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PATRICIA BORGES DA SILVA CHAVES
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CORRIDAS CONTRA O TEMPO: MOTOTAXISTAS E SINDICALISMO NA ERA DAS PLATAFORMAS DIGITAIS EM IMPERATRIZ-MA
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Orientador : WELLINGTON DA SILVA CONCEICAO
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Data : 19/12/2025
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Esta dissertação analisa a organização social e política dos mototaxistas na cidade de Imperatriz (MA), com ênfase na atuação de seu sindicato diante das transformações contemporâneas nas relações de trabalho, especialmente aquelas provocadas pela expansão das plataformas digitais no setor da mobilidade urbana. A pesquisa parte de uma inquietação empírica, relacionada à visível redução da presença dos mototaxistas no espaço urbano e à crescente plataformização do trabalho. O estudo combina pesquisa bibliográfica, documental e de campo, com observações diretas, entrevistas semiestruturadas e aplicação de questionários. A análise revela que, mesmo diante da fragmentação da categoria, da concorrência com motoristas por aplicativo e da perda de legitimidade institucional, os mototaxistas mantêm estratégias de resistência e reorganização coletiva. O sindicato, ainda que limitado por obstáculos financeiros e adesão reduzida, continua sendo uma importante instância de mediação entre os trabalhadores e o poder público. A dissertação também propõe o conceito de sindicalismo ciber comunicativo, a partir da constatação de que as tecnologias digitais têm sido apropriadas pela categoria como ferramentas de mobilização, visibilidade e construção de pertencimento. O trabalho busca, assim, contribuir para o debate sobre trabalho, informalidade e resistência sindical em tempos de capitalismo digital.
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CARMELITHA AGUILAR CARLOS PEREIRA
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TEM MULHER QUE VOLTA, TEM MULHER QUE SOME: a atuação da Casa da Mulher Maranhense no combate a violência doméstica
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Data : 15/08/2025
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Esta pesquisa insere-se no debate sobre as políticas públicas de enfrentamento à violência doméstica contra as mulheres e as tensões entre suas promessas normativas e a implementação concreta nos serviços estatais. Ao investigar a Casa da Mulher Maranhense em Imperatriz/MA, indaga-se se e como esse serviço promove os direitos humanos das mulheres e contribui para o rompimento do ciclo de violência, considerando os entraves de um contexto socioeconômico desigual e de um sistema de justiça que frequentemente revitimiza suas usuárias. O objetivo do estudo é compreender as dinâmicas institucionais que configuram a atuação da Casa, a partir das clivagens de gênero, raça e classe. A pesquisa adota o método etnográfico, articulado à análise documental, com foco nas fichas de atendimento do setor psicossocial referentes ao ano de 2023. Os achados revelam que, embora a Casa se constitua como um espaço estratégico de acolhimento e encaminhamento, seu funcionamento está atravessado por lacunas estruturais, rotinas burocráticas e barreiras no acesso. As implicações teóricas e práticas apontam para a necessidade de reconfiguração das políticas públicas a partir de uma escuta situada e interseccional. O aporte teórico baseia-se em Saffioti (2015), Federici (2017) e Gonzalez (2020), que compreendem a violência como fenômeno estrutural, funcional ao patriarcado e ao capitalismo. Além disso, Crenshaw (2002) e Collins (2016) são mobilizadas como referência fundamental para a compreensão da interseccionalidade enquanto lente analítica que evidencia a desigualdade no acesso aos direitos. Diálogos com Gago (2020) e Pasinato (2011) permitem problematizar os efeitos da institucionalização da pauta feminista nas práticas de cuidado. Trata-se de uma pesquisa original que contribui para o campo dos estudos sociológicos, feministas e das políticas públicas, ao iluminar os impasses e as potências de um serviço estatal no enfrentamento à violência doméstica contra a mulher em uma cidade marcada por desigualdades.
