Banca de DEFESA: LUDIMILA SILVA DE ALMEIDA
2025-10-29 09:21:08.801
Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: LUDIMILA SILVA DE ALMEIDA
DATA: 29/10/2025
HORA: 14:00
TÍTULO: LOUCURA E DEPRESSÃO EM A ESCRAVA E PONCIÁ VICÊNCIO: aspectos psicopatológicos, percursos e diálogos pós-coloniais
PALAVRAS-CHAVES: Pós-colonialismo. Psicopatologia. Loucura. Depressão. A Escrava. Ponciá Vicêncio.
PÁGINAS: 101
GRANDE ÁREA: Lingüística, Letras e Artes
ÁREA: Letras
SUBÁREA: Literatura Brasileira
RESUMO: Esta dissertação teve como objetivo analisar os aspectos psicopatológicos da loucura e da
depressão nas obras A Escrava e Ponciá Vicêncio, à luz dos fundamentos da teoria do
discurso pós-colonial. Em ambas as narrativas, observou-se que os contextos colonial e
neocolonial atuam como catalisadores de reações neuróticas e psicóticas manifestadas por
meio da loucura e da depressão nas protagonistas Joana e Ponciá. Esses transtornos são
compreendidos como respostas subjetivas à lógica opressora da colonialidade, que marca os
corpos negros com traumas históricos, epistêmicos e simbólicos. A partir de uma perspectiva
fenomenológica e decolonial, esta pesquisa qualitativa traçou um panorama histórico que se
estende desde a Modernidade e o auge do colonialismo até os desdobramentos
contemporâneos da colonialidade do poder (Quijano, 1992), focalizando seus impactos
psíquicos em sujeitos racializados e subalternizados. A abordagem adotada foi
interepistêmica, promovendo um diálogo entre teóricos pós-coloniais como Frantz Fanon
(2020), Gayatri Spivak (2010), Stuart Hall (2023) e Aimé Césaire (2020) e pensadores
latino-americanos da vertente decolonial, como Aníbal Quijano (1992), Enrique Dussel
(1993), María Lugones (2014), Walter Mignolo (2010) e Lélia Gonzalez (2020). A análise
propôs uma leitura crítica da zona psíquica do sujeito colonizado, com ênfase nos
mecanismos de sofrimento mental engendrados pela violência epistêmica e pelas estruturas de
dominação racial, de gênero e de classe herdadas da colonização. Como resultado, verificou-
se que tanto Joana quanto Ponciá encarnam formas de sofrimento mental que não podem ser
dissociadas das marcas históricas da colonialidade. A loucura e a depressão, nesses casos, não
se configuram apenas como categorias clínicas, mas como expressões de resistência subjetiva
e modos de denúncia das violências estruturais que atravessam os corpos negros. A pesquisa
evidenciou, ainda, a potência da literatura como espaço crítico para a compreensão dos efeitos
psíquicos da opressão colonial e como ferramenta de visibilização de vozes silenciadas.
Diante da escassez de estudos que articulem psicopatologia e literatura sob essa perspectiva,
este trabalho contribui para o fortalecimento dos diálogos interdisciplinares entre saúde
mental, crítica pós-colonial e produção literária afro-brasileira.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1474768 - NAIARA SALES ARAUJO SANTOS
Interno - 1669787 - JOSE DINO COSTA CAVALCANTE
Externo à Instituição - MARIA MARTA DOS SANTOS SILVA NÓBREGA - UFCG