Banca de DEFESA: AVELINO GAMBIM JÚNIOR
2026-08-03 19:10:47.892
Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: AVELINO GAMBIM JÚNIOR
DATA: 13/08/2026
HORA: 09:00
TÍTULO: Arqueologia da Contemporaneidade na Aldeia Manga: lugares, materialidades e memórias da presença Karipuna na fronteira entre Brasil e Guiana Francesa (Final do séc. XIX- Tempo presente)
PALAVRAS-CHAVES: Karipuna do Oiapoque; territorialidade; lugares persistentes; pertencimentos; arqueologia participativa; arqueologia do contemporâneo; arqueologia da colonialidade.
PÁGINAS: 387
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: História
RESUMO: A história dos povos indígenas na Amazônia tem sido contada, predominantemente, por meio de lentes coloniais: pelos relatos de viajantes, exploradores e agentes do Estado-nação que os classificavam segundo supostos ―estágios‖ de civilização ou ―mistura‖. Nas últimas décadas, no entanto, o protagonismo indígena, sempre presente em diferentes momentos históricos, é visivelmente expresso hoje na articulação de associações, conselhos e organizações que reivindicam o direito de contar suas próprias histórias. Essa realidade também se manifesta na região de fronteira entre Brasil e Guiana Francesa, no baixo Oiapoque, onde os povos originários das Terras Indígenas Uaçá, Juminã e Galibi, desde a década de 1970, vêm fortalecendo seu protagonismo. É nesse contexto que se insere esta tese, dedicada ao povo Karipuna da aldeia Manga, às margens do rio Curipi. Há mais de dois séculos, as famílias Karipuna vêm se reinventando nas relações com múltiplos entes pessoas de outras etnias, afrodescendentes, quilombolas, saramakás, crioulos, franceses, brasileiros. Mas também com seres sobrenaturais, como os karuãna, espíritos donos das matas, das águas e dos lugares, e com o próprio território, com seus lugares de memória e vestígios do passado. O objetivo central desta pesquisa colaborativa e participativa é compreender como os Karipuna da aldeia Manga constroem narrativas, memórias e histórias sobre esses lugares e vestígios na contemporaneidade, levando em consideração o final do século XIX ao tempo presente. Para tanto, a pesquisa adota uma abordagem que articula a arqueologia do colonialismo e as discussões sobre ontologias indígenas amazônicas e pertencimentos. Metodologicamente, a pesquisa afastase do modelo extrativista e adota uma práxis participativa fundamentada na etnografia arqueológica e na Nova Cartografia Social da Amazônia. Por meio de oficinas, caminhadas comentadas, conversas informais e da construção coletiva de um mapa participativo com os professores da Escola Indígena Estadual Jorge Iaparrá, buscou-se estabelecer uma relação de simetria de conhecimentos. Os resultados revelam a extraordinária densidade do território Karipuna. Lugares como o Campinho, Hox Fãde, a ilha Kumaru e o Batxi Hox emergem como espaços persistentes, acumulando camadas de significado que remontam a ocupações antigas, conflitos interétnicos, moradas de karuãna e memórias familiares. Objetos vasilhas de caxixi, fragmentos cerâmicos arqueológicos indígenas, raladores de mandioca, canoas de madeira, bancos zoomorfos do Turé e maracás revelam-se pertencimentos que conectam pessoas, gerações e etnias. O mapa participativo e as oficinas de arqueologia, por sua vez, constituem-se como uma contranarrativa cartográfica em relação aos mapas colonialistas. Trata-se de conhecimentos híbridos que articulam técnicas de georreferenciamento e cartografia social com toponímia em kheuól, desenhos e narrativas, afirmando a presença Karipuna no território e servindo como instrumento de luta e gestão territorial. A tese contribui, desse modo, para movimentos de descolonização da arqueologia, demonstrando que é possível praticar uma arqueologia com os povos indígenas não sobre eles , na qual os vestígios do passado não são inalcançáveis, mas ferramentas de afirmação identitária e de reconexão com memórias, narrativas e histórias no presente, bem como para a construção do território.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1740711 - ALEXANDRE GUIDA NAVARRO
Externo à Instituição - CARINA SANTOS DE ALMEIDA - UNIFAP
Externo à Instituição - Clarisse Callegari Jacques - NENHUMA
Externo à Instituição - GÉRALD MIGEON - NENHUMA
Interno - 2365309 - SORAIA SALES DORNELLES
Externo à Instituição - VERÔNICA XAVIER LUNA - UNIFAP