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Banca de QUALIFICAÇÃO: FABIO HENRIQUE GONCALVES SOUSA

2026-07-02 15:03:10.077

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: FABIO HENRIQUE GONCALVES SOUSA
DATA: 31/07/2026
HORA: 14:00
TÍTULO: Quando a ficção mira o retrovisor: história, literatura e conexões afrodiaspóricas nos romances Água de barrela (2016), O Crime do Cais do Valongo (2018) e Solitária (2022), de Eliana Alves Cruz.
PALAVRAS-CHAVES: Ficção; História e literatura; Romance histórico; Literatura afrodiaspórica; Literatura afro-brasileira.
PÁGINAS: 205
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: História
RESUMO: Na tese em elaboração, concentro o foco na obra da ficcionista Eliana Alves Cruz – mais especificamente em três romances, emblemáticos de momentos singulares de sua trajetória: a estreia com Água de barrela (2016), após vencer um concurso público criado para premiar narrativas que privilegiassem a temática da cultura afro-brasileira; O Crime do Cais do Valongo (2018), publicado pela Editora Malê, especializada em autorias negras; e Solitária (2022), que marca o ingresso da autora na Companhia das Letras, maior casa editorial do país. Livros que têm em comum tramas e personagens ficcionais interligadas a representações de base histórica, principalmente os temas que compõem a trajetória das pessoas negras (africanos e afrodescendentes), com suas existências (configurações sociais e culturais) e resistências (à subalternização material e simbólica). A tese acompanha esse trânsito definidor daqueles escritos e é, ela própria, marcada por um caráter interdisciplinar, a exemplo da bibliografia com a qual dialoga – constituída tanto por produções acadêmicas quanto por textos identificados como literários. Direciono a investigação sobre os três romances de Eliana Alves Cruz a partir de dois movimentos: a história dentro dos romances, evidenciando as referências e os diálogos que a autora estabelece com fatos, personagens e contextos históricos; e os romances dentro da história, com a análise de suas inserções na tradição da literatura brasileira, em geral, e da chamada literatura afro-brasileira, em particular. Os romances de Eliana Alves Cruz são interpretados como narrativas em que se almeja, junto com a confecção de um bem acabado produto artístico, construções de sentidos intimamente relacionadas à história da população negra no Brasil – dentro dos recortes espaço-temporais operados por aquela autora. Algo feito a partir de uma modalidade muito específica de narrativa: o romance histórico, que assume ao longo do tempo diversas configurações, respondendo às demandas de cada época e lugar. A reflexão aqui proposta sobre a obra romanesca de Eliana Alves Cruz é, em grande medida, orientada pelas ideias de “decolonialidade” e “afrocentricidade”, que preconizam a legitimidade de múltiplos conhecimentos e visões de mundo, anulando divisões que subalternizam e deslegitimam populações inteiras e suas construções culturais – em que itens como ancestralidade, memória e oralidade têm papel de grande relevância. Característica encontrada em outras autorias, oriundas de regiões também marcadas pelas conexões atlânticas que tiveram, na sua base, por aproximadamente quatro séculos, a escravização de africanos e afrodescendentes – e também pelos desafios contemporâneos impostos a partir daquela realidade histórica. Escritores e escritoras que poderiam, respeitadas suas particularidades, ser abrigados(as) sob a denominação “literatura afrodiaspórica”. A obra de Eliana Alves Cruz configura-se como um projeto literário, voltado para a construção de narrativas ficcionais em bases diferentes das tradicionalmente erigidas na literatura brasileira, calcada em personagens negras estereotipadas, com pouca profundidade e em papéis que não valorizavam suas subjetividades. Nesse sentido, a obra tem uma perspectiva afro-brasileira da literatura. Da mesma forma, na medida em que os recortes da história do Brasil, presentes nos romances, são dados a partir da ótica de personagens negras (suas narrativas e tradições), a obra tem, de certo modo, uma perspectiva afro- brasileira da história.
MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - CRISTIAN SOUZA DE SALES - UNEB
Interno - 1178205 - ISABEL IBARRA CABRERA
Externo à Instituição - PETRÔNIO JOSE DOMINGUES - UFS
Presidente - 1494522 - REGIA AGOSTINHO DA SILVA

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