Banca de DEFESA: ÁBDON ERES DA SILVA NETO
2026-04-14 09:31:59.616
Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: ÁBDON ERES DA SILVA NETO
DATA: 17/04/2026
HORA: 14:00
TÍTULO: O preço da liberdade é a eterna vigilância: cultura e paixões políticas na trajetória da União Democrática Nacional no Piauí (1945 a 1962).
PALAVRAS-CHAVES: UDN. Piauí. Culturas Políticas. Paixões Políticas.
PÁGINAS: 180
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: História
RESUMO: A União Democrática Nacional foi criada no Brasil em 1945, no contexto de democratização que se seguiu ao fim do governo autoritário de Getúlio Vargas. Esse é o marco inicial de nossa investigação. O recorte final situa-se em 1962, ano em que ocorreram eleições para governador no Piauí. Esse partido teve grande importância nas disputas políticas do período; mesmo assim, não há pesquisas que tratem especificamente de sua atuação no estado. Desse modo, esta tese visa analisar a trajetória da UDN no Piauí. Partimos da hipótese de que o contexto de culturas políticas, usando o conceito de Serge Bernstein (1998) e as reflexões de Rodrigo Patto Sá Motta (2009), deu um tom particular à dinâmica política piauiense daquele período, de modo que as decisões tomadas pelo partido em nível nacional nem sempre convergiam com aquelas adotadas pela seção estadual. Por meio da pesquisa nos jornais, livros de memórias e depoimentos percebeu-se que os políticos piauienses tinham noções compartilhas sobre como lidar com a política. Nessas fontes observamos que as pautas eram, em geral, sobre acusações trocadas, sobre desvios de dinheiro público, violências, perseguições e disputas por cargos. Enxergando esses embates por meio do conceito de gestão das paixões políticas de Pierre Ansart (2019), evidenciamos que a UDN piauiense mobilizou emoções e sentimentos, criticando o governo pessedista de Leônidas Mello, associando-o a um período autoritário, ao passo que apresentava a UDN como esperança de tempos democráticos. Desse modo, as paixões políticas eram mobilizadas com intuito de receber o apoio do eleitorado, mostrando um traço importante da atuação daqueles sujeitos. No primeiro capítulo analisamos como a UDN canalizou os ressentimentos contra o partido pessedista para vencer as eleições; no segundo capítulo, investigamos o governo do udenista Rocha Furtado, observando que o ódio cultivado no pleito eleitoral reverberou durante seu governo, mantendo a disputa entre os partidos acirrada. No terceiro capítulo, analisamos como o desafeto entre dois dos maiores líderes da UDN no estado impactaram a dinâmica política. Por fim, investigamos a trajetória de Petrônio Portella, um político udenista que conseguiu uma aliança entre as duas siglas partidárias adversárias, considerando o afeto entre ele e a filha do líder pessedista. Esperamos que esta pesquisa possa servir de base para novos estudos sobre o período, elucidando as disputas políticas não apenas pelo cálculo político, mas observando também os elementos culturais e emocionais.
MEMBROS DA BANCA:
Interno - 1204327 - MARCO ANTÔNIO MACHADO LIMA PEREIRA
Externo à Instituição - Marylu Alves de Oliveira - UFPI
Externo à Instituição - RAIMUNDO NONATO PEREIRA MOREIRA - UNEB
Externo à Instituição - RODRIGO PATTO SÁ MOTTA - UFMG
Presidente - 2074262 - VICTOR DE OLIVEIRA PINTO COELHO