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Banca de DEFESA: CARLOS VICTOR DE SOUSA FERREIRA

2026-05-13 15:58:46.135

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: CARLOS VICTOR DE SOUSA FERREIRA
DATA: 15/05/2026
HORA: 14:00
TÍTULO: CIRCULAÇÕES DA ANORMALIDADE: loucura, suicídio, espiritismo e modernidade na imprensa maranhense (1875-1899)
PALAVRAS-CHAVES: Loucura; Suicídio; Espiritismo; Imprensa; Maranhão.
PÁGINAS: 213
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: História
RESUMO: Esta tese investiga narrativas e discursos jornalísticos em torno da loucura, da alienação mental e do suicídio, publicados nos jornais Diário do Maranhão, Publicador Maranhense, O Paiz, O Christianismo: semanario religioso e Pacotilha, no último quartel do século XIX (1875-1899), todos disponíveis no Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. Defendemos a hipótese de que a imprensa não apenas refletia os preconceitos e temores sociais da época, mas atuou como porta-voz dos anseios de grupos sociais que tentavam implantar um processo de modernidade/civilização, e todos aqueles que contrariavam esse ideal, como loucos, suicidas e espíritas se tornaram um empecilho. Esse estudo seguiu a perspectiva da História Social da loucura e do suicídio, nos debruçamos sobre as narrativas marcadas fortemente pela tentativa de medicalização da sociedade, modernização e sugestões de implantação de um projeto civilizacional para São Luís por parte das autoridades políticas e médicas da região. Desta forma, seguiam uma perspectiva transnacional, conforme descrita por Machado et al (1978), no momento em que a medicina passou a ser um fator essencial dentro da política para construção e ordenação da sociedade brasileira. Observamos que a temática se tornou preponderante na imprensa maranhense, para tanto analisamos casos de aprisionamentos de homens e mulheres loucas, internações compulsórias, anúncios de suicídios, a tentativa de construção do primeiro hospício no Maranhão, criação de leis para controle dos alienados nas cidades e das diversas notícias de articulistas sobre causas e efeitos da loucura e do suicídio. Nesta seara discursiva e higienista, durante a pesquisa identificamos que a imprensa oitocentista realçou o espiritismo como vetor de loucura, por isso também investigamos de que maneira o surgimento e a difusão do espiritismo, sistematizado por Allan Kardec, foram apropriados por narrativas jornalísticas que o representavam como ameaça à racionalidade e à ordem social, contribuindo para a construção social da anormalidade e para o fortalecimento de mecanismos de controle simbólico sobre práticas religiosas dissidentes do cristianismo. A junção da documentação fragmentada nos permitiu perceber que este tema em voga naquele contexto era uma preocupação por parte de alguns grupos sociais, não somente políticos, mas parte da sociedade civil que se incomodava com os andrajos dos loucos e o aumento dos suicídios. Além da documentação primária, a bibliografia especializada contribuiu teoricamente para este trabalho, nomes como Foucault, Machado et al, Engel, Costa entre outros. Por fim, esse estudo nos permitiu compreender que os discursos narrativos naquele contexto serviram para reforçar a estigmatização sobre as doenças mentais e o Espiritismo como vetor de loucura, que a tentativa de medicalização não se concretizou e a imprensa maranhense serviu como agente ativo na construção social contemporânea sobre loucos e suicidas.
MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - AGOSTINHO JUNIOR HOLANDA COE - UFPI
Externo à Instituição - ALDRIN MOURA DE FIGUEIREDO - UFPA
Presidente - 1434296 - ALIRIO CARVALHO CARDOSO
Interno - 271716 - JOSENILDO DE JESUS PEREIRA
Interno - 2178433 - LYNDON DE ARAUJO SANTOS

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