Banca de QUALIFICAÇÃO: CÍLIO LINDEMBERG DE ARAÚJO SANTOS
2026-09-24 09:54:15.215
Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: CÍLIO LINDEMBERG DE ARAÚJO SANTOS
DATA: 29/09/2026
HORA: 15:00
TÍTULO: HISTÓRIA, TESTEMUNHO E TRAUMA NAS DISPUTAS DE MEMÓRIA EM AINDA ESTOU AQUI E JÚLIA: NOS CAMPOS CONFLAGRADOS DO SENHOR
PALAVRAS-CHAVES: disputas de memória; romance histórico ditatorial brasileiro; ditadura civil-empresarial-militar; Ainda estou aqui; Júlia: Nos campos conflagrados do Senhor.
PÁGINAS: 85
GRANDE ÁREA: Lingüística, Letras e Artes
ÁREA: Letras
SUBÁREA: Literatura Brasileira
RESUMO: A presente dissertação abraça como objeto de estudo e temática geral a análise das disputas de
memória nos romances históricos contemporâneos Ainda estou aqui (2015), de Marcelo
Rubens Paiva, e Júlia: Nos campos conflagrados do Senhor (2020), de Bernardo Kucinski.
Diante disso, adota-se como norte a seguinte questão-problema: Como ocorrem as contendas
memorialísticas de que participam essas obras literárias com respeito à memória da Ditadura
Civil-Empresarial-Militar brasileira (1964-1985)? A fim de prover uma réplica que satisfaça a
essa pergunta, visa-se cotejar o conteúdo memorial de ambas as obras com a historiografia do
referido regime. Em posse dos textos selecionados de Paiva (2015) e Kucinski (2020),
privilegia-se, sobretudo, um exame bibliográfico que segue uma abordagem qualitativa do
problema, cujos fins pendem para uma postura mais explicativa. Além disso, vale ressaltar a
relevância da sociocrítica de Candido (2006) aliada às contribuições de Bakhtin (1996, 2002,
2011, 2016) sobre discurso e aos aportes sobre memória e esquecimento com Halbwachs
(2011), Ricur (2003), Sarlo (2005), e outros. Subsidiado pelas considerações sobre o regime
militar a partir de historiadores, tais como Fico (2001), Motta (2021), Netto (2014), Reis
(2014) e Ridenti (2010), esse arsenal teórico pretende a caracterização do gênero discursivo
brasileiro romance histórico ditatorial. Em função de seu conteúdo temático e das conjunturas
em que nasce, investigar essa modalidade literária implica considerar sua natureza de
literatura de testemunho e de trauma. Com base nisso, consultam-se os trabalhos de Derrida
(2005), Dulong (1998), Freud (2001), Gagnebin (2006), LaCapra (2014), Sarlo (2007),
Seligmann-Silva (2000, 2017), Wieviorka (2013), dentre outros. Como resultados
preliminares, percebeu-se uma expansão do alcance discursivo das relações literatura-história,
antes pautadas por argumentos mais historicistas que focalizavam dicotomias necessariamente
excludentes, e.g., ficção-história, verdade-mentira etc., o que pode apontar para uma
renovação das relações literatura-história. Adicionalmente, entrelaçar os estudos sobre
discurso e memória mostrou-se como fundamental para a observação de suas propriedades
coletivas, assentadas nas atividades sociais, dentre as quais está a prática de produção literária,
em especial, do romance histórico ditatorial. Enquanto prévias conclusões, constatou-se que a
literatura ditatorial possui uma carga histórico-discursiva atravessada por aspectos
memorialísticos e que abordar isso de antemão foi essencial para observar os teores
testemunhal e traumático dos corpora adotados. Essa circunstância encaminha essa
dissertação para uma crítica viável das disputas de memória que envolvem Ainda estou aqui e
Júlia: Nos campos conflagrados do Senhor.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1398899 - LUCELIA DE SOUSA ALMEIDA
Interno - 1080081 - POLIANA DOS SANTOS
Externo ao Programa - 836.463.293-00 - HERASMO BRAGA DE OLIVEIRA BRITO