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Descrição |
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CARLA MICHELLE RODRIGUES ABREU
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PERCEPÇÕES E ATITUDES DE PROFISSIONAIS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA EM RELAÇÃO À SAÚDE DA COMUNIDADE LGBTQIAPN+
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Orientador : SARA FITERMAN LIMA
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Data : 27/02/2026
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Introdução: Apesar dos avanços na criação da PNSI-LGBT, as necessidades de saúde da
população LGBTQIAPN+ ainda são desconhecidas por grande parte dos profissionais de
saúde. Sem atendimentos adequados, lésbicas, gays, bissexuais e pessoas transgêneras tendem
a resistir a buscar suporte qualificado. Nesse contexto, torna-se fundamental que os
profissionais desenvolvam habilidades e competências para compreender e valorizar as reais
necessidades dessa população. Objetivo: Analisar as percepções e atitudes de profissionais da
Atenção Primária em relação à saúde da comunidade LGBTQIAPN+. Método: Trata-se de
um estudo qualitativo, descritivo e analítico, realizado entre outubro de 2025 a janeiro de
2026 na UBS Bezerra de Menezes, UBS São Francisco, UBS do Centro e UBS da Liberdade,
localizadas no em São Luís MA, com profissionais da Estratégia Saúde da Família. A coleta
de dados ocorreu por meio de grupo focal, utilizando um questionário estruturado para
informações sociodemográficas e trajetória profissional e um roteiro semiestruturado de
entrevistas. As entrevistas foram transcritas e analisadas segundo a Análise Temática,
conforme a perspectiva de Braun e Clarke. Resultados: A partir da análise das falas,
emergiram duas categorias principais: a primeira, Percepções sobre identidades de gênero,
sexualidades e cuidado à população LGBTQIAPN+, com quatro núcleos de sentido: tensões
morais e limites percebidos no cuidado; reconhecimento progressivo da diversidade e
autorreflexão sobre o preconceito; e cuidado como acolhimento e vínculo. A segunda, Modos
de agir, práticas e formação no cuidado à população LGBTQIAPN+, com cinco núcleos de
sentido: ações de acolhimento e respeito; condutas marcadas por insegurança, hesitação e
atitudes excludentes; movimentos de aprendizado e autotransformação; práticas mediadoras
no acesso e na comunicação do cuidado; e aprendizado prático e formação no cotidiano do
cuidado. Considerações finais: As falas dos participantes evidenciam confusão conceitual,
constrangimento ao abordar a temática e resistência na utilização correta de pronomes e
nomes sociais, revelando fragilidades tanto no campo técnico quanto no cumprimento dos
direitos humanos e legais. A influência de valores morais e religiosos pessoais demonstra-se
como elemento limitador para a prática profissional orientada pelos princípios éticos e pela
universalidade do SUS.
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KATIA SUSANA AZEVEDO SILVA
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PREDIÇÃO DE RISCO DE ATRASO NO DESENVOLVIMENTO NEUROPSICOMOTOR NOS PRIMEIROS MIL DIAS DE VIDA UTILIZANDO APRENDIZADO DE MÁQUINA: COORTE BRISA
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Orientador : BRUNO FERES DE SOUZA
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Data : 27/02/2026
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Introdução: Os primeiros mil dias de vida representam uma janela determinante para o
desenvolvimento neuropsicomotor, período sensível a influências biológicas, ambientais e
sociais que impactam diretamente a aquisição de habilidades cognitivas, motoras e de
linguagem. A identificação precoce de risco nesse intervalo é fundamental para a
implementação de intervenções oportunas. Objetivo: Predizer o risco de atraso no
desenvolvimento neuropsicomotor em crianças nos primeiros mil dias de vida, utilizando
técnicas de Aprendizado de Máquina. Métodos: Estudo prospectivo com dados da coorte pré-
natal BRISA, realizada em São Luís (MA), com 972 díades mãe-criança acompanhadas até os
dois anos de idade. O desfecho foi o risco de atraso avaliado pela escala de triagem Bayley-III,
considerando domínios cognitivo, comunicação (expressiva e receptiva) e motor (fino e
grosso), além de desfechos combinados, em oito cenários preditivos. Foram testados cinco
algoritmos (Regressão Logística, Random Forest, SVM radial, XGBoost e Redes Neurais). A
avaliação foi realizada por validação cruzada K-fold e o desempenho estimado por acurácia,
sensibilidade, especificidade, precisão, F1-score e área sob a curva ROC (AUC). A
interpretabilidade dos modelos foi investigada por SHAP. Resultados: O desempenho preditivo
foi limitado, com AUC variando aproximadamente de 0,49 a 0,58. A melhor discriminação
ocorreu no cenário de comunicação expressiva (AUC=0,58) e, no desfecho agregado de risco
global, observou-se desempenho apenas ligeiramente superior ao acaso (AUC≈0,56). Em
alguns domínios, Regressão Logística, SVM radial e Redes Neurais apresentaram métricas
discretamente superiores. As variáveis com maior contribuição nos modelos (SHAP) variaram
conforme o domínio, destacando-se fatores sociodemográficos (escolaridade materna, renda
familiar, número de filhos), perinatais (idade gestacional, peso ao nascer e intercorrências ao
nascimento) e psicossociais (sintomas depressivos maternos, exposição à violência e dimensões
de apoio social). Conclusão: Os modelos não apresentaram desempenho suficiente para
aplicação individual em contexto clínico; os achados sustentam uso predominantemente
exploratório e podem subsidiar estratégias de vigilância/estratificação de risco em nível
populacional, condicionadas a validações adicionais.
