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LAUANA RAFAELA GOMES
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JUSTIÇA ORDINÁRIA E GOVERNO DA CIDADE NO IMPÉRIO ATLÂNTICO PORTUGUÊS: relações de poder na Câmara Municipal de São Luís do Maranhão (16921729)
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Data : 23/10/2026
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Esta dissertação analisa as práticas de jurisdição e de governo local desenvolvidas na Câmara Municipal de São Luís do Maranhão entre 1692 e 1729, tomando como ponto de partida a atuação dos oficiais vinculados à justiça ordinária. Investiga como juízes ordinários, vereadores, procuradores do Conselho e misteres do povo intervieram nos problemas cotidianos da cidade e articularam determinações régias, interesses locais e a defesa do bem comum. Em diálogo com a perspectiva das conexões atlânticas, a pesquisa situa São Luís nos circuitos políticos e administrativos da monarquia portuguesa, examinando como normas, modelos institucionais e linguagens de governo em circulação no Império eram apropriados e reelaborados de acordo com as condições locais. A investigação fundamenta-se principalmente nos Livros de Acórdãos da Câmara, complementados por correspondências e requerimentos do Arquivo Histórico Ultramarino. Por meio da leitura seriada e da análise qualitativa da documentação, examinam-se os mecanismos de escolha dos oficiais, suas trajetórias e seus vínculos sociais, bem como as vereações, correições, fiscalizações, requerimentos e condenações. A análise demonstra que a justiça ordinária compreendia práticas que ultrapassavam o julgamento de causas, uma vez que a Câmara regulava o abastecimento, o comércio, os ofícios, os preços, os pesos e medidas e a conservação dos espaços urbanos. O acesso aos cargos dependia do reconhecimento social e dos vínculos estabelecidos com as redes locais de poder, enquanto a autoridade camarária era exercida em meio a negociações, descumprimentos e disputas de jurisdição com outras instâncias da monarquia. Conclui-se que a Câmara constituía um espaço de mediação no qual determinações régias, interesses locais e referenciais políticos compartilhados no mundo português eram interpretados e aplicados conforme as condições do Maranhão colonial. Nesse processo, governar a cidade significava exercer jurisdição e mobilizar a justiça como fundamento da ordem local, evidenciando a inserção de São Luís nas dinâmicas políticas e institucionais do Atlântico português.
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MAYARA SILVA FERREIRA
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POLÍTICAS INDÍGENAS E INDIGENISTAS NO COLONIAL TARDIO: A Continuidade do Diretório Pombalino na Capitania do Maranhão (1798-1821).
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Orientador : SORAIA SALES DORNELLES
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Data : 22/09/2026
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Essa pesquisa tem como objetivo compreender como a legislação indigenista setecentista, de modo particular a lei de liberdade de 6 de junho de 1755, o Diretório dos Índios e a Carta Régia de 12 de maio de 1798, configurou as políticas indígenas e indigenistas voltadas para a capitania do Maranhão no período colonial tardio. A legislação estudada foi promulgada a partir de meados dos anos 1750 quando, após a publicação do Tratado de Madri, e diante da necessidade de ocupação e defesa do território, a coroa portuguesa declarou os indígenas livres ao mesmo tempo que mantinha a tutela sobre suas pessoas, bens e trabalho através de diretores laicos. Partiu-se da hipótese de que a duração do Diretório dos Índios no Maranhão, e, portanto, da tutela sobre os nativos, avançou pelas primeiras décadas do século XIX, conformando a agência indígena e suas formas de resistência. A pesquisa foi documental e bibliográfica, e majoritariamente qualitativa. Para a pesquisa documental utilizou-se fontes impressas e manuscritas. Como fontes impressas foi utilizada a produção de intelectuais do século XIX sobre as leis indigenistas portuguesas e sua aplicação. No que se refere as fontes manuscritas, foi feita a transcrição e análise de documentos da comunicação oficial entre o governo da capitania do Maranhão, suas vilas e lugares, e a metrópole, primeiro com Lisboa e depois com o Rio de Janeiro, disponíveis no Arquivo Público do Estado do Maranhão (APEM) e Arquivo Histórico Ultramarino (AHU). Durante o desenvolvimento da pesquisa notou-se a importância dos povos indígenas para a formação desse mundo Atlântico, desde o seu trabalho, escravizado, compulsório ou livre, até sua capacidade de negociação diante legislações que visavam assimilá-los a massa da sociedade colonial. O principal resultado da pesquisa foi a percepção de que, certamente, o Diretório dos Índios continuava a ser utilizado como marco legal por autoridades régias, colonos e indígenas para reger as relações entre atores tão diversos e garantir direitos e deveres nessa sociedade conectada e em constante transformação. Também foi possível concluir que a despeito da distância da metrópole, Rio de Janeiro, as autoridades locais tinham pleno conhecimento das mudanças na política indigenista joanina e sabiam se apropriar dela.
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LOUYSE SOUSA SILVA
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Histórias Conectadas e Protagonismo Indígena na Baixada Maranhense (1757-1798).
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Orientador : SORAIA SALES DORNELLES
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Data : 16/09/2026
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Esta pesquisa investiga as agências e identidades indígenas no Maranhão colonial, tomando como estudo de caso as vilas pombalinas da Baixada Maranhense durante a segunda metade do século XVIII. O trabalho dialoga com a consolidada historiografia sobre o Diretório Pombalino na Amazônia, aprofundando-se nas experiências de indígenas convertidos e aldeados, frequentemente interpretados pela perspectiva assimilacionista como grupos em processo de descaracterização étnica. Apoiando-se na Nova História Indígena, o estudo procura superar visões essencialistas para compreender a etnicidade como uma construção social dinâmica, moldada pelo seu contexto histórico e político. Analisa-se como os indígenas, longe de serem vítimas passivas, negociaram, adaptaram-se e atuaram estrategicamente dentro do sistema colonial, seja ocupando cargos nas câmaras ou participando da economia local, conforme evidenciado por fontes inéditas do Arquivo Público do Estado do Maranhão e Arquivo do Tribunal de Justiça do Maranhão. A pesquisa argumenta que as vilas pombalinas, embora fossem espaços de controle, funcionaram também como lócus de ressocialização e recriação de identidades. O estudo contribui para a desconstrução da narrativa de apagamento étnico, demonstrando a capacidade de ação desses sujeitos históricos e conectando suas experiências passadas ao contemporâneo processo de retomada étnica dos Akroá Gamella na região da Baixada Maranhense. Ao fazê-lo, busca preencher os silêncios da historiografia e oferecer uma contra-narrativa que evidencia o protagonismo indígena na formação da sociedade maranhense e brasileira.
