|
Descrição |
|
|
JOSENILDE OLIVEIRA PEREIRA
|
|
|
DEFICIÊNCIA, ANTICAPACITISMO E EDUCAÇÃO SUPERIOR: uma avaliação de implementação do Programa Incluir na UFMA (2017-2025)
|
|
|
Data : 10/07/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
A tese intitulada Deficiência, Anticapacitismo e Educação Superior: uma avaliação de implementação do Programa Incluir na UFMA (2017-2025) analisa a execução do Programa Incluir voltado à acessibilidade na educação superior na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), com foco no campus São Luís. O objetivo central é avaliar em que medida as ações implementadas garantem o acesso, a permanência e a participação efetiva de estudantes com deficiência no ensino superior. O estudo parte do contexto histórico brasileiro, no qual o ingresso de pessoas com deficiência na educação superior se intensifica a partir do início do século XXI, acompanhado, de forma tardia, por políticas de permanência. Destaca-se que o conceito de inclusão é marcado por ambiguidades, sendo apropriado tanto por organismos multilaterais, alinhados a uma lógica neoliberal de racionalização de recursos, quanto pelos movimentos sociais, que o utilizam como instrumento de luta por direitos. A pesquisa adota como base teórica a perspectiva crítico-dialética, compreendendo as políticas inclusivas como fenômenos contraditórios: ao mesmo tempo em que atendem às demandas históricas das pessoas com deficiência, também se articulam a interesses econômicos do sistema capitalista. Nesse cenário, o capacitismo é analisado como elemento estrutural que dificulta a efetivação dos direitos humanos, reforçando desigualdades e limitando a inclusão plena. Do ponto de vista metodológico, trata-se de uma avaliação de processo, de abordagem qualitativa, fundamentada em pesquisa bibliográfica, documental e de campo. Foram utilizadas entrevistas semiestruturadas com gestores e implementadores, além de grupos focais com estudantes com deficiência. A análise considerou fatores institucionais, políticos, sociais e culturais que influenciam a implementação do programa. Os resultados indicam que, embora o Programa Incluir represente um avanço importante na promoção da acessibilidade e inclusão na universidade, sua implementação é marcada por limitações, como insuficiência de recursos, descontinuidade de ações e desafios na institucionalização das políticas. Tais fatores impactam diretamente a efetividade das ações e a garantia de condições adequadas de permanência aos estudantes. Conclui-se que o Programa Incluir possui relevância significativa, mas opera em meio a contradições estruturais. A pesquisa reforça a necessidade de seu aprimoramento, bem como da ampliação de políticas públicas que garantam, de forma efetiva, o direito à educação superior para pessoas com deficiência, considerando-as como sujeitos de direitos em uma perspectiva de justiça social.
|
|
|
KAREN ANDRESSA PIRES FERNANDES
|
|
|
O SISTEMA DE GARANTIA DE DIREITOS E A PERÍCIA ESPECIALIZADA
CRIMINAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES NO MARANHÃO: limites e
perspectivas
|
|
|
Orientador : CLEONICE CORREIA ARAUJO
|
|
|
Data : 29/06/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
O presente estudo analisa a estruturação e as dinâmicas operativas da Perícia Especializada
Criminal direcionada a crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência no Estado
do Maranhão, à luz das diretrizes normativas do Sistema de Garantia de Direitos (SGDCA)
instituído pela Lei no 13.431/2017. Ancorada no materialismo histórico-dialético e orientada
por referenciais teóricos sobre violência institucional e microfísica do poder, a pesquisa
investiga o papel protetivo e de responsabilização criminal exercido pelo Instituto de Perícias
para Crianças e Adolescentes (IPCA) em São Luís. A abordagem metodológica pauta-se em
análise documental e em dados gerenciais de relatórios institucionais da Perícia Oficial de
Natureza Criminal do Maranhão. O estudo reconstrói a gênese exógena do IPCA, nascida sob
a égide da solução amistosa perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH)
no caso dos "Meninos Emasculados do Maranhão", evidenciando os limites de reformas
institucionais puramente burocráticas. Os resultados apontam severos gargalos estruturais e
gerenciais na realidade pericial local: inadequações físicas e arquitetônicas na sede
metropolitana que comprometem a privacidade do atendimento e geram revitimização
institucional; assimetria territorial crônica caracterizada pela total ausência de unidades
periciais infantojuvenis especializadas nos municípios do interior; opacidade e fragmentação
informacional no fluxo de transmissão de dados entre os órgãos de segurança; e expressivo
deficit no corpo técnico de carreira, gerido de forma precarizada mediante vínculos laborais
temporários. Conclui-se que a mera introdução de macroestruturas físicas isoladas é
insuficiente para assegurar a Doutrina da Proteção Integral. Torna-se imperativo implementar
uma virada paradigmática que integre fluxos intersetoriais, padronize protocolos de atuação
baseados na perspectiva de faixa etária e institua canais democráticos de controle e
transparência, transformando a eficácia protetiva de preceito normativo em realidade
administrativa concreta.
|
|
|
PAULO ROBERTO CAMPELO FONSECA E FONSECA
|
|
|
A EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA E A CONSCIÊNCIA DO PROLETARIADO NA GLOBALIZAÇÃO: as experiências brasileira e portuguesa na passagem do fordismo ao pós-fordismo
|
|
|
Data : 26/06/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
No contexto da grande transformação social e histórica que marca a passagem do capitalismo globalizado do fordismo ao pós-fordismo, esta tese analisa as experiências brasileira e portuguesa da Educação para a Cidadania Global, preconizada pela UNESCO, como regulação estratégica do Estado globalizado que opera na integração do proletariado aos processos de exploração econômica, dominação política e humilhação social, na barragem de suas possibilidades de ruptura emancipatória. Inicialmente, demonstra-se que a Educação para a Cidadania Global emerge da intensificação das relações entre o Modo Estatal Global e o modo de produção capitalista globalizado, configurando-se como expressão do imperialismo globalizado marcado pelo enfraquecimento da soberania nacional e pelo desrespeito à autonomia proletária. Nesse sentido, evidencia-se que as políticas educacionais no Brasil e em Portugal passam a ser orientadas por diretrizes internacionais, contribuindo para a reconfiguração dos sistemas de ensino conforme as exigências do capital globalizado, mas de forma relativa, contraditória e mediada. Em seguida, analisa-se o papel da educação globalizada na formação da consciência proletária no interior das transformações do regime de acumulação capitalista. No fordismo, a educação esteve associada ao pleno emprego, enquanto no pós-fordismo passa a operar sob a lógica da empregabilidade, da flexibilidade e da responsabilização individual. Nesse contexto, busca promover a adaptação do trabalhador às exigências do mercado, em meio a contradições de exploração, dominação, humilhação e resistência, configurando-se como momento da ampliação do proletariado enquanto superpopulação relativa e intensificando tensões que impulsionam a organização coletiva. Por fim, demonstra-se que, apesar do disciplinamento global, a formação da consciência proletária constitui-se como forma de resistência ao capitalismo globalizado. A consciência de classe emerge de forma contraditória, mediada por condições objetivas e subjetivas, possibilitando o desenvolvimento da consciência possível. Nesse processo, o proletariado tende a se organizar por meio de sindicatos, partidos e movimentos sociais, projetando a superação das relações de exploração, dominação e humilhação. Conclui-se que a Educação para a Cidadania Global deve ser compreendida como mediação de contradições que, ao mesmo tempo em que reproduz a lógica do capital, cria condições para sua contestação, articulando a mundialização da educação à luta de classes.
|
|
|
TAISA GUIMARAES SERRA
|
|
|
A POLÍTICA DE ERRADICAÇÃO DO TRABALHO INFANTIL NO MARANHÃO
(20162024): uma avaliação de impactos a partir da PNAD Contínua
|
|
|
Data : 19/06/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
A presente dissertação analisa os possíveis impactos da Política de Erradicação do
Trabalho Infantil no estado do Maranhão no período de 2016 a 2024, a partir dos
dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).
O estudo parte da compreensão de que o trabalho infantil constitui um fenômeno
historicamente produzido e socialmente determinado, diretamente relacionado às
desigualdades estruturais que marcam a formação social brasileira, especialmente
em contextos periféricos caracterizados pela pobreza, informalidade e fragilidade
das políticas públicas. A pesquisa orienta-se pela seguinte questão: como se
configurou a trajetória dos indicadores de trabalho infantil no Maranhão entre 2016 e
2024 e de que modo essa trajetória revela os determinantes socioeconômicos
estruturais que condicionam a efetividade da política de erradicação desse
fenômeno no estado? O objetivo geral consiste em avaliar os possíveis impactos da
Política de Erradicação do Trabalho Infantil no Maranhão, identificando tendências,
determinantes socioeconômicos e limites estruturais da política. Adota-se como
referencial teórico-metodológico o materialismo histórico-dialético, compreendendo o
trabalho infantil como expressão das contradições entre capital e trabalho e da
reprodução das desigualdades sociais. Trata-se de uma pesquisa avaliativa, de
abordagem mista (quanti-quali), fundamentada em análise descritiva e comparativa
dos dados da PNAD Contínua, articulada à interpretação crítica da literatura
especializada, dos marcos normativos nacionais e internacionais e das políticas
públicas de enfrentamento ao trabalho infantil. Os resultados evidenciam que,
embora tenham ocorrido reduções nos indicadores ao longo da série histórica, o
Maranhão permanece entre os estados com maiores índices de trabalho infantil do
país, especialmente nas atividades informais e nas piores formas de exploração.
Conclui-se que os limites da política de erradicação do trabalho infantil estão
diretamente relacionados à persistência de condições estruturais como pobreza,
desigualdade racial, precarização do trabalho adulto e fragilidade institucional,
revelando que os avanços legislativos e programáticos, ainda que expressivos,
revelaram-se insuficientes para assegurar a efetiva superação do fenômeno.
|
|
|
SUERLY FERREIRA MELO PARENTE
|
|
|
CONCEPÇÕES DE EDUCAÇÃO E TRABALHO NOS PROJETOS POLÍTICO-
PEDAGÓGICOS DA RESIDÊNCIA INTEGRADA MULTIPROFISSIONAL EM
SAÚDE DO HU-UFMA
|
|
|
Orientador : CRISTIANA COSTA LIMA
|
|
|
Data : 17/06/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
A formação de trabalhadores para o Sistema Único de Saúde (SUS) ocupa po-
sição estratégica no debate sobre a qualificação das práticas de saúde e o for-
talecimento dos princípios da Reforma Sanitária Brasileira. Nesse contexto, a
Residência Integrada Multiprofissional em Saúde (RIMS) constitui uma impor-
tante modalidade de formação em serviço, ao articular ensino, trabalho e aten-
ção à saúde, consolidando-se como uma estratégia formativa em expansão no
país. Entretanto, esses processos formativos desenvolvem-se em um contexto
marcado por profundas transformações no mundo do trabalho e por mudanças
na gestão das políticas públicas de saúde, particularmente nos hospitais univer-
sitários. A incorporação de mecanismos gerenciais inspirados na racionalidade
empresarial, expressa pela atuação da Empresa Brasileira de Serviços Hospita-
lares, evidencia a coexistência de distintas concepções de educação e trabalho
em saúde. Nesse cenário, torna-se necessário investigar como vem sendo ori-
entada a formação dos/das profissionais de saúde, entre eles/elas o/a assistente
social, cuja atuação, em consonância com o projeto ético-político da profissão,
está comprometida com a defesa da saúde como direito universal. Além disso,
considerando que a RIMS propõe a transformação das práticas de saúde por
meio do ensino em serviço e da aprendizagem construída no próprio processo
de trabalho, torna-se pertinente refletir sobre o trabalho como princípio educativo
e sobre as concepções que orientam essa formação. É nesse contexto que se
insere a RIMS do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão
(HU-UFMA), instituição de referência no estado tanto na assistência à saúde
quanto na formação de profissionais por meio da graduação, das residências
multiprofissionais, uniprofissionais e médicas. Diante disso, esta pesquisa teve
como objetivo analisar as concepções de educação e trabalho presentes nos
Projetos Político-Pedagógicos (PPPs) da RIMS do HU-UFMA. Para tanto, ado-
tou-se o método materialismo histórico-dialético, desenvolvendo-se uma pes-
quisa de natureza bibliográfica e documental. Atualmente, a RIMS do HU-UFMA
está organizada em nove PPPs, distribuídos em diferentes áreas de concentra-
ção. Desse conjunto, foram selecionados cinco PPPs para análise, por incluírem
o/a assistente social entre as profissões integrantes das equipes multiprofissio-
nais do programa. Os resultados evidenciam que os PPPs analisados fundamen-
tam-se predominantemente nos princípios da Educação Permanente em Saúde,
valorizando a aprendizagem construída a partir das experiências concretas de
trabalho, a integração ensino-serviço e a atuação multiprofissional. Contudo, a
análise também revelou a presença de tensões e contradições, especialmente
relacionadas à incorporação de mecanismos gerenciais característicos da lógica
empresarial, como a adoção da pedagogia das competências, que tende a refor-
çar perspectivas pragmáticas e tecnicistas da formação. Tais elementos expres-
sam a coexistência de distintos projetos de formação e gestão no interior da re-
sidência multiprofissional, os quais, por um lado, refletem perspectivas críticas,
emancipatórias e comprometidas com os princípios do SUS e, por outro, repro-
duzem tendências da produtividade, do desempenho e da racionalização dos
processos de trabalho.