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LUIS AUGUSTO DA SILVA MACIEL
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MARCADORES DO CONSUMO DE ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS DA POPULAÇÃO BRASILEIRA: VIGITEL, 2023
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Orientador : ALCIONE MIRANDA DOS SANTOS
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Data : 26/02/2026
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Nas últimas décadas houve o aumento do consumo de ultraprocessados no Brasil, impactando
negativamente a qualidade nutricional da dieta e contribuindo para a carga de doenças crônicas
não transmissíveis. Para avaliar o consumo alimentar populacional, inquéritos e estudos
epidemiológicos têm adotado o escore Nova de classificação de alimentos. A partir de 2018, o
instrumento Escore Nova foi inserido no questionário anual da Vigilância de Fatores de Risco
e Proteção para as Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), possibilitando o cálculo
de um escore de consumo alimentar. Todavia, a complexidade das ferramentas de avaliação e
dos aspectos que influenciam o consumo alimentar dificultam a adequada mensuração e
monitoramento do consumo de ultraprocessados a nível populacional, limitando a
comparabilidade dos dados. Considerando as marcadas diferenças regionais no Brasil,
identificar os padrões que diferenciam o consumo alimentar entre as regiões do país é
fundamental para o planejamento assertivo de políticas de promoção de alimentação saudável.
Nesse contexto, a Teoria de Resposta ao Item (TRI) pode proporcionar uma estimativa mais
precisa e robusta do consumo alimentar, permitindo identificar os alimentos mais
discriminativos em relação ao consumo de ultraprocessados. Dessa forma, o objetivo deste
estudo foi analisar o consumo de alimentos ultraprocessados entre adultos das capitais
brasileiras no ano de 2023, utilizando a TRI. Trata-se de um estudo psicométrico que utilizou
dados do Vigitel da série de 2023. Foram incluídos 21.960 indivíduos adultos das 27 capitais
brasileiras e o Distrito Federal. O consumo alimentar foi mensurado através de 25 itens
classificados segundo a metodologia NOVA. Foram ajustados modelos logísticos
multidimensionais de três parâmetros (M3PL) para estimar os traços latentes de consumo de
alimentos in natura (θ1) e ultraprocessados (θ2). Foram calculados os coeficientes de
discriminação e elaborados gráficos de análise fatorial dos itens para visualização da estrutura
latente por região. Na amostra em estudo, os participantes possuíam média idade de 43,4 anos
(IC95%: 42,9; 43,9), 44,1% residiam majoritariamente na região Sudeste, 53,9% eram do sexo
feminino, 41,2% possuíam ensino médio completo e 58,8% dos entrevistados apresentavam
excesso de peso. As regiões Sudeste e Sul demonstraram maior capacidade discriminatória para
ultraprocessados, com destaque para o item bebida achocolatada, enquanto o Nordeste
apresentou o prato pronto congelado como principal marcador. No Norte e no Centro-Oeste,
observaram-se padrões mistos e menor magnitude de discriminação entre os itens. Em todas as
regiões, os vetores de alimentos in natura mantiveram-se ortogonais aos de AUP, sugerindo
coexistência entre esses padrões de consumo. Com base nos achados, nota-se que o consumo
de ultraprocessados no Brasil é heterogêneo e regionalmente diferenciado. A aplicação da TRI
demonstrou-se uma abordagem eficiente na identificação de alimentos com maior capacidade
para distinguir os níveis de adesão ao consumo elevado de ultraprocessados, podendo fornecer
informações úteis para orientar ações de vigilância e segurança alimentar e nutricional.
