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Descrição |
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EMMANUELLE NOVAES DE VASCONCELOS BRITO
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PREDIÇÃO DE NASCIMENTO PRÉ-TERMO EXTREMO EM DUAS CIDADES BRASILEIRAS
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Orientador : ERIKA BARBARA ABREU FONSECA THOMAZ
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Data : 26/05/2026
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Objetivo: Determinar e avaliar modelos preditivos baseados em técnicas de aprendizado de
máquina (AM) para identificar preditores de nascimento pré-termo (NPT) extremo, em
nascidos vivos de duas cidades brasileiras. Métodos: Trata-se de um estudo analítico de
natureza transversal. O conjunto de dados analisado foi proveniente das coortes BRISA de pré-
natal e nascimento de 2010 em São Luís-Maranhão e Ribeirão Preto-São Paulo, Brasil,
compostas por mulheres com gestação única/crianças, atendidas em serviços públicos e
privados dos municípios de São Luís (SL) e Ribeirão Preto (RP). A amostra foi composta por
6.414 mulheres/crianças em São Luís e 8.273 em Ribeirão Preto, totalizando 14.687
observações. Selecionamos com base em especialistas e na literatura 121 variáveis comuns de
SL e RP com 14.687 observações e desfecho(N=107), para o cenário 1; 121 variáveis apenas
de SL com 6.414 observações e N=55, no cenário 2 e 119 variáveis apenas de RP com 8.274
observações e N=45 para o cenário 3, relacionadas a fatores socioeconômicos, demográficos,
ambientais, reprodutivos, comportamentais e atenção à saúde materna, assistência pré-natal e
ao parto, como potenciais preditoras ao NPT extremo. Aplicaram-se 14 algoritmos de
aprendizado de máquina(AM) em cada cenário, para construção do modelo, os quais
apresentam bom desempenho em estudos anteriores para predição de NPT e NPT extremo:
regressão logística penalizada(plr), máquinas de vetor de suporte(svmLinear e svmRadial),
florestas aleatórias(rf, ranger e Rborist), boosting(glmboost e AdaBoost.M1), métodos baseados
em vizinhança(Knn e KKnn), redes neurais artificiais(nnet), árvores e modelos baseados em
partição( cforest e ctree2) e modelos aditivos generalizados(gam). O desempenho foi avaliado
por métricas como acurácia, sensibilidade, especificidade e área sob a curva AUC ROC.
Resultados: Diante dos números de observações existente e seus desfechos(N), os cenários
resultam em desbalanceamento de dados. Nos três cenários (SL-RP, SL e RP), o desempenho
variou entre os modelos: No cenário SL-RP, o gam apresentou sensibilidade de 0.768, AUC-
ROC de 0.865 e F1-score de 0.052. No cenário SL, o modelo glmboost obteve sensibilidade de
0.703, AUC-ROC de 0.757 e F1-score de 0.043. Já no cenário RP, o nnet apresentou os
melhores resultados, com AUC-ROC de 0.915, sensibilidade de 0.858 e F1-score de 0.052. Em
geral, nnet e gam se destacaram pelos maiores valores de AUC-ROC e sensibilidade,
apresentaram melhor desempenho para prever o NPT extremo. As 7 variáveis preditoras foram:
quantidade de consultas realizada(s) com médico(a) no pré-natal, quantidade de consultas
realizada(s) com enfermeiro(a) no pré-natal, ocupação da mãe, ameaça de aborto na gestação
atual, renda familiar, gravidez atual planejada, diagnóstico de hipertensão antes ou durante a
gestação, destaque quantidade de consultas realizada(s) com médico(a) no pré-natal.
Conclusão: É possível predizer, com robustez, a ocorrência de NPT extremo, utilizando
variáveis socioeconômicas, de acesso ao pré-natal, saúde materna e características do feto. A
identificação precoce de bebês em risco pode impactar positivamente a qualidade de vida da
mãe e do recém-nascido. As descobertas deste estudo podem estimular investigações
semelhantes, testando diferentes técnicas, populações e contextos clínicos, para o
enfrentamento de um dos principais desafios de saúde neonatal.
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JOSE DE JESUS DIAS JUNIOR
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VARIABILIDADE ESPAÇO-TEMPORAL DAS HOSPITALIZAÇÕES POR COVID-19 NO BRASIL (2020-2024)
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Orientador : BRUNO LUCIANO CARNEIRO ALVES DE OLIVEIRA
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Data : 22/05/2026
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Introdução: A pandemia de COVID-19 impôs sobrecarga sem precedentes aos sistemas de
saúde no Brasil, com mais de 38 milhões de casos e 710 mil óbitos entre 2020 a 2024. As
hospitalizações, marcadas por desigualdades regionais, constituem importante indicador da
gravidade da doença e da carga assistencial. Objetivo: Analisar a variabilidade espaço-
temporal das hospitalizações por COVID-19 no Brasil no período de 2020 a 2024.
Metodologia: Estudo ecológico de séries temporais baseado em dados do Sistema de
Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe). Foram incluídas
internações por SRAG-COVID-19 confirmadas por RT-PCR no Brasil entre 2020 e 2024,
totalizando 2.138.209 casos. Realizaram-se dois estudos complementares: (1) análise de
tendência do tempo médio de internação na região Nordeste (2020-2022) por regressão
Joinpoint, calculando a Variação Percentual Média Anual (AAPC) com IC95%; (2)
avaliação do impacto da vacinação nas internações em nível nacional por meio de Modelo
Linear Dinâmico Generalizado (GLDM) com distribuição Poisson sob abordagem
bayesiana, implementado no pacote kDGLM do software R. O modelo incluiu componentes
de nível, tendência e sazonalidade, além de variável de intervenção binária a partir da 3a
semana epidemiológica de 2021 (início da vacinação). Os efeitos foram considerados
significativos quando os intervalos de credibilidade de 95% (ICr95%) excluíram o valor
nulo. As análises foram estratificadas por unidade federativa. Resultados: Foram registradas
2.138.209 internações, com maior concentração em São Paulo (29,8%). No primeiro estudo,
o tempo médio de internação no Nordeste variou entre os estados, com Sergipe apresentando
o maior valor (19,13 dias) e Rio Grande do Norte o menor (9,02 dias), evidenciando
tendências decrescentes na maioria dos estados em 2020 e estabilidade nos anos seguintes.
No segundo estudo, observou-se redução expressiva das internações após a vacinação, com
maior redução percentual no Norte e Nordeste (Pernambuco: 78%) e menor no Sul e Sudeste
(Paraná: 20%). O modelo bayesiano evidenciou mudança na tendência das internações a
partir da 3a semana epidemiológica de 2021. Conclusão: A tese demonstrou que as
hospitalizações por COVID-19 no Brasil apresentaram marcante variabilidade espaço-
temporal. O primeiro estudo revelou que o tempo médio de internação na região Nordeste
variou entre estados e anos, sem um padrão homogêneo, refletindo desigualdades na
estrutura hospitalar e na organização da assistência. O segundo estudo evidenciou associação
entre a vacinação e a redução das internações em nível nacional, com efeitos heterogêneos
entre as unidades federativas, indicando que a implementação da imunização atuou de forma
distinta nos territórios. Em conjunto, os achados reforçam a necessidade de estratégias
contextualizadas e do fortalecimento da vigilância epidemiológica baseada em modelos
preditivos para o planejamento em saúde.
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JÉSSICA MENDES COSTA DE FREITAS SANTOS
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ASSISTÊNCIA ONCOLÓGICA MAMÁRIA PÚBLICA E PRIVADA EM SÃO LUÍS - MARANHÃO: vivências médicas durante a pandemia de covid-19
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Orientador : MARIA TERESA SEABRA SOARES DE BRITTO E ALVES
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Data : 29/04/2026
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A pandemia de covid-19 produziu repercussões profundas na assistência oncológica
mamária no Brasil, tanto no setor público quanto no privado. Esta tese teve como
objetivo analisar, sob a perspectiva de médicos especialistas, os impactos da
pandemia na organização do cuidado e nas práticas clínicas relativas ao câncer de
mama em São Luís, Maranhão, com ênfase nas desigualdades entre os setores e nas
mudanças geradas pela mediação tecnológica. O estudo parte da hipótese de que
crises sanitárias podem agravar disparidades já existentes e reconfigurar rotinas e
sentidos do cuidado em saúde, especialmente em contextos marcados pela histórica
segmentação do sistema de saúde. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, baseada
em 18 entrevistas semiestruturadas com médicos especialistas no cuidado do câncer
de mama, atuantes nos setores público e privado durante e após a pandemia. A
análise dos dados seguiu os procedimentos da análise de conteúdo (Bardin),
orientada por categorias temáticas relacionadas à cronologia da pandemia e às
transformações decorrentes da virtualização do cuidado. A tese é composta por dois
artigos. O primeiro analisa as experiências dos profissionais ao longo das diferentes
fases da pandemia, revelando impactos organizacionais, emocionais e estruturais no
sistema de saúde. O segundo discute os efeitos da mediação digital como
telessaúde, redes sociais e plataformas digitais sobre a prática oncológica,
evidenciando tanto inovações quanto tensões éticas, técnicas e comunicacionais. Os
achados indicam que, embora tenham ocorrido adaptações institucionais importantes,
desigualdades históricas se aprofundaram, e a mediação tecnológica, longe de ser
neutra, produziu novas formas de exclusão e sobrecarga. Conclui-se que a pandemia
atuou como catalisador de mudanças nos modos de cuidar, comunicar e organizar o
trabalho em saúde, cujos efeitos ainda demandam análise crítica e formulação de
políticas públicas orientadas pela equidade. A tese contribui para o campo da Saúde
Coletiva ao integrar análise estrutural, escuta sensível e reflexão ética sobre o cuidado
oncológico em tempos de crise.
