Banca de DEFESA: VICTOR NOGUEIRA DA CRUZ SILVEIRA
2026-07-01 16:49:16.986
Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: VICTOR NOGUEIRA DA CRUZ SILVEIRA
DATA: 09/07/2026
HORA: 08:30
LOCAL: Sala de aula da Pós-Graduação em Saúde Coletiva - UFMA
TÍTULO: PADRÕES ESPAÇO-TEMPORAIS E SOCIODEMOGRÁFICOS DE AGRAVOS NUTRICIONAIS E ALIMENTARES DA POPULAÇÃO BRASILEIRA
PALAVRAS-CHAVES: Criança; Adolescente; Inquéritos Nutricionais; Fatores Sociodemográ-ficos;
Análise espacial; Saúde pública; Brasil.
PÁGINAS: 80
GRANDE ÁREA: Ciências da Saúde
ÁREA: Saúde Coletiva
RESUMO: Os agravos nutricionais antropométricos e alimentares representam condições deletérias
que impactam a qualidade de vida e futuro de indivíduos e populações. Usualmente, ambos
estão intrinsecamente ligados, uma vez que o consumo alimentar inadequado, seja por
privação ou por excesso, de produtos industriais, como alimentos ultraprocessados (AUP),
afeta o estado nutricional. Ademais, por se tratarem de condições multifatoriais, elementos
sociodemográficos ou localização também atuam sobre ambos. Dessa forma, esta tese
analisou as condições sociodemográficas que atuavam diretamente sobre o consumo de
AUP na população brasileira ≥ 10 anos de idade (Artigo 1), assim como identificou as
combinações de efeitos que aumentavam ou reduziam o consumo de AUP e INMP em
adultos brasileiros (Artigo 2). Além disso, analisou-se a distribuição espacial do consumo
de marcadores de consumo de AUP em quatro faixas etárias distintas por microrregiões
brasileiras (Artigo 3). Para avaliar a relação entre preditores sociodemográficos e o
consumo de ultraprocessados nas microrregiões brasileiras, empregou-se uma abordagem
de modelagem hierárquica bayesiana. Inicialmente, a seleção de variáveis foi realizada por
meio da técnica Spike-and-Slab, que permite a inclusão probabilística de covariáveis no
preditor linear. A estrutura espacial foi analisada comparando cinco modelos (Nulo,
Independente, CAR, BYM e BYM2) pelo Critério de Informação de Watanabe-Akaike
(WAIC). O modelo BYM2 apresentou o melhor ajuste, permitindo decompor a variância
residual em dois componentes: um efeito aleatório estruturado, que captura a dependência
espacial entre vizinhos, e um efeito não estruturado, associado à heterogeneidade específica,
ambos ponderados por um parâmetro de mistura. As análises foram executadas no ambiente
R, utilizando o pacote Rstan para amostragem via cadeias de Markov Monte Carlo
(MCMC) e o R-INLA para o cálculo do fator de escala da variância espacial. A
convergência das cadeias foi assegurada pelo diagnóstico de Gelman-Rubin e pela inspeção
dos traceplots. Esta estrutura estatística permitiu o controle da autocorrelação espacial e a
identificação precisa dos determinantes sociodemográficos do consumo alimentar. Os
resultados indicam uma elevada prevalência de consumo de alimentos ultraprocessados
(AUP) no Brasil, com destaque para o público jovem (≤ 19 anos), que superou os adultos
em todas as categorias, especialmente em bebidas adoçadas com açúcar (BAA - 66,1%) e
doces/biscoitos (59,1%). Espacialmente, observou-se maior probabilidade de consumo de
BAA e doces no Centro-Oeste e Sudeste, enquanto salsichas e salgadinhos concentraram-
se no litoral nordestino e região Sul. A seleção de variáveis por meio de Spike-and-Slab
identificou o Programa Bolsa Família (PBF), o analfabetismo e a renda como os principais
preditores. No modelo final (BYM2), microrregiões com maior adesão ao PBF
apresentaram menores chances de consumo de BAA entre jovens (OR = 0, 86) e de carnes
processadas entre adultos (OR = 0, 93), mas maiores chances de consumo de salgadinhos
(OR = 1, 11). A análise dos efeitos aleatórios confirmou a existência de forte dependência
espacial (λ elevado), indicando que o entorno geográfico influencia os padrões alimentares.
Adultos apresentaram uma dispersão mais homogênea de consumo pelo território,
enquanto, entre os jovens, os aglomerados de alto consumo foram mais localizados,
reforçando a necessidade de políticas públicas regionalmente estruturadas para o controle
de AUP. Os achados revelam uma distribuição heterogênea do consumo de
ultraprocessados no Brasil, com maior prevalência entre crianças e adolescentes,
especialmente de bebidas adoçadas e doces. O impacto do Programa Bolsa Família foi
dual: atuou como fator protetor no consumo de bebidas e salsichas, mas associou-se ao
aumento do consumo de salgadinhos entre adultos. A análise espacial confirmou padrões
regionais, com maior consumo concentrado no Sul e no Sudeste. Conclui-se que o
ambiente socioeconômico e a idade moldam as escolhas alimentares, o que demanda
políticas públicas regionalizadas que fortaleçam a educação nutricional e o acesso a
alimentos in natura para mitigar as desigualdades em saúde.
MEMBROS DA BANCA:
Co-orientador - 407662 - ALCIONE MIRANDA DOS SANTOS
Presidente - 2438568 - ANA KARINA TEIXEIRA DA CUNHA FRANCA
Externo à Instituição - GUILHERME LOPES DE OLIVEIRA - CEFET/MG
Interno - 3410183 - LUZ MARINA GOMEZ GOMEZ
Interno - 1421291 - POLIANA CRISTINA DE ALMEIDA FONSECA VIOLA
Externo ao Programa - 2433740 - SUELI ISMAEL OLIVEIRA DA CONCEICAO