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Descrição |
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LETICIA MATOS CASTRO
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O ENSINO DE CIÊNCIAS COMO TERRITÓRIO DE RESISTÊNCIA: A
TRAJETÓRIA DE SÔNIA GUIMARÃES
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Orientador : ANDRE FLAVIO GONCALVES SILVA
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Data : 08/12/2025
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Esta dissertação analisa a trajetória acadêmica e profissional da professora Sônia Guimarães,
primeira mulher negra doutora em Física no Brasil, interpretando-a como um território de
resistência e reexistência no Ensino de Ciências. Parte-se da compreensão de que a ciência
moderna foi estruturada sob bases eurocentradas, patriarcais e racistas, que historicamente
excluíram mulheres negras dos espaços de produção de conhecimento. Assim, compreender e
difundir a história de Sônia Guimarães é um gesto político e epistêmico de enfrentamento ao
apagamento dessas presenças na história da ciência brasileira. A pesquisa, de natureza
qualitativa, exploratória e interpretativa, fundamenta-se nos referenciais da
interseccionalidade, das epistemologias decoloniais e do feminismo negro, com base em
autoras como Crenshaw, Collins, Hooks, Gonzalez, Carneiro e Walsh. Utiliza-se a Análise
Textual Discursiva (ATD) como metodologia, aplicada a três fontes principais: uma
entrevista pública concedida pela cientista ao programa Provoca (TV Cultura, 2024), seu
Currículo Lattes e um artigo biográfico de Katemari Rosa (2020), publicado pela ABPN. A
análise discursiva revelou quatro metacategorias: Raízes e Despertar Científico; Docência e
Invenção como Práticas de Resistência; Interseccionalidades na Ciência: Desafios e
Enfrentamentos; e Legado e Futuro da Ciência Negra. Essas categorias evidenciam que a
trajetória de Sônia é atravessada por enfrentamentos ao racismo institucional e ao sexismo
acadêmico, mas também por práticas de invenção, solidariedade e compromisso com a
transformação social por meio da educação. Sua presença na Física representa um marco
histórico e pedagógico, abrindo caminhos para que outras mulheres negras possam se
reconhecer como cientistas e educadoras. Como desdobramento prático e pedagógico da
pesquisa, foi criado o Museu Virtual Sônia Guimarães: Trajetória de uma Cientista Negra,
concebido como espaço digital interativo e decolonial, voltado à divulgação científica e ao
empoderamento de meninas negras. O museu funciona como ferramenta de memória,
visibilidade e formação crítica, promovendo práticas educativas antirracistas e de valorização
de saberes plurais. Conclui-se que o Ensino de Ciências, quando atravessado por perspectivas
interseccionais e decoloniais, pode se tornar um campo de resistência e transformação,
rompendo silenciamentos e ampliando a representatividade na ciência. Ao valorizar a
trajetória de Sônia Guimarães, este trabalho reafirma o papel das mulheres negras como
produtoras de saber, memória e futuro, contribuindo para uma ciência brasileira mais plural,
democrática e comprometida com a justiça social.
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NATHALIA FERREIRA SILVA
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FORMA/AÇÃO DOCENTE EM CIÊNCIAS: Estranhamento, Tecnologias Digitais e a
Héxis Política Docente
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Orientador : CAROLINA PEREIRA ARANHA
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Data : 31/10/2025
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Estudos recentes evidenciam uma lacuna na formação docente, inicial e continuada, no que se
refere a temáticas de gênero e sexualidade. Nesse sentido, faltam, aos docentes em atuação,
subsídios para lidar com as diferenças no ambiente escolar. Juntamente com essa lacuna, há uma
carência quanto à formação para inserção das Tecnologias Digitais em sala de aula. Rosa, (2024),
e Rosa e Esquincalha (2024) mostram que há potencialidade formativa ao
discutirmos/trabalharmos essas lacunas/carências em con-junto. De modo que, enquanto a Teoria
Queer (Butler, 2024; Louro, 2022) fornece as lentes para desnaturalizar o binarismo e a
heteronormatividade presentes no ensino de Ciências, as Tecnologias Digitais podem atuar como
catalisadoras deste processo. Juntas, elas desafiam a noção de que corpos e identidades devem se
encaixar em modelos fixos. Nesse sentido nos interrogamos: Que processos de estranhamento,
ressignificação e resistência são mobilizados por um curso de Cyberformação Queer nas
concepções de professoras de Ciências sobre gênero e sexualidade, e como a mediação das
Tecnologias Digitais catalisa ou tensiona esses movimentos? A partir da problemática, tomamos
como objetivo da pesquisa: Compreender como um processo de formação docente pautado pela
Cyberformação e pela Teoria Queer incide sobre as concepções de docentes de Ciências em
relação à diversidade sexual e de gênero, identificando potencialidades, obstáculos e os
movimentos de estranhamento provocados. Para tanto, a metodologia proposta consiste em uma
análise qualitativa, cuja investigação é desvelada em momentos, podendo conduzir à compreensão
do fenômeno que está sendo investigado, analisados à luz das ideias de Butler (2024) e Louro
(2000). Mediante esse aspecto, o corpus da pesquisa foi constituído por: 1) materiais produzidos
a partir do curso Cyberformação Queer: estranhando o currículo, em modalidade online e carga
horária de 40 horas; e 2) entrevistas realizadas com as participantes do curso, após sua finalização.
