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Banca de QUALIFICAÇÃO: PAULO HENRIQUE SILVA BEZERRA

2026-01-06 17:18:51.048

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: PAULO HENRIQUE SILVA BEZERRA
DATA: 29/01/2026
HORA: 14:00
TÍTULO: A (I)MORALIDADE SEXUAL NA AMAZÔNIA PORTUGUESA: uma análise a partir do processo Inquisitorial do sodomita Francisco Coelho em São Luís do Maranhão (século XVII).
PALAVRAS-CHAVES: Inquisição; Amazônia Portuguesa; Sodomia; Moralidade Sexual.
PÁGINAS: 154
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: História
RESUMO: Esta dissertação investiga a construção da moralidade sexual na Amazônia Portuguesa durante a segunda metade do século XVII, tendo como objeto central o processo inquisitorial de Francisco Coelho (1672–1682). Vinculada à linha de pesquisa “Linguagens, Religiosidades e Culturas”, a investigação analisa como o “pecado nefando de sodomia” foi mobilizado como um dispositivo de controle social e político em São Luís do Maranhão. O estudo parte do problema de como normas teológicas e jurídicas, forjadas no contexto da Reforma Católica e das Ordenações Filipinas, foram transplantadas e ressignificadas em uma região de fronteira marcada por uma sociedade pluriétnica e por intensos conflitos de poder entre as elites locais e a Coroa Lusitana. A fundamentação metodológica ancora-se na Micro-história, utilizando o método indiciário para perscrutar, nas entranhas do Processo n.º 1717 do Santo Ofício, as vozes de escravizados, indígenas e vizinhos que compuseram a rede de denúncias. Complementarmente, adota-se a perspectiva da História Conectada para compreender a circulação de estigmas e saberes entre Lisboa e o Estado do Maranhão e Grão-Pará, além de utilizar a Genealogia do Poder de matriz foucaultiana para desvelar a sodomia como uma categoria discursiva de sujeição e produção de subjetividades dóceis. A análise documental não se restringe ao processo-crime, mas dialoga com a legislação seiscentista e os manuais de confessores, observando a repressão como uma tecnologia de “colonização do corpo” e da alma. Os resultados indicam que a acusação contra Francisco Coelho, um “homem bom” da elite maranhense, extrapolou a esfera da heresia religiosa para atingir sua honra política e virilidade senhorial. A pesquisa revela uma “mestiçagem semântica” no controle dos costumes, exemplificada pelo uso do epíteto tupi “tibiro” para designar a passividade sexual, evidenciando como o léxico inquisitorial absorveu elementos locais para operacionalizar a infâmia e a exclusão. Conclui-se que, no cenário amazônico, o rigor moral serviu como mecanismo de distinção social e manutenção de hierarquias estamentais. A (i)moralidade sexual, portanto, configurou-se como um eixo central do disciplinamento colonial, sendo que a vigilância constante da intimidade e a gestão da “fama pública” atuaram como instrumentos de estabilidade administrativa e ortopraxia cristã em um território vasto, periférico e de difícil controle institucional.
MEMBROS DA BANCA:
Interno - 1841373 - ITALO DOMINGOS SANTIROCCHI
Presidente - 2079203 - MARCUS VINICIUS DE ABREU BACCEGA
Externo à Instituição - YLLAN DE MATTOS OLIVEIRA - UFRRJ

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