Banca de QUALIFICAÇÃO: CLÁUDIA OLIVEIRA SILVA ROCHA
2024-11-20 14:30:44.18
Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: CLÁUDIA OLIVEIRA SILVA ROCHA
DATA: 11/12/2024
HORA: 14:00
TÍTULO: É DIFÍCIL O CONTACTO ENTRE MIM E O MEU SER: figurações do topos do inimigo de mim na lírica de Nauro Machado
PALAVRAS-CHAVES: Nauro Machado. Poesia Brasileira Contemporânea. Poesia quinhentista. Inimigo de mim.
PÁGINAS: 52
GRANDE ÁREA: Lingüística, Letras e Artes
ÁREA: Letras
RESUMO: Este trabalho se propõe a investigar a presença do topos literário inimigo de mim na poesia a partir do século XX, sobretudo na lírica de Nauro Machado. Suas origens remontam ao século XV com o poeta espanhol Jorge Manrique, mas que foi cristalizado por Sá de Miranda no célebre Comigo me desavim. O eu perdido resultante do sofrimento amoroso é recorrente na lírica quinhentista. No Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, de acordo com o levantamento feito por Geraldo Augusto Fernandes (2020), há cerca de 30 poemas que apresentam o tema. Entretanto, pode-se observar em alguns deles, sobretudo na cantiga Comigo me desavim de Sá de Miranda, uma guinada egocêntrica uma cisão subjetiva mais existencial. Esse aspecto inovador do tema justifica o salto temporal estabelecido no corpus deste trabalho, pois aventa-se que ele abriu caminho para a temática da fragmentação do eu no século XX. A escolha da obra poética de Nauro Machado se deu pela constância de temas de um eu em conflito. Nesse sentido, propõe-se uma leitura comparada da cantiga de Sá de Miranda e de suas variantes nos séculos XVI, XX e XXI e na lírica de Nauro Machado, por meio da investigação tópica do inimigo de mim, com o intuito de averiguar suas ressignificações, deslocamentos, variações e marcas que sirvam como indício de uma reconfiguração do topos em questão e de estabelecer conexões com o tema da cisão do eu. A discussão teórica está fundamentada nos estudos de Antonio Donizeti Pires (2007) sobre a tópica literária, e de Marcia Arruda Franco (2018) e Geraldo Augusto Fernandes (2020) a respeito da recepção da cantiga mirandina nos séculos XVI e XX; e nos estudos de Carlos Felipe Moisés (2001), Hauser (2007) e Cassirer (2001) a respeito da colocação do problema no contexto histórico-filosófico pós-renascentista e da perspectiva do maneirismo. Nesse sentido, objetiva-se traçar um breve panorama do topos e suas relações com o tema e da cisão do eu na lírica de língua portuguesa, com a análise do corpus quinhentista (Sá de Miranda, Camões, Bernardim Ribeiro, Baltazar Estaço, entre outros), moderno (o ortônimo de Fernando Pessoa, Sá-Carneiro) e contemporâneo (Geraldo Carneiro, Ferreira Gullar e Nauro Machado).
MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2859954 - RAFAEL CAMPOS QUEVEDO
Externo à Instituição - GERALDO AUGUSTO FERNANDES - UFC
Externo à Instituição - MARCIA MARIA DE ARRUDA FRANCO - USP