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Banca de QUALIFICAÇÃO: ULISSES BIANCK TRINDADE BERTOLDO

2025-06-02 08:31:50.704

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: ULISSES BIANCK TRINDADE BERTOLDO
DATA: 27/06/2025
HORA: 10:00
TÍTULO: Corpos Matáveis: Uma Arqueogenealogia de Assassinatos de Travestis e Transexuais na Imprensa Maranhense
PALAVRAS-CHAVES: Discurso; Jornal; LGBTI+; Subjetivação; Morte; Performatividade; Farmacopornopolítica
PÁGINAS: 115
GRANDE ÁREA: Lingüística, Letras e Artes
ÁREA: Lingüística
SUBÁREA: Teoria e Análise Lingüística
RESUMO: Propomos uma análise arqueogenealógica dos discursos jornalísticos sobre assassinatos de pessoas LGBTI+, em especial travestis e transexuais, no Maranhão, partindo da hipótese de que a mídia atua como um dos principais dispositivos de produção de matabilidade desses corpos. Investigamos os modos de produção de verdade e de subjetivação presentes nesses discursos, com ênfase em como, enquanto efeitos de saber-poder, regulam a inteligibilidade de corpos dissidentes. Ancorado na perspectiva foucaultiana, articulando conceitos como discurso (Foucault, 2012), formação discursiva (Foucault, 2012), dispositivo de sexualidade (Foucault, 2022), biopoder (Foucault, 2005), matabilidade (Butler, 2020) e heterotopia (Foucault, 2021), o trabalho também se fundamenta nas contribuições de Judith Butler (2019a, 2019b, 2020, 2024 ), especialmente no que se refere à performatividade de gênero e às normas de reconhecimento, bem como em Paul B. Preciado (2022, 2023), com suas reflexões sobre farmacopornopolítica e corpos trans. O corpus — composto por reportagens publicadas pelo jornalismo maranhense, em suportes impressos e digitais, entre os anos de 2015 e 2025, com contribuições pontuais de materiais mais antigos — foi delimitado com base em critérios temáticos e discursivos. Selecionaram-se matérias que abordassem explicitamente assassinatos de pessoas LGBTI+, especialmente travestis e transexuais, e que evidenciassem padrões de enunciação capazes de produzir interdições , estigmatizações ou deslocamentos, como a negação, a distorção ou a deslegitimação da diferença sexual e de gênero. A escolha priorizou matérias que circularam no jornal O Imparcial que apresentassem relevância no contexto midiático local seja pela repercussão ou pela recorrência de certas formulações discursivas com o objetivo de evidenciar como os enunciados jornalísticos constroem categorias e modulam os regimes de visibilidade da população LGBTI+ por meio das matérias que cobrem assassinatos. Desenvolvemos, ainda, uma leitura dos efeitos de verdade (Foucault, 2005) produzidos por essas narrativas, interrogando de que modo elas se articulam a dispositivos que naturalizam a exclusão, reforçam a heteronormatividade e colaboram com a administração da morte sob uma perspectiva bio e necropolítica (Mbembe, 2022). Por fim, analisamos como a nomeação, a denúncia e o arquivo (Foucault, 2012) podem operar como práticas contra-hegemônicas, tensionando os discursos normativos e ativando outras possibilidades de existência para os corpos LGBTI+.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1650492 - MONICA DA SILVA CRUZ
Interno - 1018287 - MARCELO NICOMEDES DOS REIS SILVA FILHO
Externo à Instituição - CARLA LUZIA CARNEIRO BORGES - UEFS

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