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BRUNA FRANCISCA ANDRADE CAMELO
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A CASA DO MURO AZUL: Etnografia em uma instituição de acolhimento de meninas em Imperatriz - MA
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Data : 07/07/2025
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A presente pesquisa investiga a dinâmica da institucionalização de meninas na Casa Doce Lar, uma instituição de acolhimento em Imperatriz/Maranhão, que abriga meninas de 10 a 18 anos, com ênfase especial nas adolescentes a partir de 12 anos. Utilizando o método etnográfico, a pesquisa buscou compreender como as práticas institucionais e as interações cotidianas moldam a experiência dessas adolescentes, além de explorar as formas pelas quais elas resistem, se adaptam ou transformam as normas estabelecidas. A pesquisa contextualiza a Casa Doce Lar como uma "instituição total" conforme Goffman (1961), onde regras rígidas e rotinas intensas formatam significativamente a vida das acolhidas. A análise respeitou as diretrizes éticas, especialmente a proteção de adolescentes em situação de vulnerabilidade, adotando procedimentos para garantir a confidencialidade e respeitar a dignidade das participantes. Esta pesquisa contribui para o campo da sociologia ao trazer à tona as narrativas dessas adolescentes, a fim de demonstrar e questionar práticas institucionais que impactam suas rotinas, seus direitos e sua autonomia.
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WYLDINA OLIVEIRA DOS SANTOS
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AS RELAÇÕES DE GÊNERO NO MUNDO MILITAR:
Análise da inserção feminina na Polícia Militar em Açailândia - Maranhão
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Orientador : WHERISTON SILVA NERIS
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Data : 30/06/2025
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O objetivo deste trabalho é problematizar as formas de divisão do trabalho entre os sexos e as relações de poder e gênero que permeiam a ampliação da atuação profissional de mulheres no interior das polícias militares brasileiras, tendo como recorte empírico o 26º Batalhão de Polícia Militar de Açailândia, localizado no Estado do Maranhão. Para tanto, procura-se traçar o perfil das policiais femininas e suas funções dentro da instituição; compreender a divisão do trabalho entre os policiais no 26º Batalhão da Polícia Militar de Açailândia com ênfase no papel das policiais femininas e analisar a percepção das policiais femininas sobre o ambiente militar e como elas lidam com as expectativas e limitações vivenciadas na instituição em se tratando das relações de gênero e poder. As principais bases teóricas estão assentadas em Goffman (1961), Mauss (2003); Pruvost (2007), Connell (2015), Scott (1995), Foucault (1987), Saffioti (2015), bem como em pesquisas empíricas realizadas em contexto brasileiro (Calazans, 2003; Moreira e Schatae 2016; Lopes et al, 2021). Metodologicamente, a pesquisa toma como ponto de partida a própria experiência da pesquisadora como agente pertencente a este campo, recorrendo, ainda, à realização de observação participante (Oliveira, 1986), análise de fontes documentais institucionais e a realização de entrevistas semiestruturadas (Minayo, 2014) com as mulheres policiais atuantes no 26º Batalhão de Açailândia. Os principais resultados da pesquisa indicam que apesar de avanços individuais, persiste a necessidade de constante reafirmação da competência profissional das policiais femininas. Há uma percepção de resistência simbólica à presença feminina, expressa em falas e posturas que ainda reproduzem práticas excludentes. Contudo, destaca-se que, no 26º BPM, várias entrevistadas relataram um ambiente de acolhimento e respeito, o que sugere que, a despeito da prevalência de códigos de conduta masculinizados, as relações de poder entre os sexos na corporação não apenas tem se alterado, como também assume matrizes e graus diferenciados a depender da configuração de atores observada.