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ELZA CRISTINA BATISTA BARBOSA
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ASSOCIAÇÃO ENTRE POLIMORFISMO rs9939609 DO GENE FTO E SÍNDROME METABÓLICA EM
ADOLESCENTES DE 18-19 ANOS DE SÃO LUÍS - MA
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Orientador : LUZ MARINA GOMEZ GOMEZ
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Data : 28/04/2026
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Introdução: A Síndrome Metabólica (SM) é um conjunto de três ou mais doenças
relacionadas incluindo obesidade central, dislipidemia, resistência insulínica e/ou pressão
arterial elevada. Sua etiologia envolve uma interação complexa entre predisposição genética e
estilo de vida. Estudos têm investigado associação entre o polimorfismo rs9939609 do gene
Fat Mass and Obesity Associated (FTO) com a SM e seus componentes. Objetivo: Investigar
a associação entre o alelo dominante do polimorfismo rs9939609 do gene FTO com a SM e
seus componentes em adolescentes de 18-19 anos da cidade de São Luís-MA. Material e
métodos: Estudo transversal realizado com dados de 662 adolescentes provenientes da
terceira fase da coorte nascimento do Consórcio RPS, São Luís-MA. Foram utilizados dados
demográficos, de composição corporal, de estilo de vida, clínicos e genéticos, e foi
empregado o critério International Diabetes Federation para diagnóstico de SM. A
associação do polimorfismo rs9939609 com a SM e seus componentes foi realizada através de
regressão linear (RL) univariada e múltipla e o modelo teórico foi validado por equação
estrutural (p-valor<0,05). Resultados: A prevalência de SM foi de 16,8% e o genótipo AT foi
o mais frequente (46%), seguido do TT (40%). Na análise de RL univariada, entre os
componentes da SM, apenas o HDL-c apresentou associação com o alelo dominante (β=1,51;
p=0,026). Na análise de RL múltipla, que considerou o HDL-c como desfecho, ter o alelo
dominante (β=1,39; p=0,031), ser do sexo feminino (β=7,71; p=0,001) e a idade (β=1,76;
p=0,069) apresentaram associação positiva, enquanto a cor branca apresentou associação
negativa (β=-3,91; p=0,001). No modelo que considerou a SM como desfecho, o HDL-c (β=-
0,07; p<0,001) e o Fator dieta (consumo energético e calorias de alimentos in natura/peso)
(β=-0,36; p<0,001) mostraram associação negativa, enquanto o sexo feminino (β=0,67;
p<0,001) apresentou associação positiva. O modelo proposto apresentou excelente ajuste e
bom desempenho. Conclusão: As variáveis alelo dominante (A), sexo e idade têm efeito
positivo sobre o HDL-c, enquanto a cor branca exerce efeito negativo. Já o HDL-c e o Fator
dieta (consumo energético e calorias de alimentos in natura/peso) têm efeito negativo, o que
indica uma redução na probabilidade de apresentar SM, enquanto o sexo feminino aumenta
essa probabilidade. Ressalta-se que o modelo de equações estruturais proposto conseguiu
demonstrar o HDL-c como fator mediador da associação entre o polimorfismo rs9939609 e a
SM.
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MARIA JHANY DA SILVA MARQUES
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ANÁLISE ESPAÇO-TEMPORAL DA DISTRIBUIÇÃO DE FISIOTERAPEUTAS E DE ATENDIMENTOS
FISIOTERAPÊUTICOS AMBULATORIAIS NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE, BRASIL
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Orientador : CLAUDIA MARIA COELHO ALVES
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Data : 28/04/2026
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INTRODUÇÃO: A oferta de serviços de fisioterapia no SUS é marcada por desigualdades.
Esta tese teve como objetivo analisar a distribuição espaço-temporal de fisioterapeutas e
atendimentos fisioterapêuticos ambulatoriais no Brasil e no Maranhão, considerando fatores
socioeconômicos, estruturais, demográficos e de acessibilidade. MÉTODOS: Foram
conduzidos dois estudos ecológicos com dados públicos oficiais. O primeiro investigou a
evolução da quantidade de fisioterapeutas e atendimentos no Brasil, entre 2008 e 2019, em
relação ao Produto Interno Bruto (PIB) per capita e ao orçamento do SUS per capita, por meio
de análise de covariância, correlações de Pearson, contraste de Tukey e mapas de correlação.
O segundo examinou a distribuição de profissionais e a produção ambulatorial no Maranhão,
de 2022 a 2024, utilizando testes de associação e análise espacial, com índices de Moran
Global e Local e regressão espacial do tipo defasagem e erro. RESULTADOS: No estudo de
abrangência nacional, o PIB per capita apresentou correlação positiva com fisioterapeutas em
todas as unidades federativas (UFs) e com atendimentos em sete UFs, destacando-se Paraíba
(r=0,96), Acre (r=0,88) e Amazonas (r=0,84). Observou-se correlação entre atendimentos e
orçamento do SUS per capita no Acre (r=0,84), Amazonas (r=0,76), Tocantins (r=0,73),
Paraíba (r=0,65) e Rondônia (r=0,64). No segundo estudo, com recorte no Maranhão, a
cobertura de fisioterapeutas aumentou, com redução dos municípios com taxa < 1 profissional
por 10 mil habitantes de 53 para 19, associando-se ao PIB per capita (β = 6,839; p = 0,003) e
à presença de policlínicas (β = 0,298; p < 0,001). As taxas de atendimentos concentraram-se
no centro-leste do estado, com ausência de registros em mais de 120 municípios, e estiveram
associadas às internações por cirurgias osteomusculares (β = 589,786; p < 0,001) e à distância
até a capital (β = −0,437; p < 0,001). CONCLUSÃO: A distribuição dos serviços de
fisioterapia no SUS é heterogênea e influenciada por desigualdades socioeconômicas,
estruturais e geográficas. Apesar do crescimento da cobertura de fisioterapeutas, persistem
vazios assistenciais que evidenciam disparidades no acesso à reabilitação no Maranhão.
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JOSE PEREIRA GUARA
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CÂNCER DE MAMA: ANÁLISE BRASILEIRA SOBRE ACESSO E QUALIDADE ASSISTENCIAL
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Orientador : ROSANGELA FERNANDES LUCENA BATISTA
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Data : 13/04/2026
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O câncer de mama representa a neoplasia maligna mais incidente entre mulheres no mundo e
constitui importante desafio para os sistemas de saúde, especialmente em países marcados por
desigualdades sociais e estruturais no acesso à assistência oncológica. No Brasil, persistem
lacunas relacionadas ao acesso oportuno ao tratamento e à qualidade da assistência cirúrgica,
fatores potencialmente associados a piores desfechos clínicos. Esta tese teve como objetivos
avaliar o impacto do tempo de espera para início do tratamento sobre a mortalidade precoce
por câncer de mama no Brasil e analisar a influência dos programas de residência médica em
mastologia na oferta de cirurgias reconstrutivas no sistema público de saúde. Foram
conduzidos dois estudos observacionais. O primeiro consistiu em uma coorte retrospectiva
baseada em dados do Registro Hospitalar de Câncer do Brasil entre 1990 e 2020, incluindo
177.133 pacientes. A mortalidade precoce foi definida como óbito em até 12 meses após o
diagnóstico, e os fatores associados foram estimados por regressão logística penalizada pelo
método LASSO. O segundo estudo foi um estudo ecológico retrospectivo utilizando dados do
Sistema de Informações Hospitalares do SUS entre 2014 e 2024 para analisar tendências de
cirurgias para câncer de mama em hospitais com e sem programas de residência médica em
mastologia, por meio de modelos lineares generalizados mistos. Observou-se que 5,2% das
pacientes evoluíram para óbito no primeiro ano após o diagnóstico. Estágios avançados da
doença e condições de vulnerabilidade social foram fortemente associados à mortalidade
precoce. O atraso superior a 60 dias para início do tratamento aumentou o risco de morte
precoce em pacientes com doença em estágio inicial, mas não apresentou efeito significativo
nos estágios avançados. Em relação à qualidade assistencial, hospitais com programas de
residência médica em mastologia apresentaram maior proporção de cirurgias reconstrutivas ao
longo do período analisado. Os achados indicam que a mortalidade precoce por câncer de
mama no Brasil reflete tanto a gravidade da doença quanto desigualdades sociais e estruturais
no acesso ao cuidado oncológico. Estratégias voltadas à redução de atrasos no tratamento e ao
fortalecimento da formação especializada em mastologia podem contribuir para melhorar a
equidade e a qualidade da assistência às mulheres com câncer de mama no país.
