Américas em razão de sua inserção no mercado atlântico como fornecedor massivo de algodão para revolução industrial, recebendo 70% do total de 114mil desembarcados na nessa região no período apontado e mantendo a oferta regular desse gênero via trabalho de escravizados nas lavouras de algodão. Para atender a essa demanda sem precedentes a lavoura escravista algodoeira maranhense se multiplicará principalmente na bacia do Rio Itapecuru e a reprodução sistemática dessas unidades produtivas se manifesta nas formas de apropriação do espaço e exploração do trabalho escravo cada vez mais intensas caracterizados pela segunda escravidão segundo Tomich (2015). O objetivo da pesquisa é analisar o perfil da plantation algodoeira maranhense no início do século XIX fazendo as conexões entre capitalismo e escravidão, considerando os agentes históricos estabelecidos e marginais em suas estratégias de ocupação do espaço, lógicas de produção, relações de poder, estratégias de resistência e percepções frente ao mundo atlântico que caracterizam a paisagem da sociedade colonial cotonicultora do Vale do Itapecuru. Para investigar o perfil dessa unidade produtiva por meio de uma historiografia global analisaremos a mesma em sua dimensão espacial e o contexto dos eventos atlânticos que a influenciaram. Além disso pretendemos entender sua espacialidade por meio de relatos de cronistas da época e a medida que avançarmos em suas descrições traçar-mos as particularidades da paisagem da plantation de algodão maranhense na ribeira do Itapecuru e como a consolidação desse complexo exportador insere o Maranhão nas dinâmicas do capitalismo atlântico e da divisão internacional do trabalho.
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JELLY JULIANE SOUZA DE LIMA
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CARTOGRAFIA ETNOGRÁFICA DAS MATERIALIDADES DA PRESENÇA NEGRA NO TERRITÓRIO DA
ANTIGA REPÚBLICA DO CUNANI (SÉC. XIX-XXI)
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Orientador : ALEXANDRE GUIDA NAVARRO
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Data : 29/09/2025
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Na Amazônia, desde o início da colonização emergiram conflitos pelo território.
Especificamente na fronteira amazônica durante o século XIX, Brasil e França disputaram uma
extensa área entre os rios Oiapoque e Araguari, que corresponde ao atual estado do Amapá.
Dentro da ideia de nação em iminência e de ações colonialistas internas, o Estado utilizou a
arqueologia para o registro das materialidades e das populações presentes em áreas
geográficas não oficialmente cartografadas. Assim, como as demais ciências modernas, a
arqueologia se articulou com o colonialismo interno e ao racismo. Ao participar da construção
de uma identidade nacional, a arqueologia criou uma narrativa de pretensa visibilidade para
passado indígena e de implícita e explícita invisibilidade quanto a presença negra nessa região.
Esses lugares, ou seja, territórios quilombolas, revelam no presente, lutas, resistência,
interações e formas de pensamento ativadas pela presença do mundo material, que diferem
da sociedade nacional envolvente. Como ponto de convergência, a pesquisa de tese partilhou
a experiência da vila do Cunani, conhecida na historiografia como quilombo Cunani ou
República do Cunani, o ponto focal nas discussões sobre o Contestado Franco-Brasileiro. O
objetivo principal desta pesquisa foi produzir uma cartografia das materialidades da presença
negra no antigo território do Contestado Franco-Brasileiro (Séc. XIX-XXI). Como fontes da
pesquisa foram utilizadas a oralidade e as materialidades arqueológicas do passado e do
contemporâneo que se entrelaçam às histórias dessas pessoas. A pesquisa foi pautada em
metodologias como a história oral, a etnografia apropriada pela arqueologia e o mapeamento
como registro das informações. Assim, como contra narrativa, emergiram a arqueologia
histórica e a arqueologia da diáspora africana, em consonância com a perspectiva colaborativa.
A pesquisa no território da comunidade quilombola do Cunani possibilitou a produção de
várias cartografias referentes às materialidades, articuladas às categorias como lugares,
objetos, celebrações, formas de expressão e saberes, tendo como base a memória e a
oralidade. Assim, a pesquisa de tese realizada na região do Cunani contribuiu ao situar na linha
do tempo a presença negra no antigo território do Contestado Franco-Brasileiro (Séc. XIX-XXI)
que foi apagada pela arqueologia colonialista.