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SUSY NATHIA FERREIRA GOMES
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CHARGE E POLÍTICA: ANÁLISE CRÍTICA DOS PLANOS DE DESENVOLVIMENTO NA IMPRENSA PARAENSE (1974- 1985)
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Data : 20/08/2026
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Este trabalho analisa as ilustrações apresentadas no jornal paraense A Província do Pará, com o
objetivo de investigar de que modo os Planos Nacionais de Desenvolvimento (PNDs, II e III), elaborados pela ditadura para a Amazônia, serviram de tema para os chargistas do Pará entre 1974 e 1985. Argumenta-se que é possível estudar os Planos de Desenvolvimento por meio das charges, empregando a perspectiva da Análise do Discurso para compreender como essas ilustrações constituem um gênero discursivo. O foco estará principalmente nos significados construídos e abordados pelos elementos visuais, levando em consideração o contexto histórico, cultural e social em que as charges foram produzidas. Também será discutida a questão do
riso, a estreita relação entre charge e humor, bem como a forma como essa ferramenta é utilizada para críticas. A análise será estruturada em torno dos seguintes eixos: a crítica às promessas não cumpridas, as consequências socioambientais dos planos, além das charges enquanto forma de arte e comunicação, e como estas refletem percepções sociais, políticas e econômicas.
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AVELINO GAMBIM JÚNIOR
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Arqueologia da Contemporaneidade na Aldeia Manga: lugares, materialidades e memórias da presença Karipuna na fronteira entre Brasil e Guiana Francesa (Final do séc. XIX- Tempo presente)
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Orientador : ALEXANDRE GUIDA NAVARRO
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Data : 13/08/2026
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A história dos povos indígenas na Amazônia tem sido contada, predominantemente, por meio de lentes coloniais: pelos relatos de viajantes, exploradores e agentes do Estado-nação que os classificavam segundo supostos ―estágios‖ de civilização ou ―mistura‖. Nas últimas décadas, no entanto, o protagonismo indígena, sempre presente em diferentes momentos históricos, é visivelmente expresso hoje na articulação de associações, conselhos e organizações que reivindicam o direito de contar suas próprias histórias. Essa realidade também se manifesta na região de fronteira entre Brasil e Guiana Francesa, no baixo Oiapoque, onde os povos originários das Terras Indígenas Uaçá, Juminã e Galibi, desde a década de 1970, vêm fortalecendo seu protagonismo. É nesse contexto que se insere esta tese, dedicada ao povo Karipuna da aldeia Manga, às margens do rio Curipi. Há mais de dois séculos, as famílias Karipuna vêm se reinventando nas relações com múltiplos entes pessoas de outras etnias, afrodescendentes, quilombolas, saramakás, crioulos, franceses, brasileiros. Mas também com seres sobrenaturais, como os karuãna, espíritos donos das matas, das águas e dos lugares, e com o próprio território, com seus lugares de memória e vestígios do passado. O objetivo central desta pesquisa colaborativa e participativa é compreender como os Karipuna da aldeia Manga constroem narrativas, memórias e histórias sobre esses lugares e vestígios na contemporaneidade, levando em consideração o final do século XIX ao tempo presente. Para tanto, a pesquisa adota uma abordagem que articula a arqueologia do colonialismo e as discussões sobre ontologias indígenas amazônicas e pertencimentos. Metodologicamente, a pesquisa afastase do modelo extrativista e adota uma práxis participativa fundamentada na etnografia arqueológica e na Nova Cartografia Social da Amazônia. Por meio de oficinas, caminhadas comentadas, conversas informais e da construção coletiva de um mapa participativo com os professores da Escola Indígena Estadual Jorge Iaparrá, buscou-se estabelecer uma relação de simetria de conhecimentos. Os resultados revelam a extraordinária densidade do território Karipuna. Lugares como o Campinho, Hox Fãde, a ilha Kumaru e o Batxi Hox emergem como espaços persistentes, acumulando camadas de significado que remontam a ocupações antigas, conflitos interétnicos, moradas de karuãna e memórias familiares. Objetos vasilhas de caxixi, fragmentos cerâmicos arqueológicos indígenas, raladores de mandioca, canoas de madeira, bancos zoomorfos do Turé e maracás revelam-se pertencimentos que conectam pessoas, gerações e etnias. O mapa participativo e as oficinas de arqueologia, por sua vez, constituem-se como uma contranarrativa cartográfica em relação aos mapas colonialistas. Trata-se de conhecimentos híbridos que articulam técnicas de georreferenciamento e cartografia social com toponímia em kheuól, desenhos e narrativas, afirmando a presença Karipuna no território e servindo como instrumento de luta e gestão territorial. A tese contribui, desse modo, para movimentos de descolonização da arqueologia, demonstrando que é possível praticar uma arqueologia com os povos indígenas não sobre eles , na qual os vestígios do passado não são inalcançáveis, mas ferramentas de afirmação identitária e de reconexão com memórias, narrativas e histórias no presente, bem como para a construção do território.
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PAULO HENRIQUE SILVA BEZERRA
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O nefando na fronteira: Francisco Coelho e a produção da moralidade sexual em São Luís do Maranhão (1672-1682).
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Data : 31/07/2026
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Esta dissertação investiga a produção da moralidade sexual na São Luís do Maranhão entre 1672 e 1682 a partir da trajetória de Francisco Coelho, acusado do crime de sodomia e processado pelo Tribunal do Santo Ofício. Inserida na área de História e Conexões Atlânticas: Culturas e Poderes, a pesquisa busca compreender como comportamentos considerados desviantes eram identificados, classificados e transformados em objeto de vigilância social em um contexto colonial marcado pela condição de fronteira da Amazônia portuguesa. Fundamentada metodologicamente na Micro-história e na História Conectada, em diálogo com a História da Sexualidade, a investigação utiliza a redução da escala de observação para analisar a experiência individual de Francisco Coelho e relacioná-la às circulações atlânticas de normas, práticas e linguagens morais que conectavam São Luís e Lisboa no interior do Império português. O principal corpus documental é constituído pelo Processo Inquisitorial n. 1717, preservado no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, complementado por documentação normativa, eclesiástica e administrativa. A análise demonstra que a acusação de sodomia não resultou de um episódio isolado nem da atuação exclusiva das instituições inquisitórias. Sua consolidação ocorreu por meio da circulação de rumores, memórias, testemunhos e narrativas compartilhadas por diferentes grupos sociais, produzindo uma fama pública capaz de converter suspeitas em formas socialmente reconhecidas de classificação moral. Nesse contexto, categorias como nefando, sodomita e tibiro atuavam como instrumentos de classificação moral e política, transformando comportamentos atribuídos em identidades reconhecíveis e socialmente sancionadas. O estudo evidencia que a intervenção do Santo Ofício constituiu apenas uma etapa de um processo iniciado anteriormente nas dinâmicas cotidianas da própria comunidade colonial. A pesquisa demonstra ainda que a produção da moralidade sexual estava profundamente vinculada às disputas por honra, reputação, autoridade e poder local. Revela também a capacidade de ação do próprio acusado, que mobilizou documentos, testemunhas e estratégias jurídicas na defesa de sua posição social. Embora tenha sido absolvido da instância inquisitorial, o encerramento do processo não eliminou as ambiguidades e incertezas que permeiam a documentação nem os mecanismos sociais de produção da suspeita que sustentaram a investigação. Conclui-se que a fronteira amazônica participou ativamente da construção e da reconfiguração das linguagens morais do mundo português, funcionando como espaço de circulação, tradução e negociação de valores. Em escala reduzida, a trajetória de Francisco Coelho permite compreender os mecanismos pelos quais sexualidade, fama pública, poder e controle social convergiam para a produção da ordem colonial.