Buscamos, por meio da Análise Textual Discursiva (ATD), valorizar expressões, ideias, reflexões
e ações das pessoas participantes, de modo a observar o potencial desses momentos e atividades.
Emergiram desse processo três categoriais finais: 1) Expectativas e Concepções Inciais; 2)
Microagressões e outras violências como tecnologias de gênero tomando consciência de; e, 3)
Imagens que tocam. Essas categorias revelam que, o curso ofertado foi de significativa relevância
para as pessoas que demostraram interesse em conclui-lo, e mesmo diante dos desafios, foi capaz
de despertar novos olhares docentes diante da realidade existente, reforçando a necessidade de que
temáticas LGBTQIAPN+, mediadas por TD façam parte de processos formativos docentes, sejam
eles iniciais ou continuados, tomando a Cyberformação como um caminho potencialmente
frutífero diante da necessidade de preparar esse docentes para formar pessoas possivelmente aptas
a consolidar valores e práticas pertinentes para a vida como um todo.
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LIVIA CARMEM FRANCO RIBEIRO ALVES
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Educação de Surdos e Ensino de Biologia: um estudo sobre práticas inclusivas na produção de dissertações na pós-graduação brasileira
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Orientador : CARLOS ERICK BRITO DE SOUSA
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Data : 31/10/2025
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Nas últimas décadas, a inclusão de pessoas surdas no sistema educacional brasileiro tem se
consolidado como um tema central nos debates sobre direitos, equidade e acessibilidade. No
entanto, garantir a presença desses estudantes nas escolas não significa, por si só, assegurar sua
participação efetiva nos processos de ensino e aprendizagem. No contexto específico do ensino de
Biologia, os desafios tornam-se ainda mais evidentes, principalmente devido às barreiras linguísticas, à ausência de terminologias científicas consolidadas na Língua Brasileira de Sinais
(Libras) e à escassez de práticas pedagógicas que atendam às especificidades da Comunidade
Surda. Assim, o objetivo geral deste trabalho é analisar como as dissertações acadêmicas abordam
a educação de surdos no ensino de Biologia, identificando suas contribuições para a educação
inclusiva e bilíngue. Os objetivos específicos incluem mapear os referenciais teóricos, os métodos
utilizados e as principais temáticas tratadas nas dissertações, bem como compreender suas
contribuições para a construção de um ensino de Biologia acessível. O estudo adota uma
abordagem qualitativa, de caráter documental, fundamentada na análise de conteúdo. O corpus é
composto por 11 dissertações de mestrado, selecionadas na Biblioteca Digital Brasileira de Teses
e Dissertações (BDTD), considerando critérios como: vínculo com programas de Ensino de
Ciências, abordagem direta da intersecção entre educação de surdos e Biologia, e disponibilidade
completa dos textos. A análise foi desenvolvida em três etapas: pré-análise (organização do
material e formulação de hipóteses), exploração do conteúdo (identificação de unidades de
registro) e tratamento dos dados (interpretação e categorização). Quatro categorias analíticas
emergiram: (1) desafios docentes no ensino de Biologia para surdos; (2) dificuldades de
comunicação e ausência de terminologia científica em Libras; (3) uso de estratégias pedagógicas
visuais e bilíngues; (4) formação docente, recursos didáticos e acessibilidade científica. Os
resultados apontam para dificuldades estruturais no ensino de Biologia para surdos, como a
carência de sinais específicos na Libras para termos científicos, a escassez de materiais
pedagógicos adequados e a insuficiência na formação de professores. Por outro lado, evidenciam
práticas promissoras, como o uso de mídias bilíngues, tecnologias assistivas, glossários em Libras,
maquetes, vídeos e a colaboração entre professores, intérpretes e a Comunidade Surda. O corpus
oferece contribuições significativas para o campo da educação inclusiva, cujas dissertações
analisadas mostram que ainda há um longo caminho a percorrer na consolidação de práticas
pedagógicas realmente bilíngues e inclusivas no ensino de Biologia.
