Ir para acessibilidade
inicio do conteúdo

Banca de DEFESA: JOABE DA SILVA NASCIMENTO

2026-03-30 11:30:54.669

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: JOABE DA SILVA NASCIMENTO
DATA: 06/04/2026
HORA: 14:00
TÍTULO: A INQUISIÇÃO PORTUGUESA NO RIO DE JANEIRO: O PROCESSO POR JUDAÍSMO DE ISABEL DA SILVA (1710-1716).
PALAVRAS-CHAVES: Inquisição portuguesa; mulheres cristãs-novas; judaísmo; poder colonial.
PÁGINAS: 112
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: História
RESUMO: Esta Dissertação analisa o processo inquisitorial movido contra Isabel da Silva, mulher cristã-nova fluminense acusada de judaísmo entre 1710 e 1716, tomando-o como chave interpretativa para compreender os mecanismos de repressão, vigilância e disciplinamento mobilizados pela Inquisição portuguesa no Brasil colonial. A pesquisa parte da compreensão de que a trajetória de Isabel permite observar, em escala microscópica, a articulação estrutural entre gênero, linhagem étnico-religiosa e dominação colonial, operada de forma integrada entre os espaços da colônia e da metrópole, evidenciando a atuação do Santo Ofício como instância reguladora das condutas, das crenças e das hierarquias sociais. Fundamentado na análise crítica dos autos processuais preservados no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, o estudo mobiliza aportes da micro-história, da interseccionalidade e da história social das mulheres para examinar como a condição feminina, cristã-nova e proprietária de bens intensificou a suspeição inquisitorial, ao mesmo tempo em que produziu margens restritas de agência, negociação e sobrevivência no interior de uma estrutura repressiva altamente assimétrica. A Dissertação evidencia o papel central do espaço doméstico, da oralidade religiosa, das redes familiares e das estratégias matrimoniais tanto como focos privilegiados de vigilância quanto como territórios de preservação do criptojudaísmo, especialmente sob a condução das mulheres, responsáveis pela transmissão de práticas, memórias e saberes interditos. Ao longo da análise, são examinados os procedimentos jurídicos e rituais do Santo Ofício, da denúncia à prisão, da confissão à sentença, destacando-se a produção institucional da culpa, a performatividade confessional e o caráter exemplar das penas, com ênfase no confisco patrimonial e na exposição pública no auto de fé de 1713, elementos centrais para a pedagogia do medo inquisitorial. O processo de Isabel da Silva é interpretado como expressão concreta de uma política de estigmatização voltada à marcação dos corpos, das memórias e das linhagens cristãs-novas. Inserida no contexto do mundo atlântico português, a pesquisa também analisa a circulação de pessoas, informações e práticas repressivas entre o Rio de Janeiro e Lisboa, ressaltando o papel da Inquisição como engrenagem fundamental do poder imperial. Ao restituir criticamente a trajetória de Isabel da Silva, o trabalho contribui para uma compreensão mais densa das experiências femininas sob o regime inquisitorial, afirmando as subjetividades subalternizadas como elementos centrais para a interpretação da história social e religiosa do Brasil colonial.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1841373 - ITALO DOMINGOS SANTIROCCHI
Interno - 2079203 - MARCUS VINICIUS DE ABREU BACCEGA
Externo à Instituição - BRUNO KAWAI SOUTO MAIOR DE MELO - UFPE

fim do conteúdo