Banca de QUALIFICAÇÃO: REGIVALDO DA SILVA CARVALHO
2025-07-30 12:15:34.692
Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: REGIVALDO DA SILVA CARVALHO
DATA: 27/08/2025
HORA: 16:30
LOCAL: https://meet.google.com/six-vhqk-spr
TÍTULO: uma gente que fica agarrada na terra: território quilombola e corpos subalternizados em A Claridade da Gente de Paulo Rodrigues
PALAVRAS-CHAVES: A Claridade da Gente; Paulo Rodrigues; Territorialidade/desterritorialidade/ reterritorialidade; Quilombo Onça; Colonialidade de Poder; Resistência/Reexistência.
PÁGINAS: 83
GRANDE ÁREA: Lingüística, Letras e Artes
ÁREA: Letras
RESUMO: A poesia tem se configurado como espaço de memória, denúncia e resistência, especialmente quando mobilizada por sujeitos comprometidos com as lutas sociais e históricas que atravessam os corpos subalternizados. Nesse sentido, esta dissertação propõe uma leitura crítica da obra A Claridade da Gente (2023), do poeta maranhense Paulo Rodrigues, composta por 38 poemas que percorrem experiências de trabalhadores rurais, quilombolas, crianças e mulheres em contextos de violência, exploração, luta e reexistência. A partir da perspectiva da teoria decolonial, este estudo investiga como a poética do autor desvela as marcas da colonialidade do poder no território quilombola Onça, do interior do Maranhão, ao mesmo tempo que estrutura uma práxis crítica voltada para a visibilização das lutas territoriais, do trabalho precarizado e da infância explorada. Posto isto, pergunta-se: De que modo a poesia contra-hegemônica de Paulo Rodrigues em A Claridade da Gente coloca em discussão o processo de territorialidade, desterritorialidade e reterritorialidade quilombola e as dinâmicas do poder que exploram os sujeitos subalternizados dessa comunidade? Posto isto, para a responder à questão problema tem-se como objetivo geral compreender como Paulo Rodrigues articula literatura e sociedade frente às estruturas coloniais ainda vigentes na realidade quilombola. Ademais, entre os objetivos específicos, destacam-se: (1) analisar a representação da territorialidade quilombola e os efeitos da desterritorialização, com ênfase na comunidade Quilombo Onça, em Santa Inês MA; (2) discutir a precarização do trabalho no campo e a exploração dos corpos dos trabalhadores rurais; e (3) refletir sobre a presença da infância como categoria social violentada pelas engrenagens do sistema capitalista. Como procedimentos metodológicos, opta-se por classificar esta pesquisa, quanto à abordagem, como qualitativa, de natureza interpretativa e de caráter exploratório e descritivo, envolvendo pesquisa bibliográfica para a construção do referencial teórico, como também coleta de dados por meio de observação sistemática na etapa de pesquisa de campo com a aplicação dos instrumentos de coleta de dados e a análise dos dados coletados. Para isso, segue-se três etapas principais: (a) análise textual da obra A Claridade da Gente, com base em categorias temáticas; (b) visita de campo à comunidade Quilombo Onça, a fim de observar práticas de resistência territorial; e (c) realização de entrevista semiestruturada com o autor Paulo Rodrigues, a qual possibilitou a compreensão de sua trajetória política, poética e comunitária. Do ponto de vista teórico, a pesquisa articula autores da crítica literária como Antonio Candido (2006) e Alfredo Bosi (2002); e nomes centrais da teoria decolonial como Aníbal Quijano (2005), Walter Mignolo (2022) e María Lugones (2008). Também se apoia em intelectuais quilombolas e antirracistas como Abdias Nascimento (2006), Lélia Gonzalez (2020) e Antonio Bispo dos Santos (2015); e pesquisadores do território e da resistência como Rogério Haesbaert (2008), Maria Geralda (2010), Leite (2000), Little (2002) e Frantz Fanon (1968). Os resultados iniciais apontam que a poesia de Paulo Rodrigues mobiliza uma estética engajada, profundamente enraizada nas vivências quilombolas e populares, revelando a persistência da colonialidade nas relações sociais e econômicas. A obra revela, por meio da linguagem poética, os processos de expulsão e apagamento das comunidades negras rurais e a exploração da força de trabalho entre adultos e crianças. Simultaneamente, evidencia a resistência/reexistência cotidiana como força vital desses sujeitos, propondo uma reterritorialização simbólica e política mediada pela palavra poética.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2243382 - CRISTIANE NAVARRETE TOLOMEI
Interno - 1070846 - RUBENIL DA SILVA OLIVEIRA
Externo à Instituição - JOSE HENRIQUE DE PAULA BORRALHO - UEMA