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Banca de DEFESA: DULCE MARIA PEREIRA

2026-06-22 08:07:34.413

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: DULCE MARIA PEREIRA
DATA: 03/07/2026
HORA: 10:30
TÍTULO: História Ambiental e Desastres em duas Nações Atlânticas: Conexões, Transnacionais e Mineração na África do Sul e no Brasil
PALAVRAS-CHAVES: Desastres Ecotecnológicos; Mulheres e Racismo Ambiental; Conexões Cisatlânticas da Mineração; Transnacionais, Haitianismo e Redes Mercantis; Capitaloceno.
PÁGINAS: 549
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: História
RESUMO: A pesquisa investiga as conexões entre a História Ambiental da África do Sul e do Brasil no contexto do extrativismo minerário, analisando os impactos de desastres ecotecnológicos decorrentes de rupturas de barragens de rejeitos em três localidades afetadas. Ancorado no discurso proferido pelo então presidente do Chile, Salvador Allende, na ONU em 1972, a respeito da "agressão imperialista" de corporações transnacionais, este estudo abrange o período de 2010 a 2025. Por meio de uma abordagem multimétodos que integra o Diagnóstico Participativo, a ciência de redes e a análise estatística, a tese avalia a atualidade das premissas de Allende sobre os desafios à soberania estatal em nações minerodependentes.O estudo propõe uma modelagem formal que traduz a atribuição de responsabilidade objetiva às corporações em parâmetros quantificáveis, por meio do desenvolvimento de duas equações originais: a primeira estipula o "salário do cuidado", destinado às mulheres residentes nos epicentros dos desastres; a segunda estabelece uma métrica de obrigatoriedade correspondente à Dívida Socioambiental (DSA), uma reparação relativa dos impactos. As investigações nos territórios centram-se nos cenários de Jagersfontein e Soweto, na África do Sul, e de Aurizona, no Brasil, identificando como os interesses corporativos atualizam práticas de ocupação, silenciamento e externalização de riscos — reeditando métodos originados na ocupação da África Subsaariana e consolidados na história colonial.Examina-se o controle neocolonial, a minerosubserviência e as práticas patriarcais de coerção, ecocídio e epistemicídio, evidenciando a intencionalidade da ocupação territorial, a fuga de capital e a omissão na fiscalização estatal. Revela-se, assim, uma contradição estrutural profunda: o uso de ferramentas de gestão ambiental para mascarar a realidade empírica da atividade extrativista frente às métricas de mercado. A pesquisa mobiliza os conceitos de necroengenharia e racismo ambiental, conferindo ênfase ao subsídio oculto — dimensionado matematicamente pelo salário do cuidado — e ao haitianismo, caracterizados pelo trabalho expropriado de mulheres no cuidado, na dispersão de contaminações e na sobrevivência diante da degradação. Por fim, o estudo explora os tratados multilaterais e acordos bilaterais firmados por esses países, delineando possibilidades para uma história ambiental soberana, fundamentada na cooperação decolonial em face da transição energética global. A pesquisa conclui, referenciada na bibliografia de apoio e nos dados empíricos sistematizados, que o capitalismo contemporâneo, ancorado no racismo e no paternalismo, reconfigura territórios periféricos em zonas de sacrifício através de uma assimetria estrutural. Nessa dinâmica, a riqueza mineral circula transacionalmente em mercados financeiros, articulada por cadeias mercantis que operam a fuga de produtos, compliance, riqueza e soberania, enquanto a degradação ecotoxicológica e a morte lenta permanecem permanentemente localizadas nas comunidades atingidas. Na rede de sujeitos dos processos que desenham a linha do tempo da História Ambiental, há investimentos dedicados a desarticular a relação simbiótica com rios, montanhas e a flora local, pois o extrativismo promove uma ruptura traumática nas linhagens de Bem Viver, convertendo trajetórias de autonomia tradicional em um precariado de sobrevivência. Contudo, há pleno entendimento por parte das comunidades sobre os processos de epistemicídio, com clara percepção da ampliação dos desafios advindos das economias que administram o Capitaloceno, devido à intenção de extração das terras e minerais que as economias tecnológicas necessitam para viabilizar suas transições energéticas, sob riscos de injustiça climática.Entretanto, há resiliência nesses territórios subalternizados, que advém dos conhecimentos ancestrais e da relação individual e coletiva com a Natureza. Estes elementos os conduzem ao reconhecimento do suporte científico como ferramenta para a construção de caminhos futuros na História Ambiental de seus próprios territórios, permitindo que a técnica seja apropriada não como instrumento de despossessão, mas como aliada na salvaguarda de sua própria existência e soberania.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1434296 - ALIRIO CARVALHO CARDOSO
Co-orientador externo à instituição - DIVINE FUH - UCT
Externo à Instituição - EVANDRO MARCOS SAIDEL RIBEIRO - USP
Externo à Instituição - KASSANDRA DA SILVA MUNIZ - UFRPE
Externo à Instituição - KATYA REGINA ISAGUIRRE TORRES - UFPR
Interno - 079.986.057-31 - LUIZ ALBERTO ALVES COUCEIRO
Interno - 2074262 - VICTOR DE OLIVEIRA PINTO COELHO

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