Banca de QUALIFICAÇÃO: VICTOR NOGUEIRA DA CRUZ SILVEIRA
2026-06-25 14:40:11.816
Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: VICTOR NOGUEIRA DA CRUZ SILVEIRA
DATA: 26/06/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Sala de aula da Pós-Graduação em Saúde Coletiva - UFMA
TÍTULO: PADRÕES ESPAÇO-TEMPORAIS E SOCIODEMOGRÁFICOS DE AGRAVOS NUTRICIONAIS E ALIMENTARES DA POPULAÇÃO BRASILEIRA
PALAVRAS-CHAVES: Criança; Adolescente; Inquéritos Nutricionais; Fatores Sociodemográ-
ficos; Análise espacial; Saúde pública; Brasil
PÁGINAS: 80
GRANDE ÁREA: Ciências da Saúde
ÁREA: Saúde Coletiva
RESUMO: Os agravos nutricionais antropométricos e alimentares representam condições deletérias
que impactam a qualidade de vida e futuro de indivíduos e populações. Usualmente, am-
bos estão intrinsecamente ligados, uma vez que o consumo alimentar inadequado, seja por
privação ou por excesso, de produtos industriais, como alimentos ultraprocessados (AUP),
afeta o estado nutricional. Ademais, por se tratarem de condições multifatoriais, elemen-
tos sociodemográficos ou localização também atuam sobre ambos. Dessa forma, esta tese
analisou as condições sociodemográficas que atuavam diretamente sobre o consumo de
AUP na população brasileira ≥ 10 anos de idade (Artigo 1), assim como identificou as
combinações de efeitos que aumentavam ou reduziam o consumo de AUP e INMP em
adultos brasileiros (Artigo 2). Além disso, analisou-se a distribuição espacial do consumo
de determinadas classes de AUP em quatro faixas etárias distintas por microrregiões bra-
sileiras (Artigo 3). Para avaliar a relação entre preditores sociodemográficos e o consumo
de ultraprocessados nas microrregiões brasileiras, empregou-se uma abordagem de mode-
lagem hierárquica bayesiana. Inicialmente, a seleção de variáveis foi realizada por meio da
técnica Spike-and-Slab, que permite a inclusão probabilística de covariáveis no preditor
linear. A estrutura espacial foi analisada comparando cinco modelos (Nulo, Independente,
CAR, BYM e BYM2) pelo Critério de Informação de Watanabe-Akaike (WAIC). O mo-
delo BYM2 apresentou o melhor ajuste, permitindo decompor a variância residual em
dois componentes: um efeito aleatório estruturado, que captura a dependência espacial
entre vizinhos, e um efeito não estruturado, associado à heterogeneidade específica, ambos
ponderados por um parâmetro de mistura. As análises foram executadas no ambiente R,
utilizando o pacote Rstan para amostragem via cadeias de Markov Monte Carlo (MCMC)
e o R-INLA para o cálculo do fator de escala da variância espacial. A convergência das
cadeias foi assegurada pelo diagnóstico de Gelman-Rubin e pela inspeção dos traceplots.
Esta estrutura estatística permitiu o controle da autocorrelação espacial e a identificação
precisa dos determinantes sociodemográficos do consumo alimentar. Os resultados indi-
cam uma elevada prevalência de consumo de alimentos ultraprocessados (AUP) no Brasil,
com destaque para o público jovem (≤ 19 anos), que superou os adultos em todas as cate-
gorias, especialmente em bebidas adoçadas com açúcar (BAA - 66,1%) e doces/biscoitos
(59,1%). Espacialmente, observou-se maior probabilidade de consumo de BAA e doces
no Centro-Oeste e Sudeste, enquanto salsichas e salgadinhos concentraram-se no litoral
nordestino e região Sul.A seleção de variáveis por meio de Spike-and-Slab identificou o
Programa Bolsa Família (PBF), o analfabetismo e a renda como os principais preditores.
No modelo final (BYM2), microrregiões com maior adesão ao PBF apresentaram menores
chances de consumo de BAA entre jovens (OR = 0, 86) e de carnes processadas entre adul-
tos (OR = 0, 93), mas maiores chances de consumo de salgadinhos (OR = 1, 11).A análise
dos efeitos aleatórios confirmou a existência de forte dependência espacial (λ elevado), in-
dicando que o entorno geográfico influencia os padrões alimentares. Adultos apresentaram
uma dispersão mais homogênea de consumo pelo território, enquanto, entre os jovens, os
aglomerados de alto consumo foram mais localizados, reforçando a necessidade de polí-
ticas públicas regionalmente estruturadas para o controle de AUP. Os achados revelam
uma distribuição heterogênea do consumo de ultraprocessados no Brasil, com maior pre-
valência entre crianças e adolescentes, especialmente de bebidas adoçadas e doces. O
impacto do Programa Bolsa Família foi dual: atuou como fator protetor no consumo de
bebidas e salsichas, mas associou-se ao aumento do consumo de salgadinhos entre adultos.
A análise espacial confirmou padrões regionais, com maior consumo concentrado no Sul
e no Sudeste. Conclui-se que o ambiente socioeconômico e a idade moldam as escolhas
alimentares, o que demanda políticas públicas regionalizadas que fortaleçam a educação
nutricional e o acesso a alimentos in natura para mitigar as desigualdades em saúde.
MEMBROS DA BANCA:
Co-orientador - 407662 - ALCIONE MIRANDA DOS SANTOS
Presidente - 2438568 - ANA KARINA TEIXEIRA DA CUNHA FRANCA
Interno - 3410183 - LUZ MARINA GOMEZ GOMEZ
Externo ao Programa - 2115503 - NAYRA ANIELLY CABRAL CANTANHEDE