Banca de DEFESA: RICHELLE KAUANNY CARVALHO DE ARAUJO
2026-08-25 17:14:40.015
Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: RICHELLE KAUANNY CARVALHO DE ARAUJO
DATA: 01/09/2026
HORA: 14:30
LOCAL: Centro de Ciências de Imperatriz, Centro, Imperatriz, Maranhão
TÍTULO: QUEM É NEGRA NO TRIBUNAL?: uma análise interseccional das narrativas e trajetórias de mulheres negras no Tribunal de Justiça do Maranhão, com foco na Comarca de Imperatriz
PALAVRAS-CHAVES: Mulheres negras; Tribunal de Justiça do Maranhão; Interseccionalidade; Serviço público; Igualdade racial.
PÁGINAS: 222
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Sociologia
SUBÁREA: Sociologia Urbana
RESUMO: No Brasil, embora mulheres negras tenham ampliado sua presença no serviço público, ainda
enfrentam barreiras simbólicas, institucionais e funcionais que limitam sua mobilidade,
permanência e acesso a cargos de poder. Partindo da ausência histórica de ministras negras no
Supremo Tribunal Federal e da reprodução dessa lógica nos tribunais estaduais, esta dissertação
investiga: como a interseccionalidade entre raça, gênero e classe molda os limites de mobilidade
funcional e de acesso a cargos de poder vivenciados por mulheres negras no Tribunal de Justiça
do Maranhão?. O objetivo geral é analisar, sob uma perspectiva interseccional, as narrativas e
trajetórias de mulheres negras que atuam no Tribunal, com foco na Comarca de Imperatriz,
buscando compreender processos de ingresso, permanência, reconhecimento e autoridade. O
estudo adota abordagem qualitativa e plural, articulando revisão sistemática, análise de dados
secundários e documental, observação direta, conversas informais, registros de campo e
entrevistas em profundidade orientadas pelo método da história de vida. O campo empírico foi
ampliado para São Luís, em razão da inclusão de magistradas, desembargadoras negras e
integrantes do Comitê de Diversidade, e também por uma imersão internacional na Colômbia,
que permitiu dialogar com conceitos como o comadreo e a dororidade. Os resultados
evidenciam que o Tribunal é um espaço ambivalente: embora represente mobilidade social e
estabilidade, atua simultaneamente na reprodução de desigualdades estruturais através de
mecanismos como a vigilância racial, o questionamento da competência intelectual e a
manutenção de uma parede de vidro que restringe o acesso aos cargos de decisão. As
narrativas revelam a centralidade da educação como travessia, o peso das responsabilidades
do cuidado e a existência de táticas cotidianas de resistência que sustentam a permanência
dessas mulheres nessa instituição. A investigação conclui que o Tribunal apresenta uma
inclusão formal, carecendo de uma virada substantiva que redistribua efetivamente o poder
institucional. Resta evidenciada a necessidade de políticas institucionais efetivas, orientadas
pela interseccionalidade, para o enfrentamento das discriminações e a promoção da igualdade
racial e de gênero no Poder Judiciário. Como encaminhamento, a pesquisa propõe a produção
de dados interseccionais sistemáticos, a interiorização das políticas de diversidade para as
comarcas do interior e a elaboração de uma cartilha institucional voltada ao letramento racial e
de gênero.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 3336298 - MAYNARA COSTA DE OLIVEIRA SILVA
Interno - 2141213 - CLODOMIR CORDEIRO DE MATOS JUNIOR
Externo à Instituição - ANDRESSA LIDICY MORAIS LIMA FREITAS - UFRN