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PAULO FERNANDO COSTA CARDOSO
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Uma história da primeira licenciatura em física do Maranhão contada a partir de
documentos e entrevistas
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Data : 30/10/2025
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Evidências de lacunas na sistematização de informações sobre a formação docente da Licenciatura
em Física da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) motivaram a realização desta
investigação sobre a história desse curso. O estudo, referente ao período de 1968 a 2023, foi
orientado pelo questionamento: como o percurso da licenciatura em física da UFMA revela os
processos institucionais e subjetivos que configuram o curso atual? O objetivo geral consistiu em
reconstruir e interpretar pontos da trajetória da Licenciatura em Física da UFMA, ao articular
memória docente, documentos institucionais e referenciais teóricos para compreensão do processo
de individuação do curso. Especificamente buscou-se: (1) analisar os documentos institucionais
que orientaram a criação, a implementação e as reformulações curriculares do curso e (2)
interpretar, a luz da cartografia e da teoria da individuação, entrevistas realizadas com quatro
professores que também são ex-alunos das primeiras turmas do curso, e atuaram, posteriormente,
como docentes da instituição. A abordagem metodológica, de natureza qualitativa, articulou
princípios da História da Ciência e da Cartografia, o que possibilitou o entrecruzamento de fontes
documentais (como resoluções, pareceres, atas e projetos pedagógicos) e fontes orais (entrevistas).
Os resultados evidenciaram a predominância, especialmente nas décadas iniciais, de um modelo
de estrutura curricular bacharelesco, voltado à formação de especialistas em conteúdos específicos
de física, com a dimensão da formação pedagógica silenciada. As entrevistas revelaram, contudo,
que o curso se constituiu como um território de invenção e resistência, no qual docentes e discentes
transformaram a precariedade de infraestrutura e de recursos humanos em espaço de criação.
Reformas curriculares, como a de 1992, e o reconhecimento oficial do curso pelo Decreto nº
79.065/1997 representaram momentos de inflexão e amadurecimento institucional. Concluiu-se
que a história da Licenciatura em Física na UFMA reflete um processo contínuo de individuação,
impulsionado pelas forças instituintes dos sujeitos que a construíram. Acredita-se que este estudo
é uma contribuição para a valorização da memória docente, para o registro histórico da formação
em física no Maranhão e para o fortalecimento de uma perspectiva crítica sobre a formação docente
daqueles que participaram da criação e da consolidação do curso.
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MARCILENE DOS SANTOS SILVA
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FORMAÇÃO DE PROFESSORES PELA PERSPECTIVA DA DIVERSIDADE: UMA ANÁLISE DAS LICENCIATURAS EM QUÍMICA DO ESTADO DO MARANHÃO
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Data : 29/10/2025
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A diversidade vem sendo uma temática de estudo muito presente na atualidade, permitindo
compreender que os indivíduos vivem e convivem em um contexto de pluralismo cultural.
Moreira e Candau (2014) destacam que a sociedade é multicultural, o que exige reflexões e
práticas educacionais que valorizem e respeitem essa multiplicidade de identidades e
experiências em todas as áreas de conhecimento. Para tanto, instituições e seus atores do
processo de ensino e aprendizagem precisam estar cientes e praticar a acolhida à
diversidade. Nessa vertente, tendo como base legal as Diretrizes Curriculares para a
Formação de Professores, nesta pesquisa questiona-se de que maneira os Planos de
Desenvolvimento Instituicional das Instituições de Ensino Superior (IES) e os Projetos
Pedagógicos de Curso dos Cursos de Licenciatura em Química contemplam a diversidade
na formação de professores, garantindo uma abordagem inclusiva e alinhada aos contextos
sociais. Portanto, o objetivo geral foi identificar e analisar o processo de adoção de ações
contidas nas Políticas Pedagógicas Educacionais presentes nas Instituições de Ensino
Superior nos Cursos de Licenciatura em Química do estado do Maranhão que contribuam
para desconstrução de estereótipos de gênero, raça, cultura entre outros, dentro do campo
da diversidade no âmbito acadêmico. A metodologia adotada é de natureza qualitativa, do
tipo documental exploratória, utilizando a técnica de análise de conteúdo para interpretação
e discussão dos dados. Foram investigados os Projetos Pedagógicos de Cursos (PPC) e o
Plano de Desenvolvimento Instituicional (PDI) de insituições que ofertam os cursos
Licenciatura em Química presentes no estado do Maranhão, sendo elas: Universidade
Federal do Maranhão (UFMA), Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e do Instituto
Federal do Maranhão (IFMA) Campus Monte Castelo. A análise documental teve como
foco a inclusão da diversidade e a forma como essa temática é abordada no material, bem
como suas proposições para o ensino e aprendizagem. Foram criadas categorias analíticas
que reuniram os sentidos e significados relacionados à discussão sobre diversidade,
resultando em duas subseções que buscam responder a questaõ norteadora desta pesquisa.