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GUILHERME AGUIAR GOMES
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DO SABER AO FAZER E DECORAR: UM ESTUDO ACERCA DA ARTE DE TRANÇAR NAS ESTEARIAS MARANHENSES.
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Data : 31/07/2026
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A presente dissertação, intitulada: Do saber ao fazer e decorar: um estudo acerca da arte de trançar nas estearias maranhenses, visa apresentar um vasto conjunto artefatual de cerâmicas com negativo de cestaria/trançados e cordoarias. O referido material pertence aos povos das estearias, nome referente a uma civilização que viveu na região da Baixada Maranhense no início da era cristã até o ano de 1.200 d.C. As estearias foram moradias construídas sobre palafitas pré-coloniais localizadas em lagos e rios cujas principais evidências arqueológicas desses assentamentos são os esteios de madeira que serviram de sustentação das aldeias com o objetivo de se evitar o contato das casas com a água. O recorte da pesquisa está voltado para o acervo e coleção das estearias depositada no Laboratório de Arqueologia da Universidade Federal do Maranhão (LARQ/UFMA), laboratório que exerce um papel fundamental na interdisciplinaridade entre História, Arqueologia e a Museologia, articulando a produção de conhecimento científico entre a universidade e a sociedade. Por se tratar de um trabalho interdisciplinar, as metodologias aplicadas partem de trabalhos de campo na região da Baixada Maranhense, análise e coleta de materiais arqueológicos das estearias por meio do trabalho técnico-laboratorial e, também, de estudos qualitativos de cunho bibliográfico, estruturado em duas frentes complementares: Análise de referenciais teóricos sobre cestaria e trançados e a análise documental de fontes históricas escritas. Esta última objetivando identificar e apontar fenômenos e/ou símbolos que indiquem a presença e descrição de objetos trançados/cestaria nos relatos e crônicas coloniais. Desse modo, tem-se como suporte às pesquisas empreendidas por: James Adovasio (1977); Berta Ribeiro (1985); Navarro (2013) e Costa (2016). Portanto, este trabalho visa expandir os conhecimentos sobre as técnicas de confecção de artefatos de fibras vegetais trançadas recuperados em 6 dos 18 sítios arqueológicos das estearias, em especial aos trançados em negativos, os quais podem compensar a ausência de vestígios concretos tornando possível a identificação de elementos importantes que permitam assimilar a tecnologia de trançar, enquanto conhecimento ancestral, vivo e dinâmico, além da compreensão de outros costumes, tradições, e características que traduzem os povos das estearias.
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RAYANA CRISTINA ARAUJO CAMPOS DINIZ
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CORPOS DE BARRO: ANÁLISE DAS ESTATUETAS ANTROPOMORFAS E ANTROPOZOOMORFAS DAS ESTEARIAS SOB A ÓTICA DA FABRICAÇÃO DO CORPO
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Data : 30/07/2026
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As estatuetas das estearias maranhenses são artefatos cerâmicos provenientes dos sítios
arqueológicos de palafitas pré-coloniais localizados na região da Baixada Maranhense, que se
configuram como ocupações lacustres construídas sobre esteios de madeira origem de seu
nome , datadas do início da era cristã até aproximadamente 1200 d.C., As estatuetas
analisadas são confecções em tamanho diminuto, apresentando características análogas aos
elementos corporais dos seres humanos (antropomorfos) e de seres híbridos
(antropozoomorfos), mesclando elementos humanos e animais, ou de outros seres místicos,
sobrenaturais ou fantasiosos. A pesquisa buscou estudar esses artefatos como dotados de
agência, de autonomia da sua base material, pensados, fabricados, adornados e concebidos
como corpos. Dessa forma, partiu-se do entendimento que a cerâmica seria o meio de
expressão visual e corporal dos povos das estearias e de que, assim como os seres humanos
fabricam seus corpos cotidianamente, de forma isolada ou em coletividade, através de
processos psicológicos, culturais, sociais e estéticos, imprimindo neles as marcas indeléveis
dessas experiências, as estatuetas teriam sido produzidas com o intuito de refletir essa mesma
lógica de fabricação, daí a necessidade de estudá-las a partir da categoria de Fabricação do
corpo. Além disso, compreende-se que esses artefatos estão inseridos no universo cultural e
simbólico das concepções amazônicas de corpo, possibilitando reflexões sobre as dinâmicas
sociais, bem como sobre gênero entre essas sociedades. A metodologia foi quantitativa e
qualitativa, utilizando-se da análise de material cerâmico por meio de fichas catalográficas
digitais específicas para esse tipo de artefato, visando à identificação de elementos
morfológicos, estilísticos e tecnológicos. Além disso, utilizou-se a revisão bibliográfica da
rica literatura especializada sobre as estatuetas amazônicas, como as dos complexos
arqueológicos de Santarém e da sociedade Marajoara, buscando identificar as semelhanças e
diferenças nos modos de produção cerâmica e as possíveis dinâmicas de trocas culturais com
os povos das estearias. A pesquisa insere-se em uma linha transdisciplinar entre a
Arqueologia e a História, defendendo a premissa de que tudo que o ser humano produz, seja
um texto ou o ato de modelar o barro, é uma fonte histórica legítima para a compreensão das
sociedades.