|
|
|
ISABELLE DOURADO FEITOSA
|
|
|
TRAJETÓRIAS EDUCACIONAIS DE MULHERES TRANS E TRAVESTIS:
desafios e perspectivas na educação básica em São Luís/MA
|
|
|
Data : 16/06/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
Trajetórias Educacionais de Mulheres Trans e Travestis: desafios e perspectivas na
educação básica em São Luís/MA investiga como mulheres trans e travestis narram
suas trajetórias na educação básica e os significados que atribuem às experiências
vividas no espaço escolar. A relevância desta investigação articula-se em três
dimensões: epistemológica, ao reconhecer as narrativas dessas mulheres não como
ilustrações de dados preexistentes, mas como forma de conhecimento construída a
partir de quem viveu o que se pretende compreender; política, ao deslocar o eixo da
produção do saber do ponto de vista institucional para o ponto de vista dos sujeitos,
reconhecendo que essas vozes detêm autoridade para falar sobre o que viveram; e
analítica, ao tomar São Luís/MA como contexto empírico situado, interrogando de
que modo o ambiente político e institucional local aparece nas trajetórias narradas e
como políticas nacionais produzem efeitos distintos em contextos subnacionais
específicos. O objetivo geral é compreender como essas mulheres narram suas
trajetórias educacionais e os significados que atribuem às experiências vividas no
espaço escolar. A abordagem é qualitativa, fundamentada na sociologia reflexiva de
Bourdieu (1989), em diálogo com Foucault (1979, 1988), Butler (2003) e autores dos
estudos de gênero, sexualidade e educação. A técnica central é a entrevista
narrativa, conforme Jovchelovitch e Bauer (2002), que permite acessar as
dimensões subjetivas das experiências e os sentidos que os sujeitos atribuem às
suas trajetórias. Participaram da pesquisa quatro mulheres trans e travestis que
cursaram a educação básica em escola pública de São Luís/MA, selecionadas por
amostragem em bola de neve conforme Vinuto (2014). Os resultados revelam três
padrões analíticos centrais: a exclusão opera predominantemente de forma difusa,
pelo silêncio, pela omissão e pela naturalização de práticas que negam legitimidade
a determinadas existências, sem precisar se declarar para produzir seus efeitos; a
permanência escolar das participantes não foi garantida pela instituição, mas
construída pelas próprias sujeitas com apoio de redes informais de afeto e proteção
localizadas nos interstícios do espaço pedagógico, expondo o limite estrutural das
normativas formais de inclusão; e há uma tensão estruturante entre os avanços
normativos conquistados e as práticas cotidianas de não-reconhecimento que
persistem mesmo onde os direitos estão formalmente assegurados. Conclui-se que
a exclusão escolar de mulheres trans e travestis não é capturável por taxas de
evasão, ela se inscreve nos corpos, nas subjetividades e nas estratégias de
sobrevivência que essas mulheres constroem diante de um espaço que
sistematicamente recusa reconhecê-las como legítimas, apontando para a
necessidade de políticas públicas de permanência que vão além da matrícula e das
normativas formais.
|
|
|
MARIA JOSÉ FERREIRA COSTA SETUBAL
|
|
|
FAMÍLIAS CHEFIADAS POR MULHERES NA SOCIEDADE CAPITALISTA: Uma
análise de famílias monoparentais femininas no Município de São Luís-MA.
|
|
|
Data : 15/06/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
A presente dissertação, intitulada Famílias Chefiadas por Mulheres na Sociedade
Capitalista: uma análise de famílias monoparentais femininas no município de São
Luís MA, tem como escopo central analisar o papel de chefe de família exercido
por mulheres monoparentais em São Luís-MA, mediante as transformações
societárias vivenciadas no mundo contemporâneo, marcadamente patriarcal e
capitalista e suas interferências na vida das mulheres. A análise parte da
compreensão que a sociedade capitalista, produz e reproduz desigualdades de
gênero que interferem diretamente na vida das mulheres, especialmente daquelas
que assumem, de forma exclusiva, a responsabilidade pela manutenção e
organização familiar. Nesse contexto, desenvolveu-se uma discussão acerca da
condição da mulher na sociedade capitalista e de sua permanente luta pela
sobrevivência diante das múltiplas desigualdades engendradas por esse sistema. A
análise buscou evidenciar como fatores econômicos, sociais e culturais contribuem
para a sobrecarga feminina, sobretudo no caso das mulheres que exercem a chefia
familiar sem a presença do cônjuge. Essas mulheres, além de assumirem a
responsabilidade pelo sustento material da família, também permanecem vinculadas
às atividades domésticas e às funções de cuidado, acumulando jornadas de trabalho
que revelam profundas disparidades de gênero. Também se refletiu sobre a divisão
sexual do trabalho, compreendida como uma construção histórica e social
responsável por estabelecer funções diferenciadas para homens e mulheres no
interior da sociedade. Além disso, realizou-se reflexão acerca do papel do Estado na
sociedade capitalista, que antagonicamente os ditames do capital, por vezes,
formula e implementa políticas públicas voltadas à promoção da igualdade de
gênero. A pesquisa contou ainda com uma etapa empírica, acrescida da análise dos
dados coletados. A análise desses dados possibilitou a compreensão dos desafios
enfrentados pelas chefes de família monoparentais, evidenciando as dificuldades
relacionadas ao trabalho, à renda, ao cuidado familiar e ao acesso às políticas
públicas. Do ponto de vista metodológico, trata-se de uma pesquisa de abordagem
qualitativa, fundamentada em levantamento bibliográfico e pesquisa de campo. Para
a coleta de dados, foram utilizadas entrevistas semiestruturadas realizadas com
mulheres que exercem a chefia de suas famílias sem a presença do cônjuge e,
preferencialmente, com filhos. A escolha desse procedimento metodológico permitiu
captar as experiências, percepções e vivências dessas mulheres de forma ampla.
|
|
|
LARYSSA SARAIVA QUEIROZ
|
|
|
ADOÇÃO DAS CONSTELAÇÕES FAMILIARES NO JUDICIÁRIO
BRASILEIRO: análise da constituição da agenda à luz da teoria da
burocracia de nível de rua
|
|
|
Data : 12/06/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
No contexto brasileiro, marcado pela hiperjudicialização, burocratização da política e
politização da burocracia, o Judiciário acaba assumindo influência direta na
implementação e própria formulação de políticas públicas, evidenciando tensões
institucionais e disputas de interesses. Nesse ínterim, surge e se fortalece, sobretudo
por iniciativa da magistratura, a adoção de prática terapêutica alemã denominada
Constelação Familiar no âmbito do Judiciário, proposta denominada Direito Sistêmico.
Apresentada formalmente como instrumento auxiliar à política de tratamento adequado
dos conflitos (ex. conciliação, mediação), na condição de estratégia de enfrentamento
à crise judiciária fruto da morosidade. O estudo analisa o processo de constituição da
agenda, com ênfase nos sujeitos e seus respectivos interesses e racionalidades, à luz
da Teoria da Burocracia de Nível de Rua. Adota-se como referencial teórico-
metodológico o materialismo histórico-dialético, com abordagem qualitativa, apoiada
em revisão do estado da arte, análise documental de conteúdo e utilização
complementar de dados quantitativos secundários relativos ao sistema de justiça
brasileiro. A investigação e análise crítica da prática terapêutica e sua aplicação
judicial discricionária revelou que, não obstante legitimada pelo discursos do consenso
e ratificada por dados que denotam eficiência, pode mostrar-se incompatível com
princípios constitucionais, por reproduzir violências simbólicas, despolitizar conflitos
sociais e comprometer a dignidade humana, ao tempo em que apoia-se em
fundamentos cientificamente questionáveis. Ademais, levantam-se inquietações
quanto a possíveis interesses institucionais na gestão da litigiosidade, graves riscos
éticos, democráticos e jurídicos, exigindo reflexão sobre seus fundamentos, limites e
consequências sociais. Ao final, propõe critérios em termos de governança judiciária
que, minimamente, visam tornar as práticas mais acessíveis e transparentes.
|
|
|
BRENDA VANESSA PEREIRA SOARES
|
|
|
Quem pariu, mantém e balance?: uma análise da Política Nacional de
Assistência Estudantil (PNAES) frente às demandas das estudantes-mães nos
Estados do Pará e Maranhão.
|
|
|
Orientador : MARIA MARY FERREIRA
|
|
|
Data : 12/06/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
A presente tese se propôs a analisar as ações de assistência estudantil direcionadas
às estudantes-mães implementadas a partir da PNAES nos Estados do Maranhão e
do Pará representados, respectivamente, pela Universidade Federal do Maranhão
(UFMA) e pela Universidade Federal do Pará (UFPA), no intuito de identificar se e de
que forma estas têm contribuído para assegurar o direito à educação em nível de
graduação. Para tanto, como aporte teórico, utilizou-se do materialismo histórico
dialético em uma perspectiva feminista crítica, no intuito de discutir a condição das
mulheres-mães em uma sociedade capitalista periférica, patriarcal e racista, marcada
pela divisão sexual e racial do trabalho. Tratou-se de uma pesquisa qualitativa, através
da realização de entrevistas semiestruturadas mediadas com estudantes-mães com
filhos de 00 (zero) a 06 (seis) anos beneficiárias do auxílio-creche e do auxílio primeira
infância oferecidos pela UFMA e pela UFPA, respectivamente. Como resultados,
analisados mediante a técnica de análise de conteúdo, foi possível apreender que é
inegável a persistência das desigualdades que afetam a vida das mulheres-mães,
perpetuando o matriarcado da miséria, com desdobramentos negativos sobre todas
as dimensões da vida social dessas mulheres, submetendo-as cotidianamente a
diversas expressões da questão social, como a dificuldade de permanecer na
universidade; e ainda, que no plano legal e na implementação da PNAES através de
auxílios representa um avanço, mas com muitos desafios a serem superados. Na
realidade da UFMA e da UFPA, as iniciativas seguem restritas ao repasse direto de
recursos, e embora seja unânime o reconhecimento das mulheres beneficiárias
entrevistadas de que esse repasse contribuiu decisivamente para a permanência e
conclusão delas em seus cursos de graduação, apenas os auxílios, tal qual como hoje
existem, não são suficientes para atender à diversidade das suas demandas. Logo,
como sugestões para os auxílios, indicaram-se: na especificidade da UFMA, a
mudança do nome do auxílio e do seu objetivo, no intuito de permitir o custeio de
despesas diversas, para além das educacionais; maior divulgação dos editais e a
desburocratização, evitar documentações em demasia para solicitação ou prestação
de contas e; aumentar o quantitativo de bolsas ofertadas nas instituições, bem como
do valor dos auxílios. Para as universidades, de forma geral, indicaram-se a realização
de ações de Educação Permanente com os profissionais Técnicos Administrativos e
Professores, para que não somente sejam sensíveis às necessidades das mães, mas
também que estejam a par das legislações que garantam os direitos das mesmas;
ações de promoção à saúde mental materna; um olhar diferenciado para o
atendimento às necessidades das mães atípicas. Porém, ainda mais evidente está o
anseio das entrevistadas pela construção de espaços físicos de apoio e amparo nas
instituições, como as salas de amamentação, brinquedotecas e principalmente a
creche universitária. Assim, embora as mulheres só possam ser verdadeiramente
livres e iguais em um mundo organizado por uma sociabilidade adversa à do capital,
isso não deve impedir a construção de políticas públicas que servem para satisfazer
os seus interesses mais urgentes, pois todo o direito que as mulheres conquistam
através de sua luta histórica traz-lhe mais perto do objetivo conjunto de emancipação
total da classe trabalhadora.
|
|
|
IZABEL CRISTINA SILVEIRA ROCHA
|
|
|
A VIGILÂNCIA SOCIOASSISTENCIAL NOS MUNICÍPIOS MARANHENSES
DE IDH MUITO BAIXO: desafios e perspectivas de implementação
|
|
|
Data : 12/06/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
Apresenta uma proposta de implantação da vigilância
socioassistencial nos municípios de Pequeno Porte I, em conformidade com as
competências das esferas estaduais e municipais com a participação dos
usuários da política de assistência social, das equipes técnicas, de gestores e
dos conselheiros de assistência social, dos municípios estudados. Identifica o
papel da vigilância em garantir a proteção social às famílias e criar referências
para o planejamento e a elaboração de ofertas sintonizadas com as
necessidades e demandas da população; identifica elementos determinantes
para a não operacionalização da vigilância socioassistencial nos municípios
maranhenses de IDH Muito Baixo; bem como o desconhecimento da sua
importância por parte de seus gestores e executores. A partir da fala dos sujeitos
se destacam elementos para a compreensão da não implementação da
vigilância socioassistencial como referência na construção da garantia e acesso
ao direito. Conclui-se com o estudo que a vigilância socioassistencial nos
municípios pesquisados se encontra em processo embrionário de implantação
de fato. Embora esteja instituída formalmente em dois municípios sua
operacionalização se dá informalmente, o que nos leva a inferir que enquanto
função da política de assistência social, não apresenta as condições necessárias
para cumprir seu papel de garantir a proteção social às famílias e criado
referências para o planejamento e para elaboração de ofertas sintonizadas com
as necessidades e demandas da população. O desconhecimento da importância
da vigilância na operacionalização da política de assistencia social; da sua
necessidade na identificação das situações de vulnerabilidades e riscos sociais a
que estão expostos indivíduos e famílias, se constituem elementos que
dificultam a sua implantação efetiva. Há necessidade de gestores, executores,
agentes do controle social e usuários apreender e incorporar o significado da
vigilância socioassistencial.
|
|
|
RICARDO VINHAES MALUF CAVALCANTE
|
|
|
OS DIREITOS DA NATUREZA NO BRASIL: a construção do enfoque ecocêntrico
na atualidade e suas implicações na efetividade das obrigações do Estado quanto à
proteção ambiental
|
|
|
Orientador : GUILLERMO ALFREDO JOHNSON
|
|
|
Data : 10/06/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
Identifica-se que se encontra em curso uma crise ambiental e civilizatória com
consequências para todos os seres, humanos e não humanos, do planeta. Trata-se
de uma crise que não é apenas anunciada, não consiste em um futuro distante que
ainda não chegou, mas é sentida por todos e evidenciada por dados e estudos
científicos. Contudo, existe um movimento negacionista da sua existência e efeitos,
de forma que alguns governantes têm agido e construído suas políticas públicas de
maneira contrária ao meio ambiente, impactando a proteção da natureza. Por outro
lado, vêm surgindo novas ferramentas jurídicas, tratados, legislações e decisões
judiciais que, em meio à crise ambiental e civilizatória enfrentada, se direcionam,
sobretudo, para garantir a real proteção ambiental. Um desses mecanismos é o de
reconhecimento dos direitos da natureza que passa a ser tida não mais como objeto
de tutela jurídica, mas como sujeito de direitos, constituindo-se um paradigma
ecocêntrico. A presente tese tem o objetivo geral de compreender se o Brasil tem
aderido a esse processo de ecologização do direito e quais as implicações da
construção do enfoque ecocêntrico na efetividade das obrigações do Estado quanto à
proteção ambiental. Para tanto, definiu-se como objetivos específicos os seguintes: a)
discutir a crise ambiental e civilizatória em curso, apontando dados científicos e teorias
e ponderando sobre o movimento negacionista de alguns governantes, sobretudo o
do Brasil entre os anos de 2019 a 2022, e suas consequências; b) analisar a proteção
da natureza no ordenamento jurídico brasileiro na atualidade, com foco no
ordenamento constitucional e na legislação infraconstitucional, buscando entender se
há um processo de construção de um enfoque ecocêntrico no âmbito nacional; e c)
analisar como os tribunais brasileiros vêm se posicionando acerca dos direitos da
natureza. O escopo de levantamento e de análise dos dados foi delimitado até o ano
de 2025. A tese utiliza, ainda, conceitos, categorias e procedimentos fundamentados
em Bourdieu (1989), em razão da sua adequação metodológica acerca da aplicação
de novas epistemologias para a construção do pensamento científico e da
necessidade de pensar relacionalmente, especialmente no campo jurídico.
