Banca de QUALIFICAÇÃO: KAROLINE PARRIAO RODRIGUES
2026-06-19 14:53:33.374
Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: KAROLINE PARRIAO RODRIGUES
DATA: 26/06/2026
HORA: 09:00
TÍTULO: OPRESSÕES DE GÊNERO E TRABALHO NA TRAMA DO CAPITALISMO NEOLIBERAL: uma análise a partir do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão IFMA
PALAVRAS-CHAVES: capitalismo neoliberal; opressões; gênero; serviço público; IFMA.
PÁGINAS: 95
GRANDE ÁREA: Multidisciplinar
ÁREA: Interdisciplinar
RESUMO: Considerando o alarmante contexto mundial e nacional de violência no âmbito do trabalho, apresenta-se esta tesa, vinculado ao Programa de Pós-graduação em Políticas Públicas da UFMA, cujo objeto é uma análise das opressões de gênero expressas nas relações de trabalho no âmbito do capitalismo neoliberal a partir da experiência do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão IFMA. Como base de investigação e análise, imprimiu- se no percurso metodológico orientações do materialismo dialético e histórico,
compreendendo que nem os fenômenos sociais, nem o conhecimento sobre é estanque ou acabado, mas, sim, parte de um movimento em constante transformação envolvendo uma
totalidade social em si complexa, capturada por abstração em seus aspectos universais, particulares e singulares. A pesquisa realizada foi básica, a partir de uma abordagem
qualitativa e, com vistas a alcançar os objetivos propostos, fundamentou-se principalmente na realização de pesquisa bibliográfica e documental. A abordagem empírica considerou dados
de natureza secundária do importante suporte de indicadores sociais de órgãos oficiais brasileiros, organismos internacionais e organizações com atuação reconhecida na temática
para o período de 2022 a 2024. A fundamentação teórica permitiu identificar que pensar a classe trabalhadora na atualidade é também compreender que ela se constitui síntese de
múltiplas determinações, ou seja, ela é composta por várias frações, sujeitos diversos, com condições plurais e contraditórias de existência. Nesse sentido, as opressões produzidas
historicamente pelo sistema capitalista contra a classe trabalhadora, não a atravessam de maneira igual, mas se expressam de maneira específica quando consideradas condições
singulares de existência como gênero, raça e etnia, idade, localização geográfica, entre outras diferenças que, no modo de produção capitalista atingem status de desigualdades sociais,
indispensáveis ao seu funcionamento. Sob o neoliberalismo, criam-se e renovam-se mecanismos de exploração e dominação de trabalhadoras/es a fim de garantir o processo de
acumulação capitalista. Inaugura-se uma nova racionalidade baseada em princípios de individualismo, competitividade e rentabilidade, que perpassa todos as esferas de vida social,
instando os sujeitos a serem empreendedores de si. Sob os princípios da governança, o Estado brasileiro introjeta essa mesma lógica na gestão do trabalho no funcionalismo público,
conduzindo a um contexto de precarização e intensificação do trabalho, individualismo e competitividade exacerbada, em que as/os trabalhadoras/res se tornam responsáveis
individualmente pela boa governança. A pesquisa demonstrou que esse quadro conduz à perda de identidade individual e coletiva, fragilização da solidariedade entre pares e culmina
na prática das mais variadas formas de violência laboral, compreendida aqui como instrumento de gestão do trabalho no capitalismo neoliberal. As opressões de gênero na
dinâmica contemporânea da sociedade capitalista reforçam a premissa de que as desigualdades de gênero e seus desdobramentos como a violência são funcionais ao sistema
capitalista, assim como o racismo enraizado em países como o Brasil, visto que as pessoas negras são as mais atravessadas por elas. Os dados apontam para um cenário alarmante da
violência de gênero no trabalho nos países latino-americanos, que encontram eco na realidade brasileira e se expressam de maneira particular no serviço público. No âmbito do IFMA, os dados coletados indicam a forte presença de violência laboral, o aumento do número de denúncias, a fragilidade do processo de responsabilização dos agressores, a precarização dos
órgãos de recebimento de denúncia e apuração, além da pouca atuação institucional frente aos preocupantes índices de violência de gênero. Esse quadro, para além de favorecer a
reprodução das violências e de alguma maneira proteger quem a exerce, impacta sobretudo a quem sofre as violências devido aos danos físicos, sociais, econômicos e psicológicos.
Outrossim, importa reconhecer a atuação relevante do Projeto Estratégico IFMA Livre de Violência de Gênero, o início da implantação dos NUGEDs, a implementação de atividades
preventivas nos campi, o avanço de pesquisas sobre a temática no âmbito da instituição e o aumento, ainda que tímido, de demissão de servidores em decorrência da violência de gênero. Conclui-se que, a partir do grave contexto de opressões de gênero na trama do capitalismo neoliberal, a organização coletiva, imaginativa e criativa tem sido horizonte transformador.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 3093344 - JULIANA CARVALHO MIRANDA TEIXEIRA
Externo à Instituição - ANDREA NORMA ANDUJAR - UBA
Externo à Instituição - NEUZELI MARIA DE ALMEIDA PINTO - UEMA