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CARLA RAFAELA SUELY SILVA BASTOS
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(IN)JUSTIÇA SOCIAL REPRODUTIVA:
um estudo sobre o serviço de aborto legal em uma maternidade de referência no sul do Maranhão
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Data : 04/06/2025
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Esta dissertação tem como foco a análise do funcionamento do Serviço de Aborto Legal no município de Imperatriz, com ênfase nas percepções, práticas e resistências de profissionais de saúde que atuam em uma maternidade pública vinculada ao Sistema Único de Saúde (SUS). O tema adquire relevância diante do contexto brasileiro atual, marcado por intensas disputas políticas e morais em torno dos direitos reprodutivos, especialmente no que se refere ao aborto legal. Apesar de garantido pela legislação em três situações específicas risco de vida à gestante, gravidez resultante de estupro e anencefalia fetal o aborto legal segue envolto por obstáculos simbólicos, institucionais e morais, que dificultam sua efetivação como política pública. A problemática central da pesquisa reside na constatação de que o serviço de aborto legal, mesmo sendo um direito garantido, é frequentemente invisibilizado, precarizado e tratado como uma exceção dentro da estrutura hospitalar, levantando questões sobre o papel do Estado, das instituições e dos profissionais de saúde na garantia (ou negação) desse direito. Assim, o objetivo principal do estudo é compreender como tem funcionado o serviço de aborto legal em Imperatriz, a partir das práticas profissionais, dos conflitos éticos e das barreiras institucionais que atravessam seu funcionamento. A metodologia adotada é qualitativa, com inspiração socioantropológica e feminista, articulando observação direta em campo, diário de bordo e a aplicação de questionários semiestruturados a quatro categorias profissionais: psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros e médico. O campo de pesquisa é a Maternidade de Alto Risco de Imperatriz, única instituição habilitada na cidade a realizar abortos legais. A coleta de dados foi precedida por um longo percurso burocrático de autorização junto ao Comitê de Ética e aos órgãos institucionais de saúde, o que por si só já revelou entraves significativos para a realização de pesquisas sobre este tema. A análise dos dados foi feita a partir da abordagem de conteúdo temática Bardin (1977), com categorias interpretativas elaboradas a partir dos discursos dos profissionais, incluindo também os silêncios, recusas e hesitações como parte integrante dos dados. Os resultados evidenciam que o serviço, embora oficialmente disponível, é sustentado mais pela atuação individual de sujeitos éticos do que por uma política institucional sólida. As assistentes sociais se mostraram as mais conscientes do seu papel garantidor de direitos, enquanto os psicólogos demonstraram sensibilidade, mas com lacunas formativas. Já os enfermeiros apresentaram alto índice de objeção de consciência e desconhecimento do fluxo legal. O único médico que respondeu revelou domínio técnico, mas também certo distanciamento ético. Conclui-se que o aborto legal, no contexto estudado, está longe de se consolidar como direito plenamente acessível, sendo constantemente ameaçado por resistências morais, burocráticas e institucionais. A pesquisa reafirma a importância de ampliar a escuta crítica no SUS, de fortalecer políticas de formação profissional e de enfrentar o silenciamento institucional que marca a justiça social reprodutiva no Brasil.
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MAISA MARINHO DIAS
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MEU PÉ DE MIRINDIBA FLORIDO: os Lugares de Memórias dos Idosos em Porto Franco-MA
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Data : 27/05/2025
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A pesquisa se desenvolveu com o objetivo de compreender como os idosos representam seus lugares de memória em Porto Franco-MA. Assim, o trabalho dedicou-se à busca pela evocação das memórias (Halbwachs, 1990) de sujeitos subalternos e silenciados (Spivak 2010; Das 2011). Por meio dessas lembranças e de suas reinterpretações, busquei entender como tais recordações contribuem para a constituição da identidade e da história desses porto-fraquinos. A investigação partiu da interpretação da categoria de Lugar de Memória (Nora, 1993) como um campo de disputas e lutas simbólicas. Aliando-se às teorias e metodologias da História Oral (Alberti, 2005), buscou-se correlacionar os espaços urbanos com as memórias dos idosos (Bosi (1994), e suas representações reconstituídas pelos interlocutores e como podem produzir patrimônios culturais. Os dados foram produzidos por meio de dez entrevistas semi-estruturadas, mas também de diálogos abertos como conversas informais realizadas no Centro de Convivência da Terceira Idade (CCTI). Caminhando criticamente em oposição à perspectiva hegemônica e dominante presente na história local ao longo do desenvolvimento dessa pesquisa, compreendo como a história de Porto Franco foi constituída acerca de um silenciamento dos subalternizados. Percebo como os lugares de memória além de lembranças, refletem a história de momentos de exclusão e silenciamento dos sujeitos. Compreendo ainda, como um lugar estigmatizado, por conta de sua área ser considerada periférica pelos moradores ao longo da histórica local de Porto Franco, como o Pé de Mirindiba, pode se constituir como um lugar de memória, carregado para os sujeitos de simbolismo e representações tal como foi o Pé de Tarumã, para Waldemar Pereira (1997). Evidenciando como nossas memórias são constituídas e resignificadas no campo em que se correlacionam, carregando nuances entre nostalgia e sofrimento.
