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BRENDA RAYANNE CARDOSO NEVES
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A ESPERANÇA ENQUANTO AFETO CONSTITUTIVO À SOCIEDADE CIVIL EM THOMAS HOBBES
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Orientador : JOSE HENRIQUE SOUSA ASSAI
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Data : 08/07/2026
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Esta pesquisa investiga o papel das paixões humanas na filosofia política de Thomas Hobbes, com o objetivo de explicitar a importância de uma contribuição filosófica anteriormente negligenciada, a saber, o papel da paixão esperança na fundamentação e manutenção funcional da sociedade civil. O problema central reside no fato de que a tradição interpretativa prioriza a centralidade do medo na teoria hobbesiana, ignorando que existe um contraste entre as paixões que impulsionam o movimento de aproximar-se ou afastar-se de algo apresentado por Hobbes em sua teoria da ação, relegando a esperança a um papel secundário ou inexistente. A pesquisa adota metodologia de análise textual das obras Leviatã, De Cive, Elementos da Lei e Man and Citizen, identificando e sistematizando as passagens em que Hobbes define e mobiliza as paixões, medo e esperança. Em paralelo, realiza-se uma consulta aos comentadores e estudiosos desse teórico, empregando suas interpretações como suporte para evidenciar a presença e relevância desse conceito para sustentar a centralidade dessa paixão no interior do sistema político de Hobbes, demonstrando que tal afeto não é apenas complementar ao medo, mas igualmente constitutiva do pacto civil. Parte-se da hipótese de que uma sociedade em que apenas o medo rege a vida dos indivíduos tende a reproduzir a sensação permanente do estado de guerra, no qual cada pessoa humana é inimiga das demais. Embora o medo da morte violenta impulsione a saída do estado de natureza, é a esperança de segurança e confiança de se ter conforto que sustenta de forma duradoura a adesão ao pacto civil. Assim, demonstra-se que a esperança emerge como elemento imprescindível não apenas para a fundação, mas também para a estabilidade da sociedade civil em Hobbes.
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EVA MARTINS BARROS DUARTE
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MUNDO COMUM, RESPONSABILIDADE E EDUCAÇÃO EM HANNAH ARENDT.
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Orientador : JOSE HENRIQUE SOUSA ASSAI
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Data : 07/07/2026
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A presente dissertação pretende analisar a relação entre mundo comum, responsabilidade e educação à luz do pensamento de Hannah Arendt, enfatizando a ação e o discurso na construção das histórias de vida e a importância da educação para formar cidadãos para um agir político responsável. Na obra A condição humana (1958), Arendt enfatiza a política como o espaço da pluralidade, onde cada ser humano revela
sua singularidade por meio da ação e do discurso em sua relação com os outros, ao mesmo tempo que constrói sua história de vida e ajuda a construir a história da humanidade. Em Responsabilidade e julgamento, traduzida em 2004, Arendt procura aprofundar a relação entre ação moral e responsabilidade pessoal diante de situações em que as leis e as tradições são suspensas. Analisa-se a crítica da autora a Sócrates e Kant sobre a legalidade e a moralidade, na qual ela cita o caso Eichmann para ilustrar as consequências de uma ação não refletida e enfatiza a importância do pensar para evitar o mal no mundo, bem como o dois em um socrático como essência do pensamento e base para a responsabilidade. Nesse contexto, a educação, no texto A crise da educação (1958), tem um papel decisivo ao mediar a relação entre o privado e o público, mesmo diante das consequências da perda da autoridade e da tradição e
da importante missão de formar cidadãos para agir com responsabilidade no espaço público, o que levaria a uma transformação do mundo.
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GUILHERME RODRIGUES DA SILVA
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"A RELEVÂNCIA DA TEMPORALIDADE NA PERCEPÇÃO DO MUNDO FENOMÊNICO EM MERLEAU-PONTY"
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Orientador : PLINIO SANTOS FONTENELLE
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Data : 11/06/2026
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Esta dissertação examina a relevância da temporalidade na constituição da
percepção do mundo vivido na fenomenologia de Maurice Merleau-Ponty,
evidenciando de que maneira o corpo próprio se apresenta enquanto lugar no qual o
sentido da experiência se produz e se transforma. A investigação aborda a
subjetividade enquanto presença encarnada em desdobramento temporal,
retomando o passado incorporado e abrindo-se a possibilidades futuras. A
temporalidade é tratada de modo distinto da sucessão cronológica, sendo
compreendida como estrutura dinâmica por meio da qual o corpo se orienta no
mundo, reconhece permanências e instaura novas formas de relação. Nesse
horizonte, a motricidade assume papel central enquanto modo originário de abertura
ao campo fenomenal. A metodologia adotada segue orientação fenomenológico-
hermenêutica, fundamentada na leitura analítica das obras de Merleau-Ponty, com
destaque para Fenomenologia da percepção, em diálogo com comentadores
contemporâneos. A dissertação estrutura-se em três momentos: a crítica aos limites
do empirismo e do intelectualismo; a elucidação do corpo próprio enquanto condição
da experiência perceptiva; e a análise da temporalidade enquanto dimensão
responsável pela continuidade da percepção e da subjetividade. Conclui-se pela
inseparabilidade entre percepção e tempo vivido, dimensão na qual o mundo se
apresenta e se reinscreve no corpo, sustentando a constituição da subjetividade
encarnada.