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ELIETE COSTA OLIVEIRA
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DESNUTRIÇÃO INFANTIL: ANÁLISE DOS DETERMNANTES, TENDÊNCIAS TEMPORAIS E PROJEÇÕES NO BRASIL E MACRORREGIÕES
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Orientador : ANA KARINA TEIXEIRA DA CUNHA FRANCA
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Data : 01/04/2026
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A desnutrição infantil (DI) ainda é caracterizada como problema de saúde pública
persistente que compromete o crescimento físico, desenvolvimento cognitivo e a
qualidade de vida de milhões de crianças em países de baixa e média renda. O primeiro
artigo da tese teve como objetivo selecionar os indicadores dos Objetivos do
Desenvolvimento Sustentável (ODS) determinantes da DI no Brasil e monitorar o alcance
das metas da DI, por região, no ano de 2022. Trata-se de um estudo ecológico que utilizou
os Indicadores do Desenvolvimento Sustentável no Brasil e analisou os 100 indicadores
de monitoramento dos ODS nos 5570 municípios. Foi construída uma árvore de
classificação e regressão e calculada a sensibilidade para predizer os determinantes da DI.
O teste qui-quadrado foi utilizado e adotado nível de significância de 5%. As análises
descritivas e a árvore foram realizadas com o auxílio do software R. Os determinantes da
DI segundo percentuais, regiões do país mais afetadas e ordem de impacto foram:
Analfabetismo na População com ≥15 anos (Nordeste), Pré-Natal Insuficiente (Norte),
Baixo Peso ao Nascer (Sul), Mulheres jovens de 15-24 anos de idade que não estudam
nem trabalham (Norte e Nordeste) e População ocupada entre 10 e 17 Anos (Sul).
Observou-se efeito individual e cumulativo na prevalência de DI nos municípios,
variando de 1,73% a 15,1%, de acordo com a ocorrência e sobreposição desses
indicadores. Os dados indicam que o Brasil não atingirá a meta de redução da DI
estabelecida até o ano de 2025 e que serão necessários mais investimentos nas áreas da
educação e saúde voltados principalmente para o público materno infantil e nas regiões
Norte e Nordeste. O segundo artigo analisou a tendência temporal da desnutrição infantil
(DI) no Brasil e nas macrorregiões administrativas entre os anos de 2008 e 2023, realizou
a projeção da DI até 2030 e monitorou o alcance de sua meta acordada na Agenda 2030.
Estudo ecológico que utilizou dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional
sobre a DI no Brasil por mês e ano da série estudada. A técnica de análise de regressão
por pontos de inflexão foi utilizada para identificar pontos específicos onde ocorreram
mudanças significativas na DI. Foram utilizados modelos de classificação e regressão
preditivos específicos para estimar a projeção da DI entre os anos de 2024 a 2029, no
Brasil e macrorregiões. As análises estatísticas foram realizadas no software R. No Brasil,
a maior proporção de DI ocorreu no ano de 2008 (6,67%), predominantemente nas regiões
Norte (7,7%), Centro-Oeste (7,17%) e Nordeste (6,81%); apresentou queda lenta de
janeiro/2008 a março/2023, seguida de queda mais acentuada até dezembro/2023,
finalizando a série com 4,17% de DI. O Nordeste apresentou maior queda e encerrou a
série mantendo a terceira posição (4,35%). As regiões Norte e Centro-Oeste apresentaram
queda discreta e finalizaram a série com prevalências iguais (4,69%). O Sul apresentou a
menor prevalência de DI durante toda a série. O Brasil encerra o período de projeção com
prevalência de DI de 6,36%, concentrada nas regiões Norte (8,01%) e Centro-Oeste
(6,98%). Conclui-se que apesar da redução da prevalência de DI durante a série histórica,
o Brasil não atingirá a meta de redução acordada com a Agenda 2030.
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DOUGLAS MORAES CAMPOS
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SISTEMA DE SAÚDE NO MARANHÃO: O PÚBLICO E O PRIVADO SOB A PERSPECTIVA DE GESTORES, GERENTES, EMPRESÁRIOS E PROFISSIONAIS DE SAÚDE
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Data : 30/03/2026
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Esta tese investiga as complexas interações entre o setor público e o subsistema privado de
saúde no Maranhão. A pesquisa sustenta-se teoricamente na articulação entre autores da
Sociologia, Geografia e Saúde Coletiva. O arcabouço teórico tenciona a dicotomia público-
privado, compreendendo o território como um espaço concebido por estratégias de reprodução
do capital. Metodologicamente, o estudo utiliza métodos mistos, integrando entrevistas
qualitativas com gerentes, gestores, empresários e profissionais da saúde ao
georreferenciamento de Clínicas Populares de Saúde (CPS) em São Luís, Maranhão. Os
resultados são estruturados em três artigos científicos. O primeiro artigo, desvela tensões entre
o Sistema único de Saúde e o setor privado, impulsionadas pela expansão seletiva do mercado
e pela sobrecarga da rede pública. As Organização da Sociedade Civil de Interesse Público
(OSCIPs) e Clínicas Populares de Saúde são apresentadas como alternativas às fragilidades do
sistema, embora operem segundo lógicas de mercado e ainda dependam do próprio SUS para
absorver demandas não resolvidas. No segundo artigo, destacam-se algumas fragilidades da
Atenção Primária à Saúde (APS) no Maranhão, somadas à sobrecarga hospitalar, à
fragmentação das Redes de Atenção à Saúde (RAS) e à precarização dos vínculos de trabalho,
evidenciando dilemas estruturais. Nesse contexto, a APS permanece central para a organização
do cuidado, no entanto, o seu enfraquecimento compromete a integração da rede e reduz os
efeitos de políticas de expansão hospitalar. O terceiro artigo, por meio de georreferenciamento,
demonstra que a expansão das Clínicas Populares de Saúde não é aleatória; essas empresas
ocupam áreas de alto fluxo popular no centro e periferias, sobrepondo-se à rede de Unidades
Básicas de Saúde para disputar usuários e converter o território em um ativo econômico. É
possível compreender que há um processo de hibridização do sistema de saúde no Maranhão,
transformando o caráter complementar do privado em uma função predominantemente
substitutiva. Essa dinâmica compromete a universalidade e a integralidade, exigindo o
fortalecimento da APS como instância coordenadora e ordenadora, capaz de contrapor a lógica
da rentabilidade à garantia da cidadania plena e equânime no território maranhense.
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PATRICIA VIANA TOCANTINS
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RELAÇÕES DA ATIVIDADE FÍSICA E DO COMPORTAMENTO SEDENTÁRIO COM UM FENÓTIPO DA SAÚDE MUSCULOESQUELÉTICA EM ADOLESCENTES: CONSÓRCIO RPS, SÃO LUÍS
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Data : 10/03/2026
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A adolescência é uma fase essencial para o desenvolvimento musculoesquelético,
caracterizado pela consolidação da massa óssea, massa e força musculares, componentes
fundamentais para a capacidade funcional e a prevenção de doenças musculoesqueléticas na
vida adulta. Esses processos são fortemente influenciados por comportamentos relacionados
ao movimento humano, como a atividade física em seus diferentes níveis, bem como pelo
comportamento sedentário. Níveis insuficientes de atividade física e tempo excessivo em
comportamento sedentário, na adolescência, podem comprometer o desenvolvimento do
sistema musculoesquelético, resultando em perfis de saúde menos favoráveis, com maior risco
de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e de fragilidade funcional ao longo da vida.
