Banca de QUALIFICAÇÃO: BRUNA CAROLINE SILVA FALCAO
2026-06-26 08:06:40.075
Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: BRUNA CAROLINE SILVA FALCAO
DATA: 03/07/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Sala de aula da Pós-Graduação em Saúde Coletiva - UFMA
TÍTULO: TENDÊNCIAS TEMPORAIS DA MORTALIDADE POR CÂNCER DE FÍGADO NO BRASIL E MACROREGIÕES E FATORES ASSOCIADOS.
PALAVRAS-CHAVES: Carcinoma Hepatocelular, Mortalidade, Série Temporal, Estudos Ecológicos.
PÁGINAS: 164
GRANDE ÁREA: Ciências da Saúde
ÁREA: Saúde Coletiva
RESUMO: O câncer de fígado configura-se como um grave e crescente problema de saúde pública
global, caracterizado por alta mortalidade e distribuição epidemiológica heterogênea de
acordo com as variedades regionais. No Brasil, essas disparidades refletem barreiras
socioeconômicas históricas, fazendo com que a análise da mortalidade seja crucial para
estruturar uma linha de cuidado oncológico mais justa e eficaz. Essa tese objetivou
analisar a tendência temporal de mortalidade por câncer de fígado no Brasil no período
de 2000 a 2023, estratificada por sexo, faixa etária e macrorregiões, bem como a
investigar os fatores socioeconômicos e assistenciais associados a esse desfecho nas 27
Unidades Federativas (UF) brasileiras no período de 2010 a 2023. Realizou-se um estudo
ecológico e de séries temporais, de base secundária e abrangência nacional, direcionado
à população com 30 anos ou mais de idade. Os dados de mortalidade foram extraídos do
Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). Para mitigar os vieses de registro
históricos, procedeu-se à correção básica dos óbitos por meio da redistribuição de causas
mal definidas e códigos lixo (garbage codes), seguida do cálculo das taxas de mortalidade
brutas e padronizadas por idade pelo método direto. A análise de tendências temporais
utilizou o modelo de regressão linear por pontos de inflexão através do Joinpoint
Regression. A avaliação dos fatores associados à mortalidade nas 27 UFs no período de
20102023 foi executada mediante modelos de regressão com dados em painel por efeitos
fixos, incorporando indicadores socioeconômicos, demográficos e de capacidade
instalada de saúde. Os achados evidenciaram uma acentuada heterogeneidade espaçotemporal na mortalidade por câncer de fígado no país. A análise de Joinpoint revelou uma
tendência significativamente crescente nas macrorregiões Nordeste, Sul e Sudeste, com
maior velocidade de incremento entre os homens e na população idosa (50 anos e mais);
em contrapartida, as regiões Norte e Centro-Oeste exibiram padrões de estabilidade. A
série histórica nacional revelou uma trajetória ascendente interrompida por uma inflexão
e leve declínio a partir de 2020, sinalizando o impacto indireto da pandemia de COVID19 na rede assistencial, possivelmente associado à subnotificação de óbitos e ao
represamento de diagnósticos precoces. Na análise de dados em painel, o Índice de
Desenvolvimento Humano (IDH) e a taxa de analfabetismo apresentaram associação
positiva e estatisticamente significativa com as taxas de mortalidade, enquanto a maior
densidade de médicos esteve inversamente associada ao desfecho. A dinâmica da
mortalidade por câncer de fígado no Brasil revela um desafio epidemiológico e estrutural.
Por um lado, a associação com o analfabetismo e as estabilidades regionais podem
mascarar barreiras de acesso e subnotificação nas áreas de maior vulnerabilidade social.
Por outro, a associação positiva com o IDH reflete a concentração do poder de detecção
diagnóstica e a eficiência do registro nos grandes centros urbanos. Conclui-se que o
enfrentamento desse agravo requer políticas públicas intersetoriais que combinem o
combate às desigualdades estruturais, a descentralização do diagnóstico precoce e a
expansão da cobertura médica especializada, qualificando de forma equânime a linha de
cuidado oncológico no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 176.754.643-20 - ANTONIO AUGUSTO MOURA DA SILVA
Externo ao Programa - 2603610 - PLINIO DA CUNHA LEAL
Interno - 2299196 - REJANE CHRISTINE DE SOUSA QUEIROZ