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PAULO HENRIQUE MATOS DE JESUS
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É TÃO BOM SABOREAR UM ESCÂNDALO EM LETRA DE FÔRMA: notícias de homicídios, suicídios e mortes misteriosas, narradas pelo jornal Pacotilha, entre os
dois primeiros decênios do século XX
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Data : 17/09/2025
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Esta tese investiga as narrativas jornalísticas sobre crimes violentos - homicídios, latrocínios e
suicídios - publicadas pelo jornal O Pacotilha, em São Luís do Maranhão, entre as décadas de
1910 e 1920. Inscrita na perspectiva da História Social do Crime, a pesquisa analisa como
essas narrativas, fortemente marcadas pelo sensacionalismo e pela estética do fait divers
descrita por Roland Barthes e Dominique Kalifa, foram apropriadas e adaptadas ao contexto
local, em diálogo com padrões narrativos transnacionais. A partir de casos emblemáticos,
como o Crime Monstruozo (1913), o assassinato de Augusto Galeotti (1923) e suicídios de
repercussão, o estudo identifica recursos retóricos e estratégias discursivas que, para além da
função informativa, buscavam entreter, moralizar e reforçar hierarquias sociais e estereótipos
de gênero, raça e classe. A investigação baseia-se em análise qualitativa de edições de O
Pacotilha disponíveis na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, complementada por
outros periódicos contemporâneos e bibliografia especializada em imprensa, criminalidade e
cultura urbana (Barthes, Kalifa, Fausto, Bourdieu, Baczko, Caimari, Bretas, entre outros). O
cruzamento entre o exame das fontes ditas primárias e o referencial teórico permitiu
compreender o papel da imprensa maranhense como agente ativo na construção do imaginário
social sobre violência e ordem pública, evidenciando sua inserção nas disputas políticas e
culturais da Primeira República e sua função pedagógica na formação da opinião pública.
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JANE CLEA DA CUNHA SOUSA
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ANTÔNIO VIEIRA VERSUS CAMARISTAS: Conflitos e disputas pelo poder temporal dos indígenas (Maranhão, 1653-1661)
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Data : 29/08/2025
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PPretendemos analisar o conflito pelo poder local no Maranhão seiscentista entre os colonos, representados pelo corpo camarista, cujos integrantes eram denominados de homens bons, e a ordem religiosa Companhia de Jesus, representada pelo padre português Antônio Vieira. O recorte temporal compreende o período de 1653 a 1661, que marca a vinda da terceira leva de missionários jesuítas para o Estado do Maranhão, tendo o padre Antônio Vieira como seu superior, bem como o ano da expulsão dos jesuítas. Esse período se apresenta como um dos mais tensos entre colonos e religiosos devido à aplicação da Lei de 1653, obrigando a presença de religiosos nos descimentos, e da Lei de 9 de abril de 1655, concedendo o poder, tanto espiritual quanto temporal, à Companhia de Jesus. Esta lei promoveu uma reviravolta no processo político-administrativo da colônia, despertando o descontentamento dos camaristas. O aborrecimento desse grupo se intensifica com a aplicação de uma Junta que visava fazer uma varredura na condição legal dos nativos pertencentes aos colonos. Para analisarmos tal conflito nos remeteremos às cartas de vereações, a exemplo da carta de 27 de abril de 1654, como também dos registros feitos no Livro de Acordãos da Câmara de São Luís, de 1649-1654, juntamente com a carta escrita por Vieira que relata o processo da Junta (1655). As respostas de Vieira aos camaristas encontram-se nos textos que concebeu de 1654 a 1661, a exemplo dos sermões - Sermão de Santo Antônio aos peixes (1654), Sermão da Primeira Oitava (1656) e o Sermão da quarta dominga da quaresma (1660) - assim como das cartas dirigidas ao Senado da Câmara do Pará em 1661. Para promover a análise do discurso polêmico entre esses dois grupos (jesuítas e camaristas), utilizaremos as concepções do dialogismo bakhtiniano. Mikhail Bakhtin estabelece que as relações dialógicas são relações sociais de valores que constituem um enunciado dotado de um discurso ideológico. Neste sentido, de acordo com o filósofo da linguagem russo, é preciso levar em conta quem escreve, para quem se dirige tal texto e em qual situação foi produzido para assim podermos compreender a intencionalidade do autor (BAKHTIN, 2011, p. 307-308, 311).
