Banca de QUALIFICAÇÃO: GABRIEL JORDAN COSTA
2026-04-14 20:37:20.04
Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: GABRIEL JORDAN COSTA
DATA: 16/04/2026
HORA: 14:00
TÍTULO: PERCEPÇÕES SOBRE FEMINICÍDIO NO NORDESTE: vidas choráveis, necropolítica e enquadramentos jornalísticos nas notícias digitais
PALAVRAS-CHAVES: feminicídio; enquadramentos jornalísticos; notícias digitais; Nordeste; violência de gênero
PÁGINAS: 134
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Sociologia
SUBÁREA: Outras Sociologias Específicas
RESUMO: No contexto da ampliação da visibilidade pública e institucional do feminicídio no Brasil, esta pesquisa examina sua construção discursiva no noticiário digital sobre casos ocorridos no Nordeste. O problema de pesquisa consiste em compreender como os discursos jornalísticos e suas reverberações digitais, em portais de notícias, mantêm ou ressignificam estruturas de gênero e violências simbólicas, organizando moralidades, hierarquias de vítimas e regimes de responsabilização na esfera pública mediada. Parto da hipótese de que a cobertura oscila entre, de um lado, a redução do feminicídio a caso individual, com explicações personalizantes, privatização do conflito e possíveis mecanismos de culpabilização da vítima, e, de outro, sua explicitação como violência estrutural de gênero, com nomeação do crime, contextualização e acionamento de categorias públicas de direitos, desigualdades e falhas institucionais. O objetivo é analisar como o feminicídio é narrado e enquadrado em notícias digitais publicadas nos portais estaduais do G1 na região Nordeste, considerando as formas de nomeação e explicação do crime, a produção de sentidos sobre vítima e agressor e os efeitos simbólicos desses enquadramentos na visibilidade pública da violência de gênero. A metodologia adota abordagem qualitativa, exploratória e documental, com construção de corpus de notícias publicadas entre 2020 e 2025, busca reprodutível por unidade da federação, registro sistemático em matriz de análise e uso articulado da análise do discurso em perspectiva crítica e da análise de enquadramentos jornalísticos. Como resultado, a pesquisa identifica a recorrência de enquadramentos privatizantes, psicologizantes, policialescos e moralizantes, bem como disputas de nomeação entre o termo feminicídio e repertórios eufemísticos, além de silenciamentos que afetam a visibilidade da violência de gênero e a distribuição pública de reconhecimento e responsabilização. Concluo que o noticiário digital não apenas informa sobre os casos, mas participa ativamente da produção de sentidos sobre o feminicídio, podendo tanto reforçar naturalizações e hierarquias de vítimas quanto ampliar o reconhecimento público da violência de gênero como problema social e institucional.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1522596 - VANDA MARIA LEITE PANTOJA
Interno - 3336298 - MAYNARA COSTA DE OLIVEIRA SILVA
Externo à Instituição - ROSSANA MARIA MARINHO ALBUQUERQUE - UFPI