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THALITA LISBOA GONÇALVES AZEVEDO
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ANÁLISE DE SÉRIE TEMPORAL DE INDICADORES DE SAÚDE MATERNA E INFANTIL EM UMA CAPITAL DO NORDESTE BRASILEIRO
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Orientador : ERIKA BARBARA ABREU FONSECA THOMAZ
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Data : 26/02/2026
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Introdução: Os problemas de saúde materna e infantil permanecem expressivos em
todo o mundo, especialmente em países de baixa e média renda. No Brasil, as
desigualdades regionais ainda comprometem o alcance das metas dos Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável, com o Nordeste apresentando maiores desafios. Nesse
contexto, o monitoramento da saúde materno-infantil a partir dos indicadores
disponíveis nos sistemas de informação possibilita a avaliação contínua do
desempenho dos serviços e das ações desenvolvidas, especialmente no âmbito do
cuidado nos primeiros 1000 dias de vida. Objetivo: Analisar a tendência temporal dos
indicadores de saúde materno-infantil da Atenção Primária na cidade de São Luís,
capital do Maranhão no período de 2017 a 2024. Método: Trata-se de um estudo
ecológico de série temporal, com abordagem quantitativa, utilizando dados
secundários do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Primária (SIAPS)
referentes ao período de 2017 a 2024. Foram analisados dez indicadores, sendo seis
relativos à saúde da mulher (No de gestantes com consultas iniciadas até 12 semanas
de IG; No de gestantes com exames realizados até 20 semanas de IG; No de gestantes
com 6 ou mais consultas pré-natais; No de ações educativas coletivas com gestantes;
No de visitas domiciliares do ACS à gestante; No de visitas domiciliares do ACS à
puérpera) e quatro à saúde da criança ( No de visitas domiciliares do ACS ao RN; No
de crianças em AME; No de crianças em aleitamento complementado; No de crianças
com vacina em dias). Resultados: A análise descritiva evidenciou ampla variabilidade
nos indicadores, com coeficientes de variação elevados, refletindo irregularidade na
oferta das ações de APS. A análise de tendência temporal (modelo Joinpoint) revelou
crescimento significativo no início precoce do pré-natal (VPT=7,75%; p<0,001), na
realização de exames até 20 semanas (VPT=6,58%; p<0,001) e nas ações educativas
com gestantes após 2021 (VPT=12,9%; p=0,004). Também houve tendência
crescente no aleitamento materno exclusivo (VPT=6,99%; p<0,001) e complementado
(VPT=6,38%; p<0,001). Apesar desses avanços, observaram-se flutuações e
instabilidade em indicadores de continuidade do cuidado, como o número de consultas
pré-natais e de visitas domiciliares. Conclusão: A análise da tendência temporal dos
indicadores de saúde materna e infantil na Atenção Primária à Saúde de São Luís,
entre 2017 e 2024, evidenciou comportamento heterogêneo entre os indicadores
avaliados. Observou-se avanço consistente em indicadores relacionados ao acesso
oportuno ao pré-natal e às práticas de aleitamento materno, contrastando com
instabilidades importantes na continuidade do acompanhamento pré-natal e na
regularidade de algumas ações assistenciais.
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LUCIA REGINA MOREIRA DE OLIVEIRA
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ASSOCIAÇÃO ENTRE CONSUMO DE ALIMENTOS SEGUNDO O GRAU DE PROCESSAMENTO E CARACTERÍSTICAS COMPORTAMENTAIS EM ADOLESCENTES DA COORTE BRISA
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Orientador : POLIANA CRISTINA DE ALMEIDA FONSECA VIOLA
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Data : 25/02/2026
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Introdução: A adolescência é um período crítico para a consolidação de hábitos alimentares e
para o desenvolvimento da saúde mental. Evidências crescentes sugerem que a qualidade da
dieta, particularmente o alto consumo de Alimentos Ultraprocessados (AUP), pode influenciar
negativamente o comportamento e a saúde mental, dada a sua baixa densidade nutricional e
potencial pró-inflamatório. O estudo desta relação, controlando-se por fatores socioeconômicos
e comportamentais, é essencial para a formulação de intervenções específicas. Objetivo:
Investigar a associação independente entre o consumo alimentar, classificado pelo grau de
processamento (NOVA), e a Pontuação Total de Dificuldades (SDQ) em adolescentes.
Métodos: Trata-se de um estudo de coorte transversal realizado com adolescentes (10-13 anos)
da Coorte BRISA, São Luís, Maranhão (N=2293). A variável de exposição foi o consumo
alimentar avaliado por meio do Recordatório de 24 horas (R24h), categorizado segundo a
classificação NOVA e mensurado em percentual calórico (%Kcal) da dieta. O desfecho
principal foi a Pontuação Total de Dificuldades, avaliada pelo Questionário de Forças e
Dificuldades (SDQ). Variáveis demográficas, socioeconômicas e comportamentais (sexo,
idade, Classe Econômica Brasileira, atividade física, tempo de tela, duração do sono) foram
utilizadas como fatores de confundimento, conforme direcionado por um Gráfico Acíclico
Direcionado (DAG). A associação foi testada por meio de análises bivariadas e Regressão
Linear Múltipla. Adotou-se o nível de significância de 5%. Resultados: O consumo médio de
AUP correspondeu a 30,3% da dieta dos adolescentes. A análise bivariada indicou uma
associação significativa entre o consumo de AUP e o sexo, sendo as adolescentes do sexo
feminino mais prevalentes nos tercis de maior consumo (p= 0,002). A Regressão Linear
Múltipla demonstrou que, mesmo após ajuste para todos os confundidores, o maior consumo
de AUP foi, independentemente, associado a maiores pontuações de dificuldades
comportamentais (β= 0,300; IC 95% :0,05; 0,55). Complementarmente, o aumento no consumo
de Alimentos In Natura ou Minimamente Processados (AIMP) associou-se a uma redução na
Pontuação Total de Dificuldades (β = -0,410; IC 95%: -0,70; -0,12). Outros fatores de risco
incluíram o sedentarismo/inatividade física e o tempo de tela elevado. Conclusão: O consumo
de AUP atua como um fator de risco importante do aumento das dificuldades comportamentais
na adolescência. Os achados reforçam a necessidade de políticas públicas abrangentes que
promovam a substituição dos AUP por dietas baseadas em AIMP, visando a proteção da saúde
mental dos adolescentes brasileiros.
