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Banca de QUALIFICAÇÃO: EDNARDO COSTA MONTELO

2026-08-11 10:47:52.636

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: EDNARDO COSTA MONTELO
DATA: 27/08/2026
HORA: 11:30
TÍTULO: SOMBRA E DOMÍNIO: A MORTE COMO INSTRUMENTO DE CONTROLE DE CORPOS HOMOAFETIVOS EM TRÊS ROMANCES
PALAVRAS-CHAVES: Literatura cuir. Morte. Necronormatividade. Corpos homoafetivos. Poder.
PÁGINAS: 74
GRANDE ÁREA: Lingüística, Letras e Artes
ÁREA: Letras
SUBÁREA: Literatura Brasileira
RESUMO: Esta dissertação investiga a morte como instrumento de controle de corpos homoafetivos nos romances Um animal de Deus (1967), de Walmir Ayala, O terceiro travesseiro (1997), de Nelson Luiz de Carvalho, e Confissões ao mar (2000), de Kadu Lago. O objetivo principal consiste em compreender de que maneira essas narrativas representam a morte não apenas como acontecimento biológico ou recurso estético, mas como dispositivo simbólico de punição, silenciamento e exclusão de sujeitos que transgridem a norma heterossexual. A pesquisa adota abordagem qualitativa, bibliográfica, interpretativa e comparativa, articulando a análise literária aos conceitos de biopoder, de Michel Foucault, necropolítica, de Achille Mbembe, e necrobiopoder, de Berenice Bento, além das contribuições de Judith Butler acerca da precariedade e da condição de uma vida passível de luto. Também são considerados estudos sobre morte, cultura, sexualidade e literatura cuir, bem como dados contemporâneos referentes à violência contra a população LGBTQIA+ no Brasil. Os resultados demonstram que, nas três obras, a morte física é precedida e sustentada por modalidades de morte social, simbólica e afetiva, manifestadas por meio da culpa religiosa, da vergonha, da repressão familiar, do preconceito, da invisibilização e da impossibilidade de viver plenamente o desejo. Verifica-se, ainda, que os desfechos trágicos não constituem acontecimentos isolados, pois revelam uma ordem necronormativa que disciplina condutas, distribui diferencialmente a vulnerabilidade e transforma determinadas existências em vidas descartáveis ou insuficientemente reconhecidas. Apesar disso, as narrativas também convertem a perda em memória, denúncia e resistência, tornando visíveis sujeitos historicamente marginalizados. Conclui-se que a literatura brasileira cuir expõe criticamente os mecanismos sociais, políticos e religiosos que aproximam dissidência sexual e morte, ao mesmo tempo que questiona as normas responsáveis por determinar quais corpos podem viver, amar, ser lembrados e ter suas perdas publicamente reconhecidas. Dessa forma, o estudo amplia o debate entre literatura, poder, sexualidade, morte e resistência.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1070846 - RUBENIL DA SILVA OLIVEIRA
Externo à Instituição - ORISON MARDEN BANDEIRA DE MELO JÚNIOR - UFRN
Externo à Instituição - RENATA CRISTINA DA CUNHA - UESPI

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