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DULCE MARIA PEREIRA
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História Ambiental e Desastres em duas Nações Atlânticas: Conexões, Transnacionais e Mineração na África do Sul e no Brasil
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Data : 03/07/2026
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A pesquisa investiga as conexões entre a História Ambiental da África do Sul e do Brasil no contexto do extrativismo minerário, analisando os impactos de desastres ecotecnológicos decorrentes de rupturas de barragens de rejeitos em três localidades afetadas. Ancorado no discurso proferido pelo então presidente do Chile, Salvador Allende, na ONU em 1972, a respeito da "agressão imperialista" de corporações transnacionais, este estudo abrange o período de 2010 a 2025. Por meio de uma abordagem multimétodos que integra o Diagnóstico Participativo, a ciência de redes e a análise estatística, a tese avalia a atualidade das premissas de Allende sobre os desafios à soberania estatal em nações minerodependentes.O estudo propõe uma modelagem formal que traduz a atribuição de responsabilidade objetiva às corporações em parâmetros quantificáveis, por meio do desenvolvimento de duas equações originais: a primeira estipula o "salário do cuidado", destinado às mulheres residentes nos epicentros dos desastres; a segunda estabelece uma métrica de obrigatoriedade correspondente à Dívida Socioambiental (DSA), uma reparação relativa dos impactos. As investigações nos territórios centram-se nos cenários de Jagersfontein e Soweto, na África do Sul, e de Aurizona, no Brasil, identificando como os interesses corporativos atualizam práticas de ocupação, silenciamento e externalização de riscos reeditando métodos originados na ocupação da África Subsaariana e consolidados na história colonial.Examina-se o controle neocolonial, a minerosubserviência e as práticas patriarcais de coerção, ecocídio e epistemicídio, evidenciando a intencionalidade da ocupação territorial, a fuga de capital e a omissão na fiscalização estatal. Revela-se, assim, uma contradição estrutural profunda: o uso de ferramentas de gestão ambiental para mascarar a realidade empírica da atividade extrativista frente às métricas de mercado. A pesquisa mobiliza os conceitos de necroengenharia e racismo ambiental, conferindo ênfase ao subsídio oculto dimensionado matematicamente pelo salário do cuidado e ao haitianismo, caracterizados pelo trabalho expropriado de mulheres no cuidado, na dispersão de contaminações e na sobrevivência diante da degradação. Por fim, o estudo explora os tratados multilaterais e acordos bilaterais firmados por esses países, delineando possibilidades para uma história ambiental soberana, fundamentada na cooperação decolonial em face da transição energética global. A pesquisa conclui, referenciada na bibliografia de apoio e nos dados empíricos sistematizados, que o capitalismo contemporâneo, ancorado no racismo e no paternalismo, reconfigura territórios periféricos em zonas de sacrifício através de uma assimetria estrutural. Nessa dinâmica, a riqueza mineral circula transacionalmente em mercados financeiros, articulada por cadeias mercantis que operam a fuga de produtos, compliance, riqueza e soberania, enquanto a degradação ecotoxicológica e a morte lenta permanecem permanentemente localizadas nas comunidades atingidas. Na rede de sujeitos dos processos que desenham a linha do tempo da História Ambiental, há investimentos dedicados a desarticular a relação simbiótica com rios, montanhas e a flora local, pois o extrativismo promove uma ruptura traumática nas linhagens de Bem Viver, convertendo trajetórias de autonomia tradicional em um precariado de sobrevivência. Contudo, há pleno entendimento por parte das comunidades sobre os processos de epistemicídio, com clara percepção da ampliação dos desafios advindos das economias que administram o Capitaloceno, devido à intenção de extração das terras e minerais que as economias tecnológicas necessitam para viabilizar suas transições energéticas, sob riscos de injustiça climática.Entretanto, há resiliência nesses territórios subalternizados, que advém dos conhecimentos ancestrais e da relação individual e coletiva com a Natureza. Estes elementos os conduzem ao reconhecimento do suporte científico como ferramenta para a construção de caminhos futuros na História Ambiental de seus próprios territórios, permitindo que a técnica seja apropriada não como instrumento de despossessão, mas como aliada na salvaguarda de sua própria existência e soberania.
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LUANA MARA PEREIRA
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Miolo de boi: um corpo brincante entre espiritualidade, sociabilidade e modos de existência no bumba meu boi do Maranhão
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Orientador : LUIZ ALBERTO ALVES COUCEIRO
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Data : 30/06/2026
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A presente tese desenvolve uma investigação sobre corpo, espiritualidade, sociabilidade e modos de existência no bumba meu boi maranhense a partir da figura do/a miolo/a do grupo de Bumba Meu Boi de Maracanã. O objetivo da pesquisa consiste em compreender as trajetórias, experiências e critérios de legitimação dos sujeitos ritualmente autorizados a ocupar o lugar de miolo do boi, atentando também para seus marcadores sociais de classe, raça, gênero e suas condições materiais de existência. Metodologicamente, a pesquisadora assume a postura de artesã intelectual proposta por Mills (2009) e adota a proposta metodológica de bricolagem proposta por Fortin (2009), articulando história oral, história antropológica, história do tempo presente e trabalho de campo continuado realizado desde 2016 junto a brincantes do Boi de Maracanã. Partindo da trajetória de encontro da pesquisadora com a brincadeira e em diálogo com Lévi-Strauss (1975), Merleau-Ponty (2004; 2011), Turner (1974; 2005; 2008), Eliade (1992), Latour (2008), Tsing (2015), Veyne (1983), Goldman (2014), Becker (2008; 2010), Bourdieu (1996), Velho (1981), Bispo (2015), Maggie (2001), Davis (2016) e Das (2011), o trabalho compreende o bumba meu boi como uma ampla rede relacional na qual corpos, objetos, entidades espirituais, sons e territorialidade se relacionam e produzem experiências coletivas de pertencimento, memória e espiritualidade. Nesse contexto, a relação entre o/a miolo/a e a capoeira do boi torna-se central para a pesquisa, uma vez que o boi emerge da união entre corpo humano, máscara ritual e experiência espiritual compartilhada. A partir das entrevistas com os interlocutores André, Fernandinho, Joyce, Humberto, Dona Dudu e Lucas a tese analisa essas narrativas a partir dos pilares de prestígio, status, relações de poder e modos de existência. A pesquisa tem como marco temporal as primeiras décadas do século 21, contudo, eventualmente recua alguns anos na medida em que opera com as significações que os agentes pesquisados conferem às suas trajetórias a partir da existência como miolo de boi.