Neste contexto, a dissertação tem o objetivo de analisar a associação entre a atividade física, o
comportamento sedentário e o Fenótipo da Saúde Musculoesquelética em adolescentes ao
final da segunda década de vida. Trata-se de um estudo analítico transversal, aninhado a uma
coorte de nascimentos, com dados do seguimento 18-19 anos da coorte de nascimento de
1997/98 de São Luís, Brasil, com amostra de 2515 participantes. A atividade física foi
avaliada por meio de questionário validado, Self-Administered Physical Activity Checklist
(SAPAC) e de actigrafia. O comportamento sedentário foi mensurado pelo tempo diário
passado em atividades de baixo gasto energético. O desfecho correspondeu ao Fenótipo da
Saúde Musculoesquelética, uma variável latente construída a partir da variância
compartilhada entre a densidade mineral óssea, a força de preensão manual (FPM) e a massa
muscular. As associações foram estimadas por meio da Modelagem com Equações
Estruturais, com ajuste por situação socioeconômica, sexo e estado nutricional. Os resultados
indicaram que a atividade física apresentou associação positiva direta, elevando os valores do
Fenótipo da Saúde Musculoesquelética (coeficiente padronizado = 0,143; p < 0,001),
enquanto o comportamento sedentário exerceu efeito negativo direto (coeficiente padronizado
= −0,040; p < 0,001). A menor situação socioeconômica aumentou os valores do Fenótipo da
Saúde Musculoesquelética (coeficiente padronizado = 0,291; p < 0,001) e reduziu o
comportamento sedentário (coeficiente padronizado = −0,041; p < 0,001). O sexo feminino
foi associado a menores níveis de atividade física e a maior comportamento sedentário.
Enquanto o sobrepeso aumentou os valores do Fenótipo da Saúde Musculoesquelética
(coeficiente padronizado = 0,263; p < 0,001). Os resultados ressaltam a importância de
intervenções para promover a atividade física entre os adolescentes, evitando riscos futuros à
saúde musculoesquelética e doenças crônicas não transmissíveis a ela associadas.
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CARLA MICHELLE RODRIGUES ABREU
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PERCEPÇÕES DE PROFISSIONAIS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA SOBRE A SAÚDE DE PESSOAS LGBTQIA+
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Orientador : SARA FITERMAN LIMA
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Data : 27/02/2026
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Introdução: Apesar dos avanços na criação da PNSI-LGBT, as necessidades de saúde da
população LGBTQIAPN+ ainda são desconhecidas por grande parte dos profissionais de
saúde. Sem atendimentos adequados, lésbicas, gays, bissexuais e pessoas transgêneras tendem
a resistir a buscar suporte qualificado. Nesse contexto, torna-se fundamental que os
profissionais desenvolvam habilidades e competências para compreender e valorizar as reais
necessidades dessa população. Objetivo: Analisar as percepções e atitudes de profissionais da
Atenção Primária em relação à saúde da comunidade LGBTQIAPN+. Método: Trata-se de
um estudo qualitativo, descritivo e analítico, realizado entre outubro de 2025 a janeiro de
2026 na UBS Bezerra de Menezes, UBS São Francisco, UBS do Centro e UBS da Liberdade,
localizadas no em São Luís MA, com profissionais da Estratégia Saúde da Família. A coleta
de dados ocorreu por meio de grupo focal, utilizando um questionário estruturado para
informações sociodemográficas e trajetória profissional e um roteiro semiestruturado de
entrevistas. As entrevistas foram transcritas e analisadas segundo a Análise Temática,
conforme a perspectiva de Braun e Clarke. Resultados: A partir da análise das falas,
emergiram duas categorias principais: a primeira, Percepções sobre identidades de gênero,
sexualidades e cuidado à população LGBTQIAPN+, com quatro núcleos de sentido: tensões
morais e limites percebidos no cuidado; reconhecimento progressivo da diversidade e
autorreflexão sobre o preconceito; e cuidado como acolhimento e vínculo. A segunda, Modos
de agir, práticas e formação no cuidado à população LGBTQIAPN+, com cinco núcleos de
sentido: ações de acolhimento e respeito; condutas marcadas por insegurança, hesitação e
atitudes excludentes; movimentos de aprendizado e autotransformação; práticas mediadoras
no acesso e na comunicação do cuidado; e aprendizado prático e formação no cotidiano do
cuidado. Considerações finais: As falas dos participantes evidenciam confusão conceitual,
constrangimento ao abordar a temática e resistência na utilização correta de pronomes e
nomes sociais, revelando fragilidades tanto no campo técnico quanto no cumprimento dos
direitos humanos e legais. A influência de valores morais e religiosos pessoais demonstra-se
como elemento limitador para a prática profissional orientada pelos princípios éticos e pela
universalidade do SUS.
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KATIA SUSANA AZEVEDO SILVA
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PREDIÇÃO DE RISCO DE ATRASO NO DESENVOLVIMENTO NEUROPSICOMOTOR NOS PRIMEIROS MIL DIAS DE VIDA UTILIZANDO APRENDIZADO DE MÁQUINA: COORTE BRISA
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Orientador : BRUNO FERES DE SOUZA
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Data : 27/02/2026
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Introdução: Os primeiros mil dias de vida representam uma janela determinante para o
desenvolvimento neuropsicomotor, período sensível a influências biológicas, ambientais e
sociais que impactam diretamente a aquisição de habilidades cognitivas, motoras e de
linguagem. A identificação precoce de risco nesse intervalo é fundamental para a
implementação de intervenções oportunas. Objetivo: Predizer o risco de atraso no
desenvolvimento neuropsicomotor em crianças nos primeiros mil dias de vida, utilizando
técnicas de Aprendizado de Máquina. Métodos: Estudo prospectivo com dados da coorte pré-
natal BRISA, realizada em São Luís (MA), com 972 díades mãe-criança acompanhadas até os
dois anos de idade. O desfecho foi o risco de atraso avaliado pela escala de triagem Bayley-III,
considerando domínios cognitivo, comunicação (expressiva e receptiva) e motor (fino e
grosso), além de desfechos combinados, em oito cenários preditivos. Foram testados cinco
algoritmos (Regressão Logística, Random Forest, SVM radial, XGBoost e Redes Neurais). A
avaliação foi realizada por validação cruzada K-fold e o desempenho estimado por acurácia,
sensibilidade, especificidade, precisão, F1-score e área sob a curva ROC (AUC). A
interpretabilidade dos modelos foi investigada por SHAP. Resultados: O desempenho preditivo
foi limitado, com AUC variando aproximadamente de 0,49 a 0,58. A melhor discriminação
ocorreu no cenário de comunicação expressiva (AUC=0,58) e, no desfecho agregado de risco
global, observou-se desempenho apenas ligeiramente superior ao acaso (AUC≈0,56). Em
alguns domínios, Regressão Logística, SVM radial e Redes Neurais apresentaram métricas
discretamente superiores. As variáveis com maior contribuição nos modelos (SHAP) variaram
conforme o domínio, destacando-se fatores sociodemográficos (escolaridade materna, renda
familiar, número de filhos), perinatais (idade gestacional, peso ao nascer e intercorrências ao
nascimento) e psicossociais (sintomas depressivos maternos, exposição à violência e dimensões
de apoio social). Conclusão: Os modelos não apresentaram desempenho suficiente para
aplicação individual em contexto clínico; os achados sustentam uso predominantemente
exploratório e podem subsidiar estratégias de vigilância/estratificação de risco em nível
populacional, condicionadas a validações adicionais.
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LUIS AUGUSTO DA SILVA MACIEL
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MARCADORES DO CONSUMO DE ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS DA POPULAÇÃO BRASILEIRA: VIGITEL, 2023
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Orientador : ALCIONE MIRANDA DOS SANTOS
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Data : 26/02/2026
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Nas últimas décadas houve o aumento do consumo de ultraprocessados no Brasil, impactando
negativamente a qualidade nutricional da dieta e contribuindo para a carga de doenças crônicas
não transmissíveis. Para avaliar o consumo alimentar populacional, inquéritos e estudos
epidemiológicos têm adotado o escore Nova de classificação de alimentos. A partir de 2018, o
instrumento Escore Nova foi inserido no questionário anual da Vigilância de Fatores de Risco
e Proteção para as Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), possibilitando o cálculo
de um escore de consumo alimentar. Todavia, a complexidade das ferramentas de avaliação e
dos aspectos que influenciam o consumo alimentar dificultam a adequada mensuração e
monitoramento do consumo de ultraprocessados a nível populacional, limitando a
comparabilidade dos dados. Considerando as marcadas diferenças regionais no Brasil,
identificar os padrões que diferenciam o consumo alimentar entre as regiões do país é
fundamental para o planejamento assertivo de políticas de promoção de alimentação saudável.