Os resultados indicaram que a diversidade está contemplada nos documentos dos cursos de
Licenciatura em Química das IES analisadas em São Luís-MA. No entanto, verificou-se
discussões superficiais e desatualizações em relação a base legal que sustente a inclusão da
diversidade na formação de professores.
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FERNANDA MILLA SILVA ARAUJO
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JOGOS DIGITAIS ARTICULADOS À EDUCAÇÃO MATEMÁTICA
CRÍTICA E ABORDAGEM CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE
(CTS) PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA: DESENHANDO UM CAMINHO
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Data : 23/10/2025
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A matemática, tradicionalmente ensinada em sua forma abstrata e por vezes
descontextualizada, tem sido questionada por correntes pedagógicas que defendem a
necessidade de torná-la mais significativa e conectada com o contexto social. A Educação
Matemática Crítica (EMC) e a abordagem Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) surgem
nesse cenário como perspectivas que ampliam o papel da educação matemática ao
defenderem a formação de sujeitos que sejam capazes de refletir criticamente sobre o mundo
em que vivem. Diante dessas reflexões, esta pesquisa, tem como objetivo compreender os
jogos digitais como possibilidades de articulação da Educação Matemática Crítica com a
Abordagem Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS). A partir de inquietações vivenciadas no
contexto escolar, a pesquisa propõe repensar o ensino de matemática em direção a práticas
mais reflexivas e socialmente situadas, norteada pela seguinte problemática: Como os jogos
digitais podem promover um ensino de matemática que articule os pressupostos da EMC com
a abordagem CTS? Para perspectiva de responder, a questão norteadora deste estudo, foi
realizada uma Revisão Sistemática da Literatura (RSL), com foco em estudos publicados
entre 2010 e 2020, cuja análise evidenciou a presença crescente dos jogos digitais no ensino
de matemática, embora pouco explorados sob uma perspectiva crítica. Os dados analisados à
luz da análise de conteúdo, apontam para a relevância de ampliar o debate sobre o uso dos
jogos digitais como recursos de mediação reflexiva, fornecendo subsídios teóricos e
metodológicos para a construção de propostas pedagógicas comprometidas com uma
formação matemática crítica. Com base no mapeamento realizado foi possível idealizar o que
denominou-se de Desenhando um caminho, que caracteriza-se como diretrizes conceituais
que articulam jogos digitais, EMC e CTS, fundamentada na metodologia Design-Based
Research (DBR) e Teaching-Learning Sequences (TLS). Para exemplificar sua aplicação,
utiliza-se o jogo digital SPENT, analisando como suas situações simuladas podem ser
exploradas pedagogicamente para problematizar conceitos da matemática financeira em
diálogo com questões sociais e éticas. Como principal contribuição, a pesquisa oferece um
caminho estruturado para pensar o uso de jogos digitais no ensino de matemática em uma
perspectiva crítica e sociotecnológica. Desenhando um caminho se apresenta como uma
diretriz aberta, que pode ser retomada, testada e redesenhada em diferentes contextos,
reafirmando o caráter dinâmico e investigativo da DBR e das TLS. Ao mesmo tempo, sinaliza
a importância de não reduzir os jogos digitais a ferramentas apenas de motivação, mas
compreendê-los como espaços de reflexão, problematização e formação cidadã.