Palavras-chave: Bumba meu boi; Corpo brincante; Espiritualidade; Sociabilidade; Modos de existência.A presente tese desenvolve uma investigação sobre corpo, espiritualidade, sociabilidade e modos de existência no bumba meu boi maranhense a partir da figura do/a miolo/a do grupo de Bumba Meu Boi de Maracanã. O objetivo da pesquisa consiste em compreender as trajetórias, experiências e critérios de legitimação dos sujeitos ritualmente autorizados a ocupar o lugar de miolo do boi, atentando também para seus marcadores sociais de classe, raça, gênero e suas condições materiais de existência. Metodologicamente, a pesquisadora assume a postura de artesã intelectual proposta por Mills (2009) e adota a proposta metodológica de bricolagem proposta por Fortin (2009), articulando história oral, história antropológica, história do tempo presente e trabalho de campo continuado realizado desde 2016 junto a brincantes do Boi de Maracanã. Partindo da trajetória de encontro da pesquisadora com a brincadeira e em diálogo com Lévi-Strauss (1975), Merleau-Ponty (2004; 2011), Turner (1974; 2005; 2008), Eliade (1992), Latour (2008), Tsing (2015), Veyne (1983), Goldman (2014), Becker (2008; 2010), Bourdieu (1996), Velho (1981), Bispo (2015), Maggie (2001), Davis (2016) e Das (2011), o trabalho compreende o bumba meu boi como uma ampla rede relacional na qual corpos, objetos, entidades espirituais, sons e territorialidade se relacionam e produzem experiências coletivas de pertencimento, memória e espiritualidade. Nesse contexto, a relação entre o/a miolo/a e a capoeira do boi torna-se central para a pesquisa, uma vez que o boi emerge da união entre corpo humano, máscara ritual e experiência espiritual compartilhada. A partir das entrevistas com os interlocutores André, Fernandinho, Joyce, Humberto, Dona Dudu e Lucas a tese analisa essas narrativas a partir dos pilares de prestígio, status, relações de poder e modos de existência. A pesquisa tem como marco temporal as primeiras décadas do século 21, contudo, eventualmente recua alguns anos na medida em que opera com as significações que os agentes pesquisados conferem às suas trajetórias a partir da existência como miolo de boi.
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ANTÔNIO CARLOS ARAÚJO RIBEIRO JÚNIOR
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Encruzilhadas do jazz diaspórico no Atlântico Equatorial: conexões atlânticas, agenciamentos negros e dissonâncias racializadas no Maranhão (1920-1950)
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Data : 16/06/2026
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Nesta tese, investigo os modos pelos quais ocorreu o processo de experienciação do jazz diaspórico no Maranhão, com foco nas possíveis implicações desse fenômeno sobre as existências de seus principais praticantes racializados. O ponto de partida é a cidade de São Luís, capital do estado, a partir da década 1920, contexto de disseminação global do jazz. A análise possui duas dimensões complementares: oferece aportes gerais acerca dos primórdios do jazz no Maranhão, bem como subsídios para compreensão das existências e lutas dos principais jazzbandistas negros atuantes entre 1920 e 1950. Metodologicamente, utilizo recursos do Paradigma Indiciário para mobilizar fontes diversas periódicos, inventários, fotografias, biografias, relatos orais e escritos , explorando ferramentas da microhistória. Assim, busquei minúcias indicativas do cotidiano musical e da dimensão cultural do período. Ainda, procurei contribuir com os Novos Estudos do Jazz, ao articular procedimentos das Histórias Conectadas e aportes da sociologia histórica e da história social da cultura. Isto permitiu examinar as fontes em diferentes escalas, para compreender os processos de difusão, apropriação e recodificação do jazz em São Luís. Com isso, logrei destacar como as dinâmicas dos envolvidos com o jazz se emaranharam. Elas produziram caminhos e fluxos em situações claras de racialização, distinção, regionalização e outras dissonâncias. Dessarte, pude ilustrar São Luís como espaço privilegiado de interfaces entre personagens cotejados nos arquivos, a fim de analisá-los nos seus caminhos de circulação atlântica. Elaboro, assim, mapas de estratégias desses sujeitos na conformação de seus circuitos musicais, regados pela produção de hierarquias racializadas. Nessa direção, deparei-me com atores sociais esquecidos pela historiografia e pela memória, compreendendo suas vidas por meio de fenômenos globais e tramas interconectadas. As discussões acabam contribuindo também com elaborações sobre modos de existir no pós-abolição, no Maranhão e além. Procuro demonstrar em que termos o jazz maranhense pertenceu a circuitos afrodiaspóricos de diversas envergaduras. Também enveredei para a observação dos modos pelos quais esses músicos ajudaram a configurar situações e espaços de agenciamentos negros. Tomados como trabalhadores, constatei os sentidos por eles conferidos às negociações para a produção de zonas de pertencimento social, em quais termos disputaram reconhecimento e elaboraram formas de inserção na chamada modernidade, em cenários violentos, de exclusão e desigualdade. Argumento que, mais do que mera expressão de modos de ser e agir importados, o jazz foi orquestrado por essas pessoas, constituindo um campo de disputas político. Como sujeitos negros, se apropriaram da modernidade, buscando reconhecimento e dignidade, sendo inseridos, tensionados e marginalizados.
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SUELLEM DE JESUS PEREIRA
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AS INTERFACES DE UMA HISTÓRIA OFICIAL: MISSIONÁRIOS PENTECOSTAIS E O CONTEXTO SOCIOECONÔMICO EM BELÉM DO PARÁ (1893-1910).
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Data : 11/06/2026
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Abordo o contexto social e econômico no final do século XIX e início do XX, quando os missionários suecos pentecostais chegam na capital do Pará (Belém) em 1911, como fonte utilizo o Jornal A República do Club Republicano (PA) nos anos de 1893 á 1910, trabalhos acadêmicos de pesquisadores que pesquisaram o período, e fontes bibliográficas oficiais da instituição, livros publicados pela Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD): História da Convenção Geral dos Ministérios das Assembleias de Deus no Brasil (2022) e a História das Assembleias de Deus no Brasil (1960) escrito por Emilio Conde, também o Enviado por Deus: Memórias de Daniel Berg (2024) e o Diário do Pioneiro (2024). O objetivo é mostrar as interfaces do discurso histórico de Belém, acerca da chegada dos missionários pentecostais - os fundadores da Assembleia de Deus e não somente a narrativa enfatizada na Historiografia Oficial assembleiana. A pretensão não é para deslegitimar ou colocar juízo de valor sobre a história oficial, mas trazer o contexto socioeconômico no qual os missionários encontraram ao desembarcaram em Belém do Pará. Entendendo que o discurso de qualquer instituição religiosa foi construído num saber e conhecimento da História Oficial (original), isto é, de que toda instituição religiosa surgiu em um dado período do tempo (de um contexto histórico específico, dotado de implicações e influências externas) da história, formalizando através de biografias, resoluções, livros e etc, a História da sua própria religião, mais invisibilizando outras narrativas concernentes a ela. Utilizo como base teórica o livro Arqueologia do Saber (2008) de Michel Foucault que formulou o termo enunciado, como um saber formal e científico, porquanto um saber legítimo e regulador que sofreria alterações discursivas na história, se referindo as singularidades de um tema - de modo comparativo e das influências externas - política, econômica e a religião de sua época. No qual a comparação discursiva agiria na análise do enunciado (saber) - as regularidades e particularidades.