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ITALLO LUIS RODRIGUES DE SOUSA
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A EXPERIÊNCIA ENCARNADA DA LIBERDADE EM MERLEAU-PONTY
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Data : 15/05/2026
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Esta dissertação investiga a constituição da liberdade a partir da experiência
encarnada, tomando por referência a fenomenologia de Maurice Merleau-Ponty
(19081961). Parte-se da crítica aos prejuízos clássicos do racionalismo e do
empirismo, que separaram corpo e consciência e limitaram a compreensão da
percepção. Ao situar a experiência do mundo no corpo próprio, Merleau-Ponty
evidencia que perceber é um modo de habitar o mundo, inscrito na relação direta
com o meio. A percepção constitui uma abertura viva, na qual o corpo organiza
o espaço, orienta gestos e instaura sentido na experiência. Nessa perspectiva,
o corpo emerge enquanto sujeito marcado por hábitos e esquemas motores que
estruturam a relação com o mundo, de modo que a consciência se realiza no
contato com o que nos envolve. A liberdade é repensada enquanto potência
situada, que se efetiva no vínculo entre o sujeito e as possibilidades oferecidas
pelo meio, manifestando-se em forma de estilo (presença) que retoma o passado
e projeta o futuro. Por fim, analisa-se a relação com o outro na condição de
dimensão própria da corporeidade: a intercorporeidade indica que o corpo se
abre a outras presenças no mesmo campo sensível, onde a alteridade se
expressa na visibilidade do outro. Assim, a liberdade assume caráter
compartilhado, enraizada no mundo, em um campo no qual corpo, mundo e
existência se implicam de forma contínua e inseparável.
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LEONARDO PASSOS RIBEIRO
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HERMENÊUTICA E O PROBLEMA DA VIGILÂNCIA ALGORÍTMICA: Aproximação do conceito ricoeuriano de instituições justas com o Eu AI Act
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Orientador : WANDEILSON SILVA DE MIRANDA
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Data : 23/04/2026
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Face às implicações da vigilância algorítmica e à centralidade da identidade narrativa em Paul Ricoeur, a presente dissertação analisa o EU AI Act: um marco regulatório de IAs pioneiro nas relações econômicas e sociais. Procedeu-se ao escrutínio de algumas disposições do EU AI Act que foram originalmente concebidas para enfrentar o problema da opacidade de sistemas de inteligência artificial. A metodologia empregada ancora-se na hermenêutica filosófica, particularmente na dimensão semiótica ricoeuriana do signo. O corpus é constituído pelo EU AI Act (Regulamento UE 2024/1689), cujo distanciamento metodológico do seu texto (transição da explicação do signo para a compreensão), em termos ricoeurianos, permite perscrutar mediações frente ao fenômeno da vigilância algorítmica. A hipótese norteadora, corroborada no decurso da investigação, comprovou uma aproximação presumível da abordagem de Ricoeur com alguns dispositivos do EU AI Act - a exemplo da vedação ao policiamento preditivo fundado em perfis de personalidade. Constata-se, nesta aproximação, uma salvaguarda presumível das identidades, na medida em que o legislador europeu impõe limites aos sistemas de inteligência artificial: à predição algorítmica e à opacidade dos dados. Os resultados da pesquisa especificam, ainda, o amparo desta última circunstância em alguns dos dispositivos formulados pelo legislador, cujo intuito foi obstar a conversão do homem em métrica previsível - como a interdição do policiamento preditivo (UNIÃO EUROPEIA, 2024, art. 5.º, n.º 1, alínea g) - e tutelar o direito de obter explicações claras decorrentes de decisões algorítmicas (UNIÃO EUROPEIA, 2024, art. 86.º, n.º 1), prerrogativa por meio da qual o EU AI Act pode tangenciar o horizonte ricoeuriano. A
advertência recai, contudo, na fragilidade da norma puramente positiva em resguardar as instituições justas.