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DANIELLE FLORÊNCIO LISBOA
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"O nome é lição porque é uma lição de vida": moralidades e governamentalidade no PROERD Maranhão
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Data : 31/03/2025
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O Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD) é uma iniciativa da Polícia Militar que visa prevenir o uso de drogas e a violência entre crianças e adolescentes em escolas públicas. A pesquisa proposta tem como objetivo geral investigar as representações que crianças e educadores têm sobre o PROERD, enquanto os objetivos específicos incluem analisar os fundamentos teóricos e práticos do programa; investigar os efeitos da presença da Polícia Militar na escola e compreender como as dinâmicas abordadas são percebidas por estudantes e professores. A metodologia envolve revisão bibliográfica, etnografia multissituada (Marcus, 1995), etnografia online (Leitão & Gomes, 2017) na análise da presença do PROERD nas redes sociais e conversas informais (Fonseca, 1998) com os atores sociais envolvidos na dinâmica do programa. Identificou-se uma lacuna de pesquisa sobre o programa, com 49 estudos realizados, todos por militares, na plataforma Sucupira, o que ressalta a necessidade de investigações mais plurais, realizadas por diferentes olhares e perspectivas. A pesquisa se fundamenta em conceitos de representação e estigmatização, discutidos por Erving Goffman (1975, 2004) e Stuart Hall (2016), para compreender como as percepções sobre o PROERD são construídas socialmente. A governamentalidade (2008) de Michel Foucault é acionada para relacionar o PROERD com o poder pastoral e controle social, permitindo uma análise crítica das práticas disciplinares (1987), assim como por meio da reflexão da presença da Polícia Militar nas escolas. Este estudo busca contribuir para o entendimento das representações do PROERD e seus efeitos na formação de condutas entre crianças e educadores, oferecendo uma perspectiva crítica sobre as práticas instrutivas, performances e dinâmicas sociais associadas ao programa.
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LUCIANA CONCEIÇÃO DA SILVA
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INTERFACES ENTRE IDENTIDADE, RAÇA, PRISÃO, EDUCAÇÃO E EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA:as vozes de dois sobreviventes negros de uma unidade penal no interior do Tocantins
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Orientador : KARINA ALMEIDA DE SOUSA
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Data : 14/03/2025
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A presente pesquisa resulta de um estudo de caso sobre práticas educativas em
contextos de privação de liberdade e projeto de leitura e remição de pena na cadeia
pública localizada no extremo norte do Tocantins. Nos baseamos na pesquisa qualitativa
e dados coletados por meio de observação participante, investigação bibliográfica,
diário de campo, entrevistas. Os fundamentos teórico-metodológicos adotados para
análise dos dados estão ancorados nos seguintes autores e autoras: Michel Foucault
(2018), Evering Goffman (1963), Juliana Borges (2019), Fanon (2008), Stuart Hall
(2018). O estudo tem como objetivo conhecer a narrativa de vida de sobreviventes que
passaram pelo sistema prisional e em clube de leitura no interior do Tocantins. Trata-se
de uma pesquisa qualitativa, e das narrativas de vidas de dois sobreviventes e de suas
experiências no contexto prisional e fora dele. Por meio de entrevistas e análise das
resenhas realizadas no Clube dos Livres, busco compreender a partir das histórias
desses sobreviventes que passaram pelo sistema prisional, os processos de construção
e/ou afirmação da identidade racial entre esses sujeitos auto identificados como negros,
a partir de suas vivências e experiências, no que tange a questão racial, e como os
processos de identificação foram construídos na prisão e fora dela. Essas
problematizações nos permitiram refletir sobre as implicações da passagem pela prisão
para as identidades das pessoas que estão presas e das que sobreviveram a esta
instituição.
