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Banca de QUALIFICAÇÃO: LUCIANA CAVALCANTE COSTA

2026-07-01 16:34:08.034

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: LUCIANA CAVALCANTE COSTA
DATA: 09/07/2026
HORA: 10:00
LOCAL: Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva - UFMA
TÍTULO: TRANSMISSÃO INTERGERACIONAL DA VITIMIZAÇÃO POR VIOLÊNCIA E SAÚDE MENTAL NA ADOLESCÊNCIA
PALAVRAS-CHAVES: Adolescente. Saúde Mental. Violência contra a Mulher. Ansiedade. Depressão. Estudos de Coortes.
PÁGINAS: 156
GRANDE ÁREA: Ciências da Saúde
ÁREA: Saúde Coletiva
RESUMO: Introdução: A adolescência inicial (10–13 anos) constitui um período crítico para o desenvolvimento de transtornos mentais e para a consolidação de trajetórias de exposição à violência. No Brasil, especialmente no Maranhão, estado marcado por importantes desigualdades socioeconômicas, observam-se elevadas prevalências de transtornos de ansiedade e depressão, além de altas taxas de vitimização juvenil. A violência sofrida pela mulher antes e durante a gestação pode repercutir na vida dos filhos, favorecendo a transmissão intergeracional da violência e influenciando a saúde mental na adolescência. Compreender essas relações ao longo do curso de vida é fundamental para subsidiar estratégias de prevenção e promoção da saúde. Objetivo: Investigar como experiências de violência ao longo do curso de vida, desde a violência sofrida pela mãe antes e durante a gestação até a vitimização na adolescência, se relacionam com a saúde mental de adolescentes participantes da Coorte BRISA em São Luís (MA), por meio da análise da transmissão intergeracional da violência e da prevalência dos principais transtornos mentais na adolescência inicial. Métodos: Estudo com dados da Coorte BRISA de São Luís (MA), conduzida pela Universidade Federal do Maranhão desde 2010. Foram utilizados dados de 702 adolescentes da Coorte de Pré-natal e de 1.663 adolescentes da Coorte de Nascimento, avaliados entre 2022 e 2023. A tese está estruturada em dois artigos. O Artigo 1 investigou a transmissão intergeracional da violência, utilizando o instrumento WHO Violence Against Women (WHO VAW) para mensurar a violência sofrida pela mãe antes e durante a gestação e o Juvenile Victimization Questionnaire (JVQ-R2) para avaliar a vitimização dos adolescentes. As associações foram estimadas por regressão de Poisson com variância robusta. O Artigo 2 estimou a prevalência dos principais transtornos mentais na adolescência inicial por meio do Development and Well-Being Assessment (DAWBA), classificando os transtornos em internalizantes, externalizantes/neurodesenvolvimento e outros transtornos mentais. Resultados: No Artigo 1, entre os 702 adolescentes avaliados, 90,3% relataram pelo menos uma experiência de vitimização ao longo da vida. A violência física sofrida pela mãe antes da gestação esteve associada, após ajuste, a prevalências 67% maiores de vitimização sexual (RP=1,67; IC95%: 1,03–2,71) e 57% maiores de maus-tratos (RP=1,57; IC95%: 1,34–1,84) entre os filhos. A violência psicológica durante a gestação permaneceu associada à ocorrência de maus-tratos (RP=1,19; IC95%: 1,03–1,38) e ao testemunho de violência (RP=1,20; IC95%: 1,09–1,31). No Artigo 2, a maioria dos adolescentes não apresentou transtorno mental segundo a classificação clínica do DAWBA (89,8%). Os transtornos internalizantes, definidos pela presença de ansiedade e/ou depressão, foram observados em 6,0% dos adolescentes, enquanto os transtornos externalizantes/neurodesenvolvimento, incluindo transtorno do déficit de atenção/hiperatividade, transtorno opositor desafiador e transtorno de conduta, corresponderam a 2,5% da amostra. Outros transtornos mentais foram identificados em 1,6% dos adolescentes. Conclusões: Os achados evidenciam que a violência sofrida pela mãe antes e durante a gestação repercute na trajetória de vitimização dos filhos, corroborando a existência de transmissão intergeracional da violência. Embora a maioria dos adolescentes não tenha apresentado transtornos mentais, observou-se ocorrência relevante de transtornos internalizantes e externalizantes na adolescência inicial, indicando que uma parcela importante dessa população necessita de identificação e acompanhamento precoces. Em conjunto, os resultados reforçam que experiências adversas iniciadas ainda no período gestacional podem repercutir ao longo do desenvolvimento, influenciando tanto a exposição à violência quanto a saúde mental dos adolescentes. Esses achados destacam a importância de políticas públicas integradas voltadas à prevenção da violência contra a mulher, à proteção de crianças e adolescentes e ao fortalecimento de ações de promoção da saúde mental desde o período pré-natal.
MEMBROS DA BANCA:
Interno - 1210245 - CECILIA CLAUDIA COSTA RIBEIRO DE ALMEIDA
Externo ao Programa - 1136898 - JANIELLE FERREIRA DE BRITO LIMA
Presidente - 1983977 - ROSANGELA FERNANDES LUCENA BATISTA

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