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ELIANE MARIA NASCIMENTO DE CARVALHO
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PROGRAMA BOLSA FAMILIA E ASSOCIAÇÃO COM PROBLEMAS DE SAUDE MENTAL EM CRIANÇAS DE UMA COORTE EM SÃO LUIS-MA
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Data : 24/02/2026
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A infância é um período sensível ao impacto de fatores socioeconômicos, especialmente à
pobreza, que impacta negativamente o desenvolvimento emocional, comportamental e
cognitivo. No Brasil em 2022, apresentava 62,5 milhões de indivíduos viviam na pobreza e
destes, 17,9 milhões estavam vivendo em extrema pobreza. O desequilíbrio financeiro expõe
as crianças à vulnerabilidade social, elevando o risco de transtornos mentais. Programas de
Transferência de Renda (PTR), como o Bolsa Família, têm sido implementados como
estratégias de combate à pobreza, com efeitos positivos em indicadores de saúde, educação e
nutrição. Embora evidências sugiram que os PTR possam influenciar indiretamente a saúde
mental infantil, os resultados são heterogêneos e não está bem estabelecido. No contexto
maranhense, marcado por desigualdades socioeconômicas, investigar essa relação é crucial para
compreender as associações dos determinantes sociais na saúde mental infantil. Objetivo:
Analisar a associação entre transferência de renda na primeira infância e a presença de
problemas emocionais em adolescentes participantes da Coorte Brisa de São Luís - Maranhão.
Método: Estudo de coorte realizado em São Luís (MA), incluindo 488 crianças de famílias de
renda ≤ R$ 140, avaliadas aos 1-3 e 11-13 anos de idade. A exposição foi ser beneficiário do
Programa Bolsa Família (PBF) e o desfecho foi problemas de saúde mental, mensurados pelo
escore do SDQ. Utilizou-se regressão binomial negativa para estimar razões de taxas,
considerando significância de p < 0,05. O modelo teórico, representado por um DAG, orientou
a seleção das variáveis de ajuste. Resultados: Observou-se que 48,2% eram beneficiárias do
Programa Bolsa Família e a média dos escores do SDQ foi de 10,36 (±6,53). Não foi observada
associação entre o PBF e a presença de problemas de saúde mental nos modelos brutos (p =
0,707) ou ajustados (p = 0,829). Como achado secundário, a presença de sintomas de sofrimento
psíquico na mãe mostrou-se associada a maiores escores do SDQ entre crianças e adolescentes (IRR: 1,20; IC95%: 1,06-1,37). Conclusão: Não foi observado um efeito direto do PBF sobre os problemas de saúde mental em crianças aos 11-13. Os resultados sugerem que políticas
públicas voltadas exclusivamente para a redução da pobreza, embora fundamentais, podem ser insuficientes para promover melhorias consistentes na saúde mental infantil.
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GILBERTO DE HOLANDA LOPES FILHO
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MODELO PARA ESTRATIFICAÇÃO DO RISCO DE QUEDAS NO ENVELHECIMENTO COM MACHINE LEARNING: DADOS DO ELSI-BRASIL
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Orientador : BRUNO FERES DE SOUZA
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Data : 24/02/2026
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As quedas representam um importante problema de saúde pública no contexto do
envelhecimento populacional, associadas à morbimortalidade, incapacidade e aumento dos
custos assistenciais. No Brasil, a prevalência de quedas em indivíduos com > 50 anos é elevada
e tende a crescer frente à rápida transição demográfica. As escalas clínicas disponíveis
apresentam acurácia limitada, especialmente em populações heterogêneas, e os modelos
estatísticos convencionais tem dificuldades em capturar as interações complexas e não lineares
entre múltiplos fatores de risco. Nesse cenário, as técnicas de Aprendizado de Máquina
emergem como ferramentas promissoras para desenvolver modelos preditivos mais acurados e
aplicáveis. Trata-se de um estudo quantitativo, analítico e preditivo, com abordagem
transversal, cujo objetivo foi desenvolver e avaliar o desempenho de modelos de aprendizado
supervisionado para o risco de quedas em indivíduos com 50 anos ou mais, utilizando dados da
segunda onda (20192021) do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-
Brasil). A amostra incluiu 9.862 participantes, dos quais 18,65% relataram queda nos últimos
12 meses. Cinco algoritmos foram usados: Regressão Logística Penalizada, Support Vector
Machine (SVM) com kernel radial, Random Forest, XGBoost e Redes Neurais Artificiais. O
desempenho foi avaliado por acurácia, sensibilidade (recall), especificidade, valores preditivos
positivo e negativo, F1-score e área sob a curva ROC (AUC). Para maior explicabilidade,
empregou-se a técnica SHAP (Shapley Additive Explanations) no pós-processamento. Os
modelos apresentaram bom desempenho global, com acurácia entre 65,5% e 71,8%. O SVM
radial demonstrou a melhor capacidade discriminativa (AUC = 0,806), e uma boa realação entre
sensibilidade (75,1%) e especificidade (67,2%). A Regressão Logística Penalizada teve
acurácia de 71,8%, sensibilidade de 71,6% e especificidade de 71,9%, sendo o segundo melhor
modelo. Ambos tiveram alto valor preditivo negativo (>91%), demonstrando robustez para
triagem do risco de queda. A análise dos valores de SHAP indicou como principais preditores
o histórico de quedas, idade avançada, sexo feminino, dor crônica, polifarmácia, autopercepção
negativa de saúde, baixa renda domiciliar, limitação funcional e menor força de preensão
palmar. Os resultados confirmam o potencial dos modelos desenvolvidos como método de
estratificação do risco de quedas no envelhecimento, especialmente na Atenção Primária.