Compreende-se que o direito não pode se fechar em si mesmo e desconsiderar a
realidade a sua volta, deve, antes, se refletir sobre as disputas existentes no campo
jurídico pela legitimidade da interpretação e da produção do conhecimento, bem como
sobre o que se encontra em jogo quando visões antagônicas de mundo estão em
conflito nesse campo. Explicita-se que foram realizadas pesquisa bibliográfica e
documental nos sistemas e arquivos governamentais disponíveis relacionados com a
temática, bem como o levantamento dos demais dados e informações obtidas de
outras fontes. Os procedimentos metodológicos envolveram, também, a consulta e a
análise de informações disponíveis no site do programa das nações unidas harmonia
com a natureza, que contém a indicação de legislações e decisões acerca dos direitos
da natureza. Realizou-se, ainda, o acesso às páginas eletrônicas dos entes e tribunais
e aos diários oficiais para obtenção das legislações e decisões analisadas. Elucida-
se, por fim, que o objeto de estudo é uma matéria que se encontra em
desenvolvimento e que se pretendeu contribuir com a elaboração de tese sobre a
construção dos direitos da natureza no Brasil e do enfoque ecocêntrico.
|
|
|
RAQUEL MELO DE ASSIS
|
|
|
ANÁLISE DO PROGRAMA DE FOMENTO ÀS ESCOLAS DE
ENSINO MÉDIO EM TEMPO INTEGRAL (PFEMTI) NO MARANHÃO
|
|
|
Data : 10/06/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
Esta Dissertação analisa a implementação do Programa de Fomento ao Ensino Médio
em Tempo Integral (PFEMTI) no Maranhão. Foi desenvolvida no Programa de Pós
Graduação em Políticas Públicas (PPGPP), da Universidade Federal do Maranhão
(UFMA), vinculada ao núcleo de Políticas Sociais e Programas Sociais (Núcleo II), na
Linha de Pesquisa de Avaliação de Políticas e Programas Sociais, junto ao Grupo de
Pesquisa de Estudos e Pesquisas sobre Políticas Públicas de Educação (GEPPE). Tem
como objeto de estudo a implementação do Programa de Fomento às Escolas de Ensino
Médio em Tempo Integral (PFEMTI) no Maranhão, no período de 2016 a 2023. O
referido programa se insere no conjunto de políticas educacionais de Ensino Médio
formuladas a partir da Portaria do Ministério da Educação (MEC) nº 1.145, de 2016,
criada pela Medida Provisória nº 746, de 22 de setembro de 2016. Assim, o objetivo
desta pesquisa foi analisar o processo de implementação do PFEMTI no Maranhão, a
partir de sua adesão ao programa do Governo Federal, considerando o contexto da
reforma do ensino médio e suas vinculações com as políticas educacionais de cunho
neoliberal. A abordagem teórica se orienta em uma perspectiva crítica, como foco em
autores que analisam o neoliberalismo e a reforma do ensino médio, tais como Harvey
(1992), Chesnais (2002), Antunes (2005), Laval (2019), Frigotto (2022). A metodologia
adotada, de natureza qualitativa, é orientada pelo materialismo histórico-dialético.
Procedimentalmente, utiliza-se análise documental e bibliográfica, tomando como
fontes primárias documentos normativos e orientativos no âmbito da política nacional e
estadual para obter evidências dos aspectos determinantes para sua operacionalização.
Após a análise do escopo normativo e documental foi possível identificar contradições
inerentes ao processo de implementação na rede estadual. Além disso foi possível
estabelecer uma análise quanto ao alcance e influência desse programa no
estabelecimento da política estadual de ensino Médio em Tempo Integral.
|
|
|
HUGO MENDES LEONARDO
|
|
|
JUSTIÇA RESTAURATIVA NA SOCIOEDUCAÇÃO NO ESTADO DO
MARANHÃO: desafios e possibilidades entre 2018 e 2024
|
|
|
Data : 09/06/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
A presente dissertação analisa os desafios e as possibilidades da utilização
das práticas restaurativas na execução de medidas socioeducativas restritivas
e privativas de liberdade no Estado do Maranhão entre 2018 e 2024. O estudo
teve como objetivo geral compreender essa aplicação prática na
socioeducação, desdobrando-se no exame da ontologia da justiça retributiva na
sociedade capitalista, no mapeamento conceitual e nos embates dialéticos da
Justiça Restaurativa no Brasil, e na identificação empírica dos gargalos
estruturais e potencialidades no cenário maranhense. Metodologicamente, a
pesquisa ancorou-se no referencial qualitativo do materialismo histórico-
dialético, utilizando as categorias de totalidade, contradição e mediação para
orientar a triangulação de métodos, que envolveu revisão de literatura,
pesquisa de campo e observação participante. Os procedimentos de coleta de
dados incluíram a análise de documentos institucionais e normativos, além da
realização de entrevistas semiestruturadas com servidores socioeducativos da
FUNAC/MA, com a diretora da Escola de Socioeducação do Maranhão (ESMA)
e com o juiz titular da $2^{a}$ Vara da Infância e Juventude de São Luís.
Conclui-se que, embora a abordagem restaurativa enfrente fortes barreiras
macroestruturais e culturais como a sobrecarga de trabalho das equipes e a
precariedade das redes municipais de atendimento , a consolidação de
instâncias como o Núcleo de Justiça Restaurativa (NJR/CIJJUV) e os avanços
na positivação legislativa local demonstram que o paradigma restaurativo
constitui uma alternativa viável e eficaz para romper com a seletividade penal,
materializando os preceitos pedagógicos da Doutrina da Proteção Integral.
|
|
|
MARIA DE GUADALUPE FURTADO BARROS
|
|
|
Intersetorialidade nas Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial:
A atuação da Secretaria de Estado Extraordinária de Igualdade Racial do Maranhão
entre 2010 a 2025.
|
|
|
Data : 09/06/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
A presente dissertação analisa a intersetorialidade como estratégia central na implementação
das políticas públicas de promoção da igualdade racial pela Secretaria de Estado
Extraordinária de Igualdade Racial do Maranhão (SEIR-MA) no período de 2010 a 2025. Sob
a ótica do materialismo histórico-dialético, a pesquisa investiga como a atuação institucional
busca tensionar o racismo estrutural e as desigualdades socioeconômicas em um estado
que, apesar de possuir mais de 74% de população autodeclarada negra e o maior número
de comunidades quilombolas do país, ainda enfrenta disparidades profundas no acesso a
direitos e oportunidades.
A trajetória da SEIR-MA é examinada em três momentos distintos: a consolidação após o
Estatuto da Igualdade Racial (2010), a resistência ao desmonte das estruturas federais entre
2016 e 2022, e o atual ciclo de reconstrução institucional (2023-2025). O estudo demonstra
que o Estado brasileiro operou historicamente sob uma lógica patrimonialista e de "racismo
por denegação", o que conferiu às instituições um papel de filtragem e contenção da
ascensão da população negra.
Os resultados indicam que a intersetorialidade atua como um mecanismo de sobrevivência
política para a SEIR-MA, permitindo a execução de ações integradas com pastas de Saúde,
Educação e Assistência Social, mesmo diante de limitações orçamentárias. Contudo,
evidencia-se um paradoxo: embora tenha ocorrido uma sofisticação técnica e normativa
culminando no Plano Estadual de Política de Promoção da Igualdade Racial (PLANEPIR
2025-2035) , a capacidade de promover mudanças estruturais, como a titulação definitiva
de terras quilombolas, permanece limitada pela dependência política frente a setores
hegemônicos do Estado.
A pesquisa conclui que o fortalecimento da política de igualdade racial no Maranhão depende
da transição de uma lógica assistencialista de "gestão da carência" para um comando político
efetivo que assegure a equidade material e a soberania territorial das populações tradicionais.
|
|
|
LETICIA MARIA MONTEIRO DO NASCIMENTO
|
|
|
REDES SOCIAIS E JUVENTUDES DO ENSINO MÉDIO: uma análise exploratória
da percepção dos estudantes do ensino médio de São Luís - MA
|
|
|
Data : 08/06/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
A presente pesquisa analisa a influência das redes sociais na sociabilidade juvenil na
perspectiva dos jovens estudantes do ensino médio, tema de relevância urgente devido
às profundas transformações que as tecnologias digitais provocam nos padrões de
comportamento, interações sociais e processos educacionais. A necessidade de
compreender como as juventudes, imersas no mundo digital, elaboram seu processo de
socialização exige estudos e pesquisas acadêmicas que expliquem este cenário de
vínculos fluídos e conectividade constante. A sociologia da juventude que fundamenta o
percurso teórico se baseia autores como Abramo (1994, 1997, 2005) e Groppo (2017),
Dayrell (2003, 2016, 2021), a sociabilidade no ambiente virtual é analisada com as teses
sobre modernidade líquida e laços frágeis de Bauman (2003, 2007, 2021, 2026),
sociedade do espetáculo de Debord (2003), o conceito de hiper-realidade de Baudrillard
(1991) e os estudos de Maffesoli (1998) entre outros. A dinâmica das redes e o poder
dos algoritmos são discutidos, principalmente, sob a perspectiva Recuero(2009) e a tese
de Pariser (2012) sobre as bolhas de filtros. No que se refere ao campo educacional o
estudo é norteado pela BNCC. A metodologia caracteriza-se por uma abordagem
exploratória, onde os dados são tratados de forma quantitativa. O instrumento de coleta
utilizado foi um questionário (survey) online semiestruturado composto de 32 questões
(via Google Forms), aplicado a uma amostra intencional de 239 estudantes de quatro
escolas públicas estaduais de São Luís- MA: Liceu Maranhense, CEM Maria Aragão,
CE José Justino Pereira e CE Cônego Ribamar Carvalho, os dados foram tratados com a
estatística descritiva, com visualização através de gráficos elaborados com o auxílio do
Excel, não foram utilizados textos e nem depoimentos. As conclusões indicam as
juventudes são conceitos sociológicos que se encontram em constante processo de
reconstrução não é natural e nem universal, pois carrega consigo valores e usos
simbólicos específicos de cada contexto. O advento das redes sociais proporcionou uma
mudança significativa na socialização juvenil, pois diferentemente da socialização
tradicional, a socialização mediada pelas redes sociais não possui hierarquia, é
extraterritorial e possui enorme diversidade cultural. A escola é um espaço essencial
para transformar o jovem de um consumidor passivo de dados em um sujeito ativo e
crítico. Contudo, observa-se que há uma assimetria no acesso aos recursos tecnológicos
e à conectividade de qualidade que reflete as desigualdades socioeconômicas históricas,
especialmente em populações de classes baixas. Essa desigualdade compromete a
autonomia intelectual e o exercício pleno da cidadania para as parcelas mais vulneráveis
da população juvenil. Enfim, conclui-se que as redes sociais realmente estabelecem
novas formas de sociabilidade, com possíveis implicações nos comportamentos juvenis
e na sua saúde mental e neste contexto, a sociabilidade mediada pelas redes sociais trás
implicações para os agentes socializadores tradicionais, especialmente para as
instituições de ensino.
|
|
|
LYVIA GEOVANNI MELO SANTOS
|
|
|
ENTRE O VIVER E O MORRER: as concepções sobre os determinantes
sociais da saúde na política nacional do câncer e de cuidados paliativos
|
|
|
Data : 08/06/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
A dissertação analisa a incorporação dos Determinantes Sociais da Saúde
(DSS) nas Políticas Nacionais de Atenção Oncológica e de Cuidados Paliativos
no Brasil, a partir do referencial teórico do materialismo histórico e dialético.
