Banca de QUALIFICAÇÃO: VALERIA CRISTINA LOPES DOS SANTOS
2025-07-03 13:29:08.483
Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: VALERIA CRISTINA LOPES DOS SANTOS
DATA: 22/07/2025
HORA: 14:30
LOCAL: sala 01 do PGCult
TÍTULO: FAKE NEWS DO KIT GAY COMO DISPOSITIVO DA SEXUALIDADE Análise das
produções de discursos em 2018 a 2023
PALAVRAS-CHAVES: Fake News; Kit Gay; Dispositivo de Sexualidade.
PÁGINAS: 117
GRANDE ÁREA: Multidisciplinar
ÁREA: Interdisciplinar
RESUMO: Esta dissertação tem como objetivo analisar a produção de discursos das Fakes News do Kit
Gay como dispositivo da sexualidade nas campanhas políticas brasileiras de 2018 a 2023. A
pesquisa busca compreender como essas narrativas falsas operam como uma tecnologia
discursiva que fortalecem projetos conservadores, restringem direitos sexuais e reprodutivos e
legitima práticas de violência simbólica e material contra corpos dissidentes. Insere-se no
campo das relações entre desinformação, política e subjetivação, dialogando com conceitos de
dispositivo da sexualidade Michel Foucault (2017; 2023), performatividade de gênero Judith
Butler (2019;2023;2024), interseccionalidade e marcadores sociais da diferença Avtar Brah
(2016) e colonialidade do poder Aníbal Quijano (2005). A Metodologia adotada é qualitativa,
netnografica crítica e documental, com base na análise do discurso foucaultiana e leitura
decolonial. Foram analisados conteúdos circulados nas redes sociais, declarações públicas de
agentes políticos e materiais utilizados em campanhas eleitorais entre 2018 e 2023. O estudo
ancora-se em um referencial teórico crítico de base interseccional e decolonial, fundamentados
nos trabalhos de Judith Butler, Michel Foucault, Avtar Brah e Aníbal Quijano. Os resultados
parciais revelam que as fake news do kit gay operam como dispositivos de poder que
atualizam estratégias de controle social por meio da mobilização de pânicos morais. Essas
narrativas articulam discursos de proteção da infância e da moral cristã com ataques à
diversidade sexual e de gênero, produzindo efeitos de exclusão e marginalização de corpos
dissidentes. Identificou-se a atuação de uma disciplina sobre a sexualidade que regula e
normatiza corpos não conformes, ao mesmo tempo em que reitera a colonialidade do poder
através da articulação entre raça, classe e gênero. Em contraponto, observam-se práticas de
resistência nas redes sociais e no espaço público, por meio de alianças performativas que
disputam os sentidos de gênero e ampliam a luta por cidadania sexual. Conclui-se que as fake
news do kit gay não são apenas desinformações isoladas, mas compõem um dispositivo
articulado que reforça a heteronormatividade e os projetos conservadores no Brasil. Ao
mobilizarem o medo moral como estratégia política, tais narrativas afetam diretamente a
cidadania de sujeitos dissidentes, mulheres e população LGBTQIA+ e fragilizam o tecido
democrático. Contudo, as agências emergentes, especialmente nas redes digitais e nos
movimentos sociais, revelando fissuras nos regimes de verdade, abrindo caminhos para
reexistência e a disputa simbólicas por reconhecimento e direitos.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1828136 - ANA CAROLINE AMORIM OLIVEIRA
Externo à Instituição - FRANCISCO GLEIDSON VIEIRA DOS SANTOS - UEVA
Interno - 1086593 - ZILMARA DE JESUS VIANA DE CARVALHO