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JOHNNY HENDRIX DUARTE PEREIRA
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RESISTÊNCIA DOS POVOS INDÍGENAS KARIRI NO SUL DA CAPITANIA DO CEARÁ (SÉCULO XVIII): protagonismo em perspectiva conectada.
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Orientador : POLLYANNA GOUVEIA MENDONCA MUNIZ
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Data : 18/08/2025
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A presente dissertação analisa o protagonismo indígena dos povos originários da nação Kariri, localizada no sul da capitania do Ceará, durante a primeira metade do século XVIII, especificamente no período de 1701 a 1750. Para isso, foram utilizadas metodologias de pesquisa que abrangem abordagens em história global e em perspectiva conectada, considerando que essa nação indígena ocupou e percorreu diversos territórios da América portuguesa ao longo do período colonial. A análise baseia-se em fontes disponíveis no Arquivo Histórico Ultramarino (AHU) e em outras documentações que discutem, mencionam e envolvem os Kariri. Além disso, foram utilizadas as principais produções bibliográficas que buscam ressaltar o protagonismo indígena na história e compreender o complexo contexto das resistências indígenas. É fundamental abordar essa resistência não apenas pela perspectiva dos conflitos diretos com o sistema colonial, mas também por meio das fugas, construção de alianças e busca por proteção nos aldeamentos religiosos, entre outras atitudes e comportamentos que podem ter sido silenciados pelo poder colonial. A documentação consultada, aliada as novas metodologias e campo historiográfico, como a Nova História Indígena, busca recuperar o protagonismo indígena na narrativa histórica. Este campo historiográfico auxilia na recuperação e construção de narrativas que evidenciam a atuação significativa dos diversos povos indígenas no contexto geral da colonização da América portuguesa. Ao fazer isso, combate-se as produções eurocêntricas que perpetuaram estereotípos ao longo dos séculos em diferentes partes do mundo, possibilitando novas reflexões e a inclusão de grupos, lugares e regiões que participaram de processos históricos muitas vezes subvalorizados nas análises tradicionais.
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THIAGO SILVA DE SOUSA
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O Revolucionário, o Intelectual e o Religioso: aspectos da formação do integralismo no Piauí (1930-1935)
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Data : 18/08/2025
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O presente estudo tem como objetivo explorar a formação do núcleo da Ação Integralista Brasileira no estado do Piauí (AIB-PI) a partir de três eixos de análise do discurso emitido pelos camisas verdes piauienses: a disputa pela memória da Revolução de 1930 (Revolucionário); a apresentação do movimento como um farol de intelectuais (Intelectual); a associação com a doutrina católica (Religioso). As fontes analisadas foram jornais e documentos da época, com mais preponderância para o jornal A Liberdade, impresso integralista do Piauí. Como metodologia, apresentamos uma formulação que une algumas perspectivas advindas do contextualismo linguístico de Quentin Skinner (2015) e alguns conceitos bakhtinianos (Bakhtin, 2016). No aspecto teórico, nossa pesquisa intersecciona o campo da história dos fascismos, utilizando como referência primordial Robert Paxton (2023) e João Bernardo (2022). Operacionalizados alguns conceitos como o de intelectuais-políticos de Antonio Pinto (2021) e a ideia de intelectuais orgânicos de Antônio Gramsci (1982). Também adentramos ao conceito memória política de Michael Pollak (1989). A análise da tríade de aspectos da formação da AIB-PI demonstrou que eles estavam presentes na estrutura política global de formatação do fascismo, e que reverbera na organização política vigente no Piauí da década de trinta, foram fatores instrumentalizados pelos integralistas do Piauí para pautar seu discurso e ganhar militantes. Apontamos que o Piauí esteve imerso no panorama global de formatação dos fascismos durante o período do entreguerras, adaptando e interpretando os aspectos fundamentais do movimento para a demandas presentes na realidade local.
