Banca de DEFESA: EMILLY SILVA RODRIGUES
2026-02-07 08:33:38.575
Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: EMILLY SILVA RODRIGUES
DATA: 13/03/2026
HORA: 15:00
LOCAL: meet.google.com/hxd-ifjz-vxk
TÍTULO: A PRESENÇA DO TEATRO DE WILLIAM SHAKESPEARE NO ROMANCE DE
MACHADO DE ASSIS PELA PERSPECTIVA DA TEORIA MIMÉTICA DE RENÉ
GIRARD
PALAVRAS-CHAVES: Teoria Mimética; William Shakespeare; Machado de Assis; René Girard;
Literatura.
PÁGINAS: 123
GRANDE ÁREA: Lingüística, Letras e Artes
ÁREA: Letras
RESUMO: Este trabalho investiga a ressonância do teatro de William Shakespeare na ficção de
Machado de Assis, tomando como eixo central a teoria do desejo mimético, formulada por
René Girard. A pesquisa analisa de que modo Machado se apropria, desloca e ressignifica
modelos shakespearianos, em especial aqueles ligados à representação do ciúme, da
rivalidade e da violência simbólica. O corpus principal é constituído pelas peças Hamlet,
The Tempest e Othello, as quais são cotejadas com os romances Memórias póstumas de Brás
Cubas e Dom Casmurro. Essas obras embora separadas por contextos históricos, culturais e
estéticos distintos, convergem na tematização de impasses humanos decorrentes da
mediação das aspirações de seus personagens. O objetivo geral do estudo consiste em
compreender como a presença shakespeariana se manifesta na obra machadiana a partir de
temas como a confluência entre trágico e cômico, a incitação mimética e o desejo amoroso
voltado para a fatalidade. Não propomos esse diálogo como simples influência ou imitação,
mas como um procedimento de emulação crítica, por parte do autor brasileiro. Como
problema de pesquisa, questiona-se de que maneira o desejo mimético, entendido como
sugerido por um Outro, conforme orienta Girard (2009) em Mentira romântica e verdade
romanesca, fundamenta as relações entre as personagens centrais dessas obras e quais são
os efeitos dessa dinâmica na construção do enredo de cada texto. Do ponto de vista teórico
metodológico, o trabalho fundamenta-se, sobretudo, na teoria mimética de René Girard
(2010; 1990), especialmente em Shakespeare: teatro da inveja e Coisas ocultas desde a
fundação do mundo, articulada a contribuições da crítica shakespeariana e machadiana.
Destacam-se, nesse sentido, os estudos de Jan Kott (1998), Shakespeare nosso
contemporâneo, que ressaltam a atualidade de Shakespeare, de Antonio Candido (2006;
1977), em Literatura e sociedade e Esquema Machado de Assis, no que se refere à
formação da literatura brasileira e de aspectos centrais da ficção machadiana. Os estudos de
João Cezar de Castro Rocha (2013; 2017), também são de suma importância para esta
pesquisa, no que tange às práticas de emulação e apropriação crítica. Tais referenciais
permitem situar Machado de Assis como um escritor que dialoga ativamente com a tradição
ocidental, ao mesmo tempo em que a subverte a partir de sua posição histórico-cultural. Os
resultados da pesquisa indicam que as obras analisadas se organizam a partir de relações
triangulares de desejo, nas quais a figura do mediador desempenha papel central na
intensificação da rivalidade, da vaidade e do ciúme. Contudo, enquanto a tragédia
shakespeariana conduz à violência explícita e à expiação sacrificial, o romance machadiano
desloca esse conflito para o plano da linguagem, da memória e da instabilidade narrativa.
Conclui-se, assim, que a presença de Shakespeare em Machado opera como estratégia
criativa e crítica, por meio da qual modelos trágicos são reinscritos para dar forma às tensões
morais, sociais e subjetivas do Brasil oitocentista, confirmando a vitalidade dos clássicos e
sua capacidade de produzir novas leituras ao longo do tempo (Calvino, 1993).
MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2859954 - RAFAEL CAMPOS QUEVEDO
Externo ao Programa - 2647346 - WANDEILSON SILVA DE MIRANDA
Externo à Instituição - FERNANDA TEIXEIRA DE MEDEIROS - UERJ