Nesse contexto, a Teoria de Resposta ao Item (TRI) pode proporcionar uma estimativa mais
precisa e robusta do consumo alimentar, permitindo identificar os alimentos mais
discriminativos em relação ao consumo de ultraprocessados. Dessa forma, o objetivo deste
estudo foi analisar o consumo de alimentos ultraprocessados entre adultos das capitais
brasileiras no ano de 2023, utilizando a TRI. Trata-se de um estudo psicométrico que utilizou
dados do Vigitel da série de 2023. Foram incluídos 21.960 indivíduos adultos das 27 capitais
brasileiras e o Distrito Federal. O consumo alimentar foi mensurado através de 25 itens
classificados segundo a metodologia NOVA. Foram ajustados modelos logísticos
multidimensionais de três parâmetros (M3PL) para estimar os traços latentes de consumo de
alimentos in natura (θ1) e ultraprocessados (θ2). Foram calculados os coeficientes de
discriminação e elaborados gráficos de análise fatorial dos itens para visualização da estrutura
latente por região. Na amostra em estudo, os participantes possuíam média idade de 43,4 anos
(IC95%: 42,9; 43,9), 44,1% residiam majoritariamente na região Sudeste, 53,9% eram do sexo
feminino, 41,2% possuíam ensino médio completo e 58,8% dos entrevistados apresentavam
excesso de peso. As regiões Sudeste e Sul demonstraram maior capacidade discriminatória para
ultraprocessados, com destaque para o item bebida achocolatada, enquanto o Nordeste
apresentou o prato pronto congelado como principal marcador. No Norte e no Centro-Oeste,
observaram-se padrões mistos e menor magnitude de discriminação entre os itens. Em todas as
regiões, os vetores de alimentos in natura mantiveram-se ortogonais aos de AUP, sugerindo
coexistência entre esses padrões de consumo. Com base nos achados, nota-se que o consumo
de ultraprocessados no Brasil é heterogêneo e regionalmente diferenciado. A aplicação da TRI
demonstrou-se uma abordagem eficiente na identificação de alimentos com maior capacidade
para distinguir os níveis de adesão ao consumo elevado de ultraprocessados, podendo fornecer
informações úteis para orientar ações de vigilância e segurança alimentar e nutricional.
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THALITA LISBOA GONÇALVES AZEVEDO
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INDICADORES DE SAÚDE MATERNA E INFANTIL EM UMA CAPITAL DO NORDESTE BRASILEIRO: UMA ANÁLISE DE SÉRIES TEMPORAIS
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Data : 26/02/2026
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Introdução: Os problemas de saúde materna e infantil permanecem expressivos em
todo o mundo, especialmente em países de baixa e média renda. No Brasil, as
desigualdades regionais ainda comprometem o alcance das metas dos Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável, com o Nordeste apresentando maiores desafios. Nesse
contexto, o monitoramento da saúde materno-infantil a partir dos indicadores
disponíveis nos sistemas de informação possibilita a avaliação contínua do
desempenho dos serviços e das ações desenvolvidas, especialmente no âmbito do
cuidado nos primeiros 1000 dias de vida. Objetivo: Analisar a tendência temporal dos
indicadores de saúde materno-infantil da Atenção Primária na cidade de São Luís,
capital do Maranhão no período de 2017 a 2024. Método: Trata-se de um estudo
ecológico de série temporal, com abordagem quantitativa, utilizando dados
secundários do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Primária (SIAPS)
referentes ao período de 2017 a 2024. Foram analisados dez indicadores, sendo seis
relativos à saúde da mulher (No de gestantes com consultas iniciadas até 12 semanas
de IG; No de gestantes com exames realizados até 20 semanas de IG; No de gestantes
com 6 ou mais consultas pré-natais; No de ações educativas coletivas com gestantes;
No de visitas domiciliares do ACS à gestante; No de visitas domiciliares do ACS à
puérpera) e quatro à saúde da criança ( No de visitas domiciliares do ACS ao RN; No
de crianças em AME; No de crianças em aleitamento complementado; No de crianças
com vacina em dias). Resultados: A análise descritiva evidenciou ampla variabilidade
nos indicadores, com coeficientes de variação elevados, refletindo irregularidade na
oferta das ações de APS. A análise de tendência temporal (modelo Joinpoint) revelou
crescimento significativo no início precoce do pré-natal (VPT=7,75%; p<0,001), na
realização de exames até 20 semanas (VPT=6,58%; p<0,001) e nas ações educativas
com gestantes após 2021 (VPT=12,9%; p=0,004). Também houve tendência
crescente no aleitamento materno exclusivo (VPT=6,99%; p<0,001) e complementado
(VPT=6,38%; p<0,001). Apesar desses avanços, observaram-se flutuações e
instabilidade em indicadores de continuidade do cuidado, como o número de consultas
pré-natais e de visitas domiciliares. Conclusão: A análise da tendência temporal dos
indicadores de saúde materna e infantil na Atenção Primária à Saúde de São Luís,
entre 2017 e 2024, evidenciou comportamento heterogêneo entre os indicadores
avaliados. Observou-se avanço consistente em indicadores relacionados ao acesso
oportuno ao pré-natal e às práticas de aleitamento materno, contrastando com
instabilidades importantes na continuidade do acompanhamento pré-natal e na
regularidade de algumas ações assistenciais.
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LUCIA REGINA MOREIRA DE OLIVEIRA
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ASSOCIAÇÃO ENTRE CONSUMO DE ALIMENTOS SEGUNDO O GRAU DE PROCESSAMENTO E DIFICULDADES COMPORTAMENTAIS EM ADOLESCENTES DE 10 A 13 ANOS DA COORTE BRISA
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Orientador : POLIANA CRISTINA DE ALMEIDA FONSECA VIOLA
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Data : 25/02/2026
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Introdução: A adolescência é um período crítico para a consolidação de hábitos alimentares e
para o desenvolvimento da saúde mental. Evidências crescentes sugerem que a qualidade da
dieta, particularmente o alto consumo de Alimentos Ultraprocessados (AUP), pode influenciar
negativamente o comportamento e a saúde mental, dada a sua baixa densidade nutricional e
potencial pró-inflamatório. O estudo desta relação, controlando-se por fatores socioeconômicos
e comportamentais, é essencial para a formulação de intervenções específicas. Objetivo:
Investigar a associação independente entre o consumo alimentar, classificado pelo grau de
processamento (NOVA), e a Pontuação Total de Dificuldades (SDQ) em adolescentes.
Métodos: Trata-se de um estudo de coorte transversal realizado com adolescentes (10-13 anos)
da Coorte BRISA, São Luís, Maranhão (N=2293). A variável de exposição foi o consumo
alimentar avaliado por meio do Recordatório de 24 horas (R24h), categorizado segundo a
classificação NOVA e mensurado em percentual calórico (%Kcal) da dieta. O desfecho
principal foi a Pontuação Total de Dificuldades, avaliada pelo Questionário de Forças e
Dificuldades (SDQ). Variáveis demográficas, socioeconômicas e comportamentais (sexo,
idade, Classe Econômica Brasileira, atividade física, tempo de tela, duração do sono) foram
utilizadas como fatores de confundimento, conforme direcionado por um Gráfico Acíclico
Direcionado (DAG). A associação foi testada por meio de análises bivariadas e Regressão
Linear Múltipla. Adotou-se o nível de significância de 5%. Resultados: O consumo médio de
AUP correspondeu a 30,3% da dieta dos adolescentes. A análise bivariada indicou uma
associação significativa entre o consumo de AUP e o sexo, sendo as adolescentes do sexo
feminino mais prevalentes nos tercis de maior consumo (p= 0,002). A Regressão Linear
Múltipla demonstrou que, mesmo após ajuste para todos os confundidores, o maior consumo
de AUP foi, independentemente, associado a maiores pontuações de dificuldades
comportamentais (β= 0,300; IC 95% :0,05; 0,55). Complementarmente, o aumento no consumo
de Alimentos In Natura ou Minimamente Processados (AIMP) associou-se a uma redução na
Pontuação Total de Dificuldades (β = -0,410; IC 95%: -0,70; -0,12). Outros fatores de risco
incluíram o sedentarismo/inatividade física e o tempo de tela elevado. Conclusão: O consumo
de AUP atua como um fator de risco importante do aumento das dificuldades comportamentais
na adolescência. Os achados reforçam a necessidade de políticas públicas abrangentes que
promovam a substituição dos AUP por dietas baseadas em AIMP, visando a proteção da saúde
mental dos adolescentes brasileiros.