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MARLZONNI MARRELLI MATOS MAURICIO
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Sob a negrura da raça: um estudo sobre o racialismo no Brasil a partir dos romances O mulato e O cortiço de Aluísio Azevedo (1880/1890)
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Data : 12/06/2025
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O presente trabalho investiga os motivos que levaram as pessoas de ascendência africana a serem racializadas no Brasil, no século XIX, sobretudo entre 1880 e 1890. A partir dos romances O mulato e O cortiço, de Aluísio Azevedo, analisa-se a maneira como o autor representa seus personagens, especialmente aqueles enquadrados nas taxonomias raciais "negro" e "mulato", considerando a mudança em sua maneira de ver e de pensar o mundo, tanto em relação a esses personagens quanto a um contexto mais amplo, nos períodos que antecedem e sucedem a abolição. Correlaciona-se, por conseguinte, essa mudança às doutrinas vigentes em ambos os períodos. Teórica e metodologicamente, empregam-se, neste trabalho, os conceitos de representação, prática e apropriação, desenvolvidos por Roger Chartier, para investigar as ideias presentes nos discursos inscritos tanto nos romances quanto em outras fontes primárias, em cotejo. Além da literatura, recorre-se a outras fontes textuais de pesquisa, que variam desde pequenos artigos de jornais até obras de renomados abolicionistas, como Joaquim Nabuco, e iluministas, como Georges Louis Leclerc e François-Marie Arouet. Em suma, busca-se compreender as razões do racialismo no Brasil do século XIX, tendo como cerne as pessoas de ascendência africana.
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MAY FRAN SELARES FACUNDES
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A CIDADE DE SÃO LUÍS, MEFISTÓFELES E O POVO: ações e pensamento das elites oligárquicas na construção da ponte José Sarney na concretude da modernidade periférica (1900 -1970).
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Data : 30/05/2025
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A presente dissertação tem como objetivo traçar um panorama das mudanças
urbanísticas da cidade de São Luís do Maranhão, debatendo as principais
ideias dos intelectuais conservadores, que defendiam a valorização do traçado
urbano colonial, e dos intelectuais progressistas, que acreditavam que o
caminho para a modernidade passava pela remodelação do espaço urbano.
Destacaremos os planos de expansão da cidade durante as administrações de
Saboya Ribeiro e Pedro Neiva de Santana, que, por meio de leis e decretos,
promoveram a revitalização de edifícios e o alargamento de avenidas,
resultando na expansão da cidade e na integração dos bairros periféricos. Ao
abordar a década de 1950, analisaremos as dissidências políticas dentro do
Estado do Maranhão, bem como o projeto da cidade de Brasília, associado às
propostas de Juscelino Kubitschek, que visavam a modernização por meio da
construção de pontes. Também discutiremos as desigualdades entre a cidade
e os projetos de reforma agrária para o campo, no contexto das Reformas de
Base de João Goulart e sua influência no Maranhão. Nesse sentido,
apresentaremos o período de transição do Vitorinismo ao Sarneysmo, que
emergiu na política do Estado por meio do discurso de um Maranhão novo e
desenvolvimentista, materializado na construção de núcleos habitacionais,
barragens e outras reformas urbanísticas, dentre as quais se destaca a
construção da Ponte São Francisco, vista como a superação de uma
modernidade periférica. O aporte teórico e metodológico da pesquisa é de
cunho qualitativo, considerando a teia de relações entre o local e o nacional,
impulsionado pelo jogo de escalas (Revel, 2010). Para isso, serão utilizados e
analisados os jornais A Pacotilha, O Diário do Norte, O Globo, Jornal de
Notícias, Jornal À Tarde e Jornal do Povo, com foco específico no Jornal O
Imparcial e no Jornal do Dia, a fim de compreendermos o processo de
urbanização, as dissidências políticas no Estado e como a Ponte José Sarney
foi pensada e representada pela imprensa, impactando a formação do
patrimônio arquitetônico em uma relação entre centro e periferia. Além disso,
utilizaremos tabelas, mapas e imagens como mecanismos de ilustração,
interpretação e produção de discursos, considerando as diversas realidades
econômicas, sociais, políticas e culturais que se apresentaram ao longo do
período analisado.
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RANIELE ALVES SOUSA
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ESTADO E HEGEMONIA: A TRANSIÇÃO POLÍTICA EM PORTUGAL E A REFORMA AGRÁRIA DO ALENTEJO ATRAVÉS DA IMPRENSA PORTUGUESA (1974-1976).