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LOURENA SOUSA COSTA
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NÓS TODO O TEMPO QUEREMOS SER AQUILO QUE NÓS SOMOS: produção de identidades e luta pelo território da Comunidade Quilombola Deserto II (Belágua/MA)
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Data : 26/02/2025
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Este trabalho se dedica à compreensão da construção da identidade coletiva dos moradores da Comunidade Deserto II, localizada em Belágua, Maranhão. A escolha dessa comunidade se deu pela escassez de estudos sociológicos sobre a região, contribuindo, portanto, para suprir uma lacuna na literatura acadêmica. A pesquisa se concentra na compreensão de como a história dessa comunidade, marcada pela resistência ancestral e pelas lutas pela posse da terra, molda a identidade de seus membros. A problemática da pesquisa gira em torno da seguinte questão: os elementos identitários da comunidade Deserto II permitem categorizá-la como remanescente de quilombo? Como os moradores da comunidade se relacionam com o território que ocupam? Quais suas memórias sobre a história e a trajetória da comunidade? Para responder a essas questões temos como objetivo geral: compreender a história, a forma e a dinâmica da ocupação da Comunidade Deserto II e sua influência na identidade e na territorialidade dessa comunidade. E como objetivos específicos: identificar a relação entre os moradores da comunidade e seu território; compreender as situações de conflito, segregação e resistência relacionadas à permanência na comunidade; observar nas falas e nos documentos os primeiros passos do processo de busca de titulação territorial na dinâmica dos membros dessa comunidade. Para atingir os objetivos, adotamos uma abordagem qualitativa a partir de pesquisa documental, bibliográfica e etnográfica. Na produção de dados em campo, optou-se por uma incursão etnográfica sendo o total de três estadias de quatro dias cada viagem, durante os meses de fevereiro, março, abril e maio de 2023. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com 12 moradores da comunidade, descendentes diretos da fundadora, a fim de apreender elementos identitários, dinâmicas e trajetórias desses indivíduos em relação ao território. Os fundamentos teórico-metodológicos adotados para análise dos dados estão ancorados nos seguintes autores e autoras: conceitos etnográficos de Angrosino (2009); identidade conforme as ideias de Max Weber (1991) e Fredrik Barth (2011); relações de poder e a luta por cidadania e direitos ante a marginalização e desigualdade social nos estudos de Boaventura de Sousa Santos (1995) e Carril (2006); memória coletiva segundo Pollak (1989) e Maurice Halbacks (2006); história oral de Marre (1991). Os resultados apontam para a complexidade do processo de autoidentificação da comunidade quilombola Deserto II, com o território emergindo como elemento central de sua identidade, entendido não apenas como espaço geográfico, mas como símbolo de memória coletiva, resistência e perpetuação cultural. A identidade quilombola foi observada como dinâmica, construída por vivências, interações sociais e políticas. A luta pela titulação territorial mostrou-se fundamental para a segurança, dignidade e continuidade cultural da comunidade, destacando o protagonismo das lideranças femininas. O estudo também apontou a necessidade de políticas públicas inclusivas e análises interseccionais entre direitos territoriais e justiça ambiental, frente aos impactos do agronegócio, para garantir a preservação cultural e ambiental da comunidade.