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QUEZIA REGINA LISBOA BOTELHO FERREIRA
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BIODIVERSIDADE OCEÂNICA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM LIVROS
DIDÁTICOS DE UMA COLEÇÃO DE CIÊNCIAS DA NATUREZA
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Data : 01/10/2025
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A Educação Ambiental (EA) é essencial para a formação de sujeitos críticos e conscientes,
especialmente diante dos desafios socioambientais contemporâneos. No contexto da Educação
Ambiental Marinha e Costeira (EAMC), sua importância se amplia ao promover uma
compreensão ética, científica e crítica sobre a conservação dos oceanos. Nesse sentido, esta
dissertação teve por objetivo analisar como a biodiversidade marinha e a EA são abordadas em
uma coleção de livros didáticos de Ciências da Natureza do Ensino Médio, distribuída pelo
Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) 20212024, adotada em escolas
públicas estaduais de São Luís MA. A pesquisa é de natureza qualitativa, com análise
documental e de conteúdo, centrada na coleção composta por seis volumes. Foram definidas
quatro categorias temáticas a posteriori: Conservação Marinha, Ecossistemas Oceânicos,
Poluição Marinha e Serviços Ecossistêmicos Marinhos. Foram encontrados 47 trechos na
coleção, que abordavam, direta ou indiretamente, a biodiversidade oceânica e a EA. Os
resultados demonstram que, embora as temáticas estejam presentes, percebe-se uma
superficialidade e fragilidades ao longo da coleção. O tipo de EA predominante foi a de caráter
pragmático, voltada à resolução de problemas com foco técnico e instrumental, bem como a
presença do caráter conservacionista. As causas estruturais da crise ambiental, como padrões
de produção e consumo insustentáveis foram pouco problematizadas. Elementos da EA Crítica
e emancipatória aparecem pontualmente, mas de forma insuficiente para promover reflexões
mais profundas ou ações transformadoras. Além disso, observa-se uma frágil articulação com
os objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS), como os ODS 14 e com os princípios da
Década do Oceano, o que limita o potencial formativo do material. Assim, evidencia-se a
necessidade de fortalecer e qualificar a presença da biodiversidade marinha e EA nos livros
didáticos, incentivando práticas pedagógicas que estimulem o pensamento crítico, o
engajamento e o protagonismo dos estudantes frente à crise ambiental que afeta drasticamente
os oceanos, ecossistemas marinhos e costeiros, a sociedade e o meio ambiente.
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JONAINA FERREIRA LIMA
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ENSINO DE CIÊNCIAS E DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS: investigando desinformações em livros didáticos no contexto das ciências da natureza
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Data : 30/09/2025
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A sociedade contemporânea, marcada pela intensificação dos fluxos informacionais digitais,
enfrenta desafios crescentes relacionados à disseminação de desinformações, fake news e
negacionismos científicos. No contexto educacional, tais fenômenos impactam diretamente o
processo de formação crítica dos estudantes, exigindo a construção de novas estratégias
pedagógicas que integrem a alfabetização midiática e informacional. Esta dissertação tem
como objetivo geral analisar como livros didáticos de Ciências da Natureza abordam a
temática das desinformações, com foco na avaliação de informações científicas. De que forma
coleções de livros didáticos de Ciências da Natureza abordam a temática das desinformações
como contributo à formação de uma postura crítica dos estudantes frente às desinformações
contemporâneas? Para responder a essa questão, adotou-se uma abordagem qualitativa, de
cunho documental, baseada na análise de conteúdo de Laurence Bardin. Foram selecionadas
duas coleções aprovadas pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD
2024), denominadas de coleção A e B, que apresentaram maior distribuição nas escolas
públicas de São Luís, Maranhão. A análise incide sobre a identificação de categorias como a
presença de conteúdos relacionados à desinformação; estratégias de checagem e verificação
de informações; promoção da alfabetização midiática e informacional (AMI); e negacionismo
e pseudociência. O tratamento dos dados se fundamenta na inferência crítica dos textos
didáticos, buscando identificar regularidades, lacunas e silenciamentos em relação às
competências midiáticas e científicas. Os resultados mostram que as duas coleções analisadas
abordam as desinformações de forma pontual, sem profundidade ou continuidade. Embora
tratem de temas importantes como saúde, mudanças climáticas e pseudociência, não integram
sistematicamente a AMI ao currículo. A falta de articulação com o material do aluno é visível
nas análises. A pesquisa destaca a urgência de incluir essas e outras temáticas de forma
crítica, com conteúdos mais sólidos, preparando os estudantes para o enfrentamento das
desinformações no contexto contemporâneo.