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ELIANE MARIA NASCIMENTO DE CARVALHO
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PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA E ASSOCIAÇÃO COM ALTERAÇÕES EMOCIONAIS EM CRIANÇAS DE UMA COORTE EM SÃO LUÍS - MA
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Data : 24/02/2026
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A infância é um período sensível ao impacto de fatores socioeconômicos, especialmente à
pobreza, que impacta negativamente o desenvolvimento emocional, comportamental e
cognitivo. No Brasil em 2022, apresentava 62,5 milhões de indivíduos viviam na pobreza e
destes, 17,9 milhões estavam vivendo em extrema pobreza. O desequilíbrio financeiro expõe
as crianças à vulnerabilidade social, elevando o risco de transtornos mentais. Programas de
Transferência de Renda (PTR), como o Bolsa Família, têm sido implementados como
estratégias de combate à pobreza, com efeitos positivos em indicadores de saúde, educação e
nutrição. Embora evidências sugiram que os PTR possam influenciar indiretamente a saúde
mental infantil, os resultados são heterogêneos e não está bem estabelecido. No contexto
maranhense, marcado por desigualdades socioeconômicas, investigar essa relação é crucial para
compreender as associações dos determinantes sociais na saúde mental infantil. Objetivo:
Analisar a associação entre transferência de renda na primeira infância e a presença de
problemas emocionais em adolescentes participantes da Coorte Brisa de São Luís - Maranhão.
Método: Estudo de coorte realizado em São Luís (MA), incluindo 488 crianças de famílias de
renda ≤ R$ 140, avaliadas aos 1-3 e 11-13 anos de idade. A exposição foi ser beneficiário do
Programa Bolsa Família (PBF) e o desfecho foi problemas de saúde mental, mensurados pelo
escore do SDQ. Utilizou-se regressão binomial negativa para estimar razões de taxas,
considerando significância de p < 0,05. O modelo teórico, representado por um DAG, orientou
a seleção das variáveis de ajuste. Resultados: Observou-se que 48,2% eram beneficiárias do
Programa Bolsa Família e a média dos escores do SDQ foi de 10,36 (±6,53). Não foi observada
associação entre o PBF e a presença de problemas de saúde mental nos modelos brutos (p =
0,707) ou ajustados (p = 0,829). Como achado secundário, a presença de sintomas de sofrimento
psíquico na mãe mostrou-se associada a maiores escores do SDQ entre crianças e adolescentes (IRR: 1,20; IC95%: 1,06-1,37). Conclusão: Não foi observado um efeito direto do PBF sobre os problemas de saúde mental em crianças aos 11-13. Os resultados sugerem que políticas
públicas voltadas exclusivamente para a redução da pobreza, embora fundamentais, podem ser insuficientes para promover melhorias consistentes na saúde mental infantil.
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GILBERTO DE HOLANDA LOPES FILHO
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MODELO PARA ESTRATIFICAÇÃO DO RISCO DE QUEDAS NO ENVELHECIMENTO COM MACHINE LEARNING: DADOS DO ELSI-BRASIL
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Orientador : BRUNO FERES DE SOUZA
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Data : 24/02/2026
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As quedas representam um importante problema de saúde pública no contexto do
envelhecimento populacional, associadas à morbimortalidade, incapacidade e aumento dos
custos assistenciais. No Brasil, a prevalência de quedas em indivíduos com > 50 anos é elevada
e tende a crescer frente à rápida transição demográfica. As escalas clínicas disponíveis
apresentam acurácia limitada, especialmente em populações heterogêneas, e os modelos
estatísticos convencionais tem dificuldades em capturar as interações complexas e não lineares
entre múltiplos fatores de risco. Nesse cenário, as técnicas de Aprendizado de Máquina
emergem como ferramentas promissoras para desenvolver modelos preditivos mais acurados e
aplicáveis. Trata-se de um estudo quantitativo, analítico e preditivo, com abordagem
transversal, cujo objetivo foi desenvolver e avaliar o desempenho de modelos de aprendizado
supervisionado para o risco de quedas em indivíduos com 50 anos ou mais, utilizando dados da
segunda onda (20192021) do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-
Brasil). A amostra incluiu 9.862 participantes, dos quais 18,65% relataram queda nos últimos
12 meses. Cinco algoritmos foram usados: Regressão Logística Penalizada, Support Vector
Machine (SVM) com kernel radial, Random Forest, XGBoost e Redes Neurais Artificiais. O
desempenho foi avaliado por acurácia, sensibilidade (recall), especificidade, valores preditivos
positivo e negativo, F1-score e área sob a curva ROC (AUC). Para maior explicabilidade,
empregou-se a técnica SHAP (Shapley Additive Explanations) no pós-processamento. Os
modelos apresentaram bom desempenho global, com acurácia entre 65,5% e 71,8%. O SVM
radial demonstrou a melhor capacidade discriminativa (AUC = 0,806), e uma boa realação entre
sensibilidade (75,1%) e especificidade (67,2%). A Regressão Logística Penalizada teve
acurácia de 71,8%, sensibilidade de 71,6% e especificidade de 71,9%, sendo o segundo melhor
modelo. Ambos tiveram alto valor preditivo negativo (>91%), demonstrando robustez para
triagem do risco de queda. A análise dos valores de SHAP indicou como principais preditores
o histórico de quedas, idade avançada, sexo feminino, dor crônica, polifarmácia, autopercepção
negativa de saúde, baixa renda domiciliar, limitação funcional e menor força de preensão
palmar. Os resultados confirmam o potencial dos modelos desenvolvidos como método de
estratificação do risco de quedas no envelhecimento, especialmente na Atenção Primária.
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INGRID FEITOZA MUNIZ
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11° CONFERÊNCIA ESTADUAL DE SAÚDE DO MARANHÃO: ANÁLISE A PARTIR DA TEORIA DA DESDEMOCRATIZAÇÃO
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Data : 23/02/2026
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Introdução: as Conferências de Saúde são instâncias deliberativas de Controle Social do
Sistema Único de Saúde institucionalizadas pela Lei n° 8142/1990. A cada quatro anos reúnem
a sociedade civil para analisar a saúde pública e propor diretrizes para compor os planos e
políticas de saúde. Apesar de seu potencial democrático, enfrentam fragilidades organizativas
e estruturais tanto a nível nacional quanto local, em um contexto de Desdemocratização das
instituições democráticas. No Maranhão, a 11a Conferência Estadual de Saúde do Maranhão
ocorreu em meio à polarização política e à dependência orçamentária. O estudo analisa sua
organização e desafios, contribuindo para compreender o Controle Social no estado do
Maranhão. Objetivo: analisar o contexto organizativo e estrutural da 11° Conferência Estadual
de Saúde do Maranhão. Métodos: esta é uma pesquisa qualitativa sobre a organização da 11a
Conferência Estadual de Saúde do Maranhão. O estudo ocorreu em São Luís MA, no período
de maio/2023 a outubro/2025. A população do estudo trata-se da Comissão Organizadora e do
Comitê Executivo da conferência, que totaliza 26 integrantes, dos quais nove participaram desse
estudo. Como instrumento de pesquisa, elaborou-se uma entrevista semiestruturada e a coleta
de dados ocorreu entre junho/2023 a agosto/2024. Foi realizado análise de conteúdo das
entrevistas, conforme método de Bardin (2011), por meio da plataforma NVivo®, resultando
em três categorias de análise. O referencial teórico para embasar a análise e discussão foi a
Teoria da Desdemocratização de Brown (2015). Resultados e Discussão: as entrevistas
evidenciaram que a organização da conferência teve fragilidades como dependência financeira,
atrasos de recursos, falhas de gestão e baixa renovação de lideranças, o que limitou a autonomia
e a efetividade participativa, refletindo o processo de Desdemocratização descrito por Brown
(2015). Em contrapartida, destacou-se a mobilização social, parcerias institucionais, o
aprendizado, integração e exercício democrático como potencialidades que fortaleceram o
evento. Por fim, mesmo diante de desafios estruturais e organizativos, evidenciou-se a
resistência do Controle Social frente ao desmonte institucional e ao avanço do neoliberalismo.
Considerações Finais: apesar das fragilidades e limitações da conferência em meio ao contexto de Desdemocratização, a 11a Conferência Estadual de Saúde do Maranhão reafirmou o direito
de participação social na gestão das políticas de saúde e evidenciou a resistência das instituições
democráticas.