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Matheus Marques Rodrigues da Costa
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A FUNDAÇÃO CIENTÍFICA DA PSICOLOGIA: UMA ANÁLISE ONTOLÓGICA E
EPISTEMOLÓGICA A PARTIR DO BEHAVIORISMO RADICAL
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Data : 23/03/2026
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A consolidação da Psicologia como ciência sempre esteve atravessada por dificuldades epistemológicas relacionadas à natureza de seu objeto de estudo, tradicionalmente concebido como constituído por estados mentais privados, subjetivos e inacessíveis à observação pública. Entre esses desafios, destaca-se o problema das outras mentes, que questiona a possibilidade de conhecer cientificamente os estados mentais de terceiros, uma vez que apenas a própria experiência consciente é diretamente acessível. Diante desse cenário, a presente dissertação tem como objetivo defender a cientificidade da Psicologia a partir da abordagem analítico-comportamental, tomando o behaviorismo radical como eixo teórico central. Para isso, realiza-se uma análise filosófica e conceitual do conceito de ciência, das dificuldades históricas da Psicologia em se afirmar como disciplina científica e das implicações do dualismo mente-corpo para o estatuto epistemológico da área. Em seguida, examinam-se os fundamentos do behaviorismo radical, especialmente a redefinição da mente como comportamento público ou encoberto e a rejeição do mentalismo como explicação causal. Por fim, discutem-se as implicações dessa abordagem para a pesquisa e a prática clínica, com ênfase na Terapia Analítico-Comportamental, na Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) e na Psicoterapia Analítico-Funcional (FAP). Argumenta-se que, ao deslocar o foco da interioridade inacessível para as relações funcionais entre organismo e ambiente, a Análise do Comportamento permite contornar metodologicamente o problema das outras mentes e sustentar critérios de objetividade, previsibilidade e controle, compatíveis com os das ciências naturais. Conclui-se que a abordagem analítico-comportamental fornece uma base filosófica e científica consistente para a Psicologia, preservando sua cientificidade mesmo diante de dilemas filosóficos tradicionais.
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HUGO PINHEIRO COSTA
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BINÔMIO PESSOA-BEM COMUM: uma investigação das complementaridades entre o personalismo comunitário de Jacques Maritain e a teoria da participação de Karol Wojtyla
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Orientador : HELDER MACHADO PASSOS
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Data : 20/02/2026
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A Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada em 1948, pode ser considerada como o ponto de confluência e maturação de uma vasta produção filosófica sobre a dignidade humana. O texto reúne formulações filosóficas, que conta com a participação direta de alguns filósofos, dentre estes, Jacques Maritain e Karol Wojtyla. Entretanto, após 73 anos de proclamação, é inegável que os direitos humanos não são plenamente garantidos. Os abusos humanitários dos mais diversos cenários, como a fome, a guerra, a flexibilização das leis, a perseguição ideológica expõem a necessidade de uma renovada reflexão que coloque no centro a pessoa humana. Partindo dessas inquietações, o presente trabalho se propõe a investigar a partir do primado da pessoa humana e do bem comum, a complementaridade da noção de personalismo comunitário de Jacques Maritain e a teoria da participação de Karol Wojtyla. A primeira etapa do desenvolvimento da pesquisa partirá da identificação da filosofia personalista de Jacques Maritain por meio da noção de humanismo integral, chegando até a formulação do personalismo comunitário como resposta ao problema da pessoa humana no século XX. Em seguida buscará apresentar a teoria da participação de Karol Wojtyla como fundamento antropológico para uma visão personalista da atuação sociopolítica. Por fim, se procurará determinar como a teoria da participação complementa a noção de personalismo comunitário, para isso será apresentado a crítica ao personalismo de Paul Ricoeur, de modo que a partir do binômio pessoa humana e bem comum, noções fundamentais nas duas abordagens apresentadas, seja integradas de modo a proporcionar um caráter teórico-filosófico mais consolidado à formulação do personalismo comunitário. Todos esses passos possuem como objetivo central, conduzir a determinação de que o personalismo comunitário é enriquecido graças a complementaridade oferecida por meio da teoria da participação, justamente ancorada no primado da pessoa humana e no bem comum, de modo a permitir o desenvolvimento e maturação do personalismo comunitário.