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THAMIRES SILVA SOARES
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Título: Jogos Digitais sob a perspectiva da Educação Matemática Crítica para a constituição de um acervo no Museu Game Ciência
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Data : 30/09/2025
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No campo do ensino de matemática, a educação exerce um papel essencial na formação integral dos sujeitos, ultrapassando o desenvolvimento de competências técnicas e ampliando-se para a
promoção de uma formação crítica, reflexiva e socialmente engajada. Nesse contexto, o uso de
tecnologias digitais revela-se uma estratégia promissora para fomentar o interesse dos
estudantes, sobretudo ao integrar recursos interativos como os jogos digitais. Partindo dessa
perspectiva, este trabalho propõe uma análise dos jogos digitais voltados ao ensino de
matemática à luz da Educação Matemática Crítica, com o objetivo de contribuir para a
constituição de um novo acervo no Museu Game Ciência. Compreendendo os museus de ciência
como espaços socioculturais de educação não formal e reconhecendo o potencial formativo dos
jogos digitais, a pesquisa investiga de que maneira esses artefatos podem favorecer processos de
alfabetização matemática crítica e possibilitar a construção de atividades museológicas
significativas. Assim, o objetivo deste trabalho consistiu em realizar uma análise crítica de jogos
digitais direcionados ao ensino de matemática, fundamentada nos pressupostos da Educação
Matemática Crítica, visando à seleção, categorização e proposição de formas de inserção desses
jogos em um acervo educativo voltado ao Museu Game Ciência. Como objetivos específicos,
buscou-se: levantar e catalogar jogos digitais com potencial educativo na área da matemática;
identificar jogos que dialoguem com os contextos socioculturais e com as intencionalidades do
Museu Game Ciência e propor atividades museológicas fundamentadas na Educação Matemática
Crítica, que explorem criticamente as representações matemáticas presentes nos jogos. A
investigação adota uma abordagem qualitativa, de natureza exploratória, fundamentada em
análise documental e categorial dos jogos, orientada pelo referencial teórico de Skovsmose, além
de autores que discutem a educação a partir dos jogos digitais. Mediante a análise, os jogos
foram organizados em três categorias principais: matemática pura, semirrealidade matemática e
realidade matemática, de acordo com o nível de contextualização e problematização dos
conteúdos matemáticos apresentados. Os resultados revelam que, embora ainda prevaleçam
abordagens tradicionais e tecnicistas nos jogos analisados, existem exemplos que se mostram
promissores para práticas pedagógicas críticas e reflexivas, especialmente quando inseridos em
propostas educativas fundamentadas em mediação e intencionalidade. Ao final do trabalho, são
sugeridas atividades museológicas que promovem a mediação entre jogo, conhecimento
matemático e formação cidadã no contexto do Museu Game Ciência. Diante de tais perspectivas,
acreditamos que este estudo contribui para o debate sobre a integração entre cultura digital e
educação matemática crítica, ao evidenciar os jogos digitais como ferramentas que potencializam
aprendizagens contextualizadas em espaços museais, promovendo o diálogo entre ludicidade,
saber matemático e transformação social.
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ALINE ROBERTA SANTOS CARDOSO SILVA
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Título: A CIÊNCIA SE FAZ COM HISTÓRIA: Trajetórias de mulheres pretas doutoras em Química no Maranhão.
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Orientador : CAROLINA PEREIRA ARANHA
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Data : 29/09/2025
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Esta dissertação investiga as trajetórias das primeiras mulheres pretas maranhenses que
conquistaram o título de doutoras em Química, com o objetivo de compreender suas contribuições
para a formação docente e os sentidos atribuídos à docência em suas experiências. O estudo está
delimitado ao contexto maranhense e enfoca interseccionalmente os marcadores de gênero, raça e
classe, considerando os atravessamentos históricos e sociais que moldaram os percursos dessas
mulheres na ciência. A relevância da pesquisa reside na visibilização de saberes, práticas e
resistências que costumam ser silenciados no campo acadêmico, tensionando a lógica hegemônica
da produção de conhecimento científico. O referencial teórico articula os estudos feministas negros
(como os de Angela Davis, Patricia Hill Collins, Sueli Carneiro, Lélia Gonzalez), a perspectiva
decolonial (como Frantz Fanon, Aníbal Quijano, Maria Lugones e Catherine Walsh) e a teoria da
interseccionalidade proposta por Kimberlé Crenshaw, Carla Akotirene e Sirma Bilge. A
metodologia adotada é qualitativa, de orientação fenomenológica (Bicudo), do tipo narrativa que
envolveu entrevistas com duas professoras doutoras negras em Química. A Análise Textual
