Banca de QUALIFICAÇÃO: MONICA MILENA MURAKAMI
2026-04-28 15:51:26.738
Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: MONICA MILENA MURAKAMI
DATA: 19/06/2026
HORA: 10:00
TÍTULO: Quem (não) tem direito ao afeto? Uma compreensão do trabalho reprodutivo para a
população LGBTQIA+
PALAVRAS-CHAVES: Teoria da Reprodução Social; Trabalho reprodutivo; Trabalho afetivo;
LGBTQIA+; Psicologia Social.
PÁGINAS: 90
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Psicologia
RESUMO: A Teoria da Reprodução Social (TRS) é construída pelo esforço coletivo e contínuo de
militantes e intelectuais rumo a uma teoria unitária. Fundamenta-se na centralidade do trabalho
humano, e não da mercadoria, na reprodução da sociedade como um todo. Ao expor a totalidade
orgânica do sistema capitalista, essa perspectiva busca compreender como as categorias de
exploração e opressão são coproduzidas simultaneamente, garantindo a manutenção do sistema
socioeconômico dominante. Assim, ao olhar para o processo e não, apenas, para o que está
visível, a TRS busca a visibilidade do trabalho reprodutivo, o qual refere-se a um conjunto de
ações que sustentam a vida, como a reprodução biológica das pessoas, a reprodução da força de
trabalho e as instituições/indivíduos que realizam o trabalho assistencial remunerado.
Considerando que tais atividades envolvem trabalho físico, mental e emocional e são,
predominantemente, desempenhadas por corpos feminizados, sobretudo, por mulheres racializadas, há diversas correntes teóricas e políticas mobilizando esse debate, como a TRS, o feminismo negro, o feminismo socialista e outros. Nesse sentido, refletindo sobre a sustentação dessa sociedade, a presente pesquisa indaga-se: como o trabalho afetivo, enquanto dimensão do trabalho reprodutivo, vivenciado por pessoas LGBTQIA+, revela novas particularidades e dinâmicas para a discussão da divisão sexual e social do trabalho?. De acordo com Silvia Federici, compreende-se que a principal função do trabalho afetivo é a de desgenerificar o trabalho, permitindo ampliar os campos de investigação e englobar, por exemplo, os modelos familiares contra-hegemônicos. No entanto, segundo Helena Vieira, estes arranjos também são capturados pelo modo de produção capitalista, mantendo sua engrenagem funcionando. Diante disso, metodologicamente, a presente pesquisa, de caráter exploratório e transversal, por meio de uma cartografia sentimental, como proposta por Suely Rolnik, objetivou percorrer os processos de subjetivação no trabalho afetivo nas experiências de pessoas LGBTQIA+, com os seguintes objetivos específicos: I) identificar as lacunas da invisibilidade de pessoas LGBTQIA+ nas teorias sobre o trabalho reprodutivo, propondo possíveis caminhos e intersecções para o campo da Psicologia e área afins; II) mapear os fluxos do trabalho afetivo nas experiências de pessoas LGBTQIA+ frente aos marcadores sociais de diferença; III) cartografar as linhas que constituem as redes de apoio e as estratégias criadas por pessoas LGBTQIA+. Com este percurso, caminha-se em direção a ampliação do debate da reprodução social, tensionando seus fundamentos frente às experiências LGBTQIA+, ao passo que contribui com deslocamentos analíticos sobre o trabalho, os papéis de gênero e sexualidade e o campo psicológico, abrindo possibilidades para a reinvenção de práticas de cuidado e organização dos modos de vida.
MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - BÁRBARA ARAÚJO MACHADO - UERJ
Interno - 2174981 - CARLA VAZ DOS SANTOS RIBEIRO
Presidente - 849.960.133-20 - CARLOS WELLINGTON SOARES MARTINS
Interno - 2280386 - ROSINETE DE JESUS SILVA FERREIRA