Partindo da perspectiva da determinação social da saúde, o estudo compreende
o processo saúde-doença como fenômeno histórico e contraditório, inscrito nas
relações de produção e reprodução social do capitalismo, e não como evento
natural ou resultado de escolhas individuais. A pesquisa é de natureza
qualitativa, desenvolvida por meio de pesquisa bibliográfica nas áreas de Serviço
Social, Saúde Coletiva e Epidemiologia Latino-Americana, e de análise
documental de marcos normativos e dados de fontes oficiais. Tem-se em
primeiro ponto, a distinção entre determinação social da saúde e determinantes
sociais da saúde. Enquanto a primeira compreende a saúde como expressão
das relações sociais de produção e das contradições estruturais do capitalismo,
os DSS tendem a privilegiar fatores como renda, escolaridade e território,
fragmentando a análise da realidade social. O Estado, nas mediações das
condições de vida e saúde da população, reconhece normativamente o direito à
saúde, o mesmo tempo em que implementa medidas de focalização e
privatização que aprofundam as desigualdades sociais em saúde. Nesse
contexto, a contrarreforma do Estado materializou-se na privatização da gestão
de políticas públicas, sob a introdução da lógica de mercado no interior do
sistema público de saúde. Esse modelo contraria os preceitos da Reforma
Sanitária, como a universalização do acesso, a concepção ampliada de saúde,
o financiamento efetivo do Estado, reorientando o SUS para os interesses do
mercado. Os modelos explicativos de DSS, desloca a análise das estruturas para
fatores e variáveis, sem apreender as determinações históricas que produzem
as desigualdades em saúde. Nessa direção, problematiza-se também o uso das
categorias de iniquidades e vulnerabilidades, que privilegiam a identificação de
grupos mais expostos a agravos e barreiras de acesso, sem alcançar as
determinações históricas e estruturais que produzem tais condições. No que
tange o adoecimento por câncer, as disparidades aparecem no acesso ao
diagnóstico precoce, ao tratamento e ao cuidados de fim de vida, que são
influenciados por classe, raça e território. A incorporação dos DSS nas Políticas
Nacionais de Atenção Oncológica e de Cuidados Paliativos, situadas no contexto
de contrarreformas do Estado, demonstram a distribuição desigual expressa nas
relações estruturais que atravessam a sociedade brasileira. No Maranhão, as
desigualdades sociais em saúde expressam as particularidades do capitalismo
dependente brasileiro, articulando pobreza, racismo estrutural, precariedade das
condições de vida e concentração regional dos serviços de saúde. Tem-se
apenas cinco serviços especializados em Oncologia e dois de cuidados
paliativos do Sistema Único de Saúde, em sua maioria localizados na capital São
Luís/MA. A dissertação conclui que as desigualdades no processo saúde-doença
e nas condições de fim de vida não são expressões residuais das políticas de
saúde, mas resultados estruturais de um modelo de sociabilidade que, sob a
hegemonia neoliberal, subordina os direitos sociais à acumulação do capital.
|
|
|
REINALDO VINICIUS MORAIS PEREIRA
|
|
|
A DIVISÃO SEXUAL DO TRABALHO NO SETOR PÚBLICO ESTATAL: UMA ANÁLISE DO TRABALHO DAS MULHERES NAS FORÇAS DE SEGURANÇA PÚBLICA DO ESTADO DO MARANHÃO NO ANO DE 2025
|
|
|
Data : 01/06/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
Esta dissertação tem como objeto a análise do fenômeno da divisão sexual do trabalho no capitalismo contemporâneo e como ele se exprime no trabalho das mulheres que ocupam altos cargos na estrutura das Forças de Segurança Pública do Maranhão. O estudo partiu da compreensão de que a divisão sexual do trabalho destina prioritariamente os homens à esfera produtiva e as mulheres à esfera reprodutiva; que essas esferas estão intimamente relacionadas no capitalismo pela necessidade da reprodução da força de trabalho, a qual é indispensável para o desenvolvimento do trabalho assalariado e a obtenção de lucro; e que as mulheres configuram a mão de obra sem a qual o trabalho reprodutor da força de trabalho não seria possível. O objeto de estudo foi analisado a partir de uma abordagem qualitativa, adotando-se a lógica dedutiva para capturar e racionalizar sua complexidade, em sua universalidade, particularidade e singularidade. As técnicas de pesquisa empregadas foram a bibliográfica e documental, bem como a pesquisa de campo, que consistiu na aplicação de questionário às policiais militares, bombeiras militares e delegadas participantes. Os dados revelaram que opera uma divisão sexual do trabalho nas Forças de Segurança Pública do Maranhão, uma vez que a presença de mulheres no efetivo da PMMA, do CBMMA e da PCMA é de, respectivamente, 7,57%, 8,61% e 22,68%. Além do mais, o trabalho dessas profissionais é marcado por desafios que se traduzem em práticas e percepções que giram em torno da falta de confiança em suas capacidades de trabalho, falta de espaço e validação nas decisões de comando, discriminação e no fato de serem vistas como "frágeis". Verificou-se também que elas apresentam dificuldades para que suas sugestões sejam reconhecidas nos processos decisórios que refletem os rumos das instituições. A análise consistiu, ainda, em verificar o trabalho dessas mulheres na esfera reprodutiva, de maneira a observar se a realização do trabalho doméstico e de cuidados apresentava algum impacto em suas carreiras. Nesse sentido, os dados revelaram que essas atividades constituem um desafio para a atuação profissional dessas mulheres; que 64,7% delas possuem filhos, das quais a maioria possui filhos que demandam cuidados constantes, sendo muitas delas as principais responsáveis pelos cuidados diários com eles. Ademais, quanto à realização do trabalho doméstico, a maioria das participantes, 53%, externaliza essa responsabilidade para outras mulheres, revelando as novas configurações da divisão sexual do trabalho. A análise concluiu que existe um percurso ainda longo para que a igualdade de gênero possa ser concretizada nesse espaço de trabalho, que repercute a divisão sexual do trabalho observada na estrutura do Estado brasileiro. Além disso, apontou que a presença de mulheres nas Forças de Segurança Pública do Maranhão está ressignificando esses espaços de trabalho, promovendo novas percepções sobre o trabalho da PMMA, do CBMMA e da PCMA.
|
|
|
ALBERTO COSTA DIVINO FILHO
|
|
|
LIMITES E POSSIBILIDADES DA FORMAÇÃO DE POLICIAIS
MILITARES POR MEIO DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: uma análise dos
cursos de formação dos Cabos e Sargentos da Polícia Militar do Maranhão
|
|
|
Data : 29/05/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
O presente estudo analisa os limites e as possibilidades da formação de Cabos e
Sargentos da Polícia Militar do Maranhão por meio da Educação a Distância (EaD),
considerando as exigências institucionais, pedagógicas e profissionais da atividade
policial no contexto das transformações contemporâneas do mundo do trabalho e das
políticas públicas. A análise foi conduzida sob a perspectiva crítico-dialética, buscando
apreender as contradições e mediações presentes na implementação da modalidade de
educação a distância, situada no contexto de desenvolvimento do capitalismo em sua
fase digital. Metodologicamente, a pesquisa adota abordagem qualitativa, pois busca
compreender e interpretar criticamente fenômenos a partir de dados descritivos, com
foco nos seus significados e contextos. Quanto aos procedimentos metodológicos, trata-
se de uma pesquisa exploratória, desenvolvida por meio de pesquisa documental e de
campo, com base em produções científicas que discutem neoliberalismo, reestruturação
produtiva, políticas educacionais e EaD. A pesquisa documental envolveu a análise de
legislação que regulamenta a EaD no Brasil e as normativas, diretrizes e documentos
pedagógicos que regulamentam os cursos de Formação de Cabos e Sargentos da Polícia
Militar do Maranhão. A pesquisa de campo foi realizada por meio de entrevistas com a
equipe gestora e docentes do curso. No que se refere à técnica de análise dos dados, foi
realizada a análise de conteúdo de caráter descritivo e interpretativo, buscando
identificar, organizar e compreender os conteúdos presentes nos documentos e na
literatura selecionada, relacionando-os ao referencial teórico adotado na pesquisa. Os
resultados indicam que a EaD apresenta potencial para ampliar o acesso à formação,
otimizar recursos e flexibilizar a capacitação profissional, especialmente em instituições
com grande dispersão territorial. No entanto há diversos limites, de âmbito estrutural,
administrativo e pedagógico, que expressam contradições internas e externas da
instituição.
|
|
|
ANAIAN VELOSO PIRES FERREIRA
|
|
|
A INSERÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL NA EDUCAÇÃO BÁSICA DO BRASIL: demarcações histórico-conceituais e os desafios do trabalho profissional.
|
|
|
Data : 29/05/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
Estudo sobre a inserção do Serviço Social na política de educação básica no Brasil,
apreendida no movimento contraditório das reformas neoliberais da educação direci-
onada aos interesses do mercado com as quais se confronta o projeto ético-político
profissional vinculado a necessidade histórica de emancipação humana. Procura cap-
tar o nexo entre trabalho, educação e serviço social, particularizado no processo his-
tórico de constituição do trabalho profissional no campo educacional, situado na tota-
lidade das relações sociais do capitalismo dependente brasileiro. Parte da compreen-
são da educação como estratégia de emancipação do sujeito histórico, constituída no
âmbito da luta de classes e tensionada por projetos societários cujas contradições se
reproduzem em políticas antagônicas e se expressam na condução das políticas edu-
cacionais e nas formas de organização do trabalho escolar. Analisa como as transfor-
mações contemporâneas no mundo do trabalho e na política educacional, orientadas
pela lógica neoliberal, reconfiguram as tendências que norteiam a prática profissional
e a oferta da educação básica, impondo novas demandas à intervenção dos assisten-
tes sociais, marcadas pela focalização, pela precarização e pela ampliação das estra-
tégias de gestão da pobreza. Nesse contexto, evidencia que a inserção profissional
nesse campo se configura como processo histórico atravessado por tendências e dis-
putas, no qual se articulam, de forma contraditória, as requisições institucionais e as
possibilidades de construção de práticas orientadas pela garantia de direitos e no ho-
rizonte da emancipação humana. As reflexões indicam que a inserção do assistente
social na educação básica se constitui em meio a condições concretas marcadas por
limites estruturais e institucionais, mas também por possibilidades de intervenção crí-
tica. Destaca-se que as tendências identificadas na produção acadêmica revelam uma
intervenção tensionada entre práticas de caráter assistencial, desenvolvimentista e
estratégias em defesa e ampliação da viabilização de direitos, evidenciando a centra-
lidade da disputa pela direção social e pelas consciências no interior da escola. Com-
preende-se que a consolidação dessa inserção profissional, materializada também na
conquista da Lei no 13.935/2019, permanece condicionada às correlações de forças
que estruturam a sociedade de classes. Nesse sentido, reafirma o caráter contraditório
e estratégico da intervenção dos assistentes sociais na educação básica que não se
reduz à implementação de políticas ou à ampliação formal de direitos, mas se constitui
como um campo de disputas, no qual a intervenção profissional pode tensionar a
reprodução das desigualdades e contribuir para a construção de processos de forma-
ção da consciência crítica na direção da emancipação humana.
|
|
|
CATARINA FONSECA BOGEA
|
|
|
CAMINHOS DO SEXÍLIO: Cartografando experiências de pessoas LGBT+ em contexto de deslocamento compulsório.
|
|
|
Data : 29/05/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
A presente dissertação possui como objetivo geral cartografar experiências de deslocamento compulsório LGBT+ para interrogar se o sexílio deve ser reconhecido como categoria de vulnerabilidade nas políticas públicas brasileiras. Possui como objetivos específicos reconstituir a genealogia do conceito de sexílio desde sua formulação por Manuel Guzmán (1997) até sua ressignificação em contextos atuais; examinar como a heteronormatividade opera como regime político que produz o sexílio por meio dos dispositivos de poder; investigar os bloqueios que mantêm o sexílio fora da agenda governamental; e mapear processos de subjetivação em contexto de deslocamento compulsório. A modalidade de pesquisa adotada foi a cartografia de narrativas, analisando nove entrevistas com pessoas LGBT+ que vivenciaram o deslocamento compulsório. Para subsidiar esse procedimento metodológico, adotou-se fundamentação teórica articulando estudos dos autores Butler, Foucault, Berenice Bento e John Kingdon e, também, realizou-se análise documental de três dos principais marcos normativos LGBT+ no Brasil (o Programa Brasil sem Homofobia, o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT e a Política Nacional de Saúde Integral LGBT), demonstrando que o deslocamento compulsório permanece ausente desses documentos.
|
|
|
RAISSA CARNEIRO DA FONSECA GUIMARAES
|
|
|
A INCLUSÃO ESCOLAR DE CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO
ESPECTRO AUTISTA NA REDE PÚBLICA MUNICIPAL DE SÃO LUÍS/MA:
concepção, avanços normativos e desafios da política educacional
|
|
|
Data : 29/05/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
Esta dissertação analisa a concepção da política pública de inclusão escolar de crianças
com Transtorno do Espectro Autista TEA na rede pública municipal de ensino de
São Luís/MA, considerando seus fundamentos históricos, normativos, institucionais e
político-pedagógicos. O estudo parte da compreensão de que a inclusão escolar não se
reduz à garantia formal da matrícula em classes comuns, mas exige condições materiais,
pedagógicas, profissionais e intersetoriais capazes de assegurar acesso, permanência,
participação e aprendizagem. A pesquisa adota abordagem qualitativa, fundamentada no
materialismo histórico-dialético, e desenvolve-se por meio de investigação
bibliográfica, documental e empírica, com análise de legislações nacionais, estaduais e
municipais, documentos institucionais da Secretaria Municipal de Educação de São Luís
SEMED e entrevistas semiestruturadas com gestores vinculados à política
municipal de Educação Especial. O percurso histórico e normativo evidencia que a
Educação Especial brasileira foi marcada por movimentos contraditórios, passando da
segregação institucional à integração condicionada e, posteriormente, à afirmação da
educação inclusiva como direito social fundamental. No contexto municipal, a pesquisa
identifica avanços na organização institucional da política, especialmente por meio da
atuação da Superintendência da Área de Educação Especial SAEE , do
Atendimento Educacional Especializado AEE , das Salas de Recursos
Multifuncionais e do Projeto de Intervenção Pedagógica para Crianças e Estudantes
com Transtorno do Espectro Autista PROJETEA. Os resultados indicam que o
PROJETEA constitui uma mediação relevante na política local, ao propor ensino
colaborativo, estudo de caso, Plano Educacional Individualizado PEI , formação
continuada e acompanhamento pedagógico dos estudantes com TEA. Contudo, a análise
também revela contradições significativas entre a universalidade formal do direito à
educação inclusiva e as condições concretas de sua materialização na rede municipal,
especialmente quanto à cobertura parcial do projeto, à insuficiência de profissionais
especializados, aos limites de infraestrutura, à sobrecarga docente e à frágil articulação
intersetorial entre educação, saúde e assistência social. Conclui-se que a política
municipal de inclusão escolar de crianças com TEA em São Luís/MA apresenta avanços
institucionais importantes, mas permanece tensionada por limites estruturais que
dificultam sua universalização e efetividade, evidenciando a distância entre o direito
formalmente assegurado e as condições materiais necessárias à construção de uma
escola pública efetivamente inclusiva.
|
|
|
JOSEANE MARIA DE SOUZA E SOUZA
|
|
|
A POLÍTICA CULTURAL DE FOMENTO À LEITURA EM CONTEXTO
NEOLIBERAL: a experiência da Casa de Cultura Josué Montello (2008_2025)
|
|
|
Data : 28/05/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
Esta dissertação analisa as políticas culturais de fomento à leitura no Brasil em
contexto neoliberal, tendo como foco a experiência da Casa de Cultura Josué Montello
(CCJM), em São Luís (MA), especialmente por meio do Projeto Exposição Itinerante,
desenvolvido entre 2008 e 2025. O estudo parte da compreensão de que a leitura
constitui um direito cultural fundamental e um instrumento de formação crítica,
participação social e democratização da cultura escrita. A pesquisa investiga como as
políticas públicas de incentivo à leitura se materializam no Maranhão, considerando
as contradições entre os avanços normativos das políticas culturais e os limites
impostos pelo neoliberalismo, pela descontinuidade administrativa e pela fragilidade
institucional. Fundamentada nas contribuições teóricas de Antonio Gramsci, Pierre
Bourdieu e Michel Foucault, a dissertação compreende as políticas de leitura como
espaços de disputa simbólica, produção de hegemonias e reprodução de
desigualdades culturais. No plano nacional, o estudo discute os marcos legais e
institucionais das políticas de leitura no século XXI, com destaque para o Plano
Nacional do Livro e Leitura (PNLL), a Política Nacional de Leitura e Escrita (PNLE) e
o Sistema Nacional de Cultura (SNC). A análise evidencia que, embora essas
iniciativas tenham ampliado o reconhecimento da leitura como direito cultural, sua
efetivação permanece limitada por restrições orçamentárias, instabilidades políticas e
pela crescente influência da lógica mercadológica nas políticas culturais. No contexto
maranhense, a pesquisa demonstra que as políticas de fomento à leitura
historicamente apresentam descontinuidades, baixa articulação institucional e
investimentos insuficientes. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa
baseada em análise documental e levantamento de dados institucionais relativos às
ações culturais desenvolvidas pela CCJM entre 2003 e 2025. Os resultados indicam
que, apesar das limitações estruturais das políticas públicas de leitura, o Projeto
Exposição Itinerante contribuiu significativamente para ampliar o acesso ao livro,
fortalecer práticas leitoras e promover a valorização da cultura literária maranhense.
