Banca de DEFESA: MARCELA LOBAO DE OLIVEIRA
2026-06-02 09:03:35.765
Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: MARCELA LOBAO DE OLIVEIRA
DATA: 24/06/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Sala de aula da Pós-Graduação em Saúde Coletiva - UFMA
TÍTULO: EXPERIÊNCIAS DE PACIENTES, FAMILIARES E TRABALHADORES DA SAÚDE: desafios e aprendizagens para o cuidado em situações de crise
PALAVRAS-CHAVES: covid-19; experiência; pesquisa qualitativa; itinerário terapêutico; sofrimento.
PÁGINAS: 154
GRANDE ÁREA: Ciências da Saúde
ÁREA: Saúde Coletiva
SUBÁREA: Saúde Pública
RESUMO: INTRODUÇÃO: A pandemia de covid-19 produziu profundas transformações sociais, econômicas,
culturais e políticas, exigindo rápidas adaptações institucionais e modificando comportamentos, relações
sociais e formas de cuidado. Seus efeitos repercutiram de maneira desigual nos diferentes países, regiões
e territórios, evidenciando vulnerabilidades estruturais e distintas capacidades de resposta à crise
sanitária. No Brasil, Manaus, vivenciou o colapso do sistema de saúde, marcado pela insuficiência de
leitos hospitalares, escassez de profissionais e falta de insumos essenciais, como oxigênio, o que levou
a um Plano de Cooperação entre estados da federação para viabilizar a transferência de pacientes de
Manaus para outros estados, com o objetivo de reorganizar a assistência e ampliar o acesso dos casos
graves. OBJETIVO: Analisar as experiências de pacientes, familiares e trabalhadores da saúde na busca
por cuidados no contexto da pandemia de covid-19. METODOLOGIA: Pesquisa qualitativa,
fundamentada na fenomenologia e centrada nas experiências de adoecimento e sofrimento. Realizado
entre março de 2022 e julho de 2023 com pacientes procedentes de Manaus que haviam sido internados
no Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão, seus familiares e trabalhadores da
saúde responsáveis pela assistência em São Luís. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas na
plataforma Google Meet, após o preenchimento do questionário sociodemográfico. Participaram 26
trabalhadores da saúde, 12 pacientes e 10 familiares. Realizada análise de conteúdo, na modalidade
temática. RESULTADOS: Dois artigos científicos. O primeiro Percursos e Percalços na Itineração por
Cuidados em Saúde na Pandemia de Covid-19: Manaus como caso emblemático, analisou as
perspectivas de pacientes e familiares acerca dos itinerários terapêuticos e das experiências de
adoecimento em contexto de colapso sanitário. A partir da percepção dos primeiros sinais de
adoecimento foram mobilizadas diferentes estratégias de busca por cuidado. O acesso aos serviços de
saúde em Manaus foi marcado pelo medo da contaminação, insegurança e percepção das unidades de
saúde como um campo de guerra. A transferência para São Luís foi compreendida como estratégia de
sobrevivência e o acolhimento e tratamento recebidos despertaram gratidão. O retorno para Manaus foi
atravessado por sentimentos ambivalentes alívio, medo e incerteza, evidenciando que a itineração
durante a pandemia foi marcada por tensões e deslocamentos produzidos nas relações entre sujeitos,
emoções, contextos sociais e decisões políticas em meio a uma crise sanitária global. O segundo artigo,
Experiências de Morte e Rupturas na Pandemia de Covid-19: Reconfigurações do cuidado, do luto e
da vida cotidiana, analisou os sentidos atribuídos às rupturas e ao sofrimento decorrentes das
experiências de morte vivenciadas por pacientes, familiares e trabalhadores da saúde durante a
pandemia. As narrativas evidenciaram experiências marcadas pelo colapso sanitário, pela transferência
interestadual de pacientes, pelo sofrimento dos trabalhadores diante das mudanças nos protocolos
assistenciais e pela elevada mortalidade. A gestão social da morte e dos rituais fúnebres foram
reconfigurados produzindo impactos duradouros sobre os modos de viver o luto. A pandemia foi
compreendida como um evento disruptivo cujos efeitos persistem de forma latente nos corpos, nos
discursos e nos silêncios daqueles que a vivenciaram, agravados pela invisibilização das perdas e pela
insuficiência de políticas reparatórias voltadas ao cuidado e à memória coletiva. CONSIDERAÇÕES
FINAIS: A pandemia de covid-19 transformou profundamente as experiências individuais e coletivas
de adoecimento, cuidado e morte. As restrições impostas para o controle da disseminação do vírus
produziram rupturas no cotidiano, intensificando experiências de sofrimento, insegurança e
vulnerabilidade. O colapso sanitário extrapolou a dimensão biomédica, afetando relações sociais,
práticas de cuidado e formas de elaboração do luto. A distância temporal entre o encerramento da
emergência sanitária e a consolidação de acordos internacionais voltados à preparação para futuras crises
revela limites da cooperação multilateral em defesa da vida e dos direitos humanos. Ao mesmo tempo,
a naturalização e o silenciamento das experiências vividas contribuem para a deslegitimação do
sofrimento daqueles que estiveram expostos à precarização dos sistemas de cuidado e proteção social
durante a pandemia.
MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - CRISTINA MARIA DOUAT LOYOLA - UNICEUMA
Externo ao Programa - 3285333 - JOAO DE DEUS CABRAL JUNIOR
Interno - 1096903 - MARIA TERESA SEABRA SOARES DE BRITTO E ALVES
Interno - 4903187 - PAOLA TRINDADE GARCIA
Co-orientador - 927.413.047-34 - RUTH HELENA DE SOUZA BRITTO FERREIRA DE CARVALHO
Presidente - 6551413 - ZENI CARVALHO LAMY