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Data : 24/04/2025
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Em Portugal, em abril de 1974, ocorreu a Revolução dos Cravos, movimento coordenado pelas Forças Armadas portuguesas que destituiu a ditadura estadonovista, restabelecendo, assim, as liberdades democráticas e promovendo profundas transformações sociais no país. Após o evento, uma série de embates políticos ocorreram e diversas instâncias da sociedade passaram por mudanças, dentre tais cita-se a reforma agrária e o declínio do latifúndio. Logo, no final do ano de 1974, ocorreram as primeiras ocupações, quando alguns trabalhadores rurais começaram a explorar por conta própria os latifúndios, posteriormente, apoiados pelas leis agrárias. Em meados de 1975, o movimento de ocupação de terras ganhou mais intensidade em Évora e Portalegre, e começou a tornar-se claro que buscavam objetivos mais amplos. Isso visou a real transformação da estrutura da propriedade e da exploração agrícola, além da alteração das relações sociais de produção. Entre agosto e setembro de 1975, o movimento de ocupação de terras atingiu o seu ápice em Beja e em Évora, devido à aprovação pelo Governo ocorrida em julho dos decretos leis 406-A/75 e 407/75, que deram o suporte legal às ocupações. Mediante tais fatos, para o entendimento do processo da Revolução Agrária do Alentejo, nota-se que é de suma importância a compreensão da atuação do Estado português, visto que a reforma agrária possuiu o apoio do Movimento das Forças Armadas (MFA) e dos governos provisórios. Tais fatores corroboraram com a limitação do poder da classe dos grandes proprietários, levando assim a uma ruptura revolucionária, que no plano Legislativo inspirou uma nova legalidade sobre as questões de posse e de uso da terra. Diante disso, com essa pesquisa propõe-se investigar as iniciativas governamentais no sentido de regulamentar as ocupações de terras, e compreender a atuação dos trabalhadores rurais, a partir das publicações dos jornais portugueses Diário do Alentejo, Portugal Socialista, Combate.
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LUIZ CARLOS NOLETO CHAVES
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O CENTRO DE CULTURA NEGRA DO MARANHÃO: CONTEXTO, PROTAGONISTAS, BASES IDEOLÓGICAS E AÇÕES POLÍTICAS E PEDAGÓGICAS (1979-1984).
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Data : 28/03/2025
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A presente dissertação tem como objetivo apresentar as conexões históricas que vão propiciar a criação do CCN-Ma e contribuir para sua formação ideológica. Discorre-se sobre as origens do Pan-africanismo, da Negritude, sua conexão com o socialismo e sua importância para o Movimento Negro Mundial e Nacional, além de narrar as várias fases do Movimento Negro no Brasil no período comtemporâneo.Também faremos uma breve incursão sobre a economia, a política e cultura maranhense. Ao final descreve-se a origem do CCN-Ma, a importância de alguns militantes fundadores e as ações pragmáticas desta entidade entre 1979 e 1984. Serão apresentados também os conceitos de Movimento Social e Negro, Cultura, Cosnciência, Ideologia e Materialismo Histórico.
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SAMIR LOLA ROLAND
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A economia do gado no Maranhão e no Piauí coloniais (1750-1779).
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Data : 26/02/2025
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A presente tese de doutorado tem como foco analisar a pecuária que era a principal atividade econômica desenvolvida no vale oriental do Maranhão e Piauí durante o período pombalino. A pesquisa procura adotar uma perspectiva que valoriza os diferentes aspectos que envolveram a economia do gado, como a territorialidade, transporte, abastecimento e exportação. Isto significa entender, como hipótese defendida neste trabalho, que o momento da formação de vilas, o incremento populacional e a expansão das fazendas de gado sobre os territórios indígenas, constituíram-se como elementos-chave para o aumento da produtividade desta economia na região. Ao ponto desse processo ser legitimado e regularizado por meio do sistema de sesmarias que visava conceder terras apenas àqueles que tivessem condições de aproveitar a terra economicamente, constituindo as bases e condições para que o extenso vale estabelecesse e ampliasse os seus mercados de abastecimento de carne e de reses a partir de outras dinâmicas econômicas tanto com o Estado do Brasil (Salvador, Recife, Rio de Janeiro), quanto com o Estado do Grão-Pará e Maranhão (Belém e São Luís), no sentido de suprir a população de carne, que era um dos principais alimentos consumidos pelas populações destas cidades durante o período colonial. Procuramos demonstrar ainda a importância do couro como produto de exportação que posicionou o Maranhão entre as principais capitanias produtoras e exportadoras deste artigo (Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro), durante as décadas de 1760 e 1770, o que nos permite concluir que o vale oriental do Maranhão e o Piauí era uma das principais zonas de criatório da época e apresentou durante esse período conexões importantes no cenário regional e atlântico, como uma das principais abastecedoras e exportadoras dos subprodutos do gado, a carne e o couro.
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JOSE MURILO MORAES DOS SANTOS
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HISTÓRIA SOCIAL DA ARTE ENGAJADA NO MARANHÃO: 1968-1985.