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MARIO AUGUSTO CARVALHO BEZERRA
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ENTRE SÃO LUÍS, LISBOA E O RIO DE JANEIRO: conexões atlânticas e atuações parlamentares das bancadas maranhenses nas Cortes Portuguesas e na Assembleia Geral Legislativa do Império do Brasil (18201833).
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Data : 21/05/2026
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Esta tese dedica-se ao estudo do constitucionalismo e da política na província do Maranhão a partir da atuação de deputados e senadores da bancada maranhense nas Cortes Portuguesas de 1821 e na Assembleia Geral Legislativa do Império do Brasil (1826-1833). A análise destaca aexperiência e as conexões atlânticas da filosofia liberal inserida em Portugal e no Brasil na década de 1820, no contexto da unidade política e da unidade nacional difundidas com a Revolução do Porto (1820) e propagadas na organização do Estado brasileiro após a proclamação da Independência e a adesão do Maranhão ao Império brasílico, em 28 de julho de 1823. A investigação histórica enfatiza os atores políticos do Maranhão que protagonizaram o projeto de conciliação entre Lisboa e a província maranhense nos trabalhos das Cortes Portuguesas e, posteriormente, na condução de projetos políticos que delinearam a construção do Brasil como corpo político autônomo. A pesquisa analisa as atuações, os posicionamentos e as múltiplas relações políticas da bancada maranhense antes e durante o exercício parlamentar, bem como as defesas dos interesses provinciais e da nação no contexto da construção da unidade nacional brasileira. Após discutir o quadro político dos primeiros anos do vintismo, com os ecos da Revolução do Porto e o trabalho legislativo das Cortes, a investigação concentra-se na primeira e na segunda legislaturas da Câmara dos Deputados (1826-1833) e no exercício parlamentar dos senadores do Maranhão. Integraram esse quadro político, respectivamente, os deputados Manoel Telles da Silva Lobo, Manuel Odorico Mendes, Francisco Gonçalves Martins, João Bráulio Muniz, Antônio Pedro da Costa Ferreira e Manoel dos Santos Martins Velasques, e os senadores João Inácio da Cunha e Patrício José de Almeida e Silva. A pesquisa possui como hipótese norteadora a atuação heterogênea das bancadas maranhenses, desde as Cortes de Lisboa (1821) até a Assembleia Geral Legislativa do Império do Brasil (1826), como mecanismo de sustentação dos grupos políticos e econômicos diante do processo de transição para o autônomo Estado brasileiro. A abordagem teórico-metodológica concentra-se nas perspectivas da Nova História Política, nos estudos das linguagens políticas e na perspectiva da História Conectada, constituída pelas circulações e interações entre espaços históricos não isolados. A metodologia empregada é de natureza bibliográfica, documental e prosopográfica, com a documentação organizada de forma serial, de modo a possibilitar a análise das biografias coletivas no conjunto das dimensões sociais e políticas dos cidadãos eleitos para os cargos de deputado e senador geral da província.
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CARLOS VICTOR DE SOUSA FERREIRA
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CIRCULAÇÕES DA ANORMALIDADE: loucura, suicídio, espiritismo e modernidade na imprensa maranhense (1875-1899)
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Orientador : ALIRIO CARVALHO CARDOSO
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Data : 15/05/2026
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Esta tese investiga narrativas e discursos jornalísticos em torno da loucura, da alienação mental e do suicídio, publicados nos jornais Diário do Maranhão, Publicador Maranhense, O Paiz, O Christianismo: semanario religioso e Pacotilha, no último quartel do século XIX (1875-1899), todos disponíveis no Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. Defendemos a hipótese de que a imprensa não apenas refletia os preconceitos e temores sociais da época, mas atuou como porta-voz dos anseios de grupos sociais que tentavam implantar um processo de modernidade/civilização, e todos aqueles que contrariavam esse ideal, como loucos, suicidas e espíritas se tornaram um empecilho. Esse estudo seguiu a perspectiva da História Social da loucura e do suicídio, nos debruçamos sobre as narrativas marcadas fortemente pela tentativa de medicalização da sociedade, modernização e sugestões de implantação de um projeto civilizacional para São Luís por parte das autoridades políticas e médicas da região. Desta forma, seguiam uma perspectiva transnacional, conforme descrita por Machado et al (1978), no momento em que a medicina passou a ser um fator essencial dentro da política para construção e ordenação da sociedade brasileira. Observamos que a temática se tornou preponderante na imprensa maranhense, para tanto analisamos casos de aprisionamentos de homens e mulheres loucas, internações compulsórias, anúncios de suicídios, a tentativa de construção do primeiro hospício no Maranhão, criação de leis para controle dos alienados nas cidades e das diversas notícias de articulistas sobre causas e efeitos da loucura e do suicídio. Nesta seara discursiva e higienista, durante a pesquisa identificamos que a imprensa oitocentista realçou o espiritismo como vetor de loucura, por isso também investigamos de que maneira o surgimento e a difusão do espiritismo, sistematizado por Allan Kardec, foram apropriados por narrativas jornalísticas que o representavam como ameaça à racionalidade e à ordem social, contribuindo para a construção social da anormalidade e para o fortalecimento de mecanismos de controle simbólico sobre práticas religiosas dissidentes do cristianismo. A junção da documentação fragmentada nos permitiu perceber que este tema em voga naquele contexto era uma preocupação por parte de alguns grupos sociais, não somente políticos, mas parte da sociedade civil que se incomodava com os andrajos dos loucos e o aumento dos suicídios. Além da documentação primária, a bibliografia especializada contribuiu teoricamente para este trabalho, nomes como Foucault, Machado et al, Engel, Costa entre outros. Por fim, esse estudo nos permitiu compreender que os discursos narrativos naquele contexto serviram para reforçar a estigmatização sobre as doenças mentais e o Espiritismo como vetor de loucura, que a tentativa de medicalização não se concretizou e a imprensa maranhense serviu como agente ativo na construção social contemporânea sobre loucos e suicidas.
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NARCISO PASSOS DE FREITAS
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NAS CALÇADAS DA BELLE ÉPOQUE AMAZÔNICA: comércio e tráfico de mulheres nos meretrícios de Manaus (1890-1920).
