Banca de QUALIFICAÇÃO: MARIA DA GRACA REIS CARDOSO
2026-02-04 10:34:30.84
Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: MARIA DA GRACA REIS CARDOSO
DATA: 06/02/2026
HORA: 09:00
TÍTULO: A COMIDA DE VODUM DO TAMBOR DE MINA: de ebó a símbolo da gastronomia contemporânea no cenário turístico de São Luís MA. Entre a Sacralidade e a Colonialidade do Gosto.
PALAVRAS-CHAVES: Comida de Vodum. Colonialidade do Gosto. Patrimonialização. Tambor de Mina. São Luís.
PÁGINAS: 116
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: História
RESUMO: Estudo sobre o processo de transição da comida de Vodum à condição de símbolo da identidade ludovicense no contexto de São Luís como Patrimônio Mundial da Humanidade. Hipotetiza-se que a gênese desse processo reside no trabalho histórico de mulheres negras quituteiras e ganhadeiras desde o século XIX, e que a atual patrimonialização do Centro Histórico pela UNESCO contribuiu para a conversão desses saberes em mercadoria cultural, mediada por discursos de exotização sob a lógica da colonialidade do gosto. O objetivo geral consiste em compreender como a comida de Vodum se tornou um símbolo da gastronomia contemporânea, analisando a política cultural municipal através do Museu da Gastronomia Maranhense e a posição dos protagonistas do Terreiro de Yemanjá frente a esses processos. Para tanto, a pesquisa ancora-se na História Cultural da Alimentação, dialogando com Jean-Louis Flandrin, perspectiva esta tensionada pela matriz decolonial de Aníbal Quijano e Achille Mbembe, visando desestabilizar narrativas eurocêntricas sobre o gosto e a técnica. A pesquisa é qualitativa, adotando como métodos a observação participante e entrevistas semiestruturadas no Terreiro de Yemanjá, além da coleta de dados no Museu da Gastronomia. A análise fundamenta-se no cruzamento desses dados com fontes primárias, tais como anúncios de jornais do século XIX, queixas policiais, testamentos e almanaques históricos. O estudo evidencia as tensões entre a preservação do fundamento ritual e as demandas da economia do turismo, discutindo como as narrativas institucionais podem deslocar o saber-fazer ancestral para lógicas de uma estética capitalista. Portanto, a pesquisa contribui para a historiografia maranhense ao dar visibilidade às matrizes Jeje e Nagô, constitutivas do Tambor de Mina, e ao refletir sobre o impacto das representações oficiais no reconhecimento do valor técnico, político e espiritual deste patrimônio alimentar.
MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - ALECSANDRO JOSE PRUDENCIO RATTS - UFG
Interno - 271716 - JOSENILDO DE JESUS PEREIRA
Presidente - 2178433 - LYNDON DE ARAUJO SANTOS
Externo à Instituição - SIDIANA DA CONSOLAÇÃO FERREIRA DE MACÊDO - UFPA