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MARIANA SILVA SANTANA SANTOS
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JUSTIÇA RESTAURATIVA E JUVENTUDES: Uma análise acerca de suas experiências e percepções em Imperatriz MA
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Data : 10/02/2025
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A presente pesquisa analisa as formas como nossa sociedade lida com os jovens que cometem atos infracionais a partir das experiências de aplicação da Justiça Restaurativa na cidade de Imperatriz, Maranhão, Brasil. A Justiça Restaurativa é apresentada, na perspectiva dos interlocutores da pesquisa como uma alternativa e avanço no processo de resolução de conflitos e defesa dos direitos dos chamados adolescentes, sendo imaginado como um procedimento que propõe uma metodologia com vistas à reparação dos danos e reequilíbrio das relações sociais, sem intenção exclusivamente punitiva. Partindo de uma abordagem interdisciplinar, o estudo investiga como práticas restaurativas são apreciadas como estratégias para a ressocialização de adolescentes, promovendo uma possível reposição dos danos e proteção dos laços sociais. O trabalho foi executado por meio da combinação de uma revisão bibliográfica, análise documental de processos judiciais da Vara da Infância e Juventude de Imperatriz e entrevistas com profissionais envolvidos no cumprimento de medidas socioeducativas. Entre as evidências destacadas, verificou-se, ainda, a prevalência de medidas privativas de liberdade que, frequentemente, desconsideram as condições específicas dos jovens e seus contextos familiares, revelando situações críticas do modelo retributivo. Os resultados apontam para a necessidade de superação das limitações do modelo retributivo, frequentemente marcado por práticas excludentes e estigmatizantes, e
caminhos que privilegiem o diálogo, a corresponsabilidade e a reintegração social. O estudo também identificou esforços locais na aplicação de métodos restaurativos, como círculos de diálogo e conferências de vítima e ofensor, mesmo diante dos desafios relacionados à falta de recursos e à resistência cultural as práticas relacionadas ao método. Com base nos dados analisados, conclui-se que, como apontam os sujeitos da pesquisa, a Justiça Restaurativa é representada como um modelo para enfrentar a reincidência e promover a dignidade dos adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas, especialmente em Imperatriz.
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RENATA SOUSA BORRALHO
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TEMOS QUE DAR CONTA DE TUDO, O TRABALHO NUNCA ACABA E NÃO TRAZ PRESTÍGIO ALGUM: significado do trabalho doméstico para mulheres donas de casa em Imperatriz/MA
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Data : 03/02/2025
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A presente pesquisa tem como objeto de estudo a percepção das mulheres donas de casa de Imperatriz sobre o seu trabalho cotidiano não remunerado dentro de seu lar. Embora não seja reconhecido pelo capitalismo, o trabalho doméstico desempenha um papel fundamental no processo de acumulação de capital, englobando atividades essenciais à reprodução da vida, como alimentação, vestuário, limpeza, criação dos filhos e muitas outras. Sua particularidade está no fato de situar-se fora do mercado, à margem do valor econômico (Saffioti, 1979). Nesse sentido, a hipótese levantada desde o início da pesquisa é de que o trabalho reprodutivo coloca as mulheres, de diferentes classes sociais, em um lugar de invisibilidade na teia familiar e na sociedade local que é acentuadamente marcada por uma cultura patriarcal. Essa problemática foi investigada a partir de uma questão central: o que significa para as mulheres donas de casa de Imperatriz trabalhar somente com tarefas domésticas e lidar com tantos afazeres cotidianos de variados níveis de complexidade? Como elas veem o trabalho doméstico e como se veem nele? No decorrer da pesquisa, os objetivos traçados foram os seguintes: compreender as dimensões do trabalho não remunerado exercido por mulheres donas de casa e percebido por elas (objetivo geral). Analisar o papel da dona de casa na sociedade local e