Ir para acessibilidade
inicio do conteúdo

Banca de Qualificação: ALINE ROBERTA SANTOS CARDOSO SILVA

2025-05-31 09:44:54.392

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: ALINE ROBERTA SANTOS CARDOSO SILVA
DATA: 02/06/2025
HORA: 14:30
LOCAL: https://meet.google.com/icb-fjkb-yow
TÍTULO: “A CIÊNCIA SE FAZ COM HISTÓRIA”: Trajetórias de mulheres pretas doutoras em Química no Maranhão
PALAVRAS-CHAVES: Epistemologias negras, Docência insurgente, História oral de vida, Resistência epistêmica, Ciência e racialização.
PÁGINAS: 86
GRANDE ÁREA: Multidisciplinar
ÁREA: Ensino
RESUMO: Esta dissertação investiga as trajetórias das primeiras mulheres pretas maranhenses que conquistaram o título de doutoras em Química, com o objetivo de compreender suas contribuições para a formação docente e os sentidos atribuídos à docência em suas experiências. O estudo está delimitado ao contexto maranhense e enfoca interseccionalmente os marcadores de gênero, raça e classe, considerando os atravessamentos históricos e sociais que moldaram os percursos dessas mulheres na ciência. A relevância da pesquisa reside na visibilização de saberes, práticas e resistências que costumam ser silenciados no campo acadêmico, tensionando a lógica hegemônica da produção de conhecimento científico. O referencial teórico articula os estudos feministas negros (como os de Angela Davis, Patricia Hill Collins, Sueli Carneiro, Lélia Gonzalez), a perspectiva decolonial (como Frantz Fanon, Aníbal Quijano, Maria Lugones e Catherine Walsh) e a teoria da interseccionalidade proposta por Kimberlé Crenshaw, Carla Akotirene e Sirma Bilge. A metodologia adotada é qualitativa, de orientação fenomenológica (Bicudo), ancorada na História Oral de Vida e na Análise Textual Discursiva (ATD), e envolveu entrevistas com duas professoras doutoras negras em Química. A análise das entrevistas gerou cinco categorias: (1) Origens, infância e caminhos de escolarização, que evidenciam experiências marcadas por privações materiais e racismo estético, mas também por uma valorização da educação como possibilidade de mudança; (2) Formação acadêmica e resistência institucional, que revela os enfrentamentos diante das barreiras raciais, linguísticas e estruturais no Ensino Superior e na pós-graduação; (3) Ser mulher negra na ciência: (in)visibilidade, desconfiança e reivindicação, que denuncia o estranhamento da presença negra na ciência e destaca os processos de afirmação identitária; (4) Práticas pedagógicas e compromisso com a transformação social, que mostra como essas docentes atuam com afeto, acolhimento e responsabilidade social, ressignificando o ensino de Química; e (5) Legados, subjetividades e (re)invenções, que aborda maternidade, adoecimento, arte e resistência afetiva como dimensões íntimas da vivência docente. Os resultados evidenciam a centralidade da docência como prática política e espaço de resistência, revelando saberes que desafiam a colonialidade do saber, do poder e do ser. As narrativas das participantes apontam para um compromisso ético com a transformação da educação e com a afirmação de suas identidades negras, inscrevendo suas existências como atos de reescrita da história e como inspiração para outras gerações. Conclui-se que essas trajetórias constituem práticas de insurgência epistêmica, propondo novas formas de pensar e ensinar ciências a partir de lugares subalternizados, porém potentes.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2236371 - CAROLINA PEREIRA ARANHA
Interno - 116.632.193-20 - MARIA CONSUELO ALVES LIMA
Externo à Instituição - Paloma Nascimento dos Santos - IFBA

fim do conteúdo