Banca de DEFESA: ULISSES BIANCK TRINDADE BERTOLDO
2026-03-24 15:26:22.629
Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: ULISSES BIANCK TRINDADE BERTOLDO
DATA: 10/04/2026
HORA: 09:00
TÍTULO: Corpos Matáveis: Uma Arqueogenealogia de Assassinatos de Travestis e Transexuais na Imprensa Maranhense
PALAVRAS-CHAVES: Jornalismo; LGBTI+; Arqueogenealogia; Produção de subjetividades; Dispositivo de matabilidade;
PÁGINAS: 276
GRANDE ÁREA: Lingüística, Letras e Artes
ÁREA: Lingüística
SUBÁREA: Teoria e Análise Lingüística
RESUMO: Este trabalho analisa a produção discursiva de subjetividades matáveis de travestis e transexuais em enunciados jornalísticos sobre seus assassinatos na mídia maranhense, compreendendo essa produção como efeito de processos de subjetivação historicamente situados, a partir de uma perspectiva arqueogenealógica. Parte-se da hipótese de que a imprensa atua como operador do dispositivo de matabilidade, conceito proposto nesta dissertação a partir da articulação entre o dispositivo ampliado de Agamben (2005; 2007) e suas noções de homo sacer e vida nua, a necropolítica de Mbembe (2022) e as vidas não enlutáveis de Butler (2020), produzindo, por meio de rotinas, valores-notícia e hierarquias de fonte, efeitos de verdade que naturalizam a violência contra corpos dissidentes e os posicionam fora do campo do reconhecível e do enlutável. O corpus é composto por 12 matérias do jornalismo maranhense em suporte digital, publicadas entre 2020 e 2023, priorizando-se o jornal O Imparcial, com um acervo de 88 matérias utilizado para a historicização do discurso e para a análise comparativa entre períodos. A análise mobiliza categorias foucaultianas (discurso, enunciado, formação discursiva, dispositivo, interdição e arquivo) em diálogo com as catergorias performatividade de gênero e as normas de reconhecimento em Butler (2019a; 2019b; 2020; 2024), a farmacopornopolítica de Preciado (2022; 2023) e a necropolítica de Mbembe (2022). Os resultados evidenciam três operadores históricos do dispositivo de matabilidade (igreja, medicina e mídia), descrevem como o jornalismo policial fabrica corpos matáveis pela regularidade serial de enquadramentos desumanizadores, e identificam, nas frestas do arquivo, práticas discursivas contra-hegemônicas que desafiam os regimes normativos e abrem possibilidades outras de existência para os corpos LGBTI+.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1650492 - MONICA DA SILVA CRUZ
Interno - 1018287 - MARCELO NICOMEDES DOS REIS SILVA FILHO
Externo à Instituição - CARLA LUZIA CARNEIRO BORGES - UEFS