Conclui-se que as políticas culturais de fomento à leitura, embora atravessadas pelas
contradições do contexto neoliberal, permanecem fundamentais para a efetivação dos
direitos culturais e para a construção de uma sociedade mais democrática.
|
|
|
FLAVIA CRISTINA MOREIRA DOS ANJOS
|
|
|
O LAZER NA AGENDA GOVERNAMENTAL DO MUNICÍPIO DE SÃO LUÍS-MA:
análise a partir dos Planos Plurianuais de 2018-2021 e 2022-2025.
|
|
|
Data : 27/05/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
O lazer constitui-se como um direito social e uma necessidade humana fundamental,
cuja fruição é historicamente tensionada pelas dinâmicas de acumulação do sistema
capitalista e pelas transformações no mundo do trabalho. Este estudo teve o objetivo
analisar, no âmbito do lazer, os elementos priorizados para a entrada ou saída da
agenda governamental da Prefeitura de São Luís, a partir dos Planos Plurianuais
dos períodos de 2018-2021 e 2022-2025. Metodologicamente, realizou-se uma
pesquisa documental e bibliográfica de abordagem qualitativa, utilizando a técnica
de análise de conteúdo para identificar os problemas e apontar soluções a eles
vinculadas pelo poder público municipal. Considerando os dados analisados, os
resultados revelam discretas diferenças entre os dois PPAs, inferiu-se que as
soluções propostas para o lazer possuíam características apenas incrementais, pois
as mudanças sugeridas foram pequenas ou moderadas e os conteúdos do lazer
alcançados pela ação municipal foram considerados bastante limitados. Sendo as
necessidades de intervenção infraestrutural e de garantia de acesso às ações de
lazer os principais problemas eleitos para compor a agenda do Poder Público
Municipal.
|
|
|
MARCIA REGINA CARVALHO SOUSA
|
|
|
DESAFIOS PARA A UNIVERSALIZAÇÃO DO SANEAMENTO BÁSICO NO
CONTEXTO DO NOVO MARCO LEGAL E AS PARTICULARIDADES DO
MARANHÃO
|
|
|
Data : 25/05/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
Esta dissertação analisa os desafios estruturais, institucionais e regulatórios
relacionados à universalização dos serviços de saneamento básico no Estado do
Maranhão, à luz das transformações introduzidas pela Lei no 14.026/2020, que
atualizou o marco legal do setor no Brasil. Inserida no campo das Políticas Públicas,
a pesquisa examina as relações entre Estado, regulação, capacidade estatal e
garantia de direitos sociais, compreendendo o saneamento básico não apenas como
infraestrutura técnica, mas como direito humano fundamental e condição
indispensável à promoção da saúde pública, da qualidade de vida, da dignidade
humana e do desenvolvimento social. Parte-se da constatação de que, apesar das
mudanças institucionais promovidas pelo novo marco regulatório, persistem
profundas desigualdades regionais e limitações estruturais que dificultam a efetivação
das metas de universalização previstas para 2033, especialmente em estados
periféricos como o Maranhão. Do ponto de vista teórico-metodológico, a pesquisa
fundamenta-se no materialismo histórico-dialético, articulado às contribuições da
sociologia crítica e de estudos sobre regulação e políticas públicas. A partir das
formulações de Karl Marx e Florestan Fernandes, o déficit de saneamento é
compreendido como expressão das contradições estruturais do capitalismo
dependente brasileiro e das desigualdades socioespaciais historicamente produzidas.
O referencial teórico dialoga, ainda, com autores como Léo Heller e Sonaly Rezende,
especialmente no que se refere ao saneamento como direito humano e dimensão
estruturante da cidadania social. Metodologicamente, trata-se de pesquisa qualitativa,
de natureza analítico-crítica, desenvolvida por meio de revisão bibliográfica e
documental, com análise de marcos normativos, relatórios institucionais, dados
oficiais e produções acadêmicas voltadas à compreensão das transformações
regulatórias e institucionais do setor. A investigação contempla a formação histórica
do saneamento, o desenvolvimento do setor no Brasil, as especificidades do
Maranhão, a evolução normativa entre as Leis no 11.445/2007 e no 14.026/2020, bem
como as desigualdades territoriais e limitações institucionais presentes na realidade
maranhense. Os resultados evidenciam que, embora o Novo Marco Legal introduza
mecanismos voltados à ampliação da regulação, da regionalização e da participação
privada, sua efetividade encontra limites nas profundas desigualdades
socioeconômicas e na baixa capacidade institucional dos entes subnacionais. Conclui-
se que a universalização do saneamento básico no Maranhão depende de atuação
estatal ativa, financiamento público, coordenação interfederativa e planejamento
territorial capaz de enfrentar as contradições estruturais que historicamente
condicionam o acesso desigual aos serviços essenciais no Brasil.
|
|
|
EDUARDO BATISTA DE OLIVEIRA
|
|
|
A POLÍCIA MILITAR E A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER: o caso
da Patrulha Maria da Penha na região metropolitana de São Luís/MA no período de 2017 a
2024.
|
|
|
Data : 25/05/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
A presente dissertação tem como objeto de estudo a atuação da Patrulha Maria da Penha da
Polícia Militar do Maranhão na fiscalização e acompanhamento das Medidas Protetivas de
Urgência (MPU), na Região Metropolitana de São Luís/MA, no período de 2017 a 2024, à luz
da Lei Maria da Penha e do Decreto Estadual nº 31.763/2006. A pesquisa parte da
compreensão de que a violência de gênero contra as mulheres constitui expressão histórica
das relações desiguais e hierarquizadas de poder entre homens e mulheres, sustentadas pela
ideologia do patriarcado e reproduzidas nas estruturas sociais, políticas, econômicas e
culturais da sociedade brasileira. Nesse contexto, discute-se o papel das políticas públicas de
enfrentamento à violência contra mulheres e a atuação da Polícia Militar enquanto instituição
historicamente marcada por práticas repressivas e de controle social, mas que,
contemporaneamente, passa a integrar mecanismos de segurança pública. O estudo utilizou o
método do materialismo histórico-dialético, buscando compreender o fenômeno investigado
em sua totalidade, historicidade e contradições. Adotou-se abordagem qualitativa e
quantitativa, utilizando-se pesquisa bibliográfica, documental, pesquisa de campo e pesquisa-
ação. Como técnicas de coleta de dados, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com
policiais militares integrantes da Patrulha Maria da Penha, além de observação participante
das atividades operacionais e administrativas desenvolvidas pela unidade. Os resultados
evidenciaram que a Patrulha Maria da Penha representa importante equipamento público de
fiscalização das Medidas Protetivas de Urgência e de aproximação entre o Estado e as
mulheres em situação de violência. Entretanto, a investigação revelou limites estruturais e
institucionais significativos, como efetivo reduzido, precariedade de recursos materiais e
logísticos, necessidade de maior qualificação profissional e fragilidade na articulação
interinstitucional da rede de enfrentamento. Conclui-se que o fortalecimento da Patrulha
Maria da Penha demanda investimentos estruturais, ampliação do efetivo especializado,
formação continuada e integração mais efetiva entre os órgãos da rede de proteção, de modo a
garantir maior efetividade à política pública de fiscalização e acompanhamento das MPU. A
pesquisa contribui para o aprofundamento do debate acadêmico e profissional acerca da
relação entre gênero, políticas públicas e segurança pública, além de oferecer subsídios para o
aprimoramento das ações institucionais voltadas à proteção das mulheres em situação de
violência.
|
|
|
DANIEL BARROS E SILVA RAMOS
|
|
|
AVALIAÇÃO POLÍTICA DA POLÍTICA PÚBLICA DE COMBATE AO ASSÉDIO
MORAL E SEXUAL NO PODER EXECUTIVO DO MARANHÃO.
|
|
|
Data : 22/05/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
A presente dissertação realiza uma avaliação política da recém-implantada política
pública de prevenção e combate ao assédio moral e sexual no âmbito do Poder
Executivo do Estado do Maranhão, consubstanciada no microssistema normativo
que instituiu a Ouvidoria Especializada, capitaneada pelo Decreto nº 39.054/2024. A
questão norteadora investiga se as alternativas institucionais adotadas atendem às
necessidades empíricas e mostram-se adequadas, consistentes e coerentes para
enfrentar a barreira do silenciamento e promover um ambiente hígido. O objetivo
geral consiste em avaliar a engenharia institucional da referida política,
determinando sua consistência para atingir os fins propostos. Metodologicamente,
trata-se de uma pesquisa avaliativa focada no exame substantivo da política,
fundamentada na sociologia compreensiva de Max Weber e em seu conceito de
dominação racional-legal. O estudo utiliza pesquisa bibliográfica e análise
documental para escrutinar a adequação das ferramentas normativas frente aos
parâmetros de governança estipulados pelo Acórdão nº 456/2022 do Tribunal de
Contas da União (TCU) apoiados nos pilares de Institucionalização, Prevenção,
Detecção e Correção , bem como avaliar a adequação da escolha da Secretaria
de Estado de Transparência e Controle (STC) como órgão gestor central. Os
resultados indicam que o Estado realizou um diagnóstico preciso da demanda
reprimida pelo medo de retaliação e estruturou um modelo que representa um
grande avanço. Foram evidenciados o forte compromisso da alta administração, a
criação de múltiplos canais de denúncia com proteção de identidade e o sucesso da
governança em rede para acolhimento psicossocial. Contudo, a avaliação identificou
fraturas críticas na coerência da política: a insegurança jurídica decorrente da
ausência de tipificação expressa do assédio no Estatuto do Servidor (Lei nº
6.107/94); e o déficit de capacidade técnico-operacional da STC, que motivou a
descentralização excepcional da apuração para órgãos com regime disciplinar
próprio, como as forças de segurança. Conclui-se que essa descentralização
vulnerabiliza as parcelas do funcionalismo mais submetidas à rigidez hierárquica,
sobrepondo a racionalidade instrumental à proteção universal. A política mostra-se
parcialmente adequada e consistente, necessitando expandir os recursos humanos
do órgão central e formalizar o ilícito em lei para atingir o rompimento isonômico do
silenciamento e a plena maturidade institucional, dentre outras medidas.
|
|
|
JOAO MIGUEL BELO CARVALHEDO
|
|
|
JUSTIÇA RESTAURATIVA NO MARANHÃO: transformações, contradições,
potencialidades e resultados no período de 2020 a 2025
|
|
|
Data : 22/05/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
Este estudo buscou analisar o funcionamento da Justiça Restaurativa (JR) dentro do Estado do
Maranhão, focando nas transformações, contradições e resultados observados na temática
após a criação e institucionalização do tema com a criação do Núcleo Estadual de Justiça
Restaurativa (NEJUR) do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) em 2020 fazendo análise
da temática até o ano de 2025. Para tanto a pesquisa foi dividida em três partes, uma primeira
onde são apresentados os conceitos do Estado moderno, capitalismo, neoliberalismo e
abolicionismo penal, o tópico subsequente apresentando o conceito da JR, seu surgimento e
funcionamento no Brasil, por fim, um terceiro capítulo apresentando o histórico da JR no
Maranhão, desde seu surgimento em 2009, passando pela criação do núcleo em 2020
chegando até a atualidade em 2025. O problema central da pesquisa vem em buscar quais
seriam os principais resultados da JR no Maranhão após sua institucionalização como política
pública pelo Núcleo de Justiça Restaurativa do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão
em relação à justiça oficial (retributiva). A título metodológico a pesquisa se fundamentou no
materialismo histórico-dialético, utilizando-se da pesquisa de campo com entrevista
semiestruturadas além de questionários e análise documental e bibliográfica. Como conclusão
se apresentou que a justiça restaurativa maranhense apresenta desafios de sustentabilidade
como a problemática do modelo do voluntariado, mas, simultaneamente, demonstra-se como
um modelo efetivo para a busca de sanar problemas submetidos ao sistema de justiça, já tendo
em muito avançado, porém necessitando ser sempre analisada e monitorada para evitar que
recaia sobre armadilhas de uma justiça neoliberal.
|
|
|
ISABEL VITÓRIA BARROS DE SOUSA
|
|
|
DIGNIDADE, POBREZA E MENSTRUAÇÃO:
Condições de vida e políticas públicas voltadas ao trato menstrual de mulheres de baixa renda no Brasil (2021_2024)
|
|
|
Data : 22/05/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
O estudo aborda a questão de como a experiência da menstruação entre mulheres em situação
de pobreza revela a permanência de desigualdades estruturais que comprometem o acesso a
direitos fundamentais e fragilizam a dignidade humana. Nesse contexto, problematiza o
conceito de direitos menstruais, definidos como um campo complexo, multidimensional e
transdisciplinar, marcado pela ausência de itens básicos de higiene, insuficiência de
informação, falta de medicamentos e precariedade da infraestrutura sanitária agravadas pela
dificuldade de acesso à água potável, pelas falhas no saneamento básico e pela persistência de
tabus e estigmas culturais que atravessam o corpo feminino. A partir dessa compreensão,
observou-se que essa insuficiência ultrapassa a dimensão biológica do ciclo menstrual,
configurando a negação persistente de direitos fundamentais e humanos. Considerando que a
dignidade humana, erigida pela Constituição como princípio estruturante, exige a efetivação
concreta de direitos básicos, o estudo demonstrou que o cuidado menstrual deve ser reconhecido
como condição material e simbólica indispensável ao exercício pleno da cidadania das
mulheres. Ademais, ao ancorar-se na compreensão da pobreza como fenômeno atravessado por
classe, gênero e raça, a pesquisa identificou que a indignidade vivenciada durante a
menstruação decorre de desigualdades históricas e estruturais, evidenciadas nos dados
analisados, que apontam que mulheres pobres, negras e residentes de territórios periféricos
concentram os maiores obstáculos ao manejo menstrual, enfrentando severas restrições ao
acesso a condições de vida dignas. Desse modo, a pesquisa fundamentou-se no materialismo
histórico-dialético, adotando abordagem qualitativa e exploratória, a partir de uma densa
revisão bibliográfica e análise documental, com incorporação complementar de dados
quantitativos, a fim de demonstrar que, no contexto da sociabilidade capitalista e patriarcal, a
universalidade e a efetividade desses direitos são negligenciadas, uma vez que sua mera
positivação não é suficiente, permanecendo o acesso condicionado ao poder de compra.
