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Banca de QUALIFICAÇÃO: MARIA EMILIA MIRANDA ALVARES

2026-07-28 22:23:48.825

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: MARIA EMILIA MIRANDA ALVARES
DATA: 29/07/2026
HORA: 09:00
TÍTULO: TESTOSTERONA PARA ALÉM DA CONSTRUÇÃO DE CORPOS MASCULINOS: OS SENTIDOS PARA PERFORMATIVIDADE DE MULHERES CISGÊNERO
PALAVRAS-CHAVES: Corpo; Testosterona; Gênero; Tecnopolítica; Interdisciplinaridade.
PÁGINAS: 140
GRANDE ÁREA: Multidisciplinar
ÁREA: Interdisciplinar
RESUMO: A testosterona, em sua caracterização biomolecular, é produzida fisiologicamente pelos testículos, sendo considerada como hormônio masculino por excelência, ligada à virilidade e seus desdobramentos: libido excessiva, fonte de desejo sexual, força e rejuvenescimento. O que se tem observado, atualmente, é o uso da testosterona e de seus derivados por mulheres cisgênero para aprimoramento estético e/ou como tratamento para a melhora do desempenho sexual. Dito isso, busca-se compreender quais tecnobiopolíticas estão impulsionando o uso de testosterona por mulheres cisgênero? O fato de a testosterona ser reconhecida hegemonicamente como o principal hormônio masculino, responsável por desenvolver características sexuais secundárias tidas como masculinas – desenvolvimento da massa muscular e óssea, timbre grave da voz, espessamento dos pelos em várias partes do corpo –, prescrita de forma oficial ou indicada oficiosamente como um potencializador sexual e mantenedor de atributos de masculinidade, torna-se necessário, como objetivo de pesquisa, compreender o uso da testosterona como uma categoria tecnopolítica para a construção da performatividade da mulher cisgênero. Metodologicamente, é uma pesquisa exploratória, de abordagem qualitativa, de etnografia multissituada (Marcus, 1995) e autoetnográfica (Versiani, 2005; Raimondi et. al, 2020; Gama, 2020) ou seja, além de investigar sujeitos outros, também descreverei minhas próprias experiências na qualidade de pessoa hormonizada. Como técnica, utilizarei o diário de campo e a entrevista em profundidade, com base em um roteiro semiestruturado e como público interlocutor, as mulheres cisgênero usuárias de testosterona ou derivados frequentes em academias de ginástica, contextos esportivos, clínicas endocrinológicas e ginecológicas. A seleção da amostra se dará pela técnica snowball ou bola de neve (Vinuto, 2014). As reflexões e análises dos dados serão feitas por meio da perspectiva interseccional e da análise textual discursiva. Esta pesquisa é interdisciplinar pois entrecruza as áreas da bioquímica, medicina, da filosofia, da ética, da antropologia, sociologia, dos estudos de gênero e queer, em seus desafios e complexidades, discutindo categorias como o biopoder e a biopolítica de Michel Foucault (2005), testosterona e masculinidades, de Tramontano (2023) e Raewyn Connell (2013), Antropologia e Sociologia do corpo (2012; 2013), de David Le Breton, Teoria Queer, com a era farmacopornográfica de Paul Preciado (2018), a performatividade de gênero e gênero inteligível de Judith Butler (2003), o pós-humanismo, através da compreensão do tecnocorpo e tecnopolítica de Donna Haraway (2009) e do realismo agencial e intra-ação de Karen Barad (2021) e, por fim, a cisheteronormatividade, de Viviane Vergueiro (2016) e mulheridades, de Letícia Nascimento (2021). Conhecer sobre os usos do andrógeno por mulheres cisgênero pode demonstrar as dinâmicas científicas e políticas do momento. Trata-se, pois, de um fenômeno pouco esquadrinhado, à luz do campo dos estudos sociais e da Teoria queer, sob o ponto de vista das mulheres. Daí a importância da realização desta pesquisa, que, a partir de uma abordagem interdisciplinar do tema, investigará as narrativas de incentivo e de interesse das mulheres em utilizar o andrógeno.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1828136 - ANA CAROLINE AMORIM OLIVEIRA
Externo ao Programa - 392.674.938-50 - BARBARA RODRIGUES BARBOSA
Externo à Instituição - MARIANE DA SILVA PISANI - UFPI

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