Banca de DEFESA: ALESSANDRA TEIXEIRA DE MACEDO
2025-12-12 17:14:49.882
Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: ALESSANDRA TEIXEIRA DE MACEDO
DATA: 16/12/2025
HORA: 14:00
LOCAL: Sala 01 do PPGCS (Sessão pública)
TÍTULO: Perfil clínico de fungemia em pacientes com neoplasias hematológicas em um hospital de referência de São Luís Ma, noa anos de 2022 a 2024.
PALAVRAS-CHAVES: Imunossupressão; Profilaxia antifúngica; Epidemiologia hospitalar; Resistência aos antifúngicos.
PÁGINAS: 79
GRANDE ÁREA: Ciências da Saúde
ÁREA: Medicina
RESUMO: Nos últimos anos, as infecções fúngicas invasivas (IFIs) tornaram-se causa relevante de morbimortalidade em pacientes com neoplasias hematológicas. A dificuldade no diagnóstico precoce, aliada à resistência antifúngica emergente e à variabilidade dos agentes etiológicos, como Candida não-albicans e espécies emergentes, agrava o cenário clínico. Fatores como uso prolongado de antifúngicos, neutropenia e internações em UTI elevam o risco de desfechos desfavoráveis. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo avaliar os aspectos clínicos de fungemia em pacientes com neoplasias hematológicas atendidos em um hospital de referência em São Luís MA, entre os anos de 2022 a 2024. Trata-se de um estudo retrospectivo que avaliou 89 episódios de fungemia entre 2022 e 2024, incluindo variáveis clínicas, fatores de risco, espécies isoladas, perfis de suscetibilidade e desfechos. Adicionalmente, analisou-se um surto envolvendo 14 isolados de Candida vulturna identificados em quatro meses de 2022. A identificação inicial ocorreu por MALDI-TOF, com confirmação por sequenciamento ITS e sequenciamento de genoma
completo. A suscetibilidade antifúngica foi determinada por microdiluição e Sensititre YeastOne. A população estudada apresentou predomínio pediátrico (mediana de 8,5 anos), com leucemia linfoide aguda como neoplasia mais frequente. Fatores de risco estiveram amplamente presentes, incluindo cateter venoso central (92,6%), uso prévio de antibióticos (85,4%) e imunossupressão induzida por terapia (58,4%). Candida parapsilosis (32,6%) e Candida tropicalis (19,1%) foram as espécies mais prevalentes, enquanto leveduras emergentes como C. vulturna, C. duobushaemulonii e C. haemulonii também foram identificadas. A maioria dos isolados demonstrou susceptibilidade aos antifúngicos, apesar de resistência ao fluconazol em algumas
cepas de C. parapsilosis e valores elevados de CIM em espécies emergentes. A mortalidade global foi de 48,3%, embora os óbitos não tenham sido atribuídos diretamente à infecção. No surto por C. vulturna, métodos fenotípicos identificaram erroneamente os isolados como outras espécies do complexo C. haemulonii, sendo necessária a confirmação molecular e genômica. As análises de WGS demonstraram clonabilidade entre os 14 isolados, caracterizando um surto hospitalar. Todos os isolados apresentaram baixas CIMs e boa resposta clínica ao tratamento. A fungemia em pacientes com neoplasias hematológicas no Maranhão apresenta características epidemiológicas particulares, com predominância de espécies não-albicans e ocorrência significativa de leveduras emergentes, ressaltando a necessidade de vigilância contínua. O surto de C. vulturna evidencia a importância da incorporação de métodos moleculares e genômicos na rotina diagnóstica, uma vez que técnicas convencionais podem falhar na identificação correta dessas leveduras. Os achados
contribuem para o entendimento regional da fungemia, reforçando a urgência de estratégias preventivas, uso racional de antimicrobianos, cuidados rigorosos com dispositivos invasivos e adoção de ferramentas avançadas de identificação para melhorar os desfechos clínicos em populações altamente vulneráveis.
MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - ANDREA DE SOUZA MONTEIRO - UNICEUMA
Presidente - 407707 - CONCEICAO DE MARIA PEDROZO E SILVA DE AZEVEDO
Interno - 1701663 - LUCILENE AMORIM SILVA
Externo à Instituição - MARLIETE CARVALHO DA COSTA - UNICEUMA
Externo ao Programa - 2985612 - MAYARA CRISTINA PINTO DA SILVA