Discursiva (ATD, das entrevistas gerou cinco categorias: (1) Origens, infância e caminhos de
escolarização, que evidenciam experiências marcadas por privações materiais e racismo estético,
mas também por uma valorização da educação como possibilidade de mudança; (2) Formação
acadêmica e resistência institucional, que revela os enfrentamentos diante das barreiras raciais,
linguísticas e estruturais no Ensino Superior e na pós-graduação; (3) Ser mulher negra na
ciência: (in)visibilidade, desconfiança e reivindicação, que denuncia o estranhamento da
presença negra na ciência e destaca os processos de afirmação identitária; (4) Práticas
pedagógicas e compromisso com a transformação social, que mostra como essas docentes
atuam com afeto, acolhimento e responsabilidade social, ressignificando o ensino de Química; e
(5) Legados, subjetividades e (re)invenções, que aborda maternidade, adoecimento, arte e
resistência afetiva como dimensões íntimas da vivência docente. Os resultados evidenciam a
centralidade da docência como prática política e espaço de resistência, revelando saberes que
desafiam a colonialidade do saber, do poder e do ser. As narrativas das participantes apontam para
um compromisso ético com a transformação da educação e com a afirmação de suas identidades
negras, inscrevendo suas existências como atos de reescrita da história e como inspiração para
outras gerações. Desse modo, suas trajetórias constituem práticas de insurgência epistêmica,
propondo novas formas de pensar e ensinar ciências a partir de lugares subalternizados, porém
potentes.
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FRANCISCA MARIA NEVES LOPES
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ENSINO DE MATEMÁTICA PARA MENINAS EM SÃO LUÍS-MA NO PERÍODO OITOCENTISTA
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Data : 22/09/2025
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O presente trabalho, numa abordagem histórico-cultural, analisa como se deu o ensino de
matemática para meninas em São Luís do Maranhão no decurso do século XIX. Deste modo,
por meio da análise das fontes pesquisadas, a saber: jornais e almanaques do período,
escrevemos uma história acerca dos conteúdos ofertados nos currículos para meninas. Sobre a
análise dos nossos achados, os estudos de Del Priore (2020) e Perrot (2019) deram sustentação
no que concerne à história das mulheres. Em relação aos estudos realizados sobre gênero e
educação matemática, apoiamo-nos nas interpretações de Scott (1990), Sousa; Fonseca (2010)
e Chassot (2004). Barros (2023) e Le Goff (1990) foram imprescindíveis na compreensão e
utilização das fontes pesquisadas: jornais e almanaques, respectivamente. Sobre a corrente
historiográfica História Cultural, no qual a pesquisa foi desenvolvida, usamos os aportes
teóricos de Chartier (1990) e Pesavento (2008). Entendemos que houve pequenas mudanças em
relação à educação escolarizada para meninas no período analisado, mas a sua função de esposa,
mãe e cuidadora dos trabalhos domésticos, mantiveram-se como sendo o seu papel ideal
naquela sociedade. Daí, o interesse na escolarização destas, pois a sua formação educacional
serviria para educar os filhos, que seriam os futuros cidadãos a contribuírem com a Pátria.
Constatamos que, no período oitocentista, a principal diferença existente entre os currículos de
meninos e meninas estava exatamente nos conteúdos matemáticos. A própria Lei Educacional
Brasileira de 1827 já definia essa diferenciação.
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DAYLA COSTA GUEDES
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GRAFFITI E MATEMÁTICAS EM ESPAÇOS URBANOS DE SÃO LUÍS
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Data : 29/08/2025
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Esta pesquisa analisa pinturas visíveis, em particular os graffitis, nos espaços urbanos da cidade
de São Luís, no estado do Maranhão. Discutem-se saberes matemáticos construídos por e nessas
manifestações artísticas, que constituem espaços férteis e cheios de significados. Nesse
contexto, o campo problemático permeiou o questionamento: quais matemáticas se manifestam
nas pinturas, em particular os graffitis, visíveis na paisagem dos espaços urbanos de São Luís?
O estudo apresenta abordagem qualitativa, e tem como lócus ambientes urbanos da grande São
Luís. Olha-se para pinturas presentes nesses espaços e para percepções de pintores autores de
obras espalhadas pela cidade. Os caminhos traçados para a pesquisa foram instrumentalizados
por observações e entrevistas atreladas e movidas pela análise cartográfica. Percebe-se que,
nesse movimento de olhar a matemática e a arte rizomaticamente, há práticas matemáticas como
construções sociais em diferentes grupos e ambientes, que igualmente organizam subjetividades
e experiências de mundo. O estudo se coloca como uma janela aberta, por onde se olha para as
ruas com lentes que intercruzam matemática e graffitis, e mostra leituras feitas por
entrelaçamentos de imagens, sujeitos e contextos presentes na dinâmica do espaço urbano.