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Data : 29/04/2026
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A época da Belle Époque amazônica, estimulado pela economia do ciclo da borracha, levou a
modificações culturais, urbanas e sociais expressivas, mas também evidenciou a desigualdade
e a exploração na cidade de Manaus - AM. A bonança na extração da borracha atraiu uma
onda de investidores e migrantes, convertendo Manaus em um centro cosmopolita e no ponto
central de riqueza da região norte do país. Entretanto, a cidade de Manaus também servia de
cenário ativo no comércio e tráfico de mulheres, exploradas na condição da prostituição nos
meretrícios, apontando as disparidades entre o esplendor da elite e as instabilidades das
classes subalternas. Os regulamentos e normas sociais foram convencionados para alinhar a
cidade aos parâmetros da Belle Époque europeia, assim como as meretrizes de lá foram
marginalizadas, as meretrizes de Manaus também, o que demonstra a hipocrisia do moralismo
da elite nacional e local. O estudo sobre essas mulheres meretrizes explana aspectos
esquecidos pela historiografia local, realçando suas lutas e a extinção de suas histórias no
contexto do desenvolvimento da cidade no ciclo da borracha. Nessa conjuntura, ilustrar a
dualidade do período dito como próspero, que, por trás da riqueza, oculta uma realidade de
exploração e tráfico. O trabalho utiliza o caso da meretriz trafica Balbina Wiselthir para
analisar e afirmar as dinâmicas do tráfico, o comercio da prostituição e suas conexões com os
meretrícios estrangeiros, nacionais e regionais. O método de jogo de escalas, do maior para o
menor, é empregado para analisar as fontes como jornais, registros oficiais, inquéritos
criminais, registro de inhumações, códigos de postura, Mensagens do Governador do
Amazonas para Assembleia, Relatório da Chefatura de Polícia, etc. o que proporciona uma
visão mais crítica dos bastidores socioeconômicos do período citado. Assim, conceber a
história de vida dessas mulheres/meretrizes prostituídas exibe os conflitos entre a
desigualdade e modernidade, trazendo à superfície as colaborações ignoradas e as tensões
sociais perseverantes durante o período da Belle Époque amazônica.
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ÁBDON ERES DA SILVA NETO
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O preço da liberdade é a eterna vigilância: cultura e paixões políticas na trajetória da União Democrática Nacional no Piauí (1945 a 1962).
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Orientador : VICTOR DE OLIVEIRA PINTO COELHO
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Data : 17/04/2026
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A União Democrática Nacional foi criada no Brasil em 1945, no contexto de democratização que se seguiu ao fim do governo autoritário de Getúlio Vargas. Esse é o marco inicial de nossa investigação. O recorte final situa-se em 1962, ano em que ocorreram eleições para governador no Piauí. Esse partido teve grande importância nas disputas políticas do período; mesmo assim, não há pesquisas que tratem especificamente de sua atuação no estado. Desse modo, esta tese visa analisar a trajetória da UDN no Piauí. Partimos da hipótese de que o contexto de culturas políticas, usando o conceito de Serge Bernstein (1998) e as reflexões de Rodrigo Patto Sá Motta (2009), deu um tom particular à dinâmica política piauiense daquele período, de modo que as decisões tomadas pelo partido em nível nacional nem sempre convergiam com aquelas adotadas pela seção estadual. Por meio da pesquisa nos jornais, livros de memórias e depoimentos percebeu-se que os políticos piauienses tinham noções compartilhas sobre como lidar com a política. Nessas fontes observamos que as pautas eram, em geral, sobre acusações trocadas, sobre desvios de dinheiro público, violências, perseguições e disputas por cargos. Enxergando esses embates por meio do conceito de gestão das paixões políticas de Pierre Ansart (2019), evidenciamos que a UDN piauiense mobilizou emoções e sentimentos, criticando o governo pessedista de Leônidas Mello, associando-o a um período autoritário, ao passo que apresentava a UDN como esperança de tempos democráticos. Desse modo, as paixões políticas eram mobilizadas com intuito de receber o apoio do eleitorado, mostrando um traço importante da atuação daqueles sujeitos. No primeiro capítulo analisamos como a UDN canalizou os ressentimentos contra o partido pessedista para vencer as eleições; no segundo capítulo, investigamos o governo do udenista Rocha Furtado, observando que o ódio cultivado no pleito eleitoral reverberou durante seu governo, mantendo a disputa entre os partidos acirrada. No terceiro capítulo, analisamos como o desafeto entre dois dos maiores líderes da UDN no estado impactaram a dinâmica política. Por fim, investigamos a trajetória de Petrônio Portella, um político udenista que conseguiu uma aliança entre as duas siglas partidárias adversárias, considerando o afeto entre ele e a filha do líder pessedista. Esperamos que esta pesquisa possa servir de base para novos estudos sobre o período, elucidando as disputas políticas não apenas pelo cálculo político, mas observando também os elementos culturais e emocionais.
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JOABE DA SILVA NASCIMENTO
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A INQUISIÇÃO PORTUGUESA NO RIO DE JANEIRO: O PROCESSO POR JUDAÍSMO DE ISABEL DA SILVA (1710-1716).
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Data : 06/04/2026
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Esta Dissertação analisa o processo inquisitorial movido contra Isabel da Silva, mulher cristã-nova fluminense acusada de judaísmo entre 1710 e 1716, tomando-o como chave interpretativa para compreender os mecanismos de repressão, vigilância e disciplinamento mobilizados pela Inquisição portuguesa no Brasil colonial. A pesquisa parte da compreensão de que a trajetória de Isabel permite observar, em escala microscópica, a articulação estrutural entre gênero, linhagem étnico-religiosa e dominação colonial, operada de forma integrada entre os espaços da colônia e da metrópole, evidenciando a atuação do Santo Ofício como instância reguladora das condutas, das crenças e das hierarquias sociais. Fundamentado na análise crítica dos autos processuais preservados no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, o estudo mobiliza aportes da micro-história, da interseccionalidade e da história social das mulheres para examinar como a condição feminina, cristã-nova e proprietária de bens intensificou a suspeição inquisitorial, ao mesmo tempo em que produziu margens restritas de agência, negociação e sobrevivência no interior de uma estrutura repressiva altamente assimétrica. A Dissertação evidencia o papel central do espaço doméstico, da oralidade religiosa, das redes familiares e das estratégias matrimoniais tanto como focos privilegiados de vigilância quanto como territórios de preservação do criptojudaísmo, especialmente sob a condução das mulheres, responsáveis pela transmissão de práticas, memórias e saberes interditos. Ao longo da análise, são examinados os procedimentos jurídicos e rituais do Santo Ofício, da denúncia à prisão, da confissão à sentença, destacando-se a produção institucional da culpa, a performatividade confessional e o caráter exemplar das penas, com ênfase no confisco patrimonial e na exposição pública no auto de fé de 1713, elementos centrais para a pedagogia do medo inquisitorial. O processo de Isabel da Silva é interpretado como expressão concreta de uma política de estigmatização voltada à marcação dos corpos, das memórias e das linhagens cristãs-novas. Inserida no contexto do mundo atlântico português, a pesquisa também analisa a circulação de pessoas, informações e práticas repressivas entre o Rio de Janeiro e Lisboa, ressaltando o papel da Inquisição como engrenagem fundamental do poder imperial. Ao restituir criticamente a trajetória de Isabel da Silva, o trabalho contribui para uma compreensão mais densa das experiências femininas sob o regime inquisitorial, afirmando as subjetividades subalternizadas como elementos centrais para a interpretação da história social e religiosa do Brasil colonial.