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INGRID FEITOZA MUNIZ
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11° CONFERÊNCIA ESTADUAL DE SAÚDE DO MARANHÃO: ANÁLISE A PARTIR DA TEORIA DA DESDEMOCRATIZAÇÃO
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Orientador : JUDITH RAFAELLE OLIVEIRA PINHO
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Data : 23/02/2026
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Introdução: as Conferências de Saúde são instâncias deliberativas de Controle Social do
Sistema Único de Saúde institucionalizadas pela Lei n° 8142/1990. A cada quatro anos reúnem
a sociedade civil para analisar a saúde pública e propor diretrizes para compor os planos e
políticas de saúde. Apesar de seu potencial democrático, enfrentam fragilidades organizativas
e estruturais tanto a nível nacional quanto local, em um contexto de Desdemocratização das
instituições democráticas. No Maranhão, a 11a Conferência Estadual de Saúde do Maranhão
ocorreu em meio à polarização política e à dependência orçamentária. O estudo analisa sua
organização e desafios, contribuindo para compreender o Controle Social no estado do
Maranhão. Objetivo: analisar o contexto organizativo e estrutural da 11° Conferência Estadual
de Saúde do Maranhão. Métodos: esta é uma pesquisa qualitativa sobre a organização da 11a
Conferência Estadual de Saúde do Maranhão. O estudo ocorreu em São Luís MA, no período
de maio/2023 a outubro/2025. A população do estudo trata-se da Comissão Organizadora e do
Comitê Executivo da conferência, que totaliza 26 integrantes, dos quais nove participaram desse
estudo. Como instrumento de pesquisa, elaborou-se uma entrevista semiestruturada e a coleta
de dados ocorreu entre junho/2023 a agosto/2024. Foi realizado análise de conteúdo das
entrevistas, conforme método de Bardin (2011), por meio da plataforma NVivo®, resultando
em três categorias de análise. O referencial teórico para embasar a análise e discussão foi a
Teoria da Desdemocratização de Brown (2015). Resultados e Discussão: as entrevistas
evidenciaram que a organização da conferência teve fragilidades como dependência financeira,
atrasos de recursos, falhas de gestão e baixa renovação de lideranças, o que limitou a autonomia
e a efetividade participativa, refletindo o processo de Desdemocratização descrito por Brown
(2015). Em contrapartida, destacou-se a mobilização social, parcerias institucionais, o
aprendizado, integração e exercício democrático como potencialidades que fortaleceram o
evento. Por fim, mesmo diante de desafios estruturais e organizativos, evidenciou-se a
resistência do Controle Social frente ao desmonte institucional e ao avanço do neoliberalismo.
Considerações Finais: apesar das fragilidades e limitações da conferência em meio ao contexto de Desdemocratização, a 11a Conferência Estadual de Saúde do Maranhão reafirmou o direito
de participação social na gestão das políticas de saúde e evidenciou a resistência das instituições
democráticas.
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SHEILA ALMEIDA DO NASCIMENTO
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ASSOCIAÇÃO ENTRE CONSUMO DE ALIMENTOS SEGUNDO O GRAU DE PROCESSAMENTO E CÁRIE DENTÁRIA EM ADOLESCENTES DA COORTE BRISA
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Orientador : POLIANA CRISTINA DE ALMEIDA FONSECA VIOLA
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Data : 23/02/2026
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Introdução: A cárie dentária representa um problema relevante de saúde pública, afetando 3,5
bilhões de pessoas, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Embora seja multifatorial,
o padrão alimentar contemporâneo tem sido apontado como um potencial fator de risco na
etiologia da cárie dentária. Objetivo: Investigar a associação entre consumo de alimentos
segundo o nível de processamento e cárie dentária entre adolescentes da coorte BRISA.
Métodos: Trata-se de um estudo transversal, com dados da coorte de nascimento BRISA de
São Luís-MA, cujos participantes foram avaliados no segundo seguimento aos 11-13 anos de
idade, onde foram coletadas informações sociodemográficas, hábitos de vida, consumo
alimentar e realizado exame bucal. Foram testados modelos teóricos para verificar associação
entre o consumo alimentar segundo o nível de processamento (percentual de gramas) e a cárie
dentária. No primeiro modelo, a variável de exposição foi o consumo de alimentos in natura ou
minimamente processados e no segundo o consumo de alimentos ultraprocessados. O desfecho
(cárie dentária) foi empregado como variável dicotômica. Empregou-se como variáveis de
ajuste a latente de status socioeconômico - SES; sexo; idade; cor da pele da mãe; tempo de sono
e tempo de tela dos adolescentes. Nos modelos teóricos, o status SES foi um determinante mais
distal ligado à variável de exposição (consumo alimentar) e ao desfecho (cárie). O fator de
exposição (consumo alimentar) foi ligado diretamente ao desfecho e mediador entre SES e cárie
e as variáveis de ajustes ligadas à exposição e ao desfecho. Para análise dos dados foi utilizado
os softwares R 4.5.0 ®️ e R Studio. Realizou-se a análise descritiva através das frequências
absolutas e relativas e medidas de tendência central e de dispersão. Empregou-se a modelagem
de equações estruturais (SEM Structural Equation Modeling) para analisar as associações
entre as variáveis de exposição e o desfecho, ao nível de significância de 95%. O estudo atendeu
àsrecomendações da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Resultados: Dos 1665
adolescentes, 53,3% eram do sexo masculino e 61,6% tinham 12 anos de idade, com mães de
cor da pele parda (63,7%). A prevalência de cárie dentária foi de 34%, sendo maior entre o sexo
feminino (p = 0,008). A análise do consumo alimentar individual evidenciou ingestão
energética (kcal) total média de 1.702 kcal/dia (DP: 261.639), sendo 30,8% de AUP. Constatou-
se associação positiva e significativa entre consumo de AUP e cárie dentária (β = 0,009; p =
0,033) e negativa e significativa entre o consumo de AINMP e cárie (β = -0,095; p = 0,045). A
a latente SES mostrou efeito direto significativo sobre consumo alimentar e cárie dentária e as
variáveis de ajustes não mostraram associação significativa nos modelos. Conclusão: O estudo
evidenciou elevada participação de AUP na dieta dos adolescentes e associação direta com a
cárie dentária, bem como um efeito protetor do consumo de AINMP. Esses achados reforçam
a necessidade de estratégias voltadas à promoção da alimentação saudável como um dos eixos
centrais para a prevenção da cárie dentária nessa faixa etária, além de apresentam potencial para
subsidiar políticas públicas e intervenções em saúde voltadas à essa população.