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SHEILA ALMEIDA DO NASCIMENTO
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ASSOCIAÇÃO ENTRE CONSUMO DE ALIMENTOS SEGUNDO O GRAU DE PROCESSAMENTO E CÁRIE DENTÁRIA EM ADOLESCENTES DA COORTE BRISA
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Data : 23/02/2026
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Introdução: A cárie dentária representa um problema relevante de saúde pública, afetando 3,5
bilhões de pessoas, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Embora seja multifatorial,
o padrão alimentar contemporâneo tem sido apontado como um potencial fator de risco na
etiologia da cárie dentária. Objetivo: Investigar a associação entre consumo de alimentos
segundo o nível de processamento e cárie dentária entre adolescentes da coorte BRISA.
Métodos: Trata-se de um estudo transversal, com dados da coorte de nascimento BRISA de
São Luís-MA, cujos participantes foram avaliados no segundo seguimento aos 11-13 anos de
idade, onde foram coletadas informações sociodemográficas, hábitos de vida, consumo
alimentar e realizado exame bucal. Foram testados modelos teóricos para verificar associação
entre o consumo alimentar segundo o nível de processamento (percentual de gramas) e a cárie
dentária. No primeiro modelo, a variável de exposição foi o consumo de alimentos in natura ou
minimamente processados e no segundo o consumo de alimentos ultraprocessados. O desfecho
(cárie dentária) foi empregado como variável dicotômica. Empregou-se como variáveis de
ajuste a latente de status socioeconômico - SES; sexo; idade; cor da pele da mãe; tempo de sono
e tempo de tela dos adolescentes. Nos modelos teóricos, o status SES foi um determinante mais
distal ligado à variável de exposição (consumo alimentar) e ao desfecho (cárie). O fator de
exposição (consumo alimentar) foi ligado diretamente ao desfecho e mediador entre SES e cárie
e as variáveis de ajustes ligadas à exposição e ao desfecho. Para análise dos dados foi utilizado
os softwares R 4.5.0 ®️ e R Studio. Realizou-se a análise descritiva através das frequências
absolutas e relativas e medidas de tendência central e de dispersão. Empregou-se a modelagem
de equações estruturais (SEM Structural Equation Modeling) para analisar as associações
entre as variáveis de exposição e o desfecho, ao nível de significância de 95%. O estudo atendeu
àsrecomendações da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Resultados: Dos 1665
adolescentes, 53,3% eram do sexo masculino e 61,6% tinham 12 anos de idade, com mães de
cor da pele parda (63,7%). A prevalência de cárie dentária foi de 34%, sendo maior entre o sexo
feminino (p = 0,008). A análise do consumo alimentar individual evidenciou ingestão
energética (kcal) total média de 1.702 kcal/dia (DP: 261.639), sendo 30,8% de AUP. Constatou-
se associação positiva e significativa entre consumo de AUP e cárie dentária (β = 0,009; p =
0,033) e negativa e significativa entre o consumo de AINMP e cárie (β = -0,095; p = 0,045). A
a latente SES mostrou efeito direto significativo sobre consumo alimentar e cárie dentária e as
variáveis de ajustes não mostraram associação significativa nos modelos. Conclusão: O estudo
evidenciou elevada participação de AUP na dieta dos adolescentes e associação direta com a
cárie dentária, bem como um efeito protetor do consumo de AINMP. Esses achados reforçam
a necessidade de estratégias voltadas à promoção da alimentação saudável como um dos eixos
centrais para a prevenção da cárie dentária nessa faixa etária, além de apresentam potencial para
subsidiar políticas públicas e intervenções em saúde voltadas à essa população.
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EMANUELLEN COELHO DA SILVA
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MARCADOR INFLAMATÓRIO COMO MEDIADOR ENTRE ADIPOSIDADE
E SONO EM ADULTOS DA COORTE DE 1993 DE PELOTAS
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Data : 20/02/2026
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Introdução: Evidências demostram que a adiposidade corporal está relacionada a alterações
no sono e que processos inflamatórios podem desempenhar papel mediador nessa associação.
Objetivo: Avaliar se a proteína C-reativa (PCR) aos 22 anos medeia a associação entre o índice
de massa gorda (IMG) aos 18 anos e a duração do sono aos 30 anos em adultos da Coorte de
Nascimentos de 1993 de Pelotas. Métodos: Estudo longitudinal com dados de 2.158
participantes. O IMG foi avaliado por pletismografia por deslocamento de ar (Bod Pod®) aos
18 anos. A PCR sérica foi medida aos 22 anos, e a duração média do sono (horas) foi estimada
por acelerometria aos 30 anos. As análises de mediação foram conduzidas com o pacote
mediation no software R (versão 2025.06.1+524), considerando modelos brutos e ajustados
para sexo, cor da pele, escolaridade, trabalho, consumo de álcool, tabagismo, tempo de tela,
consumo alimentar, atividade física, uso de drogas ilícitas, ansiedade e sintomas depressivos.
A robustez dos achados foi testada por análise de sensibilidade. Resultados: Na análise bruta,
o IMG apresentou associação positiva com a duração do sono (β: 0,016; IC 95%: 0,004 0,027;
p = 0,007). Na análise ajustada, essa associação se manteve e tornou-se negativa (β: −0,020; IC
95%: −0,034; −0,006; p = 0,003). Na análise de mediação sem ajuste, a PCR mediou a
associação entre IMG e sono (ACME = 0,007; p = 0,004), embora o efeito direto (ADE) não
tenha sido significativo. Após ajuste para covariáveis, a mediação pela PCR perdeu
significância (ACME = 0,001; p = 0,374), e o efeito direto do IMG tornou-se negativo e
significativo (ADE = -0,022; p = 0,004). A análise de sensibilidade indicou que o efeito de
mediação foi pequeno e não robusto diante de confundidores não mensurados. Conclusão: Os
achados sugerem que a PCR não desempenha papel mediador relevante na associação entre
adiposidade precoce e duração do sono na vida adulta. Em contrapartida, níveis mais elevados
de IMG na juventude foram diretamente associados a menor duração do sono aos 30 anos,
ressaltando a importância da prevenção do excesso de adiposidade desde o início da vida adulta.
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MARTA ROCHA CAVALCANTE
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ANÁLISE DA REPRESENTAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE NOS CONSELHOS DE SAÚDE BRASILEIROS
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Data : 12/02/2026
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A participação social constitui princípio fundamental do Sistema Único de Saúde (SUS),
consolidada pela Lei nº 8.142/1990, que instituiu os Conselhos de Saúde como instâncias
deliberativas. Este estudo analisou a composição dos Conselhos de Saúde dos municípios-
sede das regiões de saúde brasileiras, com ênfase na representação de profissionais de saúde
de nível superior. Trata-se de estudo descritivo, de abordagem quantitativa, realizado a partir
de dados secundários extraídos do Sistema de Acompanhamento dos Conselhos de Saúde
(SIACS) e do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). O universo de
análise compreendeu os Conselhos de Saúde dos municípios-sede das 450 regiões de saúde
cadastradas no sistema. Os resultados revelaram que 83,3% das regiões apresentavam
composição completa de representantes, porém 47,8% não registravam profissionais de nível
superior no sistema. Identificou-se predominância de três categorias profissionais:
Enfermagem (159 representantes), Odontologia (148) e Medicina (121), enquanto categorias
como Biologia (2), Biomedicina (7), Educação Física (8) e Terapia ocupacional (0)
apresentaram representação residual ou ausência na representação. Observou-se acentuada
disparidade regional, com 67% das entidades concentradas nas regiões Sul e Sudeste,
enquanto Norte e Centro-Oeste somaram apenas 17%. A análise comparativa entre SIACS e
CNES demonstrou que a magnitude da força de trabalho não se traduz necessariamente em
maior representação nos conselhos, indicando que fatores políticos, institucionais e culturais
influenciam a participação profissional. As lacunas informacionais no SIACS comprometem o
monitoramento da representação e a avaliação da efetividade do controle social. Conclui-se
que existe padrão díspar e concentrado de representação profissional, com limitação da
diversidade de saberes necessária à construção democrática de políticas públicas de saúde.
Recomenda-se o desenvolvimento de estratégias de capacitação e apoio institucional voltadas
às regiões e categorias profissionais sub-representadas, visando fortalecer a participação
social e consolidar os princípios democráticos do SUS.