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RUAN MATHEUS MARTINS COSTA
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A Festa da Juçara no Maracanã: reunindo tradições e identidades sob a perspectiva do patrimônio imaterial (1971-1985).
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Orientador : MARIA IZABEL BARBOZA DE MORAIS OLIVEIRA
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Data : 27/03/2026
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O bairro do Maracanã está situado na zona rural de São Luís do Maranhão, considerado um dos
bairros mais antigos da capital. A comunidade do Maracanã foi sendo conhecida popularmente
como espaço de realização de diferentes manifestações culturais, dentre as quais se destaca a
Festa da Juçara, realizada desde a década de 1970. Neste estudo buscou-se analisar a Festa da
Juçara no Maracanã como patrimônio imaterial e a construção dessa tradição no cenário cultural
da identidade maranhense entre os anos de 1971 a 1985, buscando contemplar a abordagem da
História Oral para a análise envolta das memórias e relações identitárias com o festejo
atualmente. A abordagem metodológica adotada perpassou, impreterivelmente, pela realização
de: pesquisa bibliográfica, com o levantamento de produções acadêmicas em artigos, livros e
capítulos de livros, dissertações, teses, entre outros; a pesquisa documental, realizada com
base nos registros do Arquivo Público, nos jornais O Imparcial e Jornal do Dia/O Estado do
Maranhão da Biblioteca Benedito Leite, assim como os documentos disponibilizados pelo Instituto
Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM). Abordou-se também a metodologia da História
Oral, contemplando as narrativas dos interlocutores como formas de testemunhos de vida, sendo
o público deste estudo os comerciantes da festa, destacando esses enunciados com o cruzamento
das fontes escritas para a tessitura desse festejo no passado e no presente. Partindo da premissa
que diferentes espaços festivos de menor projeção midiática se veem ameaçados diante do avanço
do capitalismo, seria impreciso dizer que estão fadados a desaparecerem. Por este motivo,
dialoga-se com o conjunto de autores ligados aos Estudos Subalternos. Destaca-se dessa
tendência historiográfica os estudiosos indianos: Dipesh Chakrabarty, Partha Chatterjee,
Ranajit Guha, David Hardiman, Sudipta Kaviraj, Gyanedra Pandey e Gyan Prakash. Esses
autores propiciam reflexões teóricas para se pensar a agência de indivíduos/grupos
subalternizados e aqui considero também enfatizar uma representatividade cultural
subalternizada, porém transformada diante do ditame do grande capital , face à contestação de
uma história vista sob a perspectiva nacional e universalista.
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GLAYCY KELLY SOUZA ARANHA
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THE WAY OF VIKINGS Histórias conectadas através do Heavy Metal: uma leitura de símbolos na banda Amon Amarth.
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Orientador : MARCUS VINICIUS DE ABREU BACCEGA
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Data : 26/03/2026
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Em suas diversas variações, a música está presente no cotidiano; o Heavy Metal aparece como uma delas, e de forma globalizada, presente em todo o mundo com suas particularidades de acordo com seu local de produção e difusão. Nesse sentido, a proposta da pesquisa é entender particularidades do cenário escandinavo do Heavy Metal e entender a presença de símbolos da Era Viking (período que compreende os anos de 793 a 1066) e quais usos podem ter no meio de difusão, na cena musical. Analisar os discursos produzidos e difundidos pelo público ouvinte que vive no mesmo tempo de produção da música e entender as leituras que fazem de um passado nórdico a partir de sua visão do presente. Nesse sentido é preciso enfatizar que mesmo que a música tenha elementos que remetem ao passado, o produto cultural é criado a partir de situações e discussões específicas de sua época de produção.
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TICYANA SILVA FRANCO
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A GRIPE ESPANHOLA NO LITORAL MARANHENSE ATRAVÉS DOS JORNAIS DO ESTADO (1918-1919)
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Data : 04/03/2026
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A gripe espanhola, que assolou o planeta entre 1918 e 1920, por um longo período ficou
conhecida como a Pandemia Esquecida. A moléstia dos fronts teve sua gênese nos Estados Unidos e,
devido à I Guerra Mundial, espalhou-se em grande velocidade. Esses ecos puderam ser relembrados
recentemente com a crise sanitária global causada pela Covid-19, que isolou e, ao mesmo tempo,
reconectou a sociedade com um passado que parecia distante. Nesse sentido, esta pesquisa tem como
objetivo analisar o cenário da gripe espanhola no litoral maranhense, com foco em São Luís e na então vila
de Cururupu, no período de 19181919, por meio das narrativas sobre a doença extraídas dos jornais
maranhenses Pacotilha, O Jornal, Diário Official do Estado do Maranhão e O Littoral. Busca-se, assim,
compreender as relações sociais e de poder no quadro pandêmico e as formas pelas quais governo, médicos,
sanitaristas e sociedade atuaram diante de uma nova doença. A metodologia adotada baseia-se em uma
abordagem qualitativa, considerando a subjetividade como elemento fundamental no processo de
construção do conhecimento histórico. Utiliza-se, ainda, o recorte serial, relacionado à História Serial, a fim
de observar o fenômeno em sua recorrência, valendo-se da comparação para investigar as ocorrências e
explicá-las a partir de suas semelhanças e diferenças. Por fim, os impressos analisados revelam, em seus
discursos e entrelinhas, duas cidades com comportamentos distintos diante da crise sanitária. Em São Luís,
evidenciam-se problemas de infraestrutura, a precariedade dos hospitais e as profundas distinções entre as
classes sociais, nas quais a população mais pobre se viu adoentada e envolta em dificuldades
potencializadas por uma crise sem precedentes. Em Cururupu, destacou-se a adesão de quase todas as
camadas sociais aos métodos terapêuticos da pajelança, em um contexto marcado pelo abandono
governamental e pela fragilidade das estruturas sanitárias.
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