Evidencia-se, assim, a urgência de políticas públicas integradas que assegurem condições para
que as mulheres tenham sua dignidade preservada, dentro e fora do ciclo menstrual.
|
|
|
DIEGO CARLOS MESQUITA RABELO
|
|
|
DIREITOS DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM SÃO LUÍS: quem
prioriza? uma análise a partir do Sistema de Garantia de Direitos no território
Cidade Olímpica.
|
|
|
Data : 22/05/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
Esta dissertação analisa a atuação do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e
do Adolescente (SGDCA) no território da Cidade Olímpica, em São Luís/MA, com
foco no eixo da promoção de direitos. A pesquisa buscou compreender em que
medida os mecanismos que compõem o sistema conseguem efetivar a perspectiva
da proteção integral em um território marcado por profundas desigualdades sociais,
violência, precarização das políticas públicas e fragilidades históricas na garantia de
direitos. O estudo parte da compreensão sócio-histórica da constituição dos direitos
de crianças e adolescentes no Brasil, abordando desde os mecanismos de controle
e caridade presentes na Doutrina da Situação Irregular até a consolidação da
Doutrina da Proteção Integral com a Constituição Federal de 1988 e o Estatuto da
Criança e do Adolescente. Discute-se, ainda, os impactos do neoliberalismo na
materialização das políticas sociais e na operacionalização do SGDCA. A pesquisa
fundamenta-se no materialismo histórico-dialético, utilizando abordagem qualitativa,
pesquisa bibliográfica, documental e trabalho de campo realizado por meio de
entrevistas semiestruturadas com gestores, coordenadores e técnicos de serviços
que atuam no território. Os resultados evidenciam que as condições estruturais da
Cidade Olímpica impactam diretamente a operacionalização do Sistema de Garantia
de Direitos, especialmente no eixo da promoção, que se encontra constantemente
atravessado por demandas emergenciais do eixo da defesa. Verificou-se
insuficiência de recursos institucionais, limitações orçamentárias, fragilidade na
articulação em rede, dificuldades na apropriação conceitual e normativa do SGDCA
por parte dos sujeitos pesquisados, além da predominância de conhecimentos
construídos empiricamente a partir da prática cotidiana. Observou-se, ainda, a
sobrecarga dos serviços, especialmente do Conselho Tutelar, e a permanência de
traços da Doutrina da Situação Irregular nas formas de organização da política da
infância. Conclui-se que, embora existam importantes avanços normativos na
garantia dos direitos de crianças e adolescentes, sua efetivação permanece limitada
pelas contradições estruturais da sociedade capitalista e pelas desigualdades que
marcam os territórios periféricos, comprometendo a materialização da proteção
integral prevista juridicamente.
|
|
|
ANA BEATRIZ LIMA ALVES
|
|
|
O ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA DE GÊNERO E A INCLUSÃO DAS
MULHERES EM SITUAÇÃO DE RUA: a experiência dos Centros de Referência
Especializados para População de Rua e Centros de Referência de Atendimento às
Mulheres de São Luís/MA
|
|
|
Data : 21/05/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
O presente estudo tem como objetivo principal analisar a atuação do Estado na
assistência às mulheres em situação de rua vítimas de violência, especialmente nos
Centros de Referência Especializado para População em Situação de Rua - Centros POP
e Centros de Referência de Atendimento à Mulher - CRAM de São Luís/MA. Para
tanto, investigam-se as determinações e dimensões da população em situação de rua e
da violência de gênero enquanto fenômenos sociais, bem como sua inserção na agenda
política brasileira, considerando aspectos como a atuação dos movimentos sociais, a
sociabilidade capitalista e a construção histórica da subordinação feminina. Como
referencial teórico-metodológico, adotou-se o materialismo histórico-dialético, por
possibilitar uma análise abrangente dos determinantes econômicos, políticos e sociais
que permeiam as vivências do público estudado, favorecendo uma aproximação crítica e
teoricamente fundamentada do objeto. Os procedimentos metodológicos incluíram
pesquisa bibliográfica e documental, bem como revisão de literatura, que subsidiaram o
aprofundamento teórico e histórico dos temas abordados. Além destes, realizou-se
pesquisa de campo em dois Centros POP de São Luís/MA e na Casa da Mulher
Brasileira, utilizando-se como técnica de coleta das informações a realização entrevistas
semiestruturadas junto a profissionais dessas unidades e a mulheres assistidas que
integram ou já integraram a população em situação de rua. A investigação empírica teve
como finalidade verificar se as necessidades das mulheres em situação de rua vítimas de
violência são adequadamente atendidas pelos serviços analisados. Em termos
conclusivos, tornou-se evidente, pelos resultados da pesquisa, que as políticas públicas
analisadas, embora representem conquistas importantes no campo da garantia de
direitos, permanecem atravessadas por contradições que limitam sua efetividade. A
exclusão das mulheres em situação de rua de seus escopos analíticos e interventivos não
apenas revela falhas técnicas ou lacunas pontuais, mas expressa, em última instância, a
dificuldade estrutural de enfrentamento de desigualdades que são produzidas e
reproduzidas no interior da sociabilidade capitalista. Assim, reafirma-se a necessidade
de construção de abordagens interseccionais e materialmente comprometidas com a
complexidade dos sujeitos, sob pena de perpetuar nas políticas públicas os mesmos
processos de invisibilização e exclusão que se pretende combater.
|
|
|
KLAILSON ROBERT DOS SANTOS CORREA
|
|
|
MATERNIDADE E POLÍTICA CARCERÁRIA: uma análise da implementação do
Habeas Corpus Coletivo 143.641/STF, na concessão da prisão domiciliar, na
Unidade Prisional de Ressocialização Feminina, em São Luís/MA.
|
|
|
Data : 20/05/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
A presente dissertação analisa a implementação do Habeas Corpus Coletivo nº
143.641/STF como política pública judiciária voltada ao desencarceramento de
mulheres gestantes e mães, tendo como estudo de caso a Unidade Prisional de
Ressocialização Feminina (UPRF) de São Luís, Maranhão. O estudo parte da
contextualização da crise estrutural do sistema penitenciário maranhense, marcado
historicamente pelo colapso do Complexo de Pedrinhas e pelo reconhecimento do
"Estado de Coisas Inconstitucional" na ADPF 347. Sob a ótica da Criminologia
Crítica e Feminista, problematiza-se o caráter androcêntrico da prisão e a
"penalidade de gênero" que recai sobre a maternidade no cárcere, fundamentando-
se em autores como Zaffaroni, Foucault, Salo de Carvalho e Soraia Mendes. A
pesquisa adota abordagem qualitativa e método crítico-dialético, articulando revisão
bibliográfica, análise documental e pesquisa de campo, esta última realizada por
meio de entrevistas semiestruturadas com atores da Defensoria Pública, Serviço
Social e Administração Penitenciária. Os resultados indicam que, embora o HC
143.641 represente um avanço normativo indispensável frente à inércia dos Poderes
Executivo e Legislativo na tutela da primeira infância, sua efetividade local enfrenta
barreiras institucionais e culturais. Conclui-se que existe uma tensão dialética entre a
ordem emancipatória da Corte Suprema e a realidade operativa local, onde a cultura
judicial punitivista e a ausência de redes de proteção social limitam a garantia plena
da prisão domiciliar, exigindo a integração entre o sistema de justiça e políticas
sociais para que a liberdade não se converta em desamparo.
|
|
|
RUBSON BARROS SILVA
|
|
|
REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA E AGRICULTURA FAMILIAR EM TERRITÓRIOS
QUILOMBOLAS: o caso do quilombo Santa Rosa dos Pretos no Maranhão.
|
|
|
Data : 20/05/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
A regularização fundiária dos territórios quilombolas permanece como um dos
principais entraves para a efetivação dos direitos garantidos pela Constituição
Federal. A morosidade administrativa, a sobreposição de interesses e a fragilidade
institucional do Estado impactam diretamente a reprodução social das comunidades
tradicionais. Este estudo analisa como a ausência de titulação coletiva afeta a
agricultura familiar no território quilombola Santa Rosa dos Pretos, em Itapecuru-
Mirim/MA. A pesquisa utilizou abordagem qualitativa, fundamentada no materialismo
histórico-dialético, articulando revisão bibliográfica, análise documental e entrevistas
com representantes da comunidade de Santa Rosa dos Pretos, do INCRA e da
Secretaria de Agricultura Familiar. Os resultados indicam que a insegurança
territorial dificulta o acesso a políticas públicas essenciais, como PAA, PNAE, crédito
rural e assistência técnica, ao mesmo tempo em que favorecem conflitos, pressões
fundiárias e restrições ao planejamento produtivo. A agricultura familiar quilombola,
embora diversa e marcada por saberes tradicionais, permanece vulnerável sem a
proteção jurídica do território. Conclui-se que a titulação é condição estruturante
para o fortalecimento produtivo, cultural e político da comunidade.
|
|
|
CAMILA CORREIA CRUZ
|
|
|
POLÍTICA DE SANEAMENTO PARA QUILOMBOLAS: O caso do Quilombo Urbano
da Liberdade em São Luís/MA.
|
|
|
Data : 20/05/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
A presente dissertação analisa a política pública de saneamento no contexto dos
quilombos urbanos, com enfoque no Quilombo Urbano da Liberdade, em São
Luís/MA. Parte-se do reconhecimento do saneamento básico como direito humano
fundamental e política pública estruturante, diretamente relacionada à produção do
espaço urbano, à questão social e às desigualdades socioespaciais historicamente
constituídas no Brasil. A pesquisa fundamenta-se no referencial teórico do
materialismo histórico-dialético e adota abordagem predominantemente qualitativa,
com suporte de dados quantitativos, combinando revisão bibliográfica, análise
documental, dados secundários e entrevistas semiestruturadas realizadas com
residentes do Quilombo, gestores públicos e representantes de movimentos sociais
quilombolas. Os resultados evidenciam que a política de saneamento no território
estudado é marcada por avanços pontuais, limites estruturais e desafios
institucionais, especialmente no que se refere à capacidade do poder público de
contemplar as especificidades territoriais, geográficas, raciais e culturais dos
quilombos urbanos. Conclui-se que a universalização do saneamento nesses
territórios demanda políticas públicas integradas, orientadas pelo Direito à Cidade,
pela justiça espacial e pelo reconhecimento das comunidades quilombolas como
sujeitos coletivos de direitos.
|
|
|
TALITA CABRAL SILVA DE ALBUQUERQUE
|
|
|
A POLÍTICA DE SAÚDE MENTAL E O DIREITO À SAÚDE: a experiência da Rede de Atenção Psicossocial de Paço do Lumiar-MA a partir de 2011.
|
|
|
Data : 20/05/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
A presente dissertação tem por objeto a avaliação do processo de implementação da Rede de Atenção Psicossocial de Paço do Lumiar, aferindo a eficácia no alcance dos objetivos propostos estabelecidos na regulamentação da rede, especificamente na Portaria MS/GM nº 3.088 de 23 de dezembro de 2011. Para tanto, utilizou-se o método histórico-dialético para apreensão do percurso de constituição da Política de Saúde Mental no país. Trata-se de uma pesquisa qualitativa com revisão de literatura, pesquisa documental com análise de dados secundários dos sistemas no Ministério da Saúde e pesquisa de campo com a realização de entrevistas semi-estruturadas a técnicos, gestores e usuários da Rede de Atenção Psicossocial de Paço do Lumiar. No primeiro momento, discorremos sobre o tratamento da loucura na história da humanidade, do nascimento do manicômio e da psiquiatria, além da constituição da Reforma Psiquiátrica no mundo e as influências na Reforma Psiquiátrica brasileira. No segundo momento, tratamos da Reforma Psiquiátrica e a luta antimanicomial brasileira até o estabelecimento Política de Saúde Mental como um direito social, destacando das inflexões sofridas pela Reforma Psiquiátrica no país a partir da ascensão das ideias neoliberais, sobretudo no período de 2016-2022. Por fim, tratamos da configuração e funcionamento da RAPS no município de Paço do Lumiar. Como resultados deste estudo, verificamos que a RAPS de Paço do Lumiar apresenta fragilidades e vazios assistenciais, com lenta implantação dos dispositivos que compõem a rede. Há concentraçao de demandas nos dispositivos especializados, isso porque o modelo ambulatorial e manicomial ainda está presente no seu funcionamento não cumprindo objetivos estabelecidos na lei da Reforma Psiquiátrica de um cuidado psicossocial e comunitário. Há relatos de violações de direitos entre os usuários da RAPS, além de dificuldades no estabelecimento do diálogo e do compartilhamento do cuidado entre os equipamentos de saúde da RAPS de Paço de Lumiar. Encontramos um cenário de déficit no número de profissionais e de equipamentos de saúde comprometendo o estabelecimento do cuidado integral no SUS. O controle social exercido pelo Conselho Municipal de Saúde é frágil e não há associações de usuários no município para defesa de seus interesses, o que torna vulnerável o processo de implementação da rede nesse território. Enfim, o ano de 2023 inaugurou um novo contexto da Reforma Psiquiátrica no país. No âmbito municipal, em 2025, inicia uma nova gestão. Esse novo cenário favorece a retomada de construção e implementação de uma RAPS resolutiva que garanta respeito aos direitos humanos.