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MIRELLA FERNANDA NASCIMENTO
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Poder, corpo e sexualidade: diálogos sobre repressão, liberdade e prazer
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Data : 05/02/2026
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Este trabalho analisa, a partir da filosofia de Michel Foucault, as relações entre poder, corpo e sexualidade, buscando compreender como esses elementos se articulam na constituição dos sujeitos e nos mecanismos de controle social. A
pesquisa parte da perspectiva genealógica foucaultiana, segundo a qual o poder não é centralizado, mas se manifesta em redes difusas, atravessando práticas sociais, instituições e discursos. O estudo organiza-se em três eixos: na primeira parte, discute-se o conceito de poder e sua capilaridade; em seguida, analisa-se o corpo como território de disciplina e vigilância; por fim, examina-se a sexualidade como campo estratégico de exercício do poder, destacando o papel da Igreja, do direito, da medicina e das ciências na construção de discursos normativos sobre o prazer e o desejo. A metodologia é qualitativa, de caráter bibliográfico, fundamentada nas obras de Foucault e em comentadores contemporâneos. Pretende-se demonstrar que, mais do que repressão, há uma proliferação discursiva sobre a sexualidade, que molda identidades e subjetividades, mas também abre espaço para resistências. A relevância do estudo reside em oferecer uma leitura crítica das formas de controle que ainda atravessam os corpos e prazeres na contemporaneidade.
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WENDERSON CARLOS DOS ANJOS ASEVEDO
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HERMENÊUTICA E COMPREENSÃO: a tradição como médium para a verdade em
Gadamer.
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Data : 02/02/2026
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A presente pesquisa tem como temática central uma questão filosófica clássica,
retomada no âmbito da hermenêutica filosófica: o problema da compreensão. Seu
propósito é analisar a relação entre compreensão (Verstehen) e tradição
(Überlieferung/Tradition), uma vez que, na filosofia hermenêutica de Hans-Georg
Gadamer, a compreensão somente se efetiva pela mediação da tradição e do
reconhecimento de sua autoridade. A pesquisa, de base teórico-bibliográfica, busca
responder ao problema: de que modo à tradição se constitui como condição de
possibilidade para a compreensão hermenêutica, tendo em vista os fundamentos
ontológico-existenciais da hermenêutica filosófica de Gadamer? Para tanto, a
pesquisa concentrou-se, sobretudo na obra clássica Verdade e método, além de
outros ensaios gadamerianos, bem como na interlocução com comentadores de
língua nacional e estrangeira que discutem o fenômeno hermenêutico do
compreender em sua relação com a autoridade da tradição e do problema da
verdade. Nessa perspectiva, parte-se da pergunta moderna de como é possível à
compreensão? deslocando-a do âmbito estritamente epistemológico para o
horizonte da ontológico. Na concepção gadameriana, a compreensão não pode ser
pensada a partir de fundamentos exclusivamente gnosiológicos, mas exige uma
fundamentação hermenêutico-fenomenológica. Assim compreendida, a
compreensão é concebida como um fenômeno originário, que se efetiva na
experiência hermenêutica e se realiza no âmbito da práxis. Destaca-se o argumento
hermenêutico-filosófico da reabilitação da tradição e a ideia da história efeitual como
fundamento nuclear para a discussão acerca da experiência da compreensão. A
tradição, não se configura como um objeto disponível à dominação metodológica,
mas como um acontecer histórico-ontológico que se efetiva no próprio evento da
compreensão, enquanto pertença. Tal pertença se dá por meio dos preconceitos
(Vorurteile), compreendidos como estruturas antecipatórias produtivas da
compreensão, e se explicita na consciência da história efeitual
(Wirkungsgeschichtliches Bewusstsein) e no horizonte da linguagem
(Sprach/Sprachlichkeit). Ao final, a pesquisa enfatiza que tanto a compreensão
quanto a tradição somente podem ser pensadas em sua plenitude a partir da noção
de verdade (Wahreit/Alétheia). Pensar uma hermenêutica filosófica da verdade
significa refleti-la no âmbito ontológico da compreensão, sobretudo, no médium da
tradição e enquanto experiência dialógica de fusão de horizontes
(Horizontverschmelzung). Trata-se de pensar a verdade como um acontecimento
hermenêutico (Ereignis) e como co-pertencimento, sendo a tradição o espaço de
mediação em que a verdade se manifesta, reinterpreta e atualiza a própria tradição.