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Data : 31/01/2025
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A partir do final da década de 1960, um segmento dos artistas maranhenses passou a
produzir arte de forma engajada, inicialmente na expressão teatro. Na década seguinte,
artistas de outras linguagens passaram a desenvolver produções com temáticas
populares, aliando experimentações estéticas à denúncia das desigualdades sociais e das
diversas violências contra trabalhadores urbanos e camponeses decorrentes das
transformações políticas e sociais pelas quais o Maranhão passava naquele momento.
Em 1966, José Sarney assume o governo do Maranhão e desenvolve um governo sob o
lema Maranhão Novo, imprimindo uma política desenvolvimentista ao modelo
econômico e político chamado modernização conservadora. Aliado a esse processo e
em parte decorrente dele, a descoberta da mina de Carajás em 1977, no Pará e a opção
da exportação do minério pelo Porto do Itaqui, em São Luís, provoca um violento
processo de desapropriação compulsória de milhares de famílias das áreas de influência
do Projeto Grande Carajás PGC, na cidade de São Luís e zona rural da ilha. Em
paralelo a esse processo, no governo Sarney foi promulgada a Lei de Terras n. 2.979 de
17 de julho de 1969, conhecida como Lei de Sarney de Terras. Tal ato permitiu que
terras devolutas do estado ocupadas por posseiros pudessem ser vendidas a grandes
proprietários e empresas, provocando a grilagem, repressão às lideranças camponesas,
prisões e assassinatos. No final da década de 1970 e início de 80, movimentos estudantis
e movimentos políticos de oposição passam a ocorrer, agregando novos elementos às
problemáticas que se formou no Maranhão a partir da segunda metade dos anos 60. A
partir desse cenário é que se dá a produção de arte engajada analisada nesta tese. Por
outro lado, a partir dos anos 60 chega ao Maranhão padres e freiras progressistas,
entusiastas das ideias do Concílio Vaticano II, praticantes do Cristianismo da libertação.
Tais religiosos e religiosas passaram a interagir com artistas engajados, especialmente
nas áreas do teatro e audiovisual, promovendo ações mediadas pela arte nas
Comunidades Eclesiais de Base. Nesta tese, analisa-se os diferentes processos de
produção artística engajada, especialmente nas esferas do teatro, artes plásticas e
audiovisual. Aborda-se as produções artísticas direcionadas ao público amplo,
produções diretamente vinculadas às ações da chamada Igreja Católica Progressista, a
movimentos sociais e políticos, algumas delas surgidas no seio de lutas populares.
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JARDEL RUFINO FERREIRA
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HISTÓRIAS CONECTADAS: cooperação Brasil/África e a produção acadêmica de africanos no Brasil contemporâneo.
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Data : 30/01/2025
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A presente dissertação investigou de que forma as redes de Cooperação Educacional Brasil/África influenciaram as discussões e produções acadêmicas na perspectiva decolonial. Para isso, analisou-se a trajetória de cinco docentes africanos da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), com foco em suas produções acadêmicas sobre o continente africano e seus enfrentamentos às narrativas eurocêntricas. Também foi discutido o processo de desvalorização histórica das contribuições intelectuais africanas e os esforços institucionais que visam combater essa marginalização. Entre os esforços analisados, destacam-se os programas PEC-G, PEC-PG e a UNILAB, que têm contribuído para o fortalecimento das cooperações Sul-Sul. A pesquisa, de abordagem qualitativa, fundamentou-se na perspectiva decolonial, especialmente nos conceitos de Boaventura de Sousa Santos e Walter Mignolo, para explorar as disputas de poder e os processos de resistência nas produções desses intelectuais. Os resultados apontaram que, embora os programas PEC-G e PEC-PG tenham desempenhado um papel inicial relevante, apresentaram limitações no fortalecimento das redes de cooperação. Por outro lado, a UNILAB consolidou-se como um espaço estratégico para o desenvolvimento de um pensamento decolonial, apesar de enfrentar desafios financeiros e organizacionais. As análises evidenciaram que as produções dos docentes abordam temas como ancestralidade, educação e desenvolvimento sustentável nos PALOP, desafiando estereótipos e promovendo novos olhares sobre o continente africano, em sintonia com perspectivas pós-coloniais, utilizando-se de forma recorrente da oralidade. Contudo, as teorias europeias ainda exercem uma grande influência em seus trabalhos.
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