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Banca de QUALIFICAÇÃO: MARIANA KAMILLA SANTOS CARDOSO

2026-07-03 15:33:40.12

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: MARIANA KAMILLA SANTOS CARDOSO
DATA: 12/08/2026
HORA: 09:00
TÍTULO: ENTRE MARÉS E MUROS: MÚSICA, ENSINO DE HISTÓRIA E RACISMO AMBIENTAL ATRAVÉS DAS CANÇÕES DA BANDA BAIANASYSTEM (2016–2019)
PALAVRAS-CHAVES: Ensino de História; Racismo Ambiental; Música
PÁGINAS: 51
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: História
RESUMO: Quando se fala em meio ambiente, muito se discute atualmente sobre as questões relacionadas à sustentabilidade, que é uma discussão que, apesar de já existir há algumas décadas, ganhou força na última, em virtude do contexto de emergência climática que vem se agravando cada dia mais. O direito ao meio ambiente é resguardado pela Constituição de 1988, que afirma, em seu artigo 225, que todos têm direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, como um bem de uso comum e essencial à vida, sendo o poder público responsável pela sua proteção, preservação e defesa (BRASIL, 1988). Existem, ainda, uma série de outros artigos na Constituição brasileira que definem sua importância para além do âmbito natural, ressaltando sua relação com a ordem política e delegando a vários setores públicos a competência de defendê-lo. Assim, diante de todo esse resguardo ao meio ambiente, enfrentamos um contexto de emergência climática global, marcado pelo aquecimento global, pela mudança de ecossistemas, de biomas e de realidades climáticas que vêm afetando de modo extremamente incisivo a vida das populações ao redor do globo, sobretudo as populações da periferia global, aquelas a quem convencionalmente se chama de terceiro mundo. Para compreender essa relação, basta observar os grandes desastres ambientais ocorridos no Brasil na última década. Para além do quantitativo, é importante observar a quem esses desastres mais prejudicam de maneira mais direta, uma vez que todos se concentram em áreas de exploração já consideradas como áreas de risco. As populações que residem em áreas de risco não residem nelas somente por um mero desejo de se expor, mas pela necessidade de moradia. Em sua maioria, são populações periféricas e atravessadas por um importante marcador social: a raça. Essa realidade pode ser compreendida a partir da análise de Porto-Gonçalves (2006), que argumenta que a vulnerabilidade socioambiental no Brasil é resultado de um padrão de desenvolvimento historicamente excludente, no qual os impactos ambientais recaem de forma desproporcional sobre corpos negros, pobres e marginalizados. Raquel Rolnik, renomada arquiteta e urbanista da USP que trabalha com questões referentes às cidades, também enfatizou que as questões previamente apontadas são interligadas a partir do conceito de racismo ambiental (Rolnik, 2019). O capitalismo assume uma postura predatória e centrocêntrica, uma vez que se foca nos grandes centros urbanos e se esquece das periferias, interiores e entornos, conforme apontam análises críticas sobre urbanização desigual (Roy, 2010; Acselrad, 2010). Essa relação de esquecimento é profundamente marcada por uma colonialidade reinventada, agora num contexto urbano, em que os impactos ambientais se relacionam e se coadunam com a dimensão racial.Neste sentido,as cidades operam de acordo com categorias racializadas, produzindo fronteiras internas que definem quais corpos podem habitar áreas consideradas nobres e quais são relegados à precariedade. É nesse ponto que o racismo ambiental emerge como chave analítica incontornável, conforme formulado nos estudos críticos sobre justiça ambiental (Acselrad, 2010), pois revela como determinadas populações, majoritariamente negras e periféricas, seguem sendo afetadas de forma desproporcional por crises climáticas, desastres ambientais e políticas públicas que distribuem risco e vulnerabilidade de maneira profundamente desigual.
MEMBROS DA BANCA:
Interno - 2160155 - FERNANDA RODRIGUES GALVE
Presidente - 3410477 - RAISSA GABRIELLE VIEIRA CIRINO
Externo à Instituição - SÉRGIO ARMANDO DINIZ GUERRA FILHO - UFRB

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