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EMANUELLEN COELHO DA SILVA
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MARCADOR INFLAMATÓRIO COMO MEDIADOR ENTRE ADIPOSIDADE
E SONO EM ADULTOS DA COORTE DE 1993 DE PELOTAS
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Data : 20/02/2026
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Introdução: Evidências demostram que a adiposidade corporal está relacionada a alterações
no sono e que processos inflamatórios podem desempenhar papel mediador nessa associação.
Objetivo: Avaliar se a proteína C-reativa (PCR) aos 22 anos medeia a associação entre o índice
de massa gorda (IMG) aos 18 anos e a duração do sono aos 30 anos em adultos da Coorte de
Nascimentos de 1993 de Pelotas. Métodos: Estudo longitudinal com dados de 2.158
participantes. O IMG foi avaliado por pletismografia por deslocamento de ar (Bod Pod®) aos
18 anos. A PCR sérica foi medida aos 22 anos, e a duração média do sono (horas) foi estimada
por acelerometria aos 30 anos. As análises de mediação foram conduzidas com o pacote
mediation no software R (versão 2025.06.1+524), considerando modelos brutos e ajustados
para sexo, cor da pele, escolaridade, trabalho, consumo de álcool, tabagismo, tempo de tela,
consumo alimentar, atividade física, uso de drogas ilícitas, ansiedade e sintomas depressivos.
A robustez dos achados foi testada por análise de sensibilidade. Resultados: Na análise bruta,
o IMG apresentou associação positiva com a duração do sono (β: 0,016; IC 95%: 0,004 0,027;
p = 0,007). Na análise ajustada, essa associação se manteve e tornou-se negativa (β: −0,020; IC
95%: −0,034; −0,006; p = 0,003). Na análise de mediação sem ajuste, a PCR mediou a
associação entre IMG e sono (ACME = 0,007; p = 0,004), embora o efeito direto (ADE) não
tenha sido significativo. Após ajuste para covariáveis, a mediação pela PCR perdeu
significância (ACME = 0,001; p = 0,374), e o efeito direto do IMG tornou-se negativo e
significativo (ADE = -0,022; p = 0,004). A análise de sensibilidade indicou que o efeito de
mediação foi pequeno e não robusto diante de confundidores não mensurados. Conclusão: Os
achados sugerem que a PCR não desempenha papel mediador relevante na associação entre
adiposidade precoce e duração do sono na vida adulta. Em contrapartida, níveis mais elevados
de IMG na juventude foram diretamente associados a menor duração do sono aos 30 anos,
ressaltando a importância da prevenção do excesso de adiposidade desde o início da vida adulta.
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MARTA ROCHA CAVALCANTE
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ANÁLISE DA REPRESENTAÇÃO DE PROFISSIONAIS DA SAÚDE NOS CONSELHOS DE SAÚDE BRASILEIROS
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Orientador : JUDITH RAFAELLE OLIVEIRA PINHO
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Data : 12/02/2026
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A participação social constitui princípio fundamental do Sistema Único de Saúde (SUS),
consolidada pela Lei nº 8.142/1990, que instituiu os Conselhos de Saúde como instâncias
deliberativas. Este estudo analisou a composição dos Conselhos de Saúde dos municípios-
sede das regiões de saúde brasileiras, com ênfase na representação de profissionais de saúde
de nível superior. Trata-se de estudo descritivo, de abordagem quantitativa, realizado a partir
de dados secundários extraídos do Sistema de Acompanhamento dos Conselhos de Saúde
(SIACS) e do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). O universo de
análise compreendeu os Conselhos de Saúde dos municípios-sede das 450 regiões de saúde
cadastradas no sistema. Os resultados revelaram que 83,3% das regiões apresentavam
composição completa de representantes, porém 47,8% não registravam profissionais de nível
superior no sistema. Identificou-se predominância de três categorias profissionais:
Enfermagem (159 representantes), Odontologia (148) e Medicina (121), enquanto categorias
como Biologia (2), Biomedicina (7), Educação Física (8) e Terapia ocupacional (0)
apresentaram representação residual ou ausência na representação. Observou-se acentuada
disparidade regional, com 67% das entidades concentradas nas regiões Sul e Sudeste,
enquanto Norte e Centro-Oeste somaram apenas 17%. A análise comparativa entre SIACS e
CNES demonstrou que a magnitude da força de trabalho não se traduz necessariamente em
maior representação nos conselhos, indicando que fatores políticos, institucionais e culturais
influenciam a participação profissional. As lacunas informacionais no SIACS comprometem o
monitoramento da representação e a avaliação da efetividade do controle social. Conclui-se
que existe padrão díspar e concentrado de representação profissional, com limitação da
diversidade de saberes necessária à construção democrática de políticas públicas de saúde.