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MATHEUS BAHIA LINDOSO
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O PROBLEMA DA MORALIDADE NA ESTÉTICA DE SCHILLER
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Data : 30/01/2026
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A estética de Schiller compõe um caminho fundamental em torno dos problemas
morais do homem moderno. Ao discutir questões referentes à arte, política e a
própria investida nas noções dos impulsos que fazem parte da natureza humana, o
dramaturgo e filósofo Schiller abre espaço para pensarmos nas contribuições que a
estética tem no tocante aos costumes e caráter dos indivíduos. Muito embora se
pense nas categorias da arte e moralidade enquanto elementos distintos, essas
duas particularidades têm no pensamento schilleriano uma certa ligação, visto que o
artístico influi, ao seu modo, em uma forma de reflexão e contribuição ao problema
ético, político e cultural enfrentado pelo homem do Século das Luzes. Tendo esse
entendimento em vista, esta pesquisa preocupa-se em tratar da moralidade
enquanto ponto central diante das reflexões estéticas de Schiller, buscando mostrar
como o fenômeno da arte pode desempenhar nos sujeitos um papel moralmente
formativo, possibilitando que esses possam agir e se expressar livremente em
sociedade. Seguindo um duplo caminho, esta pesquisa busca primeiramente
perfazer um estudo entre a juventude e a fase adulta de Schiller a fim de mostrar
como o elemento moral se faz presente em seu pensamento, em particular, nas
suas obras: Os Bandoleiros; Kallias ou sobre a Beleza e A Educação Estética do
Homem. Em um segundo momento, partindo da sua Poesia Ingênua e Sentimental e
alguns ensaios que compoẽm a Teoria da Tragédia, veremos como a relação entre
arte e moralidade são debatidas, e como aquela pode infundir nesta um norte
reflexivo ao melhoramento do ser humano em sociedade.
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LUCIO HENRIQUE MORAES REGO PEREIRA
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JUSTIÇA, COMUNICAÇÃO POLÍTICA E DESINFORMAÇÃO: os princípios de John Rawls diante dos problemas sociais contemporâneos
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Data : 27/01/2026
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Esta dissertação nasce da preocupação com os impactos que a desinformação e a manipulação política têm produzido sobre a vida democrática. Ao revisitar a teoria da justiça como equidade de John Rawls, busca-se um caminho para refletir sobre como valores de liberdade, igualdade e imparcialidade podem iluminar dilemas contemporâneos. No primeiro capítulo, são apresentados os conceitos centrais de Rawls, como a posição original e o véu da ignorância, que funcionam como metáforas para garantir que as regras sociais sejam pensadas de forma justa. A partir deles, destacam-se os princípios da liberdade e da diferença, que orientam a construção de instituições capazes de respeitar direitos fundamentais e, ao mesmo tempo, corrigir desigualdades.O segundo capítulo mergulha no cenário digital, onde narrativas distorcidas, algoritmos de segmentação e bolhas de informação fragilizam a confiança pública. A desinformação, entendida não apenas como falha comunicacional, mas como fenômeno ético e político, mostra-se responsável por aprofundar divisões sociais, estimular o negacionismo e enfraquecer o diálogo democrático. Ao mobilizar autores contemporâneos, o texto demonstra como a disputa pela verdade se tornou um dos maiores desafios para a democracia atual. No terceiro capítulo, a reflexão se volta para propostas de enfrentamento. A reconstrução da esfera pública, a definição de limites éticos para a expressão digital, a busca por justiça algorítmica e a valorização da educação crítica aparecem como caminhos possíveis. O diálogo com Rawls evidencia que uma sociedade justa depende de cidadãos autônomos, instituições transparentes e de uma cultura política comprometida com a equidade. Assim, o trabalho procura contribuir para pensar a democracia na era da pós-verdade, sugerindo que a filosofia pode oferecer não apenas diagnósticos, mas também horizontes de esperança para uma cidadania mais justa e informada.
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WESLEY MADEIRA FERREIRA
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O DIONISÍACO E O APOLÍNEO NO BUMBA-MEU-BOI: uma leitura
nietzschiana
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Data : 19/01/2026
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Esta pesquisa de caráter filosófico e interdisciplinar tem por objetivo analisar alguns aspectos da manifestação cultural e estética do bumba-meu-boi no Estado do Maranhão a partir da perspectiva nietzschiana elaborada na obra O nascimento da tragédia. O estudo atém-se a uma análise dos impulsos dionisíaco e apolíneo relacionados aos deuses gregos Dioniso e Apolo e suas implicações dentro do universo do bumba-meu-boi. Inicialmente, de maneira mais específica, será analisada a obra O nascimento da tragédia do filósofo Friedrich Nietzsche buscando-se uma maior compreensão da tragédia e do trágico na cultura grega antiga como manifestação artística e cultural do grego que via em seus personagens uma maneira de expressar o poder dos seus deuses. Em um segundo momento buscou-se fazer uma análise do universo do bumba-meu-boi, mais precisamente sua ocorrência no Estado do Maranhão com todas suas característica e peculiaridades, e em um terceiro momento, foi realizada uma análise dos impulsos dionisíacos e apolíneos no bumba-boi.
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