|
|
|
LUANA DE JESUS PEREIRA
|
|
|
OS RESTAURANTES POPULARES E O ENFRENTAMENTO DA INSEGURANÇA
ALIMENTAR E NUTRICIONAL NO MARANHÃO: uma avaliação de possíveis
impactos sob a ótica dos usuários e dos agricultores familiares.
|
|
|
Data : 20/05/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
A presente dissertação tem como objeto a avaliação dos possíveis impactos dos Restaurantes
Populares no enfrentamento da insegurança alimentar e nutricional de seus usuários e no
fomento à agricultura familiar nos municípios maranhenses de Caxias, Codó, Parnarama e
Afonso Cunha. Inserida na área de concentração Políticas Sociais e Programas Sociais e na
linha de pesquisa Avaliação de Políticas e Programas Sociais do Programa de Pós-Graduação
em Políticas Públicas da Universidade Federal do Maranhão, a pesquisa fundamenta-se no
materialismo histórico-dialético como perspectiva teórica orientadora e adota abordagem
quali-quantitativa com triangulação de métodos. Os procedimentos metodológicos incluíram
questionários estruturados junto aos usuários dos Restaurantes Populares, entrevistas com
grupos focais compostos por agricultores familiares, entrevistas semiestruturadas com
sujeitos-chave da política pública, observações in loco e análise documental do arcabouço
jurídico dos contratos de gestão. O tratamento dos dados qualitativos orientou-se pela técnica
de análise de conteúdo de vertente temática, com categorias analíticas emergentes do
movimento dialético entre o referencial teórico e o empírico. A amostra foi composta por 51
usuários, distribuídos proporcionalmente entre os quatro municípios investigados, conforme
os critérios da pesquisa coletiva do Grupo de Pesquisa dos Restaurantes Populares, da qual
esta dissertação é produto direto. O primeiro capítulo examina as dimensões e determinações
da insegurança alimentar e da fome em escala internacional, nacional e maranhense,
compreendendo-as como expressões historicamente determinadas das contradições do
capitalismo contemporâneo. O segundo capítulo reconstrói a trajetória histórica das políticas
de alimentação no Brasil, desde as primeiras iniciativas institucionais até a consolidação do
Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, analisando o surgimento e a
expansão dos Restaurantes Populares no Maranhão. O terceiro capítulo apresenta os
resultados da pesquisa empírica sob duas dimensões: o enfrentamento da insegurança
alimentar sob a ótica dos usuários e o fomento à agricultura familiar local. Os resultados
indicam que o programa apresenta eficácia em sua dimensão assistencial imediata: 92,16%
dos usuários afirmam que o equipamento libera parte do orçamento familiar e mais de 72%
relatam melhora qualitativa na alimentação. Contudo, os indicadores da Escala Brasileira de
Insegurança Alimentar aplicados aos domicílios revelam que o Restaurante Popular opera
como instrumento de contenção da fome sem suprimir a insegurança alimentar no ambiente
domiciliar. Na dimensão da produção, os agricultores familiares são preteridos nas compras
institucionais em favor de grandes atacadistas, em contradição com os objetivos intersetoriais
do programa. A análise identificou uma fragilidade nos instrumentos contratuais mais
recentes, em que a cláusula punitiva utiliza a preposição "até 30%", estabelecendo um teto
máximo e não um piso mínimo obrigatório para a aquisição de insumos da agricultura
familiar, o que reduz o poder sancionador do Estado. Conclui-se que os Restaurantes
Populares produzem possíveis impactos positivos circunscritos à dimensão do consumo, sem
se consolidar como indutor do desenvolvimento da agricultura familiar local. A superação
dessa limitação requer que o Estado exerça papel intervencionista em dois planos: a
fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e o fomento à base rural, por meio de
assistência técnica, titulação de terras e tecnologias de irrigação.
|
|
|
LETICIA CRISTINE RIBEIRO PINHEIRO
|
|
|
PROGRAMA MARANHÃO SOLIDÁRIO: uma avaliação política
|
|
|
Data : 19/05/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
A presente dissertação tem por objeto de estudo o Programa Maranhão Solidário,
intervenção social marcada pela parceria entre Poder Executivo, entidades sociais sem fins
lucrativos, pessoas físicas e empresas. A finalidade desta pesquisa é avaliar, sob uma
perspectiva crítica e política, a criação e a reestruturação do referido programa. Para tanto,
construiu-se um percurso teórico metodológico sobre as categorias descentralização de políticas
sociais, solidariedade e vulnerabilidade. Trata-se de uma pesquisa avaliativa com abordagem
qualitativa que tem como referencial teórico o materialismo histórico e utiliza o método
dialético. As técnicas de procedimento utilizadas foram pesquisa bibliográfica e pesquisa
documental, merecendo destaque as espécies normativas e os documentos produzidos por
instituições públicas envolvidas na elaboração do programa, como Assembleia Legislativa do
Estado do Maranhão, Casa Civil e Secretaria de Estado da Fazenda do Maranhão. Estruturada
em três seções, a pesquisa se inicia com a identificação e avaliação dos determinantes ou fatores
políticos, sociais, econômicos e culturais que influenciaram a formatação do Programa
Maranhão Solidário. Tratou-se do neoliberalismo, da reforma do Estado brasileiro e da reforma
ocorrida no Estado do Maranhão, nos anos 1990, assim como do contexto maranhense em 2017
e em 2024, anos de instituição e reestruturação do programa. Posteriormente, à vista das ordens
econômica, política e sociocultural identificadas, avaliou-se o valor em si do Programa
Maranhão Solidário, considerando seu referencial ético-político e seus princípios de justiça,
emitindo juízo de valor sobre as razões de sua escolha como alternativa de intervenção social.
Apresentou-se, assim, os sentidos da solidariedade e da vulnerabilidade, especialmente no
âmbito da política social em contexto neoliberal. Por fim, avaliou-se a engenharia do Programa
Maranhão Solidário, abordando-se a compatibilidade entre o diagnóstico e os objetivos,
prioridades e a população beneficiária do Programa Maranhão Solidário, analisou-se os
mecanismos institucionais e a articulação com o Programa Nota Legal (Nota Solidária), bem
como o modelo de monitoramento e avaliação. Concluiu-se que os determinantes político,
econômico e cultural que regem o Programa Maranhão Solidário são de caráter neoliberal, pois
expressam a inserção de novos sujeitos no processo das políticas públicas por meio da
descentralização e da transferência de recursos oriundos do fundo público. O referencial ético-
político é pautado na solidariedade e na cooperação interinstitucional por meio da
descentralização horizontal em direção à sociedade civil para o combate à pobreza e à
vulnerabilidade social. A pesquisa demonstrou que os determinantes político, econômico e
cultural que regem o Programa Maranhão Solidário são de caráter neoliberal, pois expressam a
inserção de novos sujeitos no processo das políticas públicas por meio da descentralização e da
transferência de recursos oriundos do fundo público. Fundamentado em Rawls, o Maranhão
Solidário reflete a tendência de focalização e de subsidiariedade da atuação estatal em que pese
camuflada pelo discurso da solidariedade. Reserva, assim, lugares residuais aos vulneráveis que
suportam as grandes transformações econômicas, com o apoio do Terceiro Setor, o qual é
financiado pelo Estado. Admitindo-se que a descentralização da execução de políticas públicas
é uma realidade posta, decorrente da atual hegemonia do neoliberalismo, apresentou-se
sugestões para o aperfeiçoamento da legislação que rege o programa.
|
|
|
SANDRO RIBEIRO ARAUJO DA SILVA
|
|
|
A INSTITUCIONALIZAÇÃO DOS ESTIGMAS DO
ENCARCERAMENTO: A subjugação do instituto de política de proteção
social brasileira auxílio-reclusão à racionalidade neoliberal.
|
|
|
Data : 18/05/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
Na atual conjuntura de perda dos direitos sociais no Brasil,
percebe-se,
sobretudo a partir da década de 90, um processo de reestruturação produtiva,
onde o segmento social representado pelos encarcerados aparece como uma
massa amorfa desprovida de interesses nesse processo. A partir disso, vê-se
que o desmonte da proteção social foi engendrada de forma a ter o aval da
sociedade civil, atuando para esse ínterim, os aparelhos de subjetivação,
construindo a neutralização do pensar reflexivo, mergulhado-a nas imagens
criadas pelo neoliberalismo de naturalização das opressões, em um cenário já
alicerçado em estruturas mentais engendradas no racismo, que portanto já
coloca o sectarismo como normalizado. O Estado assume o protagonismo dessa
política de desumanização daqueles considerados estigmatizados pelos olhares
culturalmente formados pelo neoliberalismo, atuando na corroboração, de
forma
institucional, com legitimação e aval social, a este desmonte. Como
consequência desse contexto, se construiu a representação que paira no
imaginário social e capilariza-se para os órgãos oficiais do Estado
brasileiro, do
instituto previdenciário auxílio-reclusão como bolsa bandido e que passa a
alicerçar projetos de políticas públicas sectaristas que corroboram essa
representação social, formando um sistema de retroalimentação onde o atual
Estado é, ao mesmo tempo, receptor e disseminador de um senso comum que
produz indivíduos apartados de proteção, dentro do atual Estado social
brasileiro.
|
|
|
EUCICLEY VIEIRA DE FREITAS
|
|
|
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E POLÍCIA MILITAR DO MARANHÃO: Desafios e Possibilidades do Programa Patrulha Maria da Penha
|
|
|
Data : 18/05/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
A violência de gênero, especialmente em sua manifestação doméstica, constitui um
fenômeno estrutural historicamente enraizado na sociedade brasileira. Este estudo
tem como objetivo analisar criticamente as possibilidades, os desafios e as
contradições da atuação da Polícia Militar do Maranhão no enfrentamento à
violência doméstica, com foco no Programa Patrulha Maria da Penha.
Fundamentada no materialismo histórico-dialético, a pesquisa adota abordagem
qualitativa, combinando revisão bibliográfica, análise documental e pesquisa de
campo realizada em São Luís MA, por meio de entrevistas semiestruturadas com
policiais militares atuantes no programa. Os resultados evidenciam a existência de
um choque de paradigmas entre a cultura institucional da corporação
historicamente militarizada, hierarquizada e orientada ao confronto e as
exigências de uma política pública baseada na escuta, no acolhimento e na proteção
humanizada das vítimas. Verificou-se que, apesar das limitações estruturais, o
programa apresenta eficácia no plano micro, com redução da reincidência e
ausência de feminicídios entre as mulheres acompanhadas. Contudo, essa
efetividade contrasta com a precariedade de recursos materiais e humanos, bem
como com a desvalorização simbólica da atividade no interior da própria instituição.
Conclui-se que a atuação da Patrulha Maria da Penha, embora represente avanço
relevante, permanece condicionada às contradições estruturais e culturais da
organização policial. Nesse contexto, o fortalecimento do programa exige
investimentos estruturais, formação continuada em gênero para o efetivo,
consolidação da atuação integrada com a rede de proteção, bem como o
desenvolvimento de estratégias institucionais voltadas ao acompanhamento de
autores de violência e à criação de mecanismos internos de responsabilização,
como forma de enfrentar as contradições estruturais identificadas.
|
|
|
ALEXANDRE SERRÃO MINEIRO
|
|
|
PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
NO BRASIL: Influências do Modelo de Produção Flexível.
|
|
|
Data : 15/05/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
A presente dissertação analisa as transformações ocorridas no mundo do
trabalho no setor público brasileiro a partir da Reforma Administrativa de 1995,
sob a égide do Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado (PDRAE). O
objetivo central consiste em investigar como a transição do modelo burocrático
para a Administração Pública Gerencial impactou as relações laborais e a
saúde do servidor, sob a influência da lógica da acumulação flexível e do
modelo de produção toyotista. Fundamentada no materialismo histórico-
dialético, a pesquisa de natureza qualitativa utiliza levantamento bibliográfico e
documental para desvelar o processo de precarização estrutural mascarado
pelo discurso da eficiência e da modernização gerencial. O estudo discute a
redefinição do papel do Estado, que passa de produtor a regulador,
subordinando-se às diretrizes de austeridade fiscal e ao ideário neoliberal do
Consenso de Washington. No plano empírico, a análise concentra-se em dois
fenômenos contemporâneos: a "balcanização" do trabalho, exemplificada pela
Secretaria de Estado da Fazenda do Maranhão (SEFAZ-MA), onde a
coexistência de vínculos precários e efetivos gera um "apartheid jurídico" e
fragmenta a identidade funcional; e a "uberização" do serviço público na
Receita Federal do Brasil, impulsionada pelo Programa de Gestão e
Desempenho (PGD). Demonstra-se que o teletrabalho e o controle algortítmico
por metas convertem o servidor em um autogestor de sua própria exploração,
apagando as fronteiras entre o tempo de trabalho e o tempo de vida. Como
consequência, observa-se o adoecimento mental sistêmico, manifestado pelo
aumento dos casos de Síndrome de Burnout, compreendida aqui como um
sintoma do produtivismo exacerbado. Conclui-se que a erosão do Regime
Jurídico Único (RJU) e o desmonte do Estado Social fragilizam a
impessoalidade e a autonomia administrativa, tornando premente o resgate da
dignidade do trabalho público e a defesa da regra do concurso como baluarte
ético contra a lógica mercantil.
