Banca de QUALIFICAÇÃO: IGOR AZEVEDO BEZERRA
2026-04-16 14:50:04.41
Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: IGOR AZEVEDO BEZERRA
DATA: 11/05/2026
HORA: 15:00
TÍTULO: VIVA OU MORTA: a mãe como figura ancestral em Pheby, de Sadeqa Johnson
PALAVRAS-CHAVES: ancestralidade; maternidade negra; identidade negra; memória coletiva; diáspora; escravidão norte-americana.
PÁGINAS: 95
GRANDE ÁREA: Lingüística, Letras e Artes
ÁREA: Letras
SUBÁREA: Teoria Literária
RESUMO: Esta dissertação tem como fito analisar a figura materna como expressão de ancestralidade através da transmissão intergeracional de saberes no contexto afro-diaspórico, a partir do elo entre memória e resistência negra afro-americana, contextualizado no romance Pheby (2022), de Sadeqa Johnson e o enfoque materno como espaço de continuidade cultural, investigando-se, por conseguinte, três categorias: i) a ancestralidade como prática espiralar e responsável pela reconstrução identitária em contextos assolados pela diáspora; ii) o trauma e o luto arquetípico como experiências contínuas e estruturantes da figura materna negra; e iii) a transmissão intergeracional de saberes e memórias nas relações maternas e seu elo entre o passado e o presente, em vias de resgate ancestral no espaço híbrido. Assim, parte-se da compreensão de que o processo de diáspora africana, alinhado ao sistema escravocrata, produziu não apenas rupturas sociais e familiares, mas também mecanismos de preservação identitária sustentados pela memória coletiva e pela transmissão de saberes ancestrais entre gerações. Nessa perspectiva, para além da análise, busca-se compreender epistemologias ligadas à ancestralidade e hibridez cultural na composição de valores de resistência; interpretar a experiência negra no contexto escravocrata norte-americano na perspectiva do trauma e de registros memorialísticos; e por fim, associar a figura materna em Pheby como guardiã ancestral através da oralidade e os saberes de cura, bem como elo espiritual e de resistência face à escravidão. Metodologicamente, para além da análise textual interpretativa, em sua natureza qualitativa, é necessária a revisão de literatura bibliográfica acerca da do movimento diaspórico negro como componente modificador e composicional da identidade frente a memória e a ancestralidade, a partir da articulação da narrativa literária aos estudos de Martins (2021) e Manjate (2023) acerca do movimento espiralar ancestral, Hartman (2021) acerca do trauma cultural da escravidão como elemento formador da identidade afro-diaspórica, bem como a ética da memória e os legados da escravidão na experiência negra em diálogo com White (1985/1999), Spillers (1987/2021), Bhabha (1994), Gilroy (2001), Fett (2002), Eyerman (2003), Bâ (2003/2010), Halbwachs (2003), Hall (2006), Davis (2016), Brewster (2018/2019), Collins (2019), hooks (2019), Munanga (2019) e Sharpe (2023). Nessa acepção, a maternidade negra em Johnson (2022), representada pelas personagens Ruth Brown e Pheby Delores Brown, constitui um espaço de preservação memorialística negra, no qual a oralidade e a ancestralidade organizam-se como estratégias de resistência cultural diante das imposições e violências estruturais do sistema escravocrata.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1562628 - MARIA ARACY BONFIM SERRA PINTO
Interno - 2892932 - ALDENORA MARCIA CHAVES PINHEIRO CARVALHO
Externo à Instituição - JANICE INES NODARI - UFPR