Banca de QUALIFICAÇÃO: LUANA KERLY ALVES COELHO
2025-07-03 12:53:39.197
Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: LUANA KERLY ALVES COELHO
DATA: 16/07/2025
HORA: 14:00
TÍTULO: PRAZERES, PROFANIAS E EPISTEMOLOGIA SAPATÃO: O FEMINISMO LÉSBICO EM AUDRE LORDE E MONIQUE WITTIG
PALAVRAS-CHAVES: Lesbianidades; feminismo lésbico; epistemologia sapatão.
PÁGINAS: 76
GRANDE ÁREA: Multidisciplinar
ÁREA: Interdisciplinar
RESUMO: Esta dissertação investiga as contribuições do feminismo lésbico, a partir das obras de Audre
Lorde e Monique Wittig. A escrita assume a pessoalidade como método político e epistêmico,
reconhecendo o corpo e a experiência da autora, uma mulher lésbica, como parte do processo
de produção de conhecimento. A partir de um corpo que escreve e sente, marcado pelas
violências do gênero, da sexualidade, da classe e da colonialidade, a pesquisa tem como
objetivo analisar como o pensamento de Audre Lorde e Monique Wittig contribui para a
construção de um feminismo lésbico que desafia a hegemonia cisheterobranca-colonial do
gênero e a noção universal de mulher. Sustentada por um arcabouço teórico interseccional e
decolonial, a investigação mobiliza autoras como Lugones, Gonzalez, Crenshaw, Letícia
Nascimento, além das próprias Wittig e Lorde, para tensionar o mito fundador do feminismo e
seus apagamentos históricos de mulheres negras, lésbicas e dissidentes. O trabalho adota uma
metodologia qualitativa e bibliográfica, com enfoque teórico-analítico, e parte da análise dos
ensaios O pensamento hétero (2022), de Monique Wittig, e Irmã Outsider (2021), de Audre
Lorde, compreendidos como documentos de insubordinação textual, política e afetiva. A
dissertação se organiza em três capítulos: o primeiro discute o mito e a homogeneização da
categoria "mulher" no pensamento feminista moderno; o segundo explora as múltiplas
nomeações e experiências das lésbicas, como sapatão e caminhoneira, e a potência erótica
como campo de produção epistêmica; o terceiro investiga as intersecções e deslocamentos nas
obras de Wittig e Lorde, com foco em suas proposições críticas e ontológicas sobre gênero,
linguagem e existência. Ao afirmar o feminismo lésbico como uma epistemologia insurgente,
a dissertação propõe a rasura do CIStema, o enfrentamento à norma e a abertura para uma
política do prazer, da escrita e do afeto como formas de resistência. Em última instância, o
texto se apresenta como uma porta de armário que se abre, uma aposta radical na
possibilidade de pensar, sentir e existir fora das margens impostas pela norma.
MEMBROS DA BANCA:
Co-orientador - 1828136 - ANA CAROLINE AMORIM OLIVEIRA
Presidente - 2243382 - CRISTIANE NAVARRETE TOLOMEI
Externo à Instituição - FLÁVIA ANDREA RODRIGUES BENFATTI - USP
Interno - 1073685 - RARIELLE RODRIGUES LIMA