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WYERLYAN SOUSA SANTOS
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O MODELO DE EDUCAÇÃO INTEGRAL IMPLANTADO NO MARANHÃO E O
INDICADOR DE QUALIDADE: CASO DE UMA ESCOLA DA REDE PÚBLICA DE ENSINO ESTADUAL
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Data : 29/08/2025
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Esta pesquisa investiga os impactos do modelo de ensino integral nos Índice de
Desenvolvimento da Educação Básica no Maranhão, com foco na análise comparativa de dois
modelos educacionais: os Centros Educa Mais, de abordagem propedêutica e inclusiva, e os
Institutos Estaduais de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão, que integram formação
acadêmica e técnico-profissional. A fundamentação teórica explora o conceito de educação
integral, que transcende a transmissão de conhecimentos acadêmicos para abarcar o
desenvolvimento integral do indivíduo. Com base em autores como John Dewey, Anísio
Teixeira e Paulo Freire, em que compreendem como um processo contínuo e interativo, no qual
o aprendizado integra aspectos sociais, emocionais e cognitivos. A pesquisa adota uma
abordagem qualitativa, com análise comparativa seguindo a perspectiva de Gil e análise de
conteúdo da Bardin. Os dados foram coletados a partir de relatórios oficiais do IDEB e da
Secretaria de Estado da Educação do Maranhão. Os resultados indicam que os modelos de ensino
integral, apresentam desempenho significativamente superior em relação ao ensino tradicional.
Em 2023, enquanto o IDEB das escolas integrais foram acima de 4,0. Já a análise do Plano de
Recomposição de Aprendizagem revela padrões na escolha dos descritores e metodologias
adotadas, evidenciando um equilíbrio entre abordagens tradicionais e estratégias ativas. Conclui-
se que o modelo de ensino integral tem o potencial de contribuir com a educação no Maranhão,
reduzindo de desigualdades educacionais e a elevação da qualidade do ensino. No entanto,
políticas públicas devem assegurar que a expansão desses modelos ocorra de forma equitativa,
garantindo acesso amplo e inclusivo a todos os estudantes.
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ANANDA ITSU MORAES CONCEIÇÃO
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UMA REVISÃO SISTEMÁTICA SOBRE ETNOMATEMÁTICA NO ENSINO DE MATEMÁTICA: POR ENTRE PROPOSTAS DIDÁTICAS E CONTEÚDOS
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Data : 28/08/2025
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Esta dissertação investiga como os saberes e fazeres populares vêm sendo incorporados ao ensino de
Matemática na Educação Básica em pesquisas de dissertações e teses brasileiras e como o
reconhecimento desses saberes e fazeres são mobilizadas em propostas didáticas. A pergunta
norteadora do estudo é: Como as práticas etnomatemáticas têm sido incorporadas em propostas
didáticas para o ensino de Matemática na Educação Básica a partir de pesquisas de dissertações e teses
brasileiras? O objetivo geral desta pesquisa consistiu em analisar propostas pedagógicas,
desenvolvidas no âmbito da pós-graduação no período de 2013 a 2023, sobre Etnomatemática e
direcionadas ao ensino de conteúdos matemáticos na Educação Básica. A metodologia se estrutura em
torno de um estudo qualitativo, com procedimento de Revisão Sistemática de Literatura. Com as
buscas nas plataformas da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) e no Catálogo
de Teses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES),
foram selecionados 69 trabalhos dentre dissertações e teses defendidas de 2013 e 2023, que foram
analisadas com base nas práticas etnomatemáticas, conteúdos matemáticos e propostas didáticas
apresentadas. Os resultados proporcionaram a identificação de oito classificações temáticas que
organizam os contextos culturais mobilizados: saberes agrícolas e rurais; artesanais e industriais; dos
povos originários; ribeirinhos; de origem africana; de grupos de trabalhadores; na educação inclusiva;
e de comunidades/bairros. A análise evidencia o potencial da Etnomatemática para promover uma
educação mais contextualizada e significativa, ainda que desafios persistam quanto à formação
docente e à consolidação dessas práticas no currículo escolar. Esperamos com esta dissertação
contribuir para o aprimoramento das práticas docentes, propondo abordagens significativas para o
ensino de Matemática.
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