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HELOISA BAIMA DA SILVA SANTOS
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USO DE TÉCNICAS DE APRENDIZADO DE MÁQUINA PARA ESTIMAÇÃO DE GORDURA CORPORAL EM ADULTOS BRASILEIROS
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Data : 11/02/2026
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Considerando a frequência crescente de obesidade no Brasil e no mundo, as limitações do
Índice de Massa Corporal (IMC) em diferenciar massa magra de massa gorda, bem como a
ausência de um método para avaliar o percentual de gordura corporal (%GC) de forma precisa
e acessível, este estudo propôs- se a desenvolver modelos capazes de estimar o %GC de adultos,
a partir de dados demográficos e medidas antropométricas simples, através de técnicas de
Aprendizado de Máquina (AM). Todas as análises estatísticas e a construção dos modelos foram
realizadas na linguagem de programação R. A população do estudo foi constituída por 7.085
adultos com 22 e 30 anos, pertencentes às coortes de Pelotas-RS de 1993 e de 1982,
respectivamente. Os valores do IMC dos participantes do estudo foram calculados e
classificados conforme a Organização Mundial da Saúde. Os indivíduos foram categorizados,
ainda, com base nos valores de %GC, em obesos (≥ 25% para homens e ≥ 32% para mulheres)
e não obesos (≤ 25% para homens e ≤ 32% para mulheres). Após classificação do IMC e %GC,
os indivíduos com IMC < 25 kg/m2 também foram agrupados em peso normal (IMC < 25kg/m2
e ausência de obesidade pelo %GC) e obeso de peso normal (IMC < 25kg/m2 e presença de
obesidade pelo %GC). Foram consideradas variáveis de entrada: dados demográficos (sexo e
idade) e medidas antropométricas (peso, altura e circunferências da cintura (CC), quadril (CQ),
punho direito e panturrilha direita). Enquanto o desfecho foi considerado o %GC mensurado
pelo método da Absortometria de Raio-X de Dupla Energia (DXA). Para construção dos
modelos, foi aplicado o algoritmo Máquina de Vetor de Suporte (Support Vector Machine -
SVM) Radial, adotando-se a Regressão Linear (RL) como referência (baseline). A partição dos
dados seguiu o método Hold-Out, em que 80% compuseram o conjunto de treino e 20% o
conjunto de teste. Exclusivamente no grupo de treino, aplicou-se a técnica de validação cruzada
com k partições (k-fold Cross Validation), adotando-se k = 5. Para avaliação do desempenho,
foram calculadas as métricas: Erro Médio Absoluto (MAE), Raiz do Erro Quadrático Médio
(RMSE), Raiz do Erro Quadrático Médio Normalizado (NRMSE), Erro Percentual Absoluto
Médio (MAPE) e Coeficiente de Determinação (R2). Posteriormente, no modelo com melhor
desempenho, aplicou-se a função SHAP para seleção das variáveis de maior relevância para
construção de duas versões reduzidas: Reduzida 1 (somente com as cinco variáveis mais
relevantes com base no cálculo de SHAP - sexo, CC, CQ, altura e peso, em ordem de
importância) e Reduzida 2 (incluindo a variável idade). Aplicou-se o gráfico de Bland-Altman
e o Coeficiente de Correlação Intraclasse (CCI) para avaliação da concordância entre o %GC
estimado pelos modelos e o %GC mensurado pela DXA. A frequência de indivíduos com
sobrepeso foi de 26,5% e de obesidade 14,1%, considerando o IMC. Já pelo %GC, 52,1% dos
indivíduos foram classificados com obesidade. Destaca-se que, indivíduos obesos de peso
normal corresponderam a 17,3% da amostra geral. Todos os modelos de AM tiveram melhores
resultados quando comparados à RL, sendo o SVM Radial - Reduzido 2 o que obteve melhor
desempenho e concordância (MAE = 2,98; RMSE = 3,72; NRMSE = 7,07; R2 = 0,91, MAPE
= 13,24% e CCI = 0,95 [IC 95%: 0,947 0,957]). Conclui-se que os modelos de AM
desenvolvidos, utilizando variáveis demográficas e antropométricas simples, apresentaram alto
desempenho e excelente concordância para estimação do %GC de adultos, sendo
potencialmente aplicáveis em pesquisas epidemiológicas e em ambientes clínicos, inclusive
naqueles com escassez de recursos, especialmente na Atenção Primária à Saúde. Ressalta-se
que o modelo SVM Radial Reduzido 2 mostrou-se preciso e parcimonioso, necessitando de
um menor número de variáveis para sua aplicação.
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DAYANNE ELLEN DA SILVA E SILVA
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EFEITO DO PESO AO NASCER E DO ESTADO NUTRICIONAL INFANTIL NA MENARCA PRECOCE EM ADOLESCENTES DA COORTE BRISA
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Data : 11/02/2026
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Introdução: Observou-se nas últimas décadas uma tendência secular de antecipação da idade
da menarca, associada a desfechos negativos para a saúde. Embora seus determinantes ainda
não estejam totalmente esclarecidos, fatores genéticos, socioeconômicos, ambientais e
nutricionais têm sido apontados como influências importantes, além de condições pré-natais e
do nascimento, como peso ao nascer, prematuridade e menarca materna. Acredita-se que o peso ao nascer, especialmente quando reduzido, possa afetar o padrão de crescimento e a composição corporal na infância, predispondo à adiposidade excessiva e à menarca precoce. Objetivo:
Analisar o efeito do peso ao nascer sobre a ocorrência de menarca precoce, mediado pelo estado
nutricional aos 1334 meses, entre adolescentes da coorte BRISA. Metodologia: Estudo
longitudinal de coorte prospectiva, com dados do Brazilian Ribeirão Preto and São Luís Birth
Cohort Studies (BRISA), referentes a São Luís (MA). Foram incluídas adolescentes nascidas
em 2010 e acompanhadas nas três fases da coorte, com informações sobre ocorrência e idade
da menarca. Após exclusão dos participantes do sexo masculino, a amostra final foi composta
por 768 adolescentes. A menarca precoce foi definida como a ocorrência antes dos 12 anos.
Realizaram-se análises descritivas, ponderação das perdas diferenciais pelo inverso da
probabilidade e análise de caminhos para ajuste do modelo de mediação, utilizando os softwares
RStudio e Mplus. Resultados: O peso ao nascer não apresentou efeito direto sobre a menarca
precoce (CP = 0,00; p = 0,999) nem efeito indireto mediado pelo IMC aos 1334 meses (CP =
0,035; p = 0,318). Também não houve efeito direto do peso ao nascer sobre o IMC para idade
na primeira infância (CP = 0,237; p = 0,282). A menarca precoce materna (CP = 0,18; p <
0,001) e o IMC na primeira infância (CP = 0,15; p = 0,013) apresentaram efeitos diretos e
positivos sobre a menarca precoce. As variáveis ganho de peso gestacional, classe econômica,
restrição de crescimento intrauterino, idade gestacional, cor da pele e asma não mostraram
efeitos significativos (p > 0,05). Conclusão: O peso ao nascer não apresentou efeito direto ou
indireto sobre a menarca precoce. Em contrapartida, o IMC na primeira infância e a menarca
precoce materna mostraram associação positiva com o desfecho, reforçando a importância do
estado nutricional nos primeiros anos de vida como determinante do desenvolvimento puberal.
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ANA BEATRIZ MACIEL PEREIRA
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INCOMPLETUDE VACINAL NA PRIMEIRA INFÂNCIA: ANÁLISE HIERÁRQUICA DOS DETERMINANTES AOS 12 E 24 MESES EM SÃO LUÍS, MARANHÃO.
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Data : 21/01/2026
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A vacinação infantil no Brasil enfrenta uma crise de cobertura desde 2016, e seu declínio eleva
o risco de ressurgimento de doenças imunopreveníveis. A crise é mais aguda em capitais com
alta vulnerabilidade socioeconômica, como São Luís, Maranhão. Este estudo teve como
objetivo analisar os fatores associados à incompletude vacinal em crianças nascidas em 2017 e
2018. Estudo transversal, realizado a partir de dados do Inquérito de Cobertura Vacinal. A
associação entre o desfecho (esquema vacinal incompleto) e as variáveis independentes foi
avaliada por meio do teste do qui-quadrado de Pearson e a análise hierarquizada foi realizada
por regressão de Poisson. Os resultados demonstraram 67% de cobertura vacinal de crianças,
sendo observada alta taxa de incompletude. Em contraste, a alta renda familiar (RP=0,58) e o
uso do serviço privado (RP=0,39) foram fortes protetores. Fatores logísticos como maior
número de irmãos (RP=1,89) e ordem de nascimento superior (RP=3,81) aumentaram
significativamente o risco. Barreiras físicas de acesso ao posto de saúde não se sustentaram no
modelo final, sugerindo que o problema reside na qualidade e conveniência do serviço. A
frequência à creche inverteu seu efeito, sendo fator protetor aos 24 meses. O uso do serviço
privado como fator protetor reforça a necessidade de aprimoramento da qualidade e
conveniência da Atenção Primária. Conclui-se que é necessário intervenções urgentes que
devem focar no fortalecimento da Estratégia Saúde da Família, com ações de busca ativa, e na
priorização do monitoramento vacinal de coortes de alto risco para o resgate das coberturas.
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