Banca de QUALIFICAÇÃO: DOUGLAS MORAES CAMPOS
2025-06-02 08:58:40.005
Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: DOUGLAS MORAES CAMPOS
DATA: 13/06/2025
HORA: 14:00
LOCAL: sala pós graduação
TÍTULO: Sistema de Saúde no Maranhão: público e privado sob a ótica de gestores, gerentes, empresários e profissionais de saúde
PALAVRAS-CHAVES: Sistema único de Saúde. Redes de Atenção à Saúde. Parcerias Público-
Privadas.
PÁGINAS: 87
GRANDE ÁREA: Ciências da Saúde
ÁREA: Saúde Coletiva
SUBÁREA: Saúde Pública
RESUMO: A presente tese investiga como os setores público e privado interagem, sobrepõem-se e
disputam espaços no sistema de saúde do Maranhão, tomando como base os discursos e práticas
de gestores, gerentes, empresários e profissionais de saúde que atuam no âmbito do Sistema
Único de Saúde (SUS) e no subsistema privado. No contexto de um estado marcado por extrema
dependência do SUS e frágil capacidade institucional, as relações entre público e privado se
tornam estruturantes da política de saúde, revelando cooperações forçadas, tensões simbólicas
e estratégias adaptativas. Esta pesquisa, de abordagem qualitativa, utilizou entrevistas
semiestruturadas com atores-chave, articulando os dados com uma base teórica ancorada nas
contribuições das Ciências Sociais e Humanas para análise dos dados. Dentre os recursos
teóricos estão as contribuições de Bruno Latour com a Teoria Ator-Rede e Pierre Bourdieu, no
que articula sobre discurso e poder simbólico. Inicialmente, analisou-se como a precarização
das relações de trabalho, a centralização de recursos financeiros e a fragilidade da Atenção
Primária à Saúde (APS) impactaram a organização das Redes de Atenção à Saúde (RAS),
revelando um cotidiano institucional permeado por sobrecarga, instabilidade e práticas de
improvisação por parte dos gestores e gerentes. Posteriormente, foram explorados os sentidos
atribuídos por diferentes agentes à atuação do setor privado, especialmente Organização Da
Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs) e Clínicas Populares de Saúde, destacando como
esses sujeitos legitimam ou criticam tais dispositivos a partir de suas posições no campo da
saúde maranhense. Os resultados indicaram que Clínicas Populares de Saúde se expandem em
áreas urbanas com fragilidade da APS, funcionando como atalhos ao SUS e posicionando-se
como solução de mercado para acesso oportuno. As OSCIPs, atuando principalmente na gestão
de unidades hospitalares, assumem papel ambíguo: gerenciam serviços onde o Estado não atua,
mas introduzem lógicas empresariais que fragilizam vínculos laborais, esvaziam o controle
social e enfraquecem o caráter público da política de saúde. A discussão propõe que a
convivência entre setores público e privado no Maranhão vai além da complementaridade
institucional prevista em lei e configura um arranjo híbrido, instável e desigual, onde a lógica
mercantil se infiltra nos, chamados, vazios assistenciais. Desse modo, compreender essas
interações exige observar o sistema de saúde como campo de disputa política, simbólica e
material, cujas dinâmicas locais refletem contradições mais amplas do SUS contemporâneo.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1087018 - JUDITH RAFAELLE OLIVEIRA PINHO
Interno - 238.521.428-81 - LEIDY JANETH ERAZO CHAVEZ
Externo à Instituição - MARIA LUIZA LEVI PAHIM - UFABC
Interno - 927.413.047-34 - RUTH HELENA DE SOUZA BRITTO FERREIRA DE CARVALHO