Banca de DEFESA: LOURENA SOUSA COSTA
2025-01-27 16:41:03.374
Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: LOURENA SOUSA COSTA
DATA: 26/02/2025
HORA: 15:00
LOCAL: https://meet.google.com./fub-uwwk-dzw
TÍTULO: NÓS TODO O TEMPO QUEREMOS SER AQUILO QUE NÓS SOMOS: produção de identidades e luta pelo território da Comunidade Quilombola Deserto II (Belágua/MA)
PALAVRAS-CHAVES: Quilombo. Titulação territorial. Identidade. Resistência. Maranhão.
PÁGINAS: 54
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Sociologia
SUBÁREA: Outras Sociologias Específicas
RESUMO: Este trabalho se dedica à compreensão da construção da identidade coletiva dos moradores da Comunidade Deserto II, localizada em Belágua, Maranhão. A escolha dessa comunidade se deu pela escassez de estudos sociológicos sobre a região, contribuindo, portanto, para suprir uma lacuna na literatura acadêmica. A pesquisa se concentra na compreensão de como a história dessa comunidade, marcada pela resistência ancestral e pelas lutas pela posse da terra, molda a identidade de seus membros. A problemática da pesquisa gira em torno da seguinte questão: os elementos identitários da comunidade Deserto II permitem categorizá-la como remanescente de quilombo? Como os moradores da comunidade se relacionam com o território que ocupam? Quais suas memórias sobre a história e a trajetória da comunidade? Para responder a essas questões temos como objetivo geral: compreender a história, a forma e a dinâmica da ocupação da Comunidade Deserto II e sua influência na identidade e na territorialidade dessa comunidade. E como objetivos específicos: identificar a relação entre os moradores da comunidade e seu território; compreender as situações de conflito, segregação e resistência relacionadas à permanência na comunidade; observar nas falas e nos documentos os primeiros passos do processo de busca de titulação territorial na dinâmica dos membros dessa comunidade. Para atingir os objetivos, adotamos uma abordagem qualitativa a partir de pesquisa documental, bibliográfica e etnográfica. Na produção de dados em campo, optou-se por uma incursão etnográfica sendo o total de três estadias de quatro dias cada viagem, durante os meses de fevereiro, março, abril e maio de 2023. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com 12 moradores da comunidade, descendentes diretos da fundadora, a fim de apreender elementos identitários, dinâmicas e trajetórias desses indivíduos em relação ao território. Os fundamentos teórico-metodológicos adotados para análise dos dados estão ancorados nos seguintes autores e autoras: conceitos etnográficos de Angrosino (2009); identidade conforme as ideias de Max Weber (1991) e Fredrik Barth (2011); relações de poder e a luta por cidadania e direitos ante a marginalização e desigualdade social nos estudos de Boaventura de Sousa Santos (1995) e Carril (2006); memória coletiva segundo Pollak (1989) e Maurice Halbacks (2006); história oral de Marre (1991). Os resultados apontam para a complexidade do processo de autoidentificação da comunidade quilombola Deserto II, com o território emergindo como elemento central de sua identidade, entendido não apenas como espaço geográfico, mas como símbolo de memória coletiva, resistência e perpetuação cultural. A identidade quilombola foi observada como dinâmica, construída por vivências, interações sociais e políticas. A luta pela titulação territorial mostrou-se fundamental para a segurança, dignidade e continuidade cultural da comunidade, destacando o protagonismo das lideranças femininas. O estudo também apontou a necessidade de políticas públicas inclusivas e análises interseccionais entre direitos territoriais e justiça ambiental, frente aos impactos do agronegócio, para garantir a preservação cultural e ambiental da comunidade.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1889806 - MARIA APARECIDA CORREA CUSTODIO
Interno - 3453610 - EMILENE LEITE DE SOUSA
Externo à Instituição - MAURO TORRES SIQUEIRA - UFNT