Recomenda-se o desenvolvimento de estratégias de capacitação e apoio institucional voltadas
às regiões e categorias profissionais sub-representadas, visando fortalecer a participação
social e consolidar os princípios democráticos do SUS.
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HELOISA BAIMA DA SILVA SANTOS
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USO DE TÉCNICAS DE APRENDIZADO DE MÁQUINA PARA ESTIMAÇÃO DE GORDURA CORPORAL EM ADULTOS BRASILEIROS
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Orientador : ANA KARINA TEIXEIRA DA CUNHA FRANCA
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Data : 11/02/2026
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Considerando a frequência crescente de obesidade no Brasil e no mundo, as limitações do
Índice de Massa Corporal (IMC) em diferenciar massa magra de massa gorda, bem como a
ausência de um método para avaliar o percentual de gordura corporal (%GC) de forma precisa
e acessível, este estudo propôs- se a desenvolver modelos capazes de estimar o %GC de adultos,
a partir de dados demográficos e medidas antropométricas simples, através de técnicas de
Aprendizado de Máquina (AM). Todas as análises estatísticas e a construção dos modelos foram
realizadas na linguagem de programação R. A população do estudo foi constituída por 7.085
adultos com 22 e 30 anos, pertencentes às coortes de Pelotas-RS de 1993 e de 1982,
respectivamente. Os valores do IMC dos participantes do estudo foram calculados e
classificados conforme a Organização Mundial da Saúde. Os indivíduos foram categorizados,
ainda, com base nos valores de %GC, em obesos (≥ 25% para homens e ≥ 32% para mulheres)
e não obesos (≤ 25% para homens e ≤ 32% para mulheres). Após classificação do IMC e %GC,
os indivíduos com IMC < 25 kg/m2 também foram agrupados em peso normal (IMC < 25kg/m2
e ausência de obesidade pelo %GC) e obeso de peso normal (IMC < 25kg/m2 e presença de
obesidade pelo %GC). Foram consideradas variáveis de entrada: dados demográficos (sexo e
idade) e medidas antropométricas (peso, altura e circunferências da cintura (CC), quadril (CQ),
punho direito e panturrilha direita). Enquanto o desfecho foi considerado o %GC mensurado
pelo método da Absortometria de Raio-X de Dupla Energia (DXA). Para construção dos
modelos, foi aplicado o algoritmo Máquina de Vetor de Suporte (Support Vector Machine -
SVM) Radial, adotando-se a Regressão Linear (RL) como referência (baseline). A partição dos
dados seguiu o método Hold-Out, em que 80% compuseram o conjunto de treino e 20% o
conjunto de teste. Exclusivamente no grupo de treino, aplicou-se a técnica de validação cruzada
com k partições (k-fold Cross Validation), adotando-se k = 5. Para avaliação do desempenho,
foram calculadas as métricas: Erro Médio Absoluto (MAE), Raiz do Erro Quadrático Médio
(RMSE), Raiz do Erro Quadrático Médio Normalizado (NRMSE), Erro Percentual Absoluto
Médio (MAPE) e Coeficiente de Determinação (R2). Posteriormente, no modelo com melhor
desempenho, aplicou-se a função SHAP para seleção das variáveis de maior relevância para
construção de duas versões reduzidas: Reduzida 1 (somente com as cinco variáveis mais
relevantes com base no cálculo de SHAP - sexo, CC, CQ, altura e peso, em ordem de
importância) e Reduzida 2 (incluindo a variável idade). Aplicou-se o gráfico de Bland-Altman
e o Coeficiente de Correlação Intraclasse (CCI) para avaliação da concordância entre o %GC
estimado pelos modelos e o %GC mensurado pela DXA. A frequência de indivíduos com
sobrepeso foi de 26,5% e de obesidade 14,1%, considerando o IMC. Já pelo %GC, 52,1% dos
indivíduos foram classificados com obesidade. Destaca-se que, indivíduos obesos de peso
normal corresponderam a 17,3% da amostra geral. Todos os modelos de AM tiveram melhores
resultados quando comparados à RL, sendo o SVM Radial - Reduzido 2 o que obteve melhor
desempenho e concordância (MAE = 2,98; RMSE = 3,72; NRMSE = 7,07; R2 = 0,91, MAPE
= 13,24% e CCI = 0,95 [IC 95%: 0,947 0,957]). Conclui-se que os modelos de AM
desenvolvidos, utilizando variáveis demográficas e antropométricas simples, apresentaram alto
desempenho e excelente concordância para estimação do %GC de adultos, sendo
potencialmente aplicáveis em pesquisas epidemiológicas e em ambientes clínicos, inclusive
naqueles com escassez de recursos, especialmente na Atenção Primária à Saúde. Ressalta-se
que o modelo SVM Radial Reduzido 2 mostrou-se preciso e parcimonioso, necessitando de
um menor número de variáveis para sua aplicação.
