Banca de DEFESA: VALERIA MATOS CUTRIM
2026-01-15 12:23:52.664
Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: VALERIA MATOS CUTRIM
DATA: 26/01/2026
HORA: 09:00
TÍTULO: OS GRIOTS E O PAPEL DA ORALIDADE EM ANGOLA: a formação da memória
coletiva em Parábola do Cágado Velho, de Pepetela
PALAVRAS-CHAVES: Parábola do cágado velho; Pepetela; oralidade; memória; Angola.
PÁGINAS: 109
GRANDE ÁREA: Multidisciplinar
ÁREA: Interdisciplinar
RESUMO: A literatura pós-colonial foi extremamente importante para que os escritores angolanos
passassem a escrever a sua própria história, agora não mais escrita por um olhar colonial. A
escrita passa a ser uma ferramenta extremamente importante de cunho emancipatório e
combativo. Foi por meio dela que eles retratavam as guerras, a fome, a independência e os
costumes locais que o povo continuava a cultivar. Como parte integrante desse leque de autores,
destaca-se Pepetela, o qual, através de suas produções literárias, busca resgatar a história do seu
povo oprimida pela chegada da colonização e, em concomitância, revelar traçossocio-histórico-
culturais que fundamentam seu território. Com um enredo marcado pela oralidade, empregando
amplamente o Kimbundo, umas das línguas angolanas, o autor reaviva, valendo-se da memória
coletiva, um tempo em que os ensinamentos eram repassados pela figura do mestre, os griots,
verdadeiros tecelões ancestrais que possuem o compromisso de conservar o elo entre passado
e presente. Com o romance Parábola do Cágado Velho (1996), Pepetela reinscreve a contação
de estória pelo paralelo fala e escrita. É com esse romance que o autor assume um compromisso
de regresso às origens. A partir de um mergulho em suas vivências, ele propõe uma relação
entre homem-cágado, em que o animal é visto como um grande portador de conhecimento,
reverenciado como uma entidade religiosa. O cágado seria cultuado como esse grande griot,
que detém os valores, princípios e conselhos. Mediante a característica didática de uma
parábola, o narrador se vale dessa alegoria para revisitar práticas ancestrais guardadas na
memória coletiva de uma sociedade, impactando diretamente na perpetuação desse patrimônio
imaterial que é a tradição oral, resgatando identidades e estabelecendo a coesão grupal em um
potencial transformador. A relação entre o animal e Ulume simboliza uma comunhão entre a
tradição e a sabedoria ancestral, expressando o culto às figuras detentoras de conhecimento.
Logo, para a realização deste estudo, de abordagem qualitativa, de cunho bibliográfico e
documental, dentro de um campo interdisciplinar, recorre-se a reflexões críticas de estudiosos
como: Aimé Césaire (1978), Alain Gheerbrant (2007), Amadou Hampâte Bâ (1987), Ana
Mafalda Leite (2020; 2022), Chinua Achebe (1989), Frantz Fanon (2005), Edward Said (1995),
Gayatry Chakravorty Spivak (2010), Héli Chatelain (1888-89), Homi K. Bhabha (1998),
Honorat Aguéssy (1997), Inocência Mata (2010; 2012; 2014), Jan Vansina (1982), Jean
Chevalier (2007), Laura Padilha (1995), Leda Maria Martins (2021), Maurice Halbwachs
(2003), Michael Pollak (1992), Pierre Nora (1993), Rita Chaves (1999; 2004; 2005), Stuart Hall
(2003), Terry Eagleton (1983).
MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - ALGEMIRA DE MACEDO MENDES - UESPI
Interno - 1876492 - CLAUDIA LETICIA GONCALVES MORAES
Presidente - 407290 - MARCIA MANIR MIGUEL FEITOSA