brasileira; e discutir a importância do trabalho doméstico para a economia e vida das sociedades (objetivos específicos). Como metodologia optou-se por uma abordagem qualitativa que possibilitou uma compreensão aprofundada das experiências e percepções das mulheres donas de casa por meio de entrevistas em profundidade (Gaskell, 2002). Participaram da pesquisa seis mulheres com idades entre 34 e 66 anos, provenientes de diferentes classes sociais e com realidades heterogêneas. Adotou-se como fundamento teórico para análise dos dados as perspectivas de Bruschini (1985 e 2006), Camarano e Pinheiro (2023), Duran (1983), Federici (2017, 2019 e 2021), Saffiotti (1976 e 1979), Matos e Borelli (2012) entre outras, com destaque para as autoras feministas que fazem uma releitura das teses marxinianas a respeito do trabalho produtivo para discutir a dimensão do trabalho reprodutivo. Em síntese, os principais resultados indicam que: a dedicação exclusiva ao trabalho doméstico limita as oportunidades econômicas e profissionais das mulheres, trazendo-lhes variados prejuízos, como o de não exercer uma profissão e nem realizar outros sonhos como estudar e fazer carreira. De fato, o trabalho das mulheres donas de casa subsidia a força de trabalho masculina, garantindo que os homens possam desempenhar seus trabalhos de maneira eficiente e ter uma carreira de sucesso mais rapidamente. Conclui-se, portanto, que o trabalho feminino no lar é um pilar fundamental para a sociedade capitalista, no entanto, permanece invisível e desvalorizado.
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POLYANA ALMEIDA FROTA LIMA
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Queira nos valer Senhora: representações de Maria para as mulheres da Tenda de Umbanda
Nossa Senhora da Conceição em Imperatriz-MA
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Orientador : ROGERIO DE CARVALHO VERAS
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Data : 23/01/2025
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O presente trabalho propõe-se ao estudo das religiões afro-brasileiras (Umbanda) e tem como questão norteadora: quais são as representações de Maria (Nossa Senhora) para as mulheres da Tenda de Umbanda Nossa Senhora da Conceição em Imperatriz-MA e como elas operacionalizam essas representações. Para tanto, foi lançado mão do seguinte referencial teórico: Reginaldo Prandi (1996; 1998; 2011), Sérgio Ferretti (2005), Mundicarmo Ferretti (1996), Kabengele Munanga (2019), para falarmos das religiões afro-brasileiras em sua historicidade, bem como Quijano (2005), com a categoria da decolonialidade, para tratar com criticidade o processo colonial e James Scott (2013), que auxilia a pensar a categoria modos de resistência, olhando para o sincretismo como maneira de subversão dessas religiões. Na perspectiva de gênero, raça e ancestralidade a discussão mobiliza autoras como: Patrícia Hill Collins (2016; 2019), Lélia Gonzalez (2020), Suely Carneiro (2019) e María Lugones (2014), bem como Rosinalda Simoni (2019), Hélen Jardim e Dulce Voss (2022). Em se tratando da parte hagiográfica e mitológica temos Prandi (2001a; 2001b) e Pierre Verger (1981). Para chegar às representações trago como aporte teórico Roger Chartier (2002), Émile Durkheim (1986) e Magnani (2004). Metodologicamente este trabalho conta com a pesquisa etnográfica, onde faço observação participante, uso do diário de campo, fotografias, aplicação de questionário semiestruturado e também o uso do WhatsApp. As interlocutoras são sete mulheres das quais uma é a mãe da tenda e as outras seis são médiuns da casa. É conclusivo a centralidade das mulheres tanto nas cerimônias, nos trabalhos manuais e espirituais em torno das festas como na dimensão social. Esse protagonismo que se dá dentro da Tenda e para além dela, vem das percepções de afeto e de cuidado que essas mulheres tem a respeito de Maria. Ela é mãe, protetora e auxílio nas necessidades, porém suas representações estão para além desse escopo, Maria se torna inspiração e resistência para essas mulheres e para Tenda, ao mesmo tempo que é aquela que nos vale. É possível perceber que essa dimensão se espraia daí até aos projetos sociais da Tenda.
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