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DAYANNE ELLEN DA SILVA E SILVA
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EFEITO DO PESO AO NASCER E DO ESTADO NUTRICIONAL INFANTIL NA MENARCA PRECOCE EM ADOLESCENTES DA COORTE BRISA
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Orientador : MARIA TERESA SEABRA SOARES DE BRITTO E ALVES
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Data : 11/02/2026
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Introdução: Observou-se nas últimas décadas uma tendência secular de antecipação da idade
da menarca, associada a desfechos negativos para a saúde. Embora seus determinantes ainda
não estejam totalmente esclarecidos, fatores genéticos, socioeconômicos, ambientais e
nutricionais têm sido apontados como influências importantes, além de condições pré-natais e
do nascimento, como peso ao nascer, prematuridade e menarca materna. Acredita-se que o peso ao nascer, especialmente quando reduzido, possa afetar o padrão de crescimento e a composição corporal na infância, predispondo à adiposidade excessiva e à menarca precoce. Objetivo:
Analisar o efeito do peso ao nascer sobre a ocorrência de menarca precoce, mediado pelo estado
nutricional aos 1334 meses, entre adolescentes da coorte BRISA. Metodologia: Estudo
longitudinal de coorte prospectiva, com dados do Brazilian Ribeirão Preto and São Luís Birth
Cohort Studies (BRISA), referentes a São Luís (MA). Foram incluídas adolescentes nascidas
em 2010 e acompanhadas nas três fases da coorte, com informações sobre ocorrência e idade
da menarca. Após exclusão dos participantes do sexo masculino, a amostra final foi composta
por 768 adolescentes. A menarca precoce foi definida como a ocorrência antes dos 12 anos.
Realizaram-se análises descritivas, ponderação das perdas diferenciais pelo inverso da
probabilidade e análise de caminhos para ajuste do modelo de mediação, utilizando os softwares
RStudio e Mplus. Resultados: O peso ao nascer não apresentou efeito direto sobre a menarca
precoce (CP = 0,00; p = 0,999) nem efeito indireto mediado pelo IMC aos 1334 meses (CP =
0,035; p = 0,318). Também não houve efeito direto do peso ao nascer sobre o IMC para idade
na primeira infância (CP = 0,237; p = 0,282). A menarca precoce materna (CP = 0,18; p <
0,001) e o IMC na primeira infância (CP = 0,15; p = 0,013) apresentaram efeitos diretos e
positivos sobre a menarca precoce. As variáveis ganho de peso gestacional, classe econômica,
restrição de crescimento intrauterino, idade gestacional, cor da pele e asma não mostraram
efeitos significativos (p > 0,05). Conclusão: O peso ao nascer não apresentou efeito direto ou
indireto sobre a menarca precoce. Em contrapartida, o IMC na primeira infância e a menarca
precoce materna mostraram associação positiva com o desfecho, reforçando a importância do
estado nutricional nos primeiros anos de vida como determinante do desenvolvimento puberal.
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ANA BEATRIZ MACIEL PEREIRA
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INCOMPLETUDE VACINAL NA PRIMEIRA INFÂNCIA: ANÁLISE HIERÁRQUICA DOS DETERMINANTES AOS 12 E 24 MESES EM SÃO LUÍS, MARANHÃO.
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Orientador : REJANE CHRISTINE DE SOUSA QUEIROZ
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Data : 21/01/2026
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A vacinação infantil no Brasil enfrenta uma crise de cobertura desde 2016, e seu declínio eleva
o risco de ressurgimento de doenças imunopreveníveis. A crise é mais aguda em capitais com
alta vulnerabilidade socioeconômica, como São Luís, Maranhão. Este estudo teve como
objetivo analisar os fatores associados à incompletude vacinal em crianças nascidas em 2017 e
2018. Estudo transversal, realizado a partir de dados do Inquérito de Cobertura Vacinal. A
associação entre o desfecho (esquema vacinal incompleto) e as variáveis independentes foi
avaliada por meio do teste do qui-quadrado de Pearson e a análise hierarquizada foi realizada
por regressão de Poisson. Os resultados demonstraram 67% de cobertura vacinal de crianças,
sendo observada alta taxa de incompletude. Em contraste, a alta renda familiar (RP=0,58) e o
uso do serviço privado (RP=0,39) foram fortes protetores. Fatores logísticos como maior
número de irmãos (RP=1,89) e ordem de nascimento superior (RP=3,81) aumentaram
significativamente o risco. Barreiras físicas de acesso ao posto de saúde não se sustentaram no
modelo final, sugerindo que o problema reside na qualidade e conveniência do serviço. A
frequência à creche inverteu seu efeito, sendo fator protetor aos 24 meses. O uso do serviço
privado como fator protetor reforça a necessidade de aprimoramento da qualidade e
conveniência da Atenção Primária. Conclui-se que é necessário intervenções urgentes que
devem focar no fortalecimento da Estratégia Saúde da Família, com ações de busca ativa, e na
priorização do monitoramento vacinal de coortes de alto risco para o resgate das coberturas.
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