|
|
|
MYLENA PRADO PRIVADO
|
|
|
LICENCIAMENTO AMBIENTAL DE GRANDES EMPREENDIMENTOS AGRÍCOLAS E CONSULTA PRÉVIA: o caso dos quilombos Cocalinho e Guerreiro, em Parnarama (MA).
|
|
|
Data : 14/05/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
A presente pesquisa tem como escopo a efetividade do direito à Consulta Prévia, Livre, Informada e de Boa-fé (CPLI) no âmbito do licenciamento ambiental de grandes empreendimentos agrícolas no Maranhão, com foco nos quilombos Cocalinho e Guerreiro, em Parnarama (MA). O cerne da pesquisa reside na inefetividade da Política Pública Ambiental estadual, que viabiliza a expansão do agronegócio em detrimento de direitos fundamentais de comunidades tradicionais. Metodologicamente, a investigação se orienta pela perspectiva do materialismo histórico-dialético e se caracteriza como pesquisa qualitativa de cunho documental e bibliográfico, analisando processos administrativos da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e ações judiciais. No caso dos quilombos Cocalinho e Guerreiro, os resultados demonstram que a licença ambiental foi expedida com graves nulidades, baseando-se em um acordo firmado com associação alheia ao território quilombola e ignorando as diretrizes da Convenção 169 da OIT. Conclui-se que a inobservância da CPLI gera a nulidade do licenciamento e aprofunda os conflitos agrários e socioambientais, violando direitos fundamentais como a vida, a saúde, a cultura e o lazer de comunidades tradicionais.
|
|
|
THAMIRES DE MESQUITA BOTENTUIT
|
|
|
A NOVA LEI DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA E O DESEMPENHO DO
FUNCIONALISMO PÚBLICO: burocracia que protege ou corrupção que avança?
|
|
|
Data : 05/05/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
O presente trabalho analisa os impactos da Lei nº 14.230/2021, que alterou
substancialmente a Lei de Improbidade Administrativa (LIA), no exercício das
funções do funcionalismo público brasileiro. O objetivo geral é investigar como a
transição de um regime de punição baseado na culpa para a exigência do dolo
específico influencia a eficiência administrativa e o fenômeno do "apagão das
canetas". A justificativa reside na necessidade de compreender se a flexibilização
das normas de improbidade atua como um mecanismo de proteção ao gestor probo
ou se fragiliza o combate à corrupção. A hipótese central sustenta que, embora a
nova lei ofereça maior segurança jurídica ao burocrata, reduzindo o medo da
responsabilização por erros meramente formais, ela impõe desafios probatórios que
podem dificultar a punição de atos ilícitos. Sob os aspectos teórico-metodológicos, a
pesquisa classifica-se como qualitativa e bibliográfica, fundamentada na análise da
legislação, doutrina especializada e jurisprudência dos tribunais superiores. Os
resultados obtidos indicam que a nova LIA tende a mitigar a inércia administrativa
causada pelo receio de sanções desproporcionais. Contudo, a exigência do dolo
específico e a revogação da modalidade culposa exigem um fortalecimento da
democracia, um refinamento institucional do Estado e da confiança dos cidadãos
nas instituições, para evitar lacunas na repressão a atos que atentam contra o
patrimônio público e a moralidade administrativa.
|
|
|
MARÍLIA SAMÁLIA MARTINS FERREIRA
|
|
|
PELO DIREITO DE DECIDIR:
autonomia reprodutiva e esterilização voluntária feminina em São José de
Ribamar/MA.
|
|
|
Data : 15/04/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
Esta dissertação intitulada Pelo Direito de Decidir: autonomia reprodutiva e
esterilização voluntária feminina em São José de Ribamar/MA, teve como objetivo
analisar como a materialização dos direitos reprodutivos por meio da esterilização
voluntária contribuiu para a construção da autonomia reprodutiva feminina no
município de São José de Ribamar, Maranhão, com foco na sua relação com a
autonomia reprodutiva das mulheres. O estudo parte da compreensão de que a
autonomia reprodutiva constitui dimensão fundamental dos direitos sexuais e
reprodutivos e está diretamente relacionada às condições sociais, institucionais e
culturais que influenciam as decisões das mulheres sobre sua reprodução. E,
embora a esterilização voluntária seja um procedimento garantido pela legislação
brasileira e ofertado no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), persistem
obstáculos que podem dificultar o acesso a esse direito. Trata-se de uma pesquisa
analítica, de natureza qualitativa, que utilizou como procedimentos a realização de
entrevistas semiestruturadas com mulheres que buscaram ou realizaram o
procedimento de esterilização voluntária, residentes em São José de Ribamar.
Contudo, ante dificuldades no levantamento na coleta de dados, adotou-se a técnica
de indicação entre entrevistadas, denominada Bola de Neve. Os resultados
permitiram identificar aspectos singulares relacionados às trajetórias reprodutivas
das participantes, caminhos institucionais percorridos para acessar o procedimento,
obstáculos estruturais que atravessam o exercício dos direitos reprodutivos,
vivenciados no percurso, bem como as estratégias mobilizadas para garantir a
realização da laqueadura. Indicam ainda que, embora existam barreiras
institucionais e burocráticas no acesso ao procedimento (desigualdades de gênero e
limitações concretas no acesso a alternativas contraceptivas), a esterilização
voluntária ocupa um lugar central em seus percursos reprodutivos, escolha natural
que converge para uma autonomia possível, construída dentro de um conjunto
restrito de opções. Responsabilidade feminina, estratégica para consolidar decisões
previamente construídas ao longo da vida, permitindo inibir gravidez, maior controle
sobre condições econômicas e organização familiar. Conclui-se que a esterilização
voluntária pode representar importante instrumento para o exercício da autonomia
reprodutiva feminina, desde que esta seja circunscrita em dimensões ética, social e
política, garantida em condições de acesso equitativas, com informação adequada,
acompanhamento profissional de saúde, a insumos contraceptivos alternativos e
confiáveis, respeito às decisões das mulheres e fortalecimento das políticas públicas
de planejamento reprodutivo no âmbito do SUS e do Estado laico.
|
|
|
AYLANA CRISTINA RABELO SILVA
|
|
|
SERVIÇO SOCIAL E QUESTÃO AGRÁRIA NO NEOLIBERALISMO: a atuação de assistentes sociais como intelectuais orgânicos (as) no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
|
|
|
Data : 14/04/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
Trata da relação Serviço Social e questão agrária no Brasil, tendo como referência empírica a inserção e atuação de assistentes sociais no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Fundamentada no materialismo histórico-dialético, articula pesquisa bibliográfica, documental e em bases de dados com pesquisa de campo realizada junto a assistentes sociais atuantes em diferentes setores do MST, por meio de entrevista semiestruturada. Inicialmente, aborda a questão agrária como expressão histórico-estrutural da formação social brasileira, marcada pela concentração fundiária e pelas desigualdades no acesso, uso e posse da terra, em sua relação com a questão social e com a reatualização dessas contradições no neoliberalismo. Em seguida, discute o papel do Serviço Social nas lutas sociais, situando o(a) assistente social como intelectual orgânico (a) da classe trabalhadora, em consonância com o projeto ético-político profissional e sua dimensão pedagógica na formação da consciência de classe. Por fim, analisa as aproximações entre Serviço Social e MST, destacando os processos de inserção profissional, a centralidade da educação do campo e a atuação no âmbito da Reforma Agrária Popular. Conclui que essa articulação constitui um espaço estratégico de defesa de direitos e fortalecimento da organização coletiva, reafirmando o caráter crítico da profissão e sua contribuição para a construção de um projeto societário orientado à emancipação humana.
|
|
|
ADRIANA DUTRA DE SOUSA
|
|
|
ENVELHECIMENTO NO TRABALHO: determinantes, condições e impactos na
permanência
|
|
|
Data : 09/03/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
A presente dissertação tem por objeto o envelhecimento no trabalho, a partir da
análise dos determinantes, condições e impactos na permanência de servidores(as)
públicos(as) estaduais do Maranhão. Para tanto, construímos um percurso teórico-
metodológico sobre as categorias alienação e trabalho. Realizamos uma pesquisa
qualitativa, utilizando como referencial teórico-metodológico o materialismo histórico-
dialético. Para alcançar os resultados desta pesquisa, realizamos a revisão de
literatura, pesquisa documental e pesquisa de campo, esta última desenvolvida por
meio de entrevista semiestruturada com os sujeitos da pesquisa, os(as)
servidores(as) públicos(as) efetivos(as) e/ou comissionado(as) com perfil para
aposentadoria. Nesse sentido, abordamos a categoria velhice, considerando as
mudanças conceituais e no mundo do trabalho, bem como os impactos dessas
transformações para o segmento idoso. Identificamos aspectos ideológicos, culturais,
familiares e socioeconômicos que repercutem na permanência no trabalho,
relacionando-os às novas formas de precarização do trabalho e as implicações para
os(as) trabalhadores(as) idosos(as). Apresentamos a evolução dos mecanismos de
proteção social no contexto brasileiro e os rebatimentos oriundos do neoliberalismo
que impactaram a proteção ao trabalho e aos trabalhadores(as) idosos(as).
Destacamos o significado do trabalho para o(a) trabalhador(a) idoso(a) no contexto do
capitalismo. Por fim, analisamos o envelhecimento no trabalho, a partir da análise dos
resultados das entrevistas realizadas junto aos servidores(as) públicos(as) estaduais.
Concluímos que os determinantes ideológicos, culturais, familiares e socioeconômicos
estão presentes nas motivações dos(as) trabalhadores(as) para a permanência no
trabalho com destaque para os determinantes financeiros. As condições dessa
permanência são marcadas por vivências discriminatórias no ambiente de trabalho
por conta do preconceito etário, salvo alguns espaços laborais, mas, de modo geral, a
reprodução sócio-histórica da velhice no capitalismo marca as relações de trabalho
dos(as) entrevistados(as). Assim, os impactos para os(as) servidores(as) reforça a
lógica de exploração que transforma a idade em critério de exclusão, invisibiliza a
experiência e desvaloriza os(as) trabalhadores(as).
|
|
|
LAIRE BASTOS DA SILVA PIMENTEL
|
|
|
QUANDO A POLÍTICA NÃO ALCANÇA O SUJEITO: os desafios da implementação do programa Pró-Vida no contexto neoliberal e suas reverberações na saúde mental do policial militar.
|
|
|
Data : 04/03/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
A presente dissertação analisa criticamente a implementação do Programa Nacional de Qualidade de Vida para Profissionais de Segurança Pública (Pró-Vida), no contexto do Sistema Único de Segurança Pública, com ênfase em suas repercussões sobre a saúde mental dos policiais militares no cenário neoliberal contemporâneo. Parte-se do pressuposto de que a existência formal de políticas públicas não garante, por si só, sua efetivação enquanto direito social, sendo a implementação compreendida como processo político, institucional e burocrático atravessado por racionalidades, disputas e relações de poder. A pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza analítico-crítica, fundamentada em revisão bibliográfica e análise documental de marcos normativos, programas e dispositivos institucionais relacionados à política de segurança pública e à saúde mental dos profissionais do setor. O referencial teórico articula contribuições da literatura sobre implementação de políticas públicas, burocracia e neoliberalismo, mobilizando autores como Max Weber, Dardot e Laval, David Harvey, Amartya Sen, Erving Goffman, Christophe Dejours, Richard Sennett, entre outros. Os resultados indicam que a implementação do Pró-Vida ocorre de forma seletiva, fragmentada e episódica, condicionada por entraves burocráticos, fragilidade da articulação interinstitucional, ausência de mecanismos robustos de participação e controle social e subordinação à lógica neoliberal de gestão do mal-estar. Evidencia-se que a política tende a operar mais como instrumento de administração dos efeitos do sofrimento psíquico do que como estratégia estruturante de garantia do direito à saúde mental, produzindo um distanciamento entre a norma jurídica e a experiência concreta dos policiais militares. Conclui-se que os limites do Pró-Vida decorrem menos de sua formulação normativa e mais das condições institucionais de sua implementação, reafirmando a necessidade de fortalecimento da participação dos trabalhadores, da accountability administrativa e da reorientação das políticas públicas de saúde mental no campo da segurança pública enquanto responsabilidade coletiva do Estado.
|
|
|
DIOGO DINIZ LIMA
|
|
|
Democracia representativa em crise: transformação do processo de participação popular e o anacronismo da estrutura política na Constituição Federal de 1988
|
|
|
Data : 09/01/2026
|
|
|
Mostrar Resumo
|
|
|
A investigação desta tese concentra-se na crise da democracia moderna, tendo como contexto concreto o sistema político brasileiro. Com foco na interconexão entre a democracia e o modo de produção capitalista, são demonstrados as transformações dessa forma de governo e o anacronismo do modo representativo e dos atuais mecanismos de participação popular como estão estabelecidos na Constituição Federal de 1988. A pesquisa parte de uma análise conceitual e histórica da democracia, desde sua manifestação antiga em Atenas até seu ressurgimento no século XVIII, baseado no pensamento de Rousseau e Stuart Mill, apresentando-se como nesse período histórico houve a sua adoção como base política ideal para o desenvolvimento da sociedade capitalista. A tese descreve a atual crise democrática como multifacetada, com origens divergentes daquelas tradicionalmente apontadas em alguns estudos. São construídos dois paralelos comparativos, utilizando a Sociedade do Espetáculo de Guy Debord para explicar a roteirização e a inversão do sistema de necessidades que conduz a uma inafastável insatisfação com os resultados entregues pelo campo político e, estruturalmente, é desenvolvido um estudo evolutivo das esferas pública e privada, evidenciando que essa última foi reduzida ao limite da intimidade e parte do que antes eram decisões privadas passaram ao expandido campo social, fugindo do controle pessoal e criando reações que se alinham com pontos extremos do espectro político e ameaçam a democracia. Por fim, cada faceta da crise foi enfrentada com perspectivas teóricas de caráter construtivo, com o objetivo de promover um redesenho da estrutura democrática que seja apto a canalizar a complexidade e a velocidade das demandas contemporâneas, revitalizando a cadeia de legitimidade da democracia